Quando coisas sérias dão momentos de humor
31 Março 2009, 17:54 · André Salgado
O Presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público diz que há pressões sobre os magistrados, a respeito do caso Freeport. Estas afirmações são graves? São. Importava que fossem esclarecidas, por quem as profere, a bem da transparência no sistema judicial português? Naturalmente. Mas pode e deve-se pedir esse esclarecimento? Não. E porque não? Porque isso é uma pressão. Por causa da fantasiosa tese da cabala? Sim. Mas, por exemplo, quando um deputado social-democrata e ex-chefe de gabinete de um primeiro-ministro, reunia com um investigador do processo condenado por fuga ao segredo de justiça e com jornalistas, certamente para apreciarem a bonita alvorada de Alcochete, não é isso uma boa candidatura a tese de cabala ou de pressão? Não, não, isso era apenas uma bem intencionada tentativa de “aliviar” a pressão. Então, e quando os noticiários bombardeiam informações selectivas, a conta-gotas, de fontes identificadas como ligadas à investigação, isso não será também uma pressão? Bem, isso é diferente. Porquê? É uma pressão, mas do lado bom.
Sugestão, a contento: transfira-se a redoma que separa o Nuno Gouveia da realidade para os senhores magistrados, que há quem tema que se possam constipar em contacto com o mundo exterior. Mas devagarinho, não vá alguém queixar-se de pressão.
Política de Verdade
31 Março 2009, 9:48 · Tiago Antunes
Manuela Ferreira Leite, entrevistada por Constança Cunha e Sá, na TVI, em Julho de 2008:
Manuela Ferreira Leite, num comício em Macedo de Cavaleiros, em Março de 2009:
«O PSD sempre defendeu a auto-estrada de Trás-os-Montes».
Workers vs. Workers
31 Março 2009, 9:40 · Hugo Mendes
Para quem gostou do anúncio (alterado do original da Antena 1) do Bloco de Esquerda sobre as manifestações e a deslocalizações para a Eslováquia, vale a pena ler este artigo do Paul Krugman escrito em 2000.
Charles Smith, this chap, é um homem de palavra
31 Março 2009, 9:20 · Hugo Mendes
Hoje fiquei a saber isto:
Mas também isto:
Enfim, nada que faça a imprensa duvidar dos factos narrados por este senhor.
Quando passar o “jornal” de MMGuedes na próxima sexta-feira, o que vai this chap desmentir no sábado para se calhar admitir na segunda-feira seguinte (sem que ninguém questione o interesse das palavras ou do alegado facto em questão)?
Pista credível, esta.
Dizem que a playboy portuguesa está nas bancas
30 Março 2009, 15:13 · Mariana Vieira da Silva
Eleições autárquicas
30 Março 2009, 13:59 · Tiago Barbosa Ribeiro
Rui Rio inaugurou viaduto concluído há 20 anos.
18h Frederico Gil - Rafael Nadal
30 Março 2009, 9:20 · Mariana Trigo Pereira

Frederico Gil demorou muito tempo até ser considerado jovem promessa do ténis nacional. Ao contrário de Nuno Marques, por exemplo, não foi campeão nem vice-campeão nacional nos escalões mais jovens, nem me lembro de o ver na selecção nacional. De um torneio para o outro, recordo-me de ter reparado que se tinha dado um ‘click’ qualquer – voltava mais jogador, mais agressivo no campo, menos pesado e com mais ar de tenista. Desde os 16 anos que não sabia nada dele e não pensava que fosse daqueles que optariam por continuar passados aqueles anos decisivos em que a maioria dos jogadores abandona as competições para se dedicar aos namoros, aos estudos e a outras actividades. Nos últimos anos começou a fazer bons resultados internacionais e voltei a vê-lo na imprensa. Apesar de ter sido um jogador mediano nos primeiros anos de competição, Frederico Gil é já o tenista português com melhor ranking ATP de sempre e joga hoje contra o número 1 do mundo, Rafael Nadal.
Ecologia
28 Março 2009, 14:17 · Tiago Barbosa Ribeiro
Parece que hoje à noite vai haver um «apagão» global para proteger o ambiente, com o consequente «acendimento» global 1 hora depois. As emissões geradas pelo pico na rede serão bem mais gravosas para o ambiente do que se não existisse esta acção para proteger o ambiente.
Activação da cidadania através dos media
27 Março 2009, 18:16 · Mariana Trigo Pereira
Acredito que o vazio ideológico e a pobreza do discurso político é inversamente proporcional ao nível de participação cívica da sociedade – participação em quantidade traz, tendencialmente, a diversidade de perspectivas necessária à contínua inovação de ideias e massa crítica suficiente à resolução de problemas complexos. Traz ainda maior escrutínio, maior pressão no sentido da transparência e da accountability que tanto se fala e que tão pouco se leva a sério.
Acredito também que a maioria dos indivíduos que compõe as elites não partilha destas minhas preocupações. Muitos, mesmo sendo de campos ideologicamente opostos, fruem em conjunto aquela sensação confortável de pertença estável e duradoura a um grupo de privilegiados, iluminados e com capacidade de acesso ao poder superior à média nacional. Reconheço que a inércia do status quo é, por isso, enorme.
Posto isto, aqui vai mais um contributo para reflexão em torno da necessidade de uma maior participação e ‘engagement’ cívico tendo consciência da fraca receptividade (real, prática) que este tema normalmente suscita.
«Exploring Democracy through the Relationship between News Media, Technology and Youth Engagement»
Vale a pena ler este documento que resulta de uma conferência organizada pelo Public Policy Forum (organização canadiana do terceiro sector) onde se debateram, entre outras questões, a aplicação de ferramentas online para aumentar a participação cívica; estratégias educativas para gerar maior interesse e mobilização dos jovens; formas de adaptação dos media às novas necessidades democráticas.
Por caminhos estreitos
27 Março 2009, 17:39 · Miguel Cabrita

Ouve-se Narrow Stairs, o registo de 2008 dos Death Cab for Cutie (DCFC), e em cada música sente-se a estreiteza do caminho. Ou tectos muitos baixos, mesmo a roçar as cabeças de quem o escreveu.
O trajecto dos Death Cab é, afinal, comum a muitas bandas. Ganharam seguidores fiéis e um estatuto inatacável no circuito “independente” nos Estados Unidos, culminando na sensibilidade aguda de Photo Album (2001). Assinaram depois por uma major e parecia certo que iam dar “o” salto.
E até deram: fizeram o excelente Transatlanticism (2003), ao qual faltou talvez um single mais visível e o êxito comercial que era merecido e que, noutro mundo ou com um pouco de sorte, podia ter acontecido.
Em Plans (2005), com mais que um punhado de muito boas canções e um som mais aberto, não faltou quem diagnosticasse o perigo de esticar demasiado a corda, entre subir a parada do êxito e perder, se não a coerência, pelo menos o tão característico sabor do (des)conforto suave e melancólico que marcara os primeiros anos. O “tal” single voltou a não aparecer, não por falta de tentativa no trauteável “soul meets body”, e a oportunidade para mudar de campeonato pode bem ter passado.
É assim que chegam a Narrow Stairs (2008). Que repete, entre sinais contraditórios de maturidade e alguma erosão, as fórmulas que fizeram dos DCFC o que são. A opção, clara, foi por pisar terrenos conhecidos. E, a julgar pelos 4 intermináveis minutos de introdução com que arranca “i will possess your heart” (e a sua notável linha de baixo), passar a mensagem - provocatória ou confessional? - de que ter um single arrasador nem é prioridade nem um horizonte provável.
Pelo caminho, é verdade, ficaram mais expostos a mais pessoas sem perder o essencial das marcas peculiares que os levaram longe. Mas isso deixou-os num limbo: demasiado grandes para a inspiração discreta e sem pressão dos primeiros anos, demasiado pequenos para aspirar (?) a outros voos. Este impasse e a aparente ausência de um rumo claro justificam a recepção relativamente fria que Narrow Stairs acabou por ter.
p.s.
Entretanto, e a pretexto tanto de incêndios como do anúncio de um EP (”Open Door”) com mais resultados das gravações de Narrow Stairs, já passa aqui ao lado >>> o novo vídeo de grapevine fires (uma das melhores faixas do disco).
Em escuta aqui ao lado >>> incêndios de Verão*
27 Março 2009, 16:33 · Miguel Cabrita

the wind picked up, the fire spread
the grapevine singing, left for dead
the northern sky looked like the end of days,
end of days
the wake up call to a rented room
sounded like an alarm of impending doom
to warn us it’s only a matter of time
before we all burn
bought some wine and some paper cups
near your daughter’s school and we picked her up
drove to the cemetery on a hill,
on a hill
watched the bullets paint the sky gray
she laughed and danced through the field of graves
there I knew we’d be alright
everything will be alright,
will be alright
news reports on the radio said it was getting worse
as the ocean air fanned the flames
but I couldn’t think of anywhere I would have rather been
to watch it all burn away,
to burn away
the firemen worked in double shifts
with prayers for rain on their lips
they knew it was only a matter of time
—
Benjamin Gibbard (2008)
Death Cab for Cutie, álbum Narrow Stairs
* Que já fazem salivar muita gente…mas talvez não venham a rivalizar com os da Califórnia.
Conciliação
27 Março 2009, 16:06 · Sílvia Sousa

Foto: El Pais
Mourinho e a rua
27 Março 2009, 9:28 · Hugo Costa
Não sou um fã incondicional de futebol. Nunca me atrevi a escrever na blogosfera do assunto. Gosto de futebol, mas sem a loucura de outros tempos. Contudo e depois do doutoramento honoris causa de José Mourinho vou fazê-lo.
Não compreendo o radicalismo de alguns, ao defenderem a não atribuição do prémio. Se Mourinho não tivesse qualquer ligação com a Faculdade de Motricidade Humana era o primeiro a compreender. Mas assim não compreendo. Que faculdade não deseja ter entre os seus licenciados, um dos melhores profissionais do mundo, mesmo que não tenha tido um percurso académico brilhante?
E por falar em Mourinho, sempre que me falam dele lembro-me de uma lição aplicável a muitos outros quadrantes da vida: Lembram-se do adjunto do Barcelona que foi a escolha final de Vale e Azevedo para treinar o Benfica? Lembram-se que foi despedido para contratarem um tal Toni (quando o ex-adjunto tinha resultados muito bons)? Lembram-se da manifestação de adeptos do Sporting, não querendo que Luís Duque contratasse um despedido do Benfica?
O despedido acabou por rumar a Leiria, e em poucos anos ao Porto, onde ganhou tudo (incluindo uma Taça UEFA e uma Liga dos Campeões). Posteriormente mostraria todo o seu nível em Inglaterra e Itália.
Como Sportinguista vejo aquele erro passado como a lição que muitos políticos apreenderam na História, nem sempre se pode governar pela rua.
Pois não.
26 Março 2009, 18:37 · André Salgado
“Não estamos condenados a este triste estado de coisas” - Manuela Ferreira Leite.
Acho que é isto
26 Março 2009, 18:31 · André Salgado
- Ó Rui, não vale a pena ir por aí…
- Ah… não acredito! Outro acidente, Eduarda?
- Não, é o dr. Louçã que está a dar um raspanete.
- Contra si e contra os que lamentavelmente trabalham. Não ajudam nada a mobilizar a manifestação.
- O que vale, Eduarda, é que depois da manifestação, 470 mil portugueses vão arranjar emprego.
- É verdade, Rui, graças ao dr. Louçã.
Os puristas
26 Março 2009, 18:02 · Mariana Vieira da Silva
Num país cheio de donos da leitura, das cidades, dos museus ou da cultura é com alívio que se lêem frases destas, libertas dos purismos do costume:
“A ideia de que a frente do rio é um jardim é uma ilusão. Há um porto e o porto faz parte da paisagem da cidade e não é parte a ignorar”, disse Siza Vieira aos jornalistas quando questionado sobre o projecto de ampliação do terminal de contentores de Alcântara.
O arquitecto afirmou não ter uma “opinião formada” sobre o projecto e a pertinência da localização em Alcântara, mas defendeu que a “vida do porto” é “uma coisa muito interessante numa cidade”.
“Uma cidade existe porque há coisas que tiram a vista a outras, se não, não havia cidade”, afirmou.
(fonte: Lusa)
Contabilidades étnicas
26 Março 2009, 16:51 · Miguel Cabrita
A ideia de “contabilizar etnias”, tarefa a que se pretende dedicar um “Comissário para a Diversidade” (de origem argelina, ao que parece não por acaso) nomeado por Sarkozy, é por definição propícia a dar maus resultados. Além de se entrar por um terreno minado, estão em causa questões demasiado sérias para brincadeiras e voluntarismos.
Seja sob o pretexto de combater desigualdades ou com outros nobres objectivos, este tipo de exercício acarreta sempre uma naturalização dos “grupos étnicos” e a consequente legitimação das fronteiras (e pertenças, e desigualdades) que lhes estão associadas - aliás, um dos problemas fundamentais do multiculturalismo.
De resto, o próprio procedimento está sempre pejado de problemas: da inescapável arbitrariedade das categorias escolhidas, quaisquer que elas sejam, à ambiguidade da inserção de cada caso na grelha criada, à necessidade de recorrer ao método (o único eticamente aceitável, de resto) da “adesão voluntária” - que deveria fazer pensar os próprios defensores da ideia sobre o verdadeiro estatuto do seu exercício.
O debate em França está ao rubro e o melhor que poderá acontecer é que chegue ao fim com este “projecto” numa gaveta qualquer, para desgosto dos paladinos da etno-contabilidade. Porque, a avançar, há boas razões para suspeitar que as consequências estarão bem para além de números e percentagens.
«European Leader Assails American Stimulus Plan»
26 Março 2009, 12:14 · Mariana Trigo Pereira
No artigo do NYTimes lê-se ainda que “analysts in Prague said that Mr. Topolanek was eager to show that he was still politically relevant.”
Assim não vamos lá. Como dizia Krugman, vale-nos o Estado Providência.
«Falências de empresas aumentaram 51 por cento no primeiro semestre de 2008»
25 Março 2009, 10:06 · Hugo Mendes
Lê-se no ‘Público‘. Agora é só esperar para ouvir Manuel Alegre (entre outros) pugnar de novo pelo aumento dos salários.
the ‘H’ word
25 Março 2009, 2:56 · Hugo Mendes
Poucas coisas me espantam mais, nos dias que correm, do que ouvir pessoas (de esquerda) barafustar, de dia e em público, contra tudo o que for possível e impossível sobre o Magalhães* (ele é a ‘propaganda’, os atrasos nas entregas, os erros de português no software, vale tudo) e, de noite e em privado, embevecerem-se com o novo computador Mac** (ou outro) que deixa maravilhado o seu filho (ou filha).
* um computador portátil grátis para as crianças de famílias com menos recursos, e que custa 50 euros para o resto das famílias.
** que custará pelo menos - e atiro assim um valor para o ar - 3 vezes o salário mínimo nacional.
Ele, de volta
24 Março 2009, 22:13 · Mariana Vieira da Silva
Leonard Cohen regressa a Lisboa, dia 30 de Julho. Para quem passou várias semanas a ouvir o concerto no Beacon Theatre, que o all songs considered da NPR disponibilizou em podcast, começa agora a contagem decrescente. À espera, confesso, que na mala não falte isto.
Um pouco de juízo
24 Março 2009, 17:16 · André Salgado
Dia do estudante
24 Março 2009, 13:54 · Hugo Costa
Segundo noticiado hoje pelo canal de Televisão SIC, a manifestação do dia do estudante tinha menos de 100 pessoas em Lisboa.
É preciso mais alguma prova da desadequação da mensagem de quem se manifesta dos problemas reais dos estudantes?
O passado do dia do estudante merecia mais…
Pão e circo
23 Março 2009, 23:52 · Tiago Barbosa Ribeiro
Parece que o PCP vai convocar uma manifestação contra as «políticas de direita» (sic). Claro que vai. Os manifestantes da CGTP só têm de trocar a farda.
O regozijo
23 Março 2009, 21:21 · André Salgado
Mais portugueses inscritos como desempregados, expectativas mais risonhas para o ano eleitoral. Como bem observa o atento Afonso Azevedo Neves, é a maior subida homóloga desde Dezembro de 2003, altura, como todos recordamos, em que a então governação social-democrata e centrista se batia como um leão perante uma das mais graves crises internacionais das últimas décadas. É também impressionante a quantidade de governações falhadas, hoje, um pouco por todo o mundo. Já da seriedade e do oportunismo falhados…
Por falar em propaganda…
23 Março 2009, 19:32 · Tiago Antunes
O que é que Manuela Ferreira Leite não diria se José Sócrates fosse pago para, quinzenalmente, expôr o seu pensamento e passar mensagens políticas subliminares na primeira página de um importante suplemento do semanário de referência com maior tiragem em portugal???
E a ERCS, não terá nada a dizer sobre isto???
Publicidade institucional
23 Março 2009, 16:32 · Hugo Mendes
(clicar para aumentar)
Obras de interesse
23 Março 2009, 12:47 · Hugo Costa
O PSD tem tomado posições extremas em relação ao investimento público, esquecendo os princípios básicos das definições de políticas de investimento.
Sendo oriundo de um concelho (Tomar), onde os novos investimentos o vão colocar no mapa das acessibilidades, lamento o desespero de Paulo Rangel ao criticar esses investimentos, demonstrando como não conhece a realidade do terreno.
Entre outras figuras “laranjas”, o deputado Miguel Relvas tem aparecido publicamente a criticar o investimento público, mas nunca referiu se incluía o IC3 (Tomar - Coimbra) e o IC9 (Tomar – Nazaré).
Será que Miguel Relvas tem uma posição como dirigente nacional do PSD e outra como Presidente da Assembleia Municipal de Tomar, conforme o interesse?
Aguardo esclarecimentos.
Chavez aderiu ao neo-liberalismo?
22 Março 2009, 13:37 · Hugo Mendes
Venezuela corta quase 7 por cento no orçamento de Estado.
Em escuta aqui ao lado >>>
21 Março 2009, 19:41 · Mariana Trigo Pereira
Bishop Allen
Álbum: GRRRR…
#1: Dimmer
(Não penso que este último álbum dos Bishop Allen seja tão mau como o pintam. Esta é uma faixa ‘feel good’ para assobiar no carro num passeio de fim-de-semana.)








