Da laicidade

28 Agosto 2009, 17:17 · Mariana Trigo Pereira

(ainda o programa do PSD)

“Recuperaremos o papel e a importância da assistência espiritual que é procurada e prestada, por exemplo, em hospitais, prisões e lares.”

Em síntese

28 Agosto 2009, 14:31 · Mariana Trigo Pereira

«Assim, se a chegar ao Governo, a dra. Ferreira Leite extinguirá o pagamento especial por conta que a dra. Ferreira Leite criou em 2001; a primeira-ministra dra. Ferreira Leite alterará o regime do IVA, que a ministra das Finanças dra. Ferreira Leite, em 2002, aumentou de 17 para 19% ; promoverá a motivação e valorização dos funcionários públicos cujos salários a dra. Ferreira Leite congelou em 2003; consolidará efectiva, e não apenas aparentemente, o défice que a dra. Ferreira Leite maquilhou com receitas extraordinárias em 2002, 2003 e 2004; e levará a paz às escolas, onde o desagrado dos alunos com a ministra da Educação dra. Ferreira Leite chegou, em 1994, ao ponto de lhe exibirem os traseiros. No dia anterior, o delfim Paulo Rangel já tinha preparado os portugueses para o que aí vinha: “A política é autónoma da ética e a ética é autónoma da política”.»

(Manuel António Pina, Jornal de Notícias, 28 de Agosto)

Do desespero #3

28 Agosto 2009, 11:12 · Mariana Trigo Pereira

“Suspenderemos, porém, o actual modelo de avaliação dos professores, substituindo-o por outro que, tendo em conta os estudos já efectuados por organizações internacionais, garanta que os avaliadores sejam reconhecidos pelas suas capacidades científicas e pedagógicas, com classificações diferenciadas tendo por critério o mérito, e dispensando burocracias e formalismos inúteis no processo de avaliação.”

Do desespero #2

28 Agosto 2009, 10:58 · Mariana Trigo Pereira

ALTERAR O REGIME DE PAGAMENTO DO IVA E EXTINGUIR O PAGAMENTO ESPECIAL POR CONTA

“A grande contestação ao PEC iniciou-se depois de o Orçamento de Estado para 2003 ter revisto estes valores, situando-os entre um mínimo de 1250 euros e um máximo de 200 mil euros, tecto esse agora reduzido para 40 mil euros (oito mil contos).

A generalidade das associações empresariais criticou na altura o imposto, os valores previstos e a metodologia de aplicação do PEC, designadamente em sectores onde as margens eram inferiores a um por cento do volume de negócios total.

Ferreira Leite garantiu na altura que o PEC era um instrumento de combate à evasão e fraude fiscal e que era para ser aplicado, mas corrigiu alguns dos aspectos mais criticados, excluindo do cálculo do imposto algumas receitas, designadamente as decorrentes da aplicação de impostos especiais sobre o consumo e imposto automóvel.”

Do desespero #1

28 Agosto 2009, 10:39 · Mariana Trigo Pereira

“Este é o Programa Eleitoral do PSD para as próximas eleições legislativas. Agradeço-lhe o interesse que dedica à sua leitura.

Em contraste com a prática política seguida pelos actuais governantes socialistas, tenho procurado sempre – e em particular desde que assumi a presidência do PSD – orientar-me por valores que considero fundamentais na vida e na acção política.”

“A actual situação é o resultado de uma política de duplicidade e de fingimento, de uma política que tem os seus responsáveis no governo socialista.”

“Também aqui nos distinguimos claramente da ruinosa política socialista

“Todos os estudos e indicadores revelam a necessidade de orientar as políticas para uma maior qualidade do ensino, mas os socialistas optaram por uma política que estimula o laxismo, a falta de disciplina e o facilitismo na avaliação.”

“Daremos especial atenção à política de cidades, um dos mais gritantes falhanços da governação socialista.”

“Também aqui nos distinguimos claramente da ruinosa política socialista.”

“Todos os estudos e indicadores revelam a necessidade de orientar as políticas para uma maior qualidade do ensino, mas os socialistas optaram por uma política que estimula o laxismo, a falta de disciplina e o facilitismo na avaliação.”

E, no entanto, ela cumpre-se

27 Agosto 2009, 20:17 · Mariana Vieira da Silva

A questão das qualificações dos portugueses faz parte, e bem, de todos os discursos de todos os partidos, nos últimos 35 anos. O diagnóstico é partilhado por (quase) todos, mesmo que as soluções apresentadas para superar este problema sejam muito diferentes. Portugal tem um problema citado por todos – uma elevadíssima % de jovens (18 aos 24 anos) que saiu da escola da escola sem completar o ensino secundário. Era cerca de 39% em 2006 (36 agora), o dobro da média da UE. Mas permanecia um outro problema, muito mais grave, até porque absolutamente excepcional na Europa em que nos inserimos: segundo os censos de 2001, 26% dos jovens entre os 18 e os 24 anos não tinha completado o ensino básico (9.º ano). Quer isto dizer que 1/4 dos jovens, apesar de cumprir a escolaridade obrigatória não terminava o ensino básico (a lei de bases fixava a obrigatoriedade de frequência da escola até completar o 9.º ano OU até aos 16 anos). São milhares de jovens(cerca de 25 000) que entraram no mercado de trabalho sem terem adquirido os conhecimentos considerados mínimos.

Os dados divulgados na passada segunda-feira mostram-nos uma coisa importantíssima que quase não vi referida: este ano terminaram o 9.º ano mais de 121 000 jovens (mais 10 000 que a coorte etária faria chegar ao 9.º ano). Os dados apresentados mostram que, pela primeira vez, os alunos terminam efectivamente a escolaridade básica definida em 1986.
Esta é uma marca da governação, um resultado das políticas educativas desenvolvidas - cursos CEF, diversificação das ofertas formativas, apoio ao estudo e planos de recuperação. Mas é, antes disso, um resultado que cumpre a ambição da lei bases do sistema educativo e que, por isso, devia satisfazer todos aqueles que a defenderam e que agora se preparam para concretizar os 12 anos de escolaridade para todos os alunos.

Isto vai (e já está a) ser assim (III)

27 Agosto 2009, 19:11 · André Salgado

“Há cada vez mais pessoas a pensar como nós” #2

25 Agosto 2009, 10:21 · Mariana Trigo Pereira

Há um Portugal que paga impostos e há outro Portugal que recebe o Rendimento Mínimo

Há gente que pensa como nós. Há outras pessoas que não.

“Há cada vez mais pessoas a pensar como nós”

25 Agosto 2009, 10:18 · Mariana Trigo Pereira

Este slogan até pode resultar em certos meios mas não propriamente nas feiras repletas de preguiçosos e parasitas do Estado que vivem à custa do rendimento social de inserção:

«[Paulo Portas] recebendo algumas manifestações de apoio, foi também confrontado por vendedores que mostraram já o reconhecer pelas suas posições públicas “contra o rendimento mínimo”. Paulo Portas reiterou que concorda com a atribuição do rendimento social de inserção “se for dado a pessoas com efectiva dificuldade, se for transitório, se não se transformar em modo de vida, se implicar trabalho a favor da comunidade e se puder ser dado em géneros”.»

Dá que pensar #2

22 Agosto 2009, 11:31 · Mariana Trigo Pereira

A “Nazi policy”…

O Duplo Pacto - Hugo Mendes

20 Agosto 2009, 14:11 · João Jesus Caetano

O Hugo Mendes publicou no Diário Económico de hoje um artigo de leitura obrigatória, que transcrevo integralmente:

Um dos mitos contemporâneos diz que a globalização torna o Estado social insustentável, sobretudo nos países pequenos. A direita regozija e a esquerda protesta, mas ambas aceitam a sua inevitabilidade. O mito, porém, não sobrevive à análise: as economias mais integradas no comércio internacional são as dos pequenos países - os mesmos que construíram os Estados sociais mais generosos. Parte da explicação é esta: a vulnerabilidade do mercado interno a choques exógenos incentiva à coordenação entre Governo, capital e trabalho, e favorece a construção de compromissos de classe e de instituições que protegem contra os humores do mercado.

A discussão é particularmente actual no momento em que o PS propõe ao país um duplo pacto: para o reforço da internacionalização da economia e para a expansão do Estado social. Os pactos complementam-se porque permitem aumentar a coerência entre os regimes de produção de bens transaccionáveis e de protecção das pessoas. Claro que é impossível copiar as instituições ou a trajectória dos países europeus pós-1945: em Portugal, a representação do capital e do trabalho é menos unificada; a taxa de sindicalização no privado é muito reduzida; grande parte dos empregadores e trabalhadores é pouco qualificada; o tecido económico tem bolsas de baixíssima produtividade. Sabemos, porém, que as instituições condicionam a acção dos parceiros, mas não a determinam. A escolha da estratégia é, por isso, decisiva.

A estratégia do duplo pacto aposta na definição dos clusters que merecem a aposta prioritária dos sistemas público e privado de inovação. Aposta em medidas de apoio à capacidade organizacional das firmas e à sua inserção em redes internacionais. Aposta na qualificação de pessoas ao nível do ensino superior e do secundário. Aposta em níveis elevados de contratação colectiva e moderada segurança laboral. Aposta em trabalhadores mais bem pagos; num país onde o salário mediano ronda os 700€ e cerca de 500.000 ganham o salário mínimo, é preciso prosseguir o aumento deste, medindo o impacto no emprego. É possível, porém, aumentar o rendimento do trabalhador se o Estado fornecer um complemento ao salário; a medida, que existe em inúmeros países, consta do programa do PS.

Os pactos não se complementam por acção da mão invisível do mercado, mas da mão visível do compromisso. O duplo pacto incentiva ao aprofundamento da coordenação cooperativa da economia, essa dinâmica negocial entre Governo, empresas e sindicatos, assente na concertação, na persuasão, e no incentivo - numa palavra, na política. Se alguns reduzem isto a “negociatas”, é porque lhe têm horror.

Dá que pensar

19 Agosto 2009, 12:47 · Mariana Trigo Pereira

que há por aí muita gente perturbada à espera de pretextos para sair das tocas.

A política das fontes e os seus limites

18 Agosto 2009, 22:11 · Miguel Cabrita

Desconte-se a publiquice de que fala a Mariana (mais uma entre as que se sucedem diariamente), a propensão para a amplificação dos disparates de Verão e a cortina de fumo de que fala o João Magalhães. Desconte-se também o lamentável sistemático recurso a “fontes anónimas” para fazer comunicação política em Belém, sempre com os mesmos alvos, fontes nunca desmentidas ou desautorizadas.

Desconte-se tudo isto e no fim de contas está desta vez em causa muito mais do que tácticas de guerrilha ou desinformação, por mais condenáveis que sejam. O lançamento de uma suspeita da máxima gravidade numa matéria tão delicada, que intefere com os pilares do regime democrático e com a confiança dos cidadãos, não pode ser deixada em claro por nenhum agente político minimamente responsável e que se preocupe com a qualidade da democracia em Portugal.

A mera sugestão de que existem escutas ou alguma espécie de vigilância a um órgão de soberania não pode passar incólume, como se nada fosse: tem de ser demonstrada ou, em alternativa, objecto de demarcação clara. E não por fontes anónimas, que o assunto é demasiado sério.

Publiquices em período eleitoral

18 Agosto 2009, 11:11 · Mariana Trigo Pereira

Alguém que me explique o encadeamento lógico desta notícia:

O clima psicológico que se vive no Palácio de Belém é de consternação e a dúvida que se instalou foi a de saber se os serviços da Presidência da República estão sob escuta e se os assessores de Cavaco Silva estão a ser vigiados

Será que os assessores do Presidente estão sob vigilância do Governo ou do PS? Como têm acesso a essas informações? Será que em Belém passámos à condição de vigiados?

1- Este país é minúsculo e toda a gente sabe coisas sobre toda a gente. Ninguém precisa de estar sob vigilância para que se saibam de encontros entre pessoas para escrever um programa eleitoral.
2- Mas, se se sentem vigiados é porque confirmam indirectamente a suspeita.

O vice-presidente do PSD, José Pedro Aguiar Branco, desmentiu categoricamente, em declarações ao PÚBLICO, que tenha havido qualquer colaboração de assessores do Presidente da República na elaboração do programa”.

Donde se conclui que o título da manchete do Público devia ser:
“Presidência suspeita estar a ser mal vigiada pelo Governo” ou “Hoje não temos nada melhor para colocar na capa do Jornal”.

Actualização (silly season no seu melhor): Como reporta o SOL, “a colaboração entre assessores de Cavaco e a direcção de Manuela Ferreira Leite já era sugerida antes de sábado passado, num artigo do Semanário, de 7 de Agosto, intitulado «Ferreira Leite faz o programa com Catroga e assessores de Belém». A teoria era aparentemente aceite pelo próprio PSD, que publicou o artigo no site de campanha Política de Verdade.”

A liga portuguesa começou ontem

17 Agosto 2009, 2:32 · Miguel Cabrita

E pelo que se viu, business as usual.

Emprego: Diferenças entre PSD/PP e PS

16 Agosto 2009, 22:24 · João Jesus Caetano

O PSD, pela voz da dra. Manuela Ferreira Leite, considera que o Governo do PS fez pouco para proteger o mercado de trabalho das pressões que resultaram da quebra da actividade económica ao longo do último ano.

Num post anterior, ilustrei que o mercado de trabalho em Portugal respondeu em linha com o comportamento europeu. Agora, quero ilustrar os diferentes impactes da economia no emprego/desemprego entre 2002 e 2005, com o PSD/PP no Governo, e entre 2005 e 2009, com o PS.

No último trimestre de 2002, e nos três primeiros de 2003, a economia nacional esteve em quebra. Mas ao contrário do que aconteceu ao longo dos últimos três trimestres, em 2003 não havia uma crise internacional.

E o que aconteceu ao mercado de trabalho nacional nesse período? O desemprego cresceu como nunca. Aliás, a taxa de desemprego homóloga ente o 4T02 e o 3T03 cresceu mais do que nos três últimos trimestres em que a crise internacional se fez sentir em Portugal, com diminuições de actividade consideravelmente superiores a 2003, como se pode ver no gráfico acima.

Mas, pior do que isso, durante a governação do PSD, o desemprego homólogo cresceu sempre, mesmo quando a dinâmica económica era positiva.

Para o PSD, é a economia que gera emprego. Para o PS, é a economia, mas também as políticas activas de emprego, destinadas, por exemplo, a promover a formação profissional em contextos de trabalho, a inserção de jovens no mercado de trabalho, e a protecção de postos de trabalho ocupados por trabalhadores mais velhos.

A diferença entre estas duas visões é ilustrada pelas linhas (rosa e laranja) no gráfico acima. Para o mesmo nível de actividade económica, a visão do PS cria mais emprego e menos desemprego do que a visão do PSD.

É isto que define um Programa de políticas de emprego; e não a fotografia circunstancial de um período condicionado pela fraca dinâmica económica internacional, como a líder do PSD quer fazer crer.

Emprego: Novas qualificações

16 Agosto 2009, 22:05 · João Jesus Caetano

Num artigo publicado no Diário Económico, o Pedro Adão e Silva referiu que o objectivo dos 150 mil empregos não foi atingido nesta legislatura porque a crise internacional que se iniciou no terceiro trimestre de 2008 criou uma enorme pressão sobre a dinâmica de criação de empregos.

De facto, até ao segundo trimestre do ano passado, e desde o início da legislatura, a economia nacional tinha criado cerca de 133 mil empregos numa dinâmica sustentada, o que fazia prever que o objectivo dos 150 mil empregos seria atingido. Não foi, e o resultado final acabou por ser a diminuição de 18 mil postos de trabalho.

Mas se olharmos para a dinâmica de criação de emprego em função das habilitações verificamos algo interessante, que o Pedro já referira, e que convém voltar a sublinhar.

Desde o início da legislatura, a criação líquida de emprego qualificado (pessoas com habilitações equivalentes ao secundário ou ensino superior) aproximou-se de 250 mil. Mas, ainda mais interessante, esta dinâmica acentuou-se durante a crise, gerando um resultado líquido de 83 mil empregos qualificados nos últimos 12 meses.

Estes elementos permitem construir uma tese que deverá ser estudada com mais atenção nos próximos tempos: o aumento sustentado das qualificações de base dos portugueses ao longo dos útimos anos permitiu que um maior número de activos estivesse menos exposto à pressão da quebra de actividade económica, contribuíndo para a reestruturação do mercado de trabalho e, talvez, da própria economia nacional.

Emprego: Panorama mundial

16 Agosto 2009, 22:00 · João Jesus Caetano

A dra. Manuel Ferreira Leite considera o crescimento do desemprego ao longo do último ano em Portugal um problema exclusivo do nosso país. Esta leitura está aliás em sintonia com a interpretação que faz da maior crise internacional dos últimos 80 anos, o “abalozinho de terras”.

Ora, o Instituto Francisco Sá Carneiro já deveria ter informado a Presidente do PSD que as coisas não são bem assim. No gráfico acima, estão representadas as variações homólogas no segundo trimestre deste ano do PIB e da Taxa de Desemprego para todos os países da União Europeia, assim como Estados Unidos e Japão, com base nas estimativas do EUROSTAT.

E o que é que o gráfico nos diz? Diz-nos que tendo em conta a quebra do PIB português ao longo do último ano, o aumento verificado no desemprego está em linha com a média do comportamento internacional (linha contínua - Lei de Okun). E se países como a Alemanha tiveram reduções menos acentuadas do desemprego, os mercados de trabalho em França, na Irlanda, nos Estados Unidos e (na clássica) Espanha responderam pior à quebra de actividade económica do que em Portugal.

9.58 segundos arrepiantes

16 Agosto 2009, 21:24 · Mariana Trigo Pereira

Instantes antes da partida, é evidente pelas expressões e gestos de ambos que Bolt e T.Gay sabiam o que aí vinha. Estes são sem dúvida os melhores momentos de televisão - aqueles em que todos torcemos irracionalmente pela superação do homem pelo homem e sentimos empatia com a rouquidão instantânea do comentador que, no local e em directo, confirma a realidade e a grandeza deste feito histórico.

Les Paul: a beleza eternizada

14 Agosto 2009, 17:06 · Miguel Cabrita

Não querendo transformar o blogue num obituário, e não sendo grande adepto de textos mortuários exageradamente emocionados e grandiosos, como por aí se vê tantas vezes, a verdade é que dificilmente terei alguma vaz melhor pretexto para postar uma fotografia de uma das mais belas guitarras eléctricas já concebidas.

Les Paul, que morreu ontem, foi um músico e inventor na origem de inovações técnicas e musicais que permitiram ao rock desenvolver-se como se desenvolveu. Merecidamente, esta Gibson imortaliza o seu nome e é pura e simplesmente impossível competir com ela (ou, aliás, com a sua descendência Epiphone). Beleza, elegância e muito estilo num objecto só.

Party boy

14 Agosto 2009, 16:28 · Miguel Cabrita

É verdade que em televisão o tempo de antena é muito limitado, mas deveria haver excepções a esta regra. Miguel Frasquilho é um desses casos.

Ontem, reagindo aos dados sobre o crescimento económico, o dr. Frasquilho - o agora repescado homem do célebre “choque fiscal” de Durão Barroso, que acabou no aumento do IVA logo após as eleições e com a demissão do próprio, que ainda resistiu durante uns tempos como Secretário de Estado de…Ferreira Leite - brindou-nos com uma das suas deliciosas análises: “naturalmente, é sempre melhor ter um crescimento positivo (mesmo que marginal) do que um decréscimo”. Brilhante e certeiro. Especialmente, quando se previa um decréscimo nada marginal, certo? Uma maçada.

Não satisfeito, o economista Frasquilho sublinhou ainda que Portugal “anda à boleia da economia europeia”. Será equívoco dos comuns mortais ou é essa a regra numa economia europeia como a nossa e, aliás, particularmente exposta ao exterior? Aliás, será por efeitos da crise mundial que Portugal mergulhou também numa recessão, como a generalidade das economias europeias?  Será isto também uma “boleia”? O dr. Frasquilho não esclareceu.

Por fim, Frasquilho indignou-se, afirmando que o PSD “não  celebra como o Engenheiro Sócrates”. Bem, vejamos. Sócrates disse (eu vi, não sei se Frasquilho teve oportunidade de ouvir o que comentou pouco depois) que este dado era um “bom sinal”, mas que “não significava o fim da crise”. Disse que havia ainda muitos desafios para ultrapassar. Disse que este momento “podia ser” (sic) um ponto de viragem.

Celebração? É só impressão ou o dr. Frasquilho (tal como outros, aliás) anda tão desejoso de festas que quando ninguém as faz e não há motivos para tal (e ainda menos para os lados da S. Caetano à Lapa), as inventa ele próprio?

“Há sempre um mas…” #2

14 Agosto 2009, 15:59 · Miguel Cabrita

O de hoje, na capa do inevitável Público é:

“Economia volta a crescer mas cenário de crise continua presente”.

Decerto, para o caso de alguém muito, mas mesmo muito, distraído se esquecer…

Os limites do controlo

13 Agosto 2009, 18:36 · Miguel Cabrita

Há sempre um “mas”, costuma dizer-se. E que “mas”, por vezes. Será uma máxima sábia, mas que se torna particularmente verdadeira em contextos muito específicos. Por exemplo, nos títulos que os spin doctors do Público arranjam nas poucas ocasiões que se lembram de puxar para primeira página notícias que seriam inequivocamente boas sobre os resultados da governação. Como que por milagre, há sempre um arreliador “mas” para atrapalhar.

Hoje, por exemplo. O “tempo de espera nas cirurgias baixou para 3,4 meses” contra os 8,6 meses que eram a situação de partida em 2005. Impressionante? Talvez, mas

…”mas consultas estão sem controlo”. Quem lê isto, pensa que os tempos de espera nas consultas estão “descontrolados”, que dispararam, que há uma situação de catástrofe ou que pelo menos ninguém está preocupado. Afinal, tudo espremido e simplesmente não há ainda dados sobre o programa “Consulta a Tempo e Horas”, também lançado por este governo para diminuir os tempos de espera para primeiras consultas de especialidade.

Mesmo dando de barato que a situação possa não ser tão favorável como nas cirurgias (afinal, nem seria fácil), há medidas em curso e haverá dados disponíveis antes do final do ano. Qualquer semelhança disto com uma situação que “está sem controlo” é, no mínimo, pura desonestidade. E, ninguém acredita que por descuido ou descontrolo, (mais) um título verdadeiramente enganoso.

Crescimento económico

13 Agosto 2009, 16:36 · Miguel Cabrita

Os dados hoje revelados pelo INE mostram que, se em termos homólogos há ainda (como seria inevitável) uma variação negativa da economia, em relação ao 1º trimestre de 2009 há  uma evolução positiva da actividade económica de 0,3%. É pouco, mas estamos de novo em terreno positivo; e acima de tudo é um dado inesperado, muito melhor do que o previsto, como aliás o próprio Público reconhece. Não sendo prudente desvalorizar a situação complexa que ainda se vive a vários níveis na economia (por exemplo, na evolução dos preços) e no emprego, esta informação contraria todas as previsões e acaba com a situação de recessão técnica muito mais cedo do que o esperado.

Resta saber o tipo de tratamento que será dado a esta verdadeira notícia. Por exemplo, há uns dias o Público fazia na primeira página grande destaque dos indícios de melhoria dos indicadores económicos internacionais, salientando que Portugal estava “atrasado” em relação a outros países. O rigor informativo era tal que no interior do jornal tínhamos até direito a gráficos para demonstrar tal tese - esquecendo o “analista”, apenas, o pequeno pormenor (aliás, bem visível nos gráficos) de Portugal ter sentido também mais tarde que outros os efeitos da crise. Será interessante ver qual será, agora, não apenas o destaque dado à notícia mas também qual o ângulo escolhido para a tratar.

E assim vai o ‘debate’

13 Agosto 2009, 10:14 · Mariana Trigo Pereira

Ontem, Medina Carreira no Negócios da Semana da Sic Notícias:

“Podemos falar do que quiser”

“O PS apresentou um programa à maneira antiga, não vale a pena perder tempo com ele…é conversa fiada”

Autarquias: “aquilo é conversa que não tem lá nada que preste”

Redução de benefícios fiscais para indivíduos com maiores rendimentos: “vou-lhe fazer um pedido, gostava de aproveitar o tempo com coisas úteis…você não me interrompa sobre tretas. Isso da redistribuição fiscal é uma aldrabice…Voçês deviam ter aqui um órgão que filtrasse estas coisas que são ditas aí pelos políticos. 80% do tempo que vocês gastam é com coisas inúteis….Se eu fosse chefe de governo e aparecesse um homem a propor-me isso eu punha-o logo no olho da rua. ”

Programas: “O do PSD não conheço, o do PS não vale nada”

Empowerment

12 Agosto 2009, 18:45 · Miguel Cabrita

Carlos Queiroz sobre o Liechtenstein: “Não é uma equipa do primeiro nível, mas tem capacidades similares às da Dinamarca. Parece-me um adversário ajustado”. Eis uma dúvida que ainda é preciso tirar, pelo menos por quem tiver paciência para tal. Há coisas que nem na silly season têm explicação.

“If we’re going to walk into walls…” #2

12 Agosto 2009, 15:44 · Mariana Trigo Pereira

Ainda a propósito da ausência de propostas, são bastante elucidativos os textos de Alexandre Homem Cristo (AHC) sobre o Estado Social:

«Pertenço a uma geração que contribui para a Segurança Social mas que se arrisca a nunca conhecer os seus benefícios
«Não se trata de questionar a existência de um Estado Social, mas de questionar a sustentabilidade deste Estado Social»

O que fez o PSD para reformar a S.S. e garantir a sua sustentabilidade para as gerações futuras? E quais são as propostas do PSD neste domínio?

«Isto porque, em vez de os apoios servirem de rede de segurança, estes promoveram a dependência dos beneficiários nas ajudas do Estado

Pois, mas uma das principais medidas propostas no programa do PS para combater as desigualdades sociais é precisamente o apoio a famílias trabalhadoras com filhos - um complemento aos seus rendimentos que elevará a dita safety-net sem desincentivar o trabalho. Num país onde uma parcela significativa dos pobres são trabalhadores esta medida revela-se particularmente importante e não pode ser acusada de promover a dependência ou de diminuir a competitividade da economia, muito pelo contrário. Mas AHC ou não leu esta parte do programa ou não achou pertinente comentar uma medida que contradiz as suas críticas.

«Portugal é hoje dos países mais desiguais da UE, apesar do peso do seu Estado Social

Quais foram as medidas propostas pelo PSD nos últimos anos para inverter esta tendência? Como é que pretendem concretizar as preocupações com a Pobreza e as Desigualdades Sociais manifestadas, genericamente, nas linhas orientadoras do programa? A única coisa que sabemos é que Manuela Ferreira Leite tem pena de não ser rica. E pouco mais tem sido dito pelo PSD a propósito das fortes assimetrias da distribuição de rendimentos em Portugal. Mas fica sempre bem uma menção destes temas no programa eleitoral.

Não me venham dizer que no final de Agosto é que se vai saber tudo em detalhe. Fazer oposição passa também por ir colocando estes temas na agenda, apresentar soluções e alternativas, amadurecer ideias para depois as levar a votos em altura própria. Acredito que os eleitores são mais exigentes do que o PSD gosta de crer e que em Setembro tirarão as devidas ilações de tudo isto.

“If we’re going to walk into walls…”

12 Agosto 2009, 2:59 · Mariana Trigo Pereira

«If we’re going to walk into walls, I want us running into them at full speed. We’re going to lose some of these battles, and we may lose the White House, but we’re not going to be threatened by issues. We’re going to bring ‘em front and center. We’re going to raise the level of public debate in this country and let that be our legacy.» Leo McGarry, season 1, West Wing

Tem sido complicado discutir e opor ideias e encontrar substância no actual debate político dominado por casos fúteis que só interessam àqueles que se contentam com a política enquanto ‘fim’, forma, estilo, retórica e jogos de poder, descurando- o que deveria realmente interessar – a sua vertente de acção, intervenção e transformação.

E assim, estamos a pouco mais de um mês das eleições legislativas e há mais para contar sobre o caso Joana Amaral Dias do que sobre o programa do PSD, cujas linhas orientadoras se espremem a si mesmas, apresentadas em estilo light, formato ideal para a época balnear (não percebo como ainda se foi perder tempo a votar um documento tão genérico quanto este).

Para os mais distraídos, que chegaram agora de férias, esclarece-se que esta opção de comunicação política não resulta da falta de ideias e contributos, da ausência de vontade de assumir posições, ideologias e compromissos claros com o eleitorado, mas antes surge porque o PSD ouviu os portugueses – os que não lêem os programas dos partidos e aqueles que não acreditam em promessas eleitorais, terão tido grande peso no universo de pessoas que recorreram ao call-center da D. Manuela. Faz-me lembrar os tempos da faculdade em que alguns professores optavam por não recomendar leituras de artigos e livros sob o pretexto de que “os alunos não vão à biblioteca e não lêem”.

E, por isso, graças aos estudos de mercado e à crença na representatividade da amostra dos portugueses escutados pelo PSD através da sua linha telefónica paga, o partido aposta no copywriting dos cartazes de rua, nas ideias vagas e soltas, entre o sound bite e o tweet, não se expondo, nem se comprometendo, agindo e comunicando por reacção às propostas de outros.

Nesta conjuntura, acho que não podia ser mais adequado o título Jamais para um blog de apoiantes do PSD – já todos sabemos o que não querem, do que não gostam, o que jamais aceitarão, muito ao estilo de MFL que depois de ouvir os ‘portugueses’ parece ter concuído que os eleitores não darão pela falta da apresentação de propostas governativas concretas nem tão pouco de um período adequado de amplo debate e reflexão.

Tens razão…

11 Agosto 2009, 19:16 · André Salgado

…Francisco. Dezoito trinta-e-seis anos é muito tempo.
E hoje, o que tens para apresentar? Vigilância revolucionária? Esmagar o capitalismo? Ainda?

Um grande Homem

10 Agosto 2009, 15:10 · Hugo Costa

 

 

Muitas têm sido as homenagens e palavras a Raul Soldado. O Homem da Guerra de 1908, do Zip-Zip e de muitos outros grandes momentos merece o nosso grande aplauso.

O cidadão interessado que ainda há dias se encontrava na apresentação de António Costa (última vez que o vi ao vivo) merece o nosso respeito.

Fica aqui o agradecimento a um grande Homem.

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