Um desejo razoável
31 Dezembro 2008, 19:17 · Miguel Cabrita
Se 2009 mais não puder ser, que seja um ano…GLORIOSO.
Prémio piquena empresa 2008
30 Dezembro 2008, 18:13 · André Salgado
Augusto Morais, presidente da Associação Nacional das Pequenas e Média Empresas.
Depois de recomendar aos seus associados que despedissem mais de 40 mil empregados, caso o governo actualizasse o salário mínimo de 426 para uns estratosféricos 450 euros, vem agora dizer que se as empresas forem chamadas a cumprir as suas obrigações fiscais pode haver um milhão de desempregados.
Assim, o senhor doutor coloca-se numa fasquia tal que não facilita nada a próxima maravilhosa pérola.
Uma sugestão: se as empresas forem obrigadas a pagar um ordenado aos empregados todos os meses, o Augusto imola-se na Praça do Comércio.
Investimento público
30 Dezembro 2008, 10:38 · Tiago Barbosa Ribeiro
O Barclays Wealth considera que as consequências negativas de um prolongado ciclo recessivo podem ser mitigadas com o investimento público em infra-estruturas. Não está correcto alienar desta forma todo o capital de conhecimento acumulado pela direcção do PSD.
A batalha por Lisboa
29 Dezembro 2008, 19:28 · Miguel Cabrita
Com oportunidade, o Expresso noticiava a “larga margem” que uma recente sondagem dá a António Costa em Lisboa: 40% contra 25 do PSD.
Não restarão muitas dúvidas de que os expressivos 40% da sondagem são um salto importante em relação aos 30 que garantiram a António Costa a vitória nas eleições intercalares. E que correspondem a um justo reconhecimento do bom trabalho que está a ser feito em condições que são conhecidas.
Mas que “larga margem” é esta, no fundo? Desde logo, é um resultado que não garantiria condições de governabilidade mínimas à cidade. E é uma previsão obtida num momento em que, já para não falar do PCP, CDS e BE ainda não indicaram candidatos nem se sabe sequer se terão candidatos autónomos. Além disso, no tempo que falta até às eleições - fértil em disputas eleitorais - muita coisa poderá acontecer a vários níveis, com repercussões imprevisíveis em Lisboa.
Desengane-se quem se deixar iludir pelas anunciadas facilidades e achar que este tipo de sondagens permite algum tipo de ”descanso” sobre o resultado das eleições na câmara mais importantre do país. A batalha, pela dispersão de votos à esquerda e pela complexidade da situação política, vai ser dura, longa, e dependerá de muitos factores, incluindo o próprio xadrez eleitoral local. Se há erros que custam caro, pensar por um só momento o contrário seria certamente um deles.
A tragédia de Gaza
28 Dezembro 2008, 0:46 · Tiago Barbosa Ribeiro
Os números brutais da escala militar em Gaza suscitam espanto, terror, tristeza. O território de onde Israel saiu voluntariamente e que entretanto se transformou na linha avançada da estratégia iraniana para o Médio Oriente, um «Hamastão» crescentemente militarizado e islamizado, é hoje uma região asfixiada. As primeiras vítimas do Hamas são os palestinianos, cuja tragédia é um salvo-conduto ideológico. Israel atacou a infra-estrutura militar do Hamas - quartéis, esquadras, rampas de lançamento de mísseis, campos de treino - e matou 300 palestinianos, na sua maioria «civis fardados», o que em si mesmo deve suscitar as maiores interrogações sobre a utilização de escudos humanos em Gaza.
Mas o resultado do ataque coloca Israel perante uma tragédia cujas proporções impedem quaisquer resultados políticos no seio da Autoridade Palestinana e da comunidade internacional, que é incomparavelmente mais crítica das intervenções israelitas do que do milicianismo integrista do Hamas e de outros movimentos-satélite do Irão. E essa vigilância crítica impõe-se, de facto, já que o escrutínio de um Estado democrático e com forças armadas convencionais não está no mesmo patamar de um movimento paramilitar. Sucede que esse movimento fustiga diariamente as populações civis israelitas com ataques militares, feitos por militares sem farda que suspenderam uma trégua contra um país cuja existência não aceitam reconhecer. A paz e o fim de um conflito com décadas implica cedência e negociação, num processo doloroso para ambas as partes. Mas desde logo são necessárias duas partes para ceder e negociar. Israel, até ver, é só uma.
:: A ler :: «Consoada em Israel, Natal em Gaza», do Rui Bebiano.
Das estações
26 Dezembro 2008, 12:08 · Tiago Barbosa Ribeiro
Nunca, nos últimos 15 anos, me tinha apercebido da relevância desportiva do título de campeão de Inverno. Outras possibilidades, como o campeão do Carnaval, da Páscoa ou dos Santos Populares, permitirão certamente alargar a riqueza etnográfica do campeonato português de futebol e consolidar o registo desportivo de alguns clubes do burgo. Pelo menos, enfim, enquanto não existe uma Taça UEFA de Verão.
Significado
22 Dezembro 2008, 21:50 · Mariana Trigo Pereira
Enquanto muitos andam entretidos com conversas da treta, desejos fúteis, conhecimento altamente especializado mas desligado de tudo, intrigas sem significado, impulsos consumistas, relações falsas e mesquinhas, vidas apáticas, discussões umbiguistas, preocupações inúteis, sobrevivem ainda aqueles que se dedicam ao que verdadeiramente interessa.

#1 - Does the Universe have a purpose? (pdf)
# 2 - Will money solve Africa’s development problems? (pdf)
# 3 - Does science make belief in God obsolete? (pdf)
# 4 - Does the free market corrode moral character? (pdf)
(continua…)
Novilíngua
22 Dezembro 2008, 19:40 · Tiago Barbosa Ribeiro
Fiquei hoje a saber que os professores do ensino básico e secundário não chamam férias às férias, mas sim «pausas lectivas»: cerca de cinco semanas por ano no total, para além das férias propriamente ditas que correspondem a uma «pausa lectiva» superior a dois meses. Está certo. Deve ser aproximadamente o mesmo raciocínio que permite à Fenprof chamar avaliação de desempenho às progressões automáticas na carreira.
Caricaturas
22 Dezembro 2008, 19:16 · Miguel Cabrita
CItado pelo Sol de Sábado, o representante de um movimento que se escolheu chamar Mobilização e Unidade dos Professores (MUP), acha ser “caricato que todos os dias o Ministério resolva alterar mais uns pozinhos ao seu modelo [de avaliação] inicial“, que considera estar hoje reduzido a uma “manta de retalhos” (20 Dezembro 2008, p16).
De facto, é caricato: que aspectos importantes do modelo de avaliação dos professores já tenham sido mudados, indo de encontro às pretensões dos sindicatos e dos professores mas que isso, afinal, não sirva para nada; que uma MInistra seja acusada de ser inflexível quando está, afinal, disposta a dialogar sem pré-condições e, pelo contrário, outros que tanto se queixam da falta de diálogo boicotem desta maneira qualquer negociação séria, impondo condições (sobre matérias que não a avaliação, ainda por cima) para sequer se sentar à mesa.
As condições subjectivas da revolução
19 Dezembro 2008, 11:28 · Tiago Barbosa Ribeiro
O sindicato da TAP confirma que a adesão à greve é superior a 100%. Enfim, não sabia que a matemática também já é contra-revolucionária.
A derrota de Pacheco
19 Dezembro 2008, 10:50 · Rui Branco
«O homem que ontem dizia, na Quadratura do Círculo da SIC Notícias, ponderar votar em Santarém em vez de em Lisboa para não ter de encarar a hipótese de pôr a cruz em Santana sofreu uma das maiores derrotas da sua dupla condição de político e comentador. Não seguramente a primeira - tem aliás o simbolismo trágico de um prémio de carreira. Um prémio ao contrário, como ao contrário estava o símbolo do PSD nos seus escritos anti-Menezes e anti-Santana.»
Fernanda Câncio, hoje, no DN.
Nunca gostei de pescadinhas de rabo na boca
19 Dezembro 2008, 1:24 · Miguel Cabrita
Andamos há meses nisto.
Os sindicatos de professores não queriam a avaliação “entre pares”, por supostamente causar danos irreparáveis ao ambiente de trabalho nas escolas, entre “colegas”. Mas, ao mesmo tempo, exigem a “revisão” do Estatuto da Carreira Docente e o fim da figura do “professor titular” - essencial para que a avaliação pudesse não ser “entre pares” mas sim entre categorias hierarquicamente distintas de docentes.
Por outro lado, não estariam dispostos a aceitar uma avaliação externa, porque seria feita por entidades e profissionais estranhos às escolas - como se isto fosse algo que não é feito, e bem, em tantas organizações, mas adiante. No entanto, também não querem avaliar-se uns aos outros, chegando a ser usado o argumento de que “não foram treinados para isso” (!).
Mais recentemente, novo truque.
A primeira versão do modelo de avaliação era inaceitável porque este era excessivamente burocratizado, complexo, incomportável, inexequível. No entanto, as sucessivas propostas de simplificação e melhoria são liminarmente rejeitadas por serem “remendos”, irrelevantes, inúteis. Ou, na nova versão, tentativas de “comprar os professores”, como ouvi Mário Nogueira dizer por estes dias perante as câmaras de televisão.
A recorrente circularidade dos argumentos é um péssimo sinal da falta de lisura e de seriedade com que este debate tem sido conduzido. Há milhares e milhares de Professores que merecem, e não é de agora, o ”p” maiúsculo que se tornou moda invocar; mas, por isso mesmo, não merecem as Pescadinhas (com maiúscula também) que têm sido trazidas para a mesa em seu nome.
Pobreza, Estado e sociedade
19 Dezembro 2008, 0:54 · Miguel Cabrita
Comentando no Diário Económico o facto de as transferências sociais do Estado permitirem reduzir de 40% para 18% (mais de metade, portanto) o risco de pobreza em Portugal (já para não falar da sua severidade e persistência , o que também poderíamos discutir), João César das Neves teve esta curiosa afirmação:
“não se pode dizer que o Estado está a resolver o problema, porque está a fazê-lo com o dinheiro da sociedade. Está a substituir-se a algo que a sociedade faria normalmente” (DE, 16 Dezembro 2008, p14).
Para poder discutir tal enunciado, gostava de saber em que país do mundo é que sucede na realidade o que, no dizer de César das Neves, “a sociedade faria normalmente”.
Por exemplo: em que país com níveis de pobreza minimamente próximos dos que se verificam nos países mais desenvolvidos não é a acção do Estado responsável por uma muito significativa redução da pobreza? Ou mais rigorosamente, para levar à letra esta tese: em que país(es) do mundo é que, não tendo os poderes públicos, por incapacidade ou opção, uma acção relevante neste domínio existem níveis de pobreza comparáveis aos que resultam da acção das políticas levadas a cabo por parte do Estado (sinal de que seria, então sim, a “sociedade” a agir “normalmente” e sem ver os seus recursos absorvidos por este)?
Curioso conceito de normalidade este, puramente “normativo” e fundado no preconceito ideológico, e que parece dispensar a correspondência a casos empiricamente conhecidos.
Pode custar, mas a acção do Estado é o mais poderoso instrumento para combater a pobreza e as desigualdades, e é nos países em que as políticas públicas, e em particular as políticas sociais, são mais poderosas e eficazes nestes campos que se atingem os melhores resultados. O que faz com que esta seja uma responsabilidade indeclinável do Estado, corrigindo os desequilíbrios “normais” que resultam das dinâmicas de distribuição social de recursos e oportunidades no contexto do(s) mercado(s).
(publicado também no Outubro)
Boa moeda?
18 Dezembro 2008, 9:11 · Tiago Barbosa Ribeiro
Santana Lopes candidato à Câmara Municipal de Lisboa.
O baile
17 Dezembro 2008, 20:27 · André Salgado
- Não venhas tarde.
O clandestino de Braga
17 Dezembro 2008, 20:25 · André Salgado
Formação
17 Dezembro 2008, 19:47 · Filipe Nunes
Ontem na entrevista a Ana Lourenço, da sic-notícias, Manuel Alegre lamentou que os militantes do PS de 2008 não sejam exactamente os mesmos do PS de 1975. Pode-se combater o capitalismo neoliberal mas, infelizmente, não há como contrariar as leis da demografia. Alegre pediu que, ao menos, as gerações mais novas do PS tivessem acesso a alguma formação política sobre os fundamentos do socialismo. A Fundação Res Publica fez-lhe a vontade. Aí está o I Curso de Formação Política, precisamente intitulado O Socialismo Democrático Português.
Num futuro não muito distante…
17 Dezembro 2008, 16:43 · Miguel Cabrita

Aparentemente, e como o post do Rui bem demonstra, à actual liderança do PSD não importa nada o que a própria líder disse de Santana no passado - já para não falar do que outros disseram e redisseram; o populismo e a irresponsabilidade que não servem para governar o país afinal parecem servir para ser candidato a governar a sua capital.
Também não importa nada que Manuela Ferreira Leite tenha sido eleita, em larga medida, como personificação do anti-santanismo, da boa moeda e da possibilidade de resgatar o PSD à vertigem populista, que afinal se está a provar tão difícil de erradicar. Tal como não importa hipotecar irremediavelmente uma credibilidade em baixa e comprometer ainda mais, já no curto prazo, a frágil legitimidade interna e externa da líder.
Seja como for, e num horizonte maior do que o consulado Ferreira Leite, é bom que ela e todos os que continuarem a caucionar a actual liderança após esta escolha - porque é de uma opção decisiva que se trata - devem registar o seguinte: foi ela e mais ninguém que arriscou relegitimar Santana ao torná-lo o rosto do PSD para disputar a câmara mais importante do país em 2009.
No futuro, quando Santana (re)começar a fazer das suas, seja Ferreira Leite ou outro qualquer o líder do partido, não terão nem razões nem legitimidade para se queixar.
Fugas em loop
17 Dezembro 2008, 16:23 · Miguel Cabrita
Compreende-se que Santana Lopes queira ser candidato a Lisboa. Numa carreira feita de sucessivas fugas para a frente, chega a altura em que já não há muito território virgem para onde continuar. Só regressando a terrenos já pisados.
É assim que se passa de animador de congressos a animador de directas, sem grandes sobressaltos ou responsabilidades, só para “fechar esse ciclo”, como disse o próprio recentemente. É assim que se é presidente de câmaras, no plural e em diferentes regiões do país, com uma perninha como primeiro-ministro no interregno entre, por conveniência pessoal e partidária, interromper e querer retomar depois o mandato na capital do país.
É assim que se pensa mesmo ser possível regressar, outra vez, a uma câmara e a uma cidade em que meio mandato chegou para fazer estragos. Sem grandes estados de alma e sem qualquer justificação a não ser a necessidade pessoal de um novo “desafio”. O folhetim tem de continuar, parar é morrer.
E tudo isto com uma vantagem, que só o é nos resultados se a memória (dos outros) for curta. O risco de Santana voltar a um cargo em que ele próprio tenha sido feliz talvez exista; mas o risco de voltar a um cargo cujo exercício tenha sido feliz é quase nulo.
Faltas
17 Dezembro 2008, 11:52 · Hugo Mendes
Com a polémica recente em torno das faltas dos deputados, já há quem ache que seria boa ideia um Estatuto do Deputado que diluísse as fronteiras entre faltas justificadas e injustificadas e obrigasse os faltosos a fazer uma prova de recuperação sobre a matéria perdida.
Santana vive, mas e Ferreira Leite?
17 Dezembro 2008, 10:19 · Rui Branco
A escolha de Santana Lopes para a Câmara de Lisboa é a negação formal daquilo que supostamente a liderança de Ferreira Leite representa. Quando coisas como credibilidade, rigor e seriedade são os únicos artigos de um pretenso programa político, o populismo despesista e trapalhão de Santana é pura e simples kryptonite. A liderança de Ferreira Leite é já largamente póstuma. Por isso, concordo com o Pedro Marques Lopes qando dizia hoje de manhã no RCP que a liderança do PSD de Ferreira Leite acabou ontem quando Castro Almeida usou o nome do candidato a Braga Ricardo Rio como papel de embrulho para esconder o enjeitado menino-guerreiro.
Pacheco Pereira já tinha avisado: a escolha de Santana «seria um péssimo sinal». E não deixa de ser irónico que o PSD escolha para candidato ao municipio de Lisboa, disputa eleitoral em que as candidaturas são altamente personalizadas, o nome no qual, se tivesse estado no boletim de voto em 2005, a líder do PSD Ferreira Leite não teria votado («se lá estivesse o nome de Santana Lopes não votava»), como lembra o Público. O mesmo Santana Lopes que, ainda há pouco tempo dizia que: «a maneira de governar da dra. Manuela Ferreira Leite castiga, desmoraliza e deprime» e que acha que «o que ela defende para Portugal é o contrário do que Portugal precisa».
É impossível não concordar com Pacheco Pereira quando afirma que «Pedro Santana Lopes é a imagem da derrota do PSD de 2005, uma das derrotas maiores que o PSD alguma vez teve». Mas o que Pacheco Pereira oculta é que Manuela Ferreira Leite é também a imagem de uma tripla derrota: a derrota do rigor com a consolidação falhada das contas públicas, a derrota da credibilidade com a pior recessão à escala europeia em 2003 e a derrota da seriedade com a trapalhada do Citigroup.
E é este o PSD que agora temos. Um PSD que proclama rigor, mas oferece populismo. Um PSD que apregoa seriedade e competência, mas que nos deu truques e trapalhadas orçamentais. Um PSD que enche a boca com sensibilidade social, mas que acha que aumentar o salário mínimo em 25 euros «roça a irresponsabilidade».
Irresponsabilidade histórica
16 Dezembro 2008, 16:11 · Filipe Nunes
«A escolha do PS como principal adversário das outras esquerdas tem limitado a consolidação de uma coligação política e social que permita enfrentar com robustez alguns dos problemas que o país enfrenta, maxime as desigualdades. Há umas semanas, Rui Tavares, num artigo no Público, justificava o peso eleitoral da esquerda em Portugal com o nosso padrão de desigualdades. Se assim é, combater as desigualdades deveria ser “uma responsabilidade histórica” e, pressupõe-se, um bom tema para o diálogo à esquerda. Será possível?
Não se combatem as desigualdades de hoje com os instrumentos do passado e muito menos com uma visão fixista do papel das políticas públicas face a “forças irresistíveis”. Centrando-me apenas em três dimensões fundamentais para enfrentar com eficácia as desigualdades: precisamos de mecanismos de regulação do mercado de trabalho sensíveis à transição para uma sociedade pós-industrial; de modernizar a protecção social de modo a compatibilizá-la com as transformações demográficas e de encontrar formas inovadoras de superar o défice de qualificação dos activos. O problema é que, por exemplo, enquanto não for abandonada a posição conservadora e retórica que trata, num típico exemplo de reflexo de Pavlov, a “flexigurança”, a sustentabilidade da segurança social ou as “novas oportunidades” para os activos como “políticas de direita”, dificilmente as esquerdas poderão conversar de modo consequente sobre o combate às desigualdades.»
Pedro Adão e Silva, no Diário Económico
Matemática ou a economia de pensamento como forma de arte
16 Dezembro 2008, 12:15 · Sílvia Sousa
“Professora: Abram os vossos livros na página 6. Porque estamos a começar na página 6 e não na página 1?
Aluno: O livro tem uma capa com o nome e o ano do livro. Essa é a página 1. Depois há uma capa interna, a página 2. A página 3 é a introdução. Depois há o índice, nas páginas 4 e 5. O texto apenas começa na página 6.
Professora: Muito bem. O que vemos ao iniciar um novo capítulo?
Aluno: Um título.
Professora: Porquê?
Aluno: O título ajuda-nos a compreender o que vamos estudar.
O que é simpático neste diálogo? Em primeiro lugar, a maioria dos professores teria saltado esta fase (eu certamente teria). Tal omissão deixa a criança com uma espécie de branca, uma área que não merece reconhecimento - o que acontece até à página 6? Em segundo lugar, o diálogo encorajou o saudável hábito de ler as introduções e os títulos e de lhes prestar alguma atenção.”
Ron Aharon (2008), Aritmética para pais - Um livro para adultos sobre a matemática das crianças, Gradiva
A festa pode não ser bonita, pá
15 Dezembro 2008, 20:29 · André Salgado
A questão, Filipe, é que não estou certo de quem nesta história será a raposa ou o corvo, ou se não acabam por se descobrir iguais. Alegre será para Louçã muito mais um trunfo possível e necessário do que um trunfo desejável. A nomenklatura bloquista não lida bem com ofertas públicas de aquisição que não possa controlar - those nasty old habits… - e Alegre tem um ego que não cabe na Aula Magna, maior que a grelha mental de Louçã, maior mesmo que os olhos da Joana Amaral Dias.
Louçã saberá que Alegre é o melhor que tem ao alcance da mão para desgastar o maior inimigo do seu crescimento da esquerda, mas é também visível um certo desconforto com o que poderá resultar da empresa – pressente-se o formigueiro da consequência irreversível quando o Poeta brinca com a ideia de levar a oratória a votos ou criar novas geografias partidárias. Quem quer apresentar um troféu de caça pode arriscar a pele apresentando à família um caçador solitário. Ah, houvesse umas presidenciais antes das legislativas…
«Os portugueses têm boas razões para pensar que as desigualdades não se curam com políticas de esquerda»?
15 Dezembro 2008, 18:49 · Rui Branco
Perguntava o Nuno Lobo no outro dia.
Pois bem, os dados de hoje do INE referentes aos rendimentos de 2006 aí estão para responder.
E a resposta é não, pelo contrário, os portugueses têm boas razões para pensar que as desigualdades se curam com políticas de esquerda.
Aqui fica o sumário e o link para o documento.
«De acordo com o mesmo inquérito, o rendimento dos 20% da população com maior rendimento era 6,5 vezes o rendimento dos 20% da população com menor rendimento, observando-se uma ligeira redução face ao valor de 6,8 estimado no ano anterior. Verifica-se igualmente uma redução no Coeficiente de Gini de 38% para 37%».
Os dados disponíveis sobre a evolução das desigualdades mostram que a evolução tem sido favorável (para além dos dados S80/S20 e do índice de Gini, relembro a evolução do S90/S10, de 12,3 para os rendimentos de 2003 para 10,8 para os de 2006), embora, está claro, ainda longe do necessário (e da média europeia, que se situará em torno dos 4,5 para o indicador S80/S20). Mas a dinâmica, o sentido da evolução, é inegável e se calhar convém dizer com toda a clareza que as desigualdades de rendimento não tem aumentado em Portugal desde 2005. Pelo contrário, têm dimínuido.
O que estes e os dados da evolução do indicador S80/S20 ao longo dos últimos anos mostram são duas coisas muito claras. Primeiro, que medidas como o Rendimento Mínimo Garantido/RSI e o Complemento Solidário para Idosos têm tido um efeito positivo, ajudando a retirar os mais desfavorecidos dos desfavorecidos da pobreza absoluta, embora subsistam ainda demasiados portugueses com rendimentos abaixo da linha de água da classe média que é preciso fazer subir.
Por outro, verifica-se que a desigualdade de rendimentos revela uma elevada sensibilidade ao ciclo político. Ou seja, sempre que o PS está no governo as desigualdades baixam (de 7,4 em 1995 para 6,5 em 2001 e de 7,4 em 2003 para 6,5 em 2006), e que quando a Direita esteve no governo as desigualdades aumentaram (6,5 para 7,4). Veja-se este gráfico, que ainda não contempla os dados de hoje, mas que ilustra o argumento:

What is to be done? A médio prazo, continuar o forte investimento nas qualificações profissionais é o que melhor combate a elevada dispersão salarial. Mas, de imediato, há que apostar na contratação colectiva (daí a importância da revisão do Código do Trabalho) e numa fiscalidade mais progressiva na tributação do rendimento.
Aliás, é muito importante que a mesma indignação colectiva que se manifesta - e bem - com as desigualdades de rendimento se mantenha firme quando se trata de atacar a questão da fiscalidade. Há que construir uma coligação social forte que permita sustentar um aumento da progressividade fiscal.
Mas, e o PSD, caro Nuno Lobo? Um exemplo. O salário mínimo aumentará 6% em 2009, para 450 euros. Foi este aumento de 25 euros que Manuela Ferreira Leite considerou «roçar o nível da irresponsabilidade». O que estas hábeis e piedosas palavras mostram é a importância que o PSD de Ferreira Leite verdadeiramente atribui ao combate à pobreza e à desigualdade de rendimentos.
Como se sabe, e os dados de hoje continuam infelizmente a comprovar, em Portugal, e ao contrário de outros países, ter emprego não garante que se esteja a salvo do risco de pobreza.
Será que Ferreira Leite não percebe que a elevação do salário mínimo é determinante para a progressiva eliminação da pobreza entre aqueles com rendimentos do trabalho muito baixos? Ou será que percebe e não quer saber?
Existe uma palavra que descreve bem aqueles que afectam escândalo com os dados sobre a pobreza e a desigualdade de rendimentos, mas que depois são incapazes de apoiar as principais medidas de combate à pobreza e às desigualdades – o reforço da contratação colectiva, a fiscalidade mais progressiva na tributação do rendimento e o aumento do salário mínimo –: hipocrisia. E ainda outra: demagogia da pior.
Ideias
15 Dezembro 2008, 18:13 · Tiago Barbosa Ribeiro
Ausente do país, dizem-me que Manuel Alegre quer levar as suas «ideias» a votos. É um desejo estimável, sem dúvida, mas há sensivelmente quatro anos que tento justamente perceber quais são as «ideias» de Manuel Alegre, os seus princípios programáticos, as suas medidas concretas. Para além da representação difusa de uma esquerda essencialmente retórica, menos relacionada com «ideias» do que com a permanente elaboração de ajectivos, estribilhos e memorabilia, o que defende exactamente Manuel Alegre para a segurança social? Para a saúde? Para a educação? Para o mercado de trabalho? Para a Europa? Não sei. Dos discursos que ouvi de Manuel Alegre, genuinamente, nunca percebi a definição de alternativas concretas ao essencial do que este governo tem feito. Mais perto das eleições, aparentemente, ficarei esclarecido. Aguardemos.
A Raposa e o Corvo
15 Dezembro 2008, 16:53 · Filipe Nunes

Mestre Corvo, numa árvore poisado,
No bico segurava um belo queijo.
Mestra raposa, atraída pelo cheiro,
Assim lhe diz em tom entusiasmado:
- Olá! Bom dia tenha o Senhor Corvo,
Tão lindo é: uma beleza alada!
Fora de brincadeiras, se o seu canto
Tiver das suas penas o encanto
É de certeza o Rei da Bicharada!
Ouvindo tais palavras, que feliz
O Corvo fica; e a voz quer mostrar:
Abre o bico e lá vai o queijo pelo ar!
A Raposa o agarra e diz: - Senhor,
Aprenda que o vaidoso se rebaixa
Face a quem o resolve bajular.
Esta lição vale um queijo, não acha?
O Corvo, envergonhado, vendo o queijo fugir,
Jurou, tarde de mais, noutra igual não cair.
Quem terá ganho as eleições de hoje?
13 Dezembro 2008, 20:44 · Miguel Cabrita

Em dia de directas no CDS, o líder plebiscitado afirma que “o partido está calmo e coeso“. Tão calmo e coeso que, apesar da vivacidade das oposições internas, ninguém avançou para o debate interno e para a disputa da liderança no momento e no lugar próprios. O que corrói a legitimidade dessas oposições e é, acima de tudo, o pior que pode acontecer a um partido, especialmente quando se aproxima um ciclo eleitoral tão decisivo.
É a segunda vez em menos de uma semana…
13 Dezembro 2008, 20:42 · Miguel Cabrita
…que o Público repete a brincadeira de mau gosto de aparecer embrulhado num lençol publicitário. Desta vez, não a um supermercado mas à grande superfície proprietária dos supermercados do outro dia.
Ainda não chega para competir com o incontável número de vezes que se repetem, semana após semana, as setas para baixo de certas figuras ministeriais seleccionadas. Mas, a manter-se o ritmo, a competição pode tornar-se renhida.
Quem quer saber da protecção social?
13 Dezembro 2008, 15:13 · Mariana Trigo Pereira
José Sócrates anunciou hoje um pactote de medidas que designou de “Iniciativa para o Investimento e Emprego“. À hora do almoço alguns telejornais transmitiram em directo a conferência de imprensa que contou com as intervenções do primeiro-ministro e dos ministros das Finanças, Economia e Trabalho e Segurança Social que entraram em detalhe sobre as medidas propostas. Nenhum português, com excepção dos jornalistas presentes, ficou a saber quais as alterações à protecção social anunciadas pelo governo. O ’sumo’ das medidas já tinha sido anunciado e as televisões acharam por bem interromper as palavras do ministro Vieira da Silva, fazer a síntese da medidas ‘económicas’ e prosseguir com o telejornal.






