Short Tuesday

31 Outubro 2008, 20:09 · João Jesus Caetano

A questão para a noite eleitoral de terça-feira é a de saber se basta contar os votos até a Appalachia (Carolina do Norte, Florida e Virgínia), ou se é necessário esperar que os fusos horários cubram o território norte-americano até ao Mississippi (Ohio e Missouri). Sim, porque isto de noites eleitorais longas já era.

Róisín Murphy: (over)powered, mas quanto?

31 Outubro 2008, 14:19 · Miguel Cabrita

Foi ontem no Coliseu, será hoje na Casa da Música. Powered, mas não em demasia, a magnética Róisin Murphy não terá gerado a euforia que alguns antecipavam, mas um bom concerto que oscilou entre o ritmo e a maior intimidade, com interpretações mais soltas quer da fase-herbert quer do último álbum. Tanto melhor, mais espaço para músicas com menos exposição mas brilhantes (esta, por exemplo) e para uma deliciosa voz que se revela (ainda mais) em registos a que é menos habitual associá-la. Talvez ainda venhamos a conhecer Róisín melhor - ou ela a nós.

Chance, the gardener, ou a Directora-Geral dos Assuntos da Oposição (DGAO)

30 Outubro 2008, 20:35 · António M. Costa

Em Being There, Peter Sellers interpreta o hilariante papel de um jardineiro que é confundido com um homem de negócios (Chance… gardener transforma-se subitamente em Chauncey Gardiner) e passa a dar conselhos respeitáveis sobre a política em geral, baseados em lugares comuns que rondam a idiotia.

As últimas declarações da DGAO parecem uma réplica muito exacta do herói encarnado por Peter Sellers. Intimada a falar ou a calar-se para sempre, a Drª. Manuela veio a terreiro tomar partido sobre questões de emprego, obras públicas e política em geral, com rara desenvoltura.

Vejamos: sobre o emprego, diz Ferreira Leite que o mais avisado é não aumentar o salário mínimo. Tem razão. Mas, para ser mesmo coerente, deveria propor que os portugueses trabalhassem de borla. Eram só vantagens, visto que a economia ficava mais competitiva e nenhum empregador no seu perfeito juízo deixaria de aceitar estes novos escravos do regime democrático.

Esta brilhante proposta tem naturais consequências na política de obras púbicas. Com trabalhadores sem custos, à maneira dos trabalhadores forçados a construir estradas e pontes, é claro que não será preciso recorrer ao crédito. Poderemos assim desenvolver uma política de obras públicas, ao mesmo tempo que se combate o défice e se melhora o estado económico do país. Suspeito até que esta política possa provocar um efeito demográfico que devemos avaliar lá mais para a frente.

Mas onde Ferreira Leite se esmera mesmo é na explanação do seu pensamento político. Aí é justo dizer que supera mesmo Chance, the gardener. Só em discurso directo, recorrendo à Lusa, vale a pena acompanhá-la:
- “Perder as eleições é uma derrota”;
- “Perderemos as eleições se não ganharmos as eleições”;
- “Não há duas hipóteses possíveis: ou perde-se ou ganha-se”;
- “Não sei porque é que não havia de governar em minoria”;
- “É bom a estabilidade política mas também não é sempre conveniente”.

Todas estas afirmações, límpidas e irrefutáveis, passarão a fazer parte do nosso já vasto acervo ideológico-político. Por isso, espera-se que Manuela Ferreira Leite se conserve por muitos e bons anos como Directora-Geral dos Assuntos da Oposição.

Palavras de ontem ou de hoje

30 Outubro 2008, 18:39 · André Salgado

“Apenas congelar os vencimentos dos funcionários e cortar no investimento não é sustentável numa legislatura de quatro anos. Havia toda uma fase de gestão microeconómica da administração pública e aí precisava-se de um general de economia e finanças e não de uma senhora que só sabe de contabilidade pública”

- Luís Mira Amaral de Manuela Ferreira Leite, Março de 2005 -

Quelle surprise! Afinal, o consumo na América também desce

30 Outubro 2008, 18:35 · Pedro Machado

Os dados do trimestre da economia norte-americana, hoje divulgados, anunciam uma contracção de 0,3% do PIB. Supostamente, a dimensão da contracção foi menor do que a generalidade das previsões feitas, como aqui se observa - seja lá o que isso queira dizer. Mas mais importante do que o recuo trimestral do PIB norte-americana, é a sua causa que aparece relacionada com a quebra pronunciada do consumo (-3,1%). Ora, esta componente do PIB não registava qualquer declínio desde 1991(!).

Esta evidência parece, desde já, suficiente para se perceber que a actual crise será bem mais severa e profunda do que seria expectável, sobretudo porque ela vai atacar um dos pilares do modelo de globalização que se começou a desenhar desde o início do anos 90. É bom não esquecer que este modelo assentou, primordialmente, no consumidor norte-americano. Sendo certo que o seu afã consumista foi alimentado pelo aumento exponencial do crédito que, por sua vez, foi sustentado pela inovação financeira e pela compra de títulos da dívida pública americana pelos países asiáticos, em particular Japão e China, e do Médio Oriente, o actual modelo de globalização assentou na premissa de que o consumo norte-americano não registasse quebras. Só que, tal como as casas na América se desvalorizam, também aí o consumo se retrai. E a desconstrução desse mito arrastará consigo, muito provavelmente, a globalização tal como a conhecemos.

“Obama é de esquerda?”

30 Outubro 2008, 17:15 · Filipe Nunes

Este texto do Paulo Pedroso  merece outra atenção. E é bem verdade que, na perspectiva da renovação da esquerda, «pouco importa a simpatia ou antipatia que se tenha pelas personalidades de Manuel Alegre, ou de Mário Soares, ou de José Sócrates, ou de Francisco Louçã». Mas convenhamos que Louçã também não ajuda nada:

«No debate promovido pela Tinta da China (…) Francisco Louçã falou longamente questionado sobre actualidade internacional. Com as eleições norte-americanas à cabeça. “Obama é de esquerda”, perguntaram-lhe. “Não. É uma ofensa terrível”, respondeu».

(Louçã citado hoje na p. 16 do Diário de Notícias)

Real Clear Politics

30 Outubro 2008, 16:45 · Rui Branco

+ =

(* + * = *)

Os rankings e a liberdade de escolha

30 Outubro 2008, 16:10 · Mariana Vieira da Silva

Ontem foi dia de rankings para jornais e televisões e logo as vozes do costume apareceram a enaltecer as virtudes dos colégios privados e os defeitos da escola pública. Parece-me que não foram tão longe como deviam: é que não são só os colégios privados que são melhores que as escolas públicas, as escolas do litoral também são melhores que as do interior, como bem mostra este quadro do JN.

É, pois, com ansiedade que aguardo um qualquer projecto político que proteja a liberdade de escolha e proponha um qualquer voucher para fazer face a este gráfico. Isso, ou o Colégio São João de Brito abrir vagas para todos os alunos do distrito de Bragança.

Os trabalhadores pobres

30 Outubro 2008, 13:25 · Mariana Trigo Pereira

Apenas completando o post do Rui, queria só introduzir no debate este gráfico que retirei deste texto:

Salário mínimo

30 Outubro 2008, 11:53 · Rui Branco

Ainda em relação às hábeis e piedosas declarações de Manuela Ferreira Leite sobre o salário mínimo (repetidas ontem à noite) e aos terrorismos do senhor das PME’s a roçar a obscenidade, convém ler o estudo de Ricardo Paes Mamede «Impacto do Aumento do Salário Mínimo em 2008: uma Estimativa Baseada na Estrutura Salarial das Empresas Portuguesas» (aqui), que a Susana Corvelo deixou linkado em comentário ao post da Mariana, do qual destaco o seguinte, das conclusões:

Primeiro, que «o impacto em 2008 do acordo sobre a evolução da RMMG, em termos de aumento dos custos salariais das empresas portuguesas, assume um valor modesto, correspondendo a cerca de 0,13% do volume total de ganhos dos TCOs [trabalhadores por conta de outrem] a tempo integral».

Depois, que: «Em geral, os resultados sugerem que os efeitos do acordo sobre os custos da generalidade das empresas portuguesas são moderados. O impacto relativamente modesto do acordo sobre a evolução da RMMG em termos de custos salariais reforça a ideia de que o acordo alcançado poderá estar a contribuir para diminuir a incidência do fenómeno dos «trabalhadores pobres» em Portugal, sem com isso pôr em risco o desempenho da economia portuguesa na sua globalidade. Tendo em conta que os salários são apenas uma parcela dos custos totais das empresas, os efeitos globais do acordo para a competitividade do conjunto das empresas portuguesas em 2008 serão provavelmente diminutos

O suposto impacto devastador da elevação do salário mínimo sobre as piquenas e médias empresas, que alimenta a deprimente chantagem social do Senhor Presidente da Associação Nacional das Piquenas e Médias Empresas é uma história da carochinha. Uma treta.

Mas este é apenas um dos lados da questão. O outro é o combate à pobreza e à desigualdade de rendimentos. O aumento do salário mínimo é tanto mais significativo quanto, como se sabe, em Portugal, e ao contrário de outros países, ter emprego não garante que se esteja a salvo do risco de pobreza. A elevação do salário mínimo é decisiva na progressiva eliminação da pobreza entre aqueles com rendimentos do trabalho muito baixos.

É aliás curioso que a coligação de todos aqueles que se afirmam escandalizados com os níveis de pobreza e desigualdade de rendimentos se esboroe quando se trata de apoiar as principais medidas capazes de atenuar essas mesmas desigualdades: reforço da contratação colectiva, fiscalidade mais progressiva na tributação do rendimento e aumento do salário mínimo.

Estalou o verniz

29 Outubro 2008, 22:25 · André Salgado

Só faltava mais esta

29 Outubro 2008, 19:31 · Mariana Trigo Pereira

«O presidente da Associação Nacional das Pequenas e Médias Empresas (PME) ameaçou pedir aos seus associados para não renovarem os contratos a termo certo dos seus empregados caso o primeiro-ministro insista na ideia de actual o salário mínimo nacional. »

Rankings

29 Outubro 2008, 19:13 · Hugo Mendes

A imprensa deleita-se com os ‘rankings das escolas’. Conclui, extraordinariamente, que nos colégios privados a média das notas é superior à das escolas públicas. Variáveis assim irrelevantes, como os capitais cultural e económico das famílias, a mobilização cognitiva dos pais e o dinheiro investido na educação dos filhos, o número de alunos que são ensinados e vão a exame, o efeito de interacção no interior e no exterior da escola, a qualidade dos professores, etc., não interessam.

Desta forma, compara-se o incomparável e retiram-se conclusões ideologicamente formatadas sobre questões metafísicas sobre as virtudes do “ensino privado” e os defeitos da “escola pública”.

A transparência dos resultados em nome de uma maior accountability dos agentes que prestam um serviço público, sim. Mas a “transparência” de rankings sem cuidado analítico para usos quase trauliteiros não vale de muito. A não ser vender o nome de alguns colégios.

Obamacons

29 Outubro 2008, 17:44 · Filipe Nunes

O fenómeno dos Obamacons, de que fala a última edição do Economist, parece ter chegado em força a Portugal. Há uns tempos, foi Luís Nobre Guedes a confessar-se «um devoto de Obama». Hoje foi a vez de António Pires de Lima. 

Das expectativas

29 Outubro 2008, 15:36 · Mariana Trigo Pereira

Nos seus tempos de aluna do ISCEF (actual ISEG) Manuela Ferreira Leite não tomou contacto com as teorias económicas que hoje fazem parte do currículo das cadeiras de macroeconomia e que abordam o papel das expectativas dos ‘agentes’ no desempenho da Economia.

«The theory of rational expectations was first proposed by John F. Muth of Indiana University in the early 1960s. He used the term to describe the many economic situations in which the outcome depends partly on what people expect to happen. The price of an agricultural commodity, for example, depends on how many acres farmers plant, which in turn depends on the price farmers expect to realize when they harvest and sell their crops.(…)»

Talvez com uma actualização dos conteúdos curriculares se evitariam discursos dramáticos como este:
“tudo o que seja dar sinais às pessoas de que o próximo ano vai ser um ano muito bom é obviamente enganar as pessoas.” (MFL)

Ninguém anda a dizer que os próximos tempos vão ser ‘muito bons’ mas se todos nos convencermos de que o futuro é dramático, e se o primeiro-ministro ‘ajudar à festa’, como Ferreira Leite parece querer, o mais provável é que o pior cenário se concretize.

Ui, o ‘facilitismo’

29 Outubro 2008, 13:25 · Hugo Mendes

Os portugueses ainda vão descobrir que isto do ‘facilitismo’ é uma verdadeira conspiração internacional e que não teve origem nem na 5 de Outubro nem nas nossas Escolas Superiores de Educação…

Via Nova e Terceira Via

29 Outubro 2008, 12:57 · Filipe Nunes

Citando de Gaulle, Manuel Alegre reconhece que comete por vezes o erro de ter razão antes de tempo. Voltou, aliás, a cometer esse erro na moção “Falar é preciso”, apresentada ao Congresso do PS em 1999.

Dizia então Alegre: «A crise financeira (…) pode minar, de um momento para o outro, pela incerteza e pela volatilidade, o próprio funcionamento dos maiores centros financeiros do mundo. A ‘mão invisível’ falhou. (…) Temos de continuar a exigir uma reforma das instituições internacionais, do FMI ao Banco Mundial, para que deixem de ser arautos e agentes do pensamento único. Outra lógica terá de presidir à Organização Mundial do Comércio, para que a livre circulação de mercadorias não se torne em mais um instrumento de enfraquecimento das economias mais frágeis. É preciso regular os mercados financeiros mundiais (…).»

É, de facto, extraordinário. Assim de repente, só encontro tamanha presciência no capítulo de um livro escrito um ano antes dessa referência que é a moção “Falar é preciso”: «Crises, erratic fluctuations, the sudden rush of capital into and out of particular countries and regions – these are not marginal but core features of untamed markets. The regulation of financial markets is the single most pressing issue in the world economy (…) The needs are (…) to create greater accountability within the transnational organizations involved in world economic management, as well as restructure them. The idea that controlling the free mobility of capital produces losses of efficiency takes no account of the social and economic costs of crises. »

O livro intitula-se «The Third Way», o capítulo «Market fundamentalism on a world scale» (pp. 147-153) e o autor chama-se Anthony Giddens, esse mesmo: «o ideólogo da terceira via neoliberal».

Prematuro

29 Outubro 2008, 11:02 · Tiago Barbosa Ribeiro

Manuela Ferreira Leite considera que é prematuro anunciar o valor do salário mínimo nacional por estes dias, justamente no momento em que tem de ser definido para 2009. Sensato seria esperar por 2010 para fixar o salário mínimo de 2009.

“Não caiu bem”

28 Outubro 2008, 23:51 · Mariana Trigo Pereira

que o governo, com o anúncio de domingo, tivesse lembrado às confederações patronais que os acordos são para cumprir e que o salário mínimo vai mesmo subir.

A Crise justificaria, para estes senhores, um repensar da ‘proposta’ à luz dos ‘novos pressupostos macroeconómicos’.

Não há ninguém que conviva com esta malta e lhes pergunte como é que, em período de crise financeira, é suposto viver-se em Portugal com um salário de 426 euros/mês?

Manuela Ferreira Leite diz, indignada, que este aumento “roça o nível da irresponsabilidade“…

Solidariedade com a Islândia (2): believe

28 Outubro 2008, 14:06 · Miguel Cabrita

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Depois de inaugurada a série com Bjork, mais solidariedade com a ilha do gelo.

Os Gus Gus podem ter perdido algum do fulgor (e da relevância?) inicial, mas mantêm-se justamente como uma das referências mais lembradas da música exportada pela Islândia. Believe (vídeo relativo) é um dos singles de Polydistortion (1997), primeiro registo numa multinacional.

p.s. Via wikipédia, cheguei a esta entrevista da banda em que o nome é atribuído a uma deturpação da pronúncia de “couscous” por uma personagem de Fassbinder. E porque não?

“Podiam ter sido primeiros-ministros”

27 Outubro 2008, 20:17 · Filipe Nunes

Há um ano, de quinze em quinze dias, a sic-notícias passava um programa de debate intitulado A Regra do Jogo. Os comentadores, António Barreto e José Miguel Júdice, eram moderados pelo próprio director da estação, António José Teixeira. Nada sei sobre os orçamentos e os números do programa, mas desconfio que os custos acabaram por superar as audiências. E quanto a influência política, estamos conversados: igual a zero. Compreensivelmente, na nova grelha, já não houve lugar para a Regra do Jogo. Há dez anos este programa teria tido um enorme sucesso. Mas com o advento da blogosfera, muito mudou. Pacheco Pereira bem pode dizer que 99% dos blogs não prestam. A verdade é que sem a blogosfera a opinião publicada em Portugal seria muito mais pobre. Em poucos anos acabou o monopólio dos comentadores habituais: a concorrência obrigou os comentadores que queriam sobreviver a estudar, a comparar, a interessar-se por coisas novas. Pacheco Pereira ainda consegue fazer isso, mas Barreto e Júdice manifestamente já não conseguem. Um bom retrato dessa incapacidade, que explica a decadência destas e outras glórias dos anos 80 e 90, é-nos dada pela notícia do lançamento do mais recente livro de José Miguel Júdice. O livro tem prefácio de António Barreto e, como não podia deixar de ser, foi apresentado por Marcelo Rebelo de Sousa:

“Podia ter sido primeiro-ministro.” Esta é uma das apreciações que António Barreto fez no prefácio do livro do seu amigo José Miguel Júdice. A obra, Portugalando - Os olhares de um optimista preocupado, foi ontem apresentada na Fnac do Colombo, em Lisboa, por um outro amigo do autor Marcelo Rebelo de Sousa, Porém, do livro falou-se pouco. (…) Marcelo Rebelo de Sousa garantiu que “as crónicas foram escritas como só ele [Júdice] sabe e gosta de fazer, suscitando polémica”. O comentador disse ainda que “o livro vai ter muito sucesso editorial”. A discussão sobre a obra ficou, assim, arrumada. (…) A maior parte do tempo, Marcelo Rebelo de Sousa optou por falar daquilo que mais influenciou a escrita das crónicas, ou seja, o próprio Júdice. (…) Por entre o vasto rol de elogios que lançou a Júdice, Marcelo deixou escapar uma apreciação que está directamente relacionada com as crónicas. “Júdice aprecia cultivar adversários”, disse. José Miguel Júdice no seu monólogo retribuiu aos elogios de Marcelo e mandou uma farpa ao PSD: “Um partido que não aproveita Marcelo mostra uma necrose muito avançada”. O advogado aproveitou ainda para fazer uma revelação: “Depois de Cavaco ganhar o congresso para líder do PSD disse-lhe: tem o meu apoio, mas continuo a achar que Marcelo teria sido muito melhor escolha”.

Diário de Notícias, 26 de Outubro de 2008  

Best political team

27 Outubro 2008, 18:05 · Mariana Vieira da Silva

O Doc Lisboa acabou ontem e, para quem aceitou ficar acordado até às 2am, acabou bem. The War Room, um documentário que mostra como, para The West Wing , Aron Sorkin não precisou de inventar quase nada, foi uma óptima forma de começar a semana que antecede as eleições americanas. Terça-feira, quando a best political team on television entrar pela minha sala, os comentários de James Carville e Paul Begala terão um outro sabor.
E foi bom ouvir, em 2008, um excerto de um discurso de Al Gore de 1992, que também mostra como as eleições de 2000 tiveram o desfecho errado:
“Unemployment around the country has gone up; the number of jobs has gone down. The trade deficit has gone up; personal income has gone down. The budget deficit has gone up; consumer confidence has gone down. Poverty has gone up; the number of jobs has gone down. Bankruptcies have gone up, jobs, down; fear, up; hope, down; everything that oughta be down is *up*, everything that should be up is *down*; they’ve got it upside down, and we’re gonna turn it right side *up!* “

O fim de uma aberração

26 Outubro 2008, 16:03 · João Jesus Caetano

Desde 1960 que o New York Times tem declarado o seu apoio ao candidato do partido democrata à Casa Branca. Na passada quinta-feira, voltou a fazê-lo num editorial muito crítico dos oito anos de administração Bush e da campanha de John McCain. É significativo, por exempo, o facto de o texto assinado pelo corpo editorial do jornal dedicar seis parágrafos ao tema “The Constitution and the Rule of Law“.  Para a generalidade dos europeus, a política norte-americana vive-se no palco das relações internacionais. Mas, nos últimos oito anos, uma das assinaturas mais dramáticas da adminstração Bush foi o abuso de poder e os ataques ao sistema judicial e ao princípio da separação de poderes:

«Under Mr. Bush and Vice President Dick Cheney, the Constitution, the Bill of Rights, the justice system and the separation of powers have come under relentless attack. Mr. Bush chose to exploit the tragedy of Sept. 11, 2001, the moment in which he looked like the president of a unified nation, to try to place himself above the law.»

A conivência do partido republicano, em geral, e do suposto Maverick McCain, em particular, ilustra o poder singular que a entourage de Bush conquistou ao longo destes anos.

Jose the stereotype

26 Outubro 2008, 15:17 · João Jesus Caetano

Stephen o humorista, via Paul o Professor:

«I for one appreciate the McCain campaign treating us like children. McCain will bring us back to a simpler time. A time when you could identify your neighbors’ jobs by the hats they wore. Like Sam the Fireman, Bill the Cowboy and Jose the stereotype. These are the people in your neighborhood. The people that you meet when you’re walking down the street. They’re the people that you meet each day. And what the people in your neighborhood, the Joe the Plumber, the Wendy the Waitress need are tax cuts for the wealthy and off shore drilling. They don’t need universal health care or last names.»

Tenham medo, tenham muito medo

26 Outubro 2008, 11:27 · Rui Branco

Palin: Obama’s Tax Plans Could Mean Nightmare Communist State

«See, under a big government, more tax agenda, what you thought was yours would really start belonging to somebody else, to everybody else. If you thought your income, your property, your inventory, your investments were, were yours, they would really collectively belong to everybody. Obama, Barack Obama has an ideological commitment to higher taxes, and I say this based on his record… Higher taxes, more government, misusing the power to tax leads to government moving into the role of some believing that government then has to take care of us. And government kind of moving into the role as the other half of our family, making decisions for us. Now, they do this in other countries where the people are not free. Let us fight for what is right. John McCain and I, we will put our trust in you

Em tempos de crise, não construir recorrendo ao crédito: lições da São Caetano à Lapa © (2)

26 Outubro 2008, 10:48 · Rui Branco

[fotografia de Ansel Adams]

Hoover Dam, sem a qual, para além do mais que é muito, não havia Las Vegas, esse templo da auto-regulação moral de que nos fala com insistência Henrique Raposo.

Em tempo de crise, não construir recorrendo ao crédito

26 Outubro 2008, 1:45 · Mariana Vieira da Silva

[Lições da São Caetano à Lapa]

Epá, não querem propor o fecho do país?

26 Outubro 2008, 0:13 · Hugo Mendes

PSD é contra todos os projectos que obriguem ao recurso ao crédito

Adeus pensões?

25 Outubro 2008, 20:18 · Mariana Trigo Pereira

Uma coisa é a nacionalização de bancos com a motivação de evitar danos maiores, enquanto solução de último recurso. Outra, é o que se está a tentar fazer na Argentina (e, infelizmente, temos uma mulher a protagonizar esta ideia genial de resolver o problema do endividamento):

«Argentina’s President Cristina Fernandez has signed a bill that will nationalise the country’s 10 private pension funds.»
(bbc)

«By taking over the private pension system, Ms Fernández could solve her cashflow problem for the remaining three years of her term at a swoop. It would put assets worth 10% of GDP at the government’s disposal, and allow it to channel an additional $400m a year of workers’ contributions into public debt. The government could also force the pension system to roll over the 10% of public debt held by the private funds on terms of its own choosing. Of course, all this money belongs to Argentines, not to Ms Fernández. But under the bill, it would be administered by government officials, overseen by a congressional committee.»
(The Economist)

Deviam ter vergonha

25 Outubro 2008, 15:33 · Tiago Barbosa Ribeiro

ExemploQuestionada ontem na SIC Notícias sobre países sem economia de mercado que tenham registado um grau satisfatório de desenvolvimento e bem-estar social, Odete Santos lembrou-se de «vários» e indicou um: Cuba. Um país que vive há décadas sob o jugo de uma ditadura caribenho-comunista, com pobreza generalizada, inexistência de liberdades cívicas e políticas, repressão de Estado e pensamento único. É este o grande exemplo de Odete Santos e do PCP para o desenvolvimento de um país. Num período de crise como o que o vivemos a cegueira do PCP permanece a mesma. O pudor, como se vê, é que é um pouco menor. Deviam ter vergonha.

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