45 anos, they say

29 Setembro 2009, 15:12 · Mariana Vieira da Silva

A Mafalda faz hoje 45 anos. Ela, que nos ensina tudo o que quisermos, do bem que faz a sopa (e do mal que sabe), ao mal da burocracia; das inúmeras razões para o pessimismo, à secreta esperança na mudança. Ela, que nos fala de todos os males do mundo, até das insónias. Ela que acorda a rezingar para vida e depois sorri.
Ela, que, além disso, mora agora para sempre em Buenos Aires, vestida de verde e sentada num banco de jardim (que, felizmente, não é o do jardim de Santo Amaro).
Escolho esta tira, hoje, sabendo que amanhã escolheria provavelmente outra. E outra no dia seguinte. 

Um novo ciclo

28 Setembro 2009, 16:57 · Miguel Cabrita

Dúvidas existenciais #2

18 Setembro 2009, 13:47 · Tiago Antunes

Como pode alguém que escreve «conseguir-mos», entre outras calinadas, ser editor de um jornal diário de referência?

Dúvidas existenciais #1

18 Setembro 2009, 13:45 · Tiago Antunes

O gabinete do PM espia o gabinete do PR ou a redacção do DN espia a redacção do Público?

Portugal a Preto e Branco

11 Setembro 2009, 11:06 · Hugo Costa

Portugal a Preto e Branco

Vejam os últimos 10 segundos

Falar claro vs Falar verdade (venha o diabo e escolha)

10 Setembro 2009, 21:59 · Mariana Trigo Pereira

Falar claro (Portas) : “O CDS-PP tem que subir porque se não (…) a agricultura não é posta como a prioridade do ponto de vista económico.”

Falar verdade (Ferreira Leite): “Acontece que o Dr. Alberto João Jardim é, há vários anos, e em eleições sucessivas, democráticas e livres, com voto secreto, eleito pelo povo da Madeira com maiorias cada vez mais crescentes, o que significa que o ambiente na Madeira não tem rigorosamente nada a ver com o ambiente no continente.”

Os Trabalhadores

10 Setembro 2009, 0:13 · Mariana Trigo Pereira

Até que valor poderá o meu salário ser aumentado para que continue a fazer parte da classe dos trabalhadores e ter o PCP a zelar pelos meus direitos? A partir de que valor é que passarei de explorada a exploradora? Deverei esforçar-me menos no trabalho para não correr o risco de ser promovida, melhor remunerada e responsável pelo trabalho de outras pessoas?

O ano é 2009, o país é Portugal, a economia é mista e fazemos parte da UE. Isto parece básico mas continua-se a aceitar com alguma leveza que BE e PCP discutam a sociedade e a política com base em falsas premissas e modelos fictícios que nunca serão postos em prática pela simples razão de que o eleitorado não deu nem nunca dará maioria a nenhum destes partidos. O BE e o PCP não reúnem, por isso, votos suficientes para propor modelos alternativos e gostaria que, uma vez por todas, se assumisse esta realidade e que se discutisse, pragmaticamente, como é que, à luz do actual enquadramento institucional, político e económico e de um percurso histórico e social particular que nos fez chegar ao momento actual, podemos tornar a sociedade mais justa e igualitária, dinamizar a economia e promover o crescimento económico, qualificar a população, melhorar os serviços públicos, etc.

Por momentos (e sim, tenho perfeita noção da ingenuidade do meu idealismo) gostaria que abandonassem os tradicionais meios da esquerda radical (as nacionalizações, as lutas de classes, etc.) e se centrassem antes nos fins que unem a esquerda no seu conjunto. Não defendo nenhuma visão ou pensamento único e geralmente prefiro os radicais aos apáticos e indiferentes. Simplesmente, acredito que seria útil e pragmático, no actual momento político, que as propostas políticas à esquerda fossem, sobretudo, motivadas pelos fins e mais flexíveis nos meios.

A máscara franciscana

9 Setembro 2009, 22:43 · André Salgado

De acordo com o próprio, Louçã desfez o que nunca foi feito. E, palpite meu, fez acontecer a trovoada da última madrugada.

O paupérrimo desempenho no debate com Sócrates, enredando-se nos truques que se habituou a armadilhar e incapaz de defender o seu próprio programa, estilhaçou os nervos nos faróis das esquerdas verdadeiras. O espectáculo não está a ser agradável de ver. Mas é um serviço público esclarecedor.

Derrota

9 Setembro 2009, 18:01 · Hugo Costa

Ontem assistimos a um aspirante a Enver Hoxha português ser derrubado na arena, naquele que tentou que fosse o combate da sua vida.

Asfixia democrática de verdade

7 Setembro 2009, 17:45 · Tiago Antunes

O mito do Estado-mau, Privado-bom

7 Setembro 2009, 16:48 · Tiago Antunes

No debate de ontem, entre Manuela Ferreira Leite e Francisco Louçã, houve um ponto que foi particularmente revelador: revelador do populismo demagógico, do preconceito ideológico e do sacrifício do interesse público em nome de interesses particulares.

 

Não, não estou a falar da parte sobre as nacionalizações, a fuga dos Mellos e quejandos… Estou a falar da argumentação de Manuela Ferreira Leite em relação ao Serviço Nacional de Saúde e aos privados.

 

Em primeiro lugar, a demagogia populista. Para justificar a sua proposta de pôr o Estado a pagar cuidados de saúde prestados pelo sector privado, qual é o exemplo que MFL dá? O de uma pessoa em risco de vida que, se não tiver tratamento rápido, morrerá. Ora, este exemplo é de uma demagogia atroz. Primeiro, porque os casos de risco de vida serão estatisticamente muito poucos no cômputo geral dos tratamentos que, com esta proposta, acabarão entregues aos privados. Na maior parte dos casos, tratar-se-á de uma gripe ou de uma operação aos olhos e não de um caso de vida ou morte. Mas claro que o exemplo do paciente moribundo tem mais carga dramática, logo, dá mais jeito como argumento político. Porém, apenas servirá para justificar que umas quantas rinoplastias passem a ser feitas no privado a peso de ouro e pagas pelo contribuinte. Segundo, porque MFL sabe - ou devia saber - que os casos de vida ou morte são normalmente melhor tratados no sistema público, que tem mais meios, mais know-how e mais valências que os privados. E sabe também que, para curar uma amigdalite básica ou pôr gesso num braço partido, ir ao privado é capaz de ser melhor porque uma pessoa despacha-se mais rápido e evita longas horas de espera; mas para um transplante ou uma operação de risco, não há verdadeira alternativa ao Serviço Nacional de Saúde. Eis porque o exemplo do paciente em risco de vida ou morte é mentiroso e enganador.

 

Em segundo lugar, o preconceito ideológico. Isto é, o mito do «menor Estado, melhor Estado». Mesmo depois da recente crise económica, continua a haver quem pense - e MFL, pelos vistos, é uma dessas pessoas - que o Estado faz sempre tudo mal e caro e quem consegue gerir bem e eficientemente são apenas os privados. O que não só é, em geral, falso, como, no caso da saúde, é particularmente errado. Basta pensar no recente programa de cirurgia oftalmológica, levado a cabo pelo actual Governo, que permitiu, em pouco tempo e sem recurso a privados, realizar milhares de cirurgias, eliminando as crónicas e inaceitavelmente longas filas de espera para operações às cataratas. Demonstrando, portanto, que - desde que bem gerido e com o correcto sistema de incentivos - o sector público consegue dar resposta às necessidades da população e evitar a humilhante necessidade de os idosos portugueses terem de voar até Cuba para voltarem a ver. O que MFL deveria, então, propor era uma reforma do SNS para melhorar os seus níveis de resposta; e não uma pura e simples - e cara! - demissão do sector público em benefício dos privados. As incapacidades ou insuficiências do SNS não são um fatalismo que só possa ser suprido com chorudas transferências de recursos financeiros para o sector privado. É possível - está provado - pôr o SNS a funcionar em condições. E era nisso que MFL deveria estar apostada. Não em enriquecer as clínicas e hospitais privados à custa do erário público.

 

Em terceiro lugar, finalmente, o sacrifício do interesse público em nome de interesses particulares. Manuela Ferreira Leite, para quem «não há dinheiro para nada», diz que para recorrer aos privados na saúde não olhará à despesa. Ou seja, está contra o investimento público porque não há dinheiro e o país está endividado. Não interessa se o investimento público em causa é virtuoso para a economia e para os cidadãos, se será gerador de riqueza e de bem-estar. O que interessa é que o país está endividado e, portando, nada se pode fazer. Mas, quando se trata de desviar recursos públicos para os prestadores privados de saúde, para isso já se arranja dinheiro. Em suma, para estimular a economia com bom investimento público com efeitos reprodutivos a longo-prazo, nada feito; mas para pegar nos nossos impostos e entregá-los à Mello-Saúde ou à Espírito Santo-Saúde (para fazerem aquilo que o SNS pode, se bem gerido, fazer), aí tudo bem. O que demonstra bem a (tantas vezes dissimulada) veia neo-liberal do PSD: nada fazem para combater e até dão por adquirida a falência do sector público, apenas para justificar a transferência de recursos para o sector privado (para a qual, no-matter-what, haverá sempre dinheiro, ainda que não haja para mais nada).

 

Francisco Louçã - há que reconhecê-lo - esteve bem. Bem quando criticou o conformismo de Manuela Ferreira Leite, lembrando que o papel dos políticos não é resignarem-se perante as insuficiências do SNS, mas antes trabalhar para melhorar o seu funcionamento. Bem quando afirmou que não está em causa apenas o custo, mas a qualidade do atendimento (entendendo-se por qualidade do atendimento não o conforto dos sofás da sala de espera ou o n.º de canais de televisão disponibilizados em cada quarto de internamento, mas a garantia de um tratamento médico rigoroso, completo e sem falhas). Bem, por fim, quando lembrou que em casos de risco de vida ninguém recorre ao privado porque, nas situações realmente graves, é o sistema público que está melhor capacitado para responder.

Com a Verdade m’Enganas

7 Setembro 2009, 15:22 · Tiago Antunes

- Manuela Ferreira Leite (MFL) acusa o actual Governo de «asfixia democrática». Mas foi ela que, dentro da sua própria casa, asfixiou a oposição interna, excluindo Passos Coelho e afins das listas à Assembleia da República. Isto depois de ter admitido suspender a democracia por 6 meses…

 

- MFL pretende arvorar-se em campeã da transparência e da probidade, tendo inclusivamente ressuscitado projectos de duvidosa constitucionalidade sobre o enriquecimento ilícito. Mas deixou na gaveta o projecto-lei de Marques Mendes que impedia candidaturas de acusados por corrupção e outros crimes económicos. E incluiu nas listas do PSD Helena Lopes da Costa, que atribuiu casas da Câmara de Lisboa a amigos, ou António Preto, o homem da mala de dinheiro e do braço falsamente engessado para se eximir da justiça…

 

- MFL omite as medidas draconianas que pretende vir a tomar se for chamada a formar Governo. Mas quem se lembra da Ministra de Estado e das Finanças do tempo de Durão Barroso sabe bem o que esperar. E ela até vais dexando pistas, ainda que cifradas ou por meias-palavras (o endividamento, o endividamento, o endividamento), para que depois não digam que ela não avisou…

 

- MFL afirma ter preocupações sociais para com os mais pobres. Mas, no entanto, considera que aumentar o SMN para 450€ é uma «irresponsabilidade».

 

 

- MFL vem agora dizer que na saúde não olhará a gastos. Isto depois de ter afirmado que «o país não tem dinheiro para nada». Claro que, para pagar aos privados por aquilo que o SNS podia fazer, lá se arranja um dinhei(rinho)rão. Talvez a solução passe novamente pela desorçamentação, repetindo o buraco que o anterior governo do PSD deixou no orçamento do SNS. MFL, pelos vistos, está a aprender umas lições com Pedro Santana Lopes: gastar e deixar por pagar…

 

 

- MFL, enquanto Ministra das Finanças, aprovou 5 linhas de TGV. Agora, porém, diz que é contra o TGV.

 

- Santana Lopes era a “má moeda”, em quem MFL não votaria se lá estivesse escrito o seu nome. Agora, numa manobra de pura e cínica táctica politiqueira, aliou-se a Santana Lopes, que logo passou a ser um ”exemplo democrático”.

 

- MFL critica as duplas candidaturas. Mas incluiu nas listas a deputados o Presidente do Governo Regional da Madeira.

O delírio de Louçã

5 Setembro 2009, 20:29 · João Jesus Caetano

Francisco Louçã, professor catedrático de economia e dirigente do Bloco de Esquerda, afirmou recentemente que há “630 mil desempregados em Portugal”.

Ora, Francisco Louçã, o catedrático de economia, sabe que só há duas formas de “medir” o desemprego em Portugal: uma é a estimativa trimestral do INE, um organismo independente, que resulta de metodologias validadas internacionalmente; a outra é o número de desempregados registados no final de cada mês nos centros de emprego do IEFP, um organismo tutelado pelo ministério do trabalho e da segurança social, que resulta de metodologias validadas pelo seu conselho de administração do qual faz parte, por exemplo, a CGTP.

Os últimos números disponíveis, de um e outro organismo, apontam para quase 508 mil desempregados ao longo do segundo trimestre deste ano (INE) e para 497 mil desempregados registados no final de Julho de 2009 (IEFP).

Teria então Francisco Louçã, o catedrático de economia, desenvolvido um modelo econométrico sofisticado, e Francisco Louçã, o dirigente do Bloco de Esquerda, lido-o? Não. O que aconteceu foi que Francisco Louçã, o dirigente do Bloco de Esquerda, referiu o valor de uma estimativa feita por um deputado do PCP que o Correio da Manhã destacou esta semana. Estimativa essa, estou certo, que Francisco Louçã, o catedrático de economia, não validaria.

Palavra de Portas

2 Setembro 2009, 22:08 · Tiago Antunes

Votou a favor do novo regime da prisão preventiva. Depois, achando que ninguém tinha reparado, veio criticá-lo.

 

Participou de um Governo que subiu impostos. Agora, apresenta a redução de impostos como solução para todos os males económicos (ignorando olímpica e irresponsavelmente os seus efeitos sobre o défice público)

 

Já foi euro-crítico, depois euro-céptico, depois euro-calmo e agora euro-apoiante.

 

 Apoiou a guerra do Iraque (e para lá enviou os nossos GNRs). Agora já nem quer falar disso.

 

Acordou numas determinadas regras de debate. Depois, violou-as sistematicamente (com a complacência da moderadora)

Será que alguém podia…

2 Setembro 2009, 21:54 · Tiago Antunes

… ensinar a dra. Constança Cunha e Sá a moderar debates???

 

Ah e - já agora - a ser menos subserviente com o seu ex-patrão…

 

(embora tenha gravado o debate, não me apetece ir agora contabilizar o tempo de fala de cada um dos oponentes; mas se alguém se quiser dar a esse trabalho, avise-me do resultado; é que quase aposto que a distribuição de tempos não foi nada equilibrada)

Os Miseráveis

2 Setembro 2009, 19:37 · André Salgado

É certinho como o destino. Sempre que o número de desempregados não atinge o nível de satisfação adequado ao combate político, desabrocham os estudos do economista* Eugénio Rosa, com a cumplicidade de quem morde o isco, a anunciar a marosca: há muito mais desempregados, que são escondidos pelos números oficiais. Malandros. O argumento não é novo, como não é nova a ligeireza política e técnica de onde vem. E é descascável com a mesma facilidade com que o dr. Eugénio Rosa produz estudos. Antes de mais, convém referir, os números oficiais - que são apurados pelo Instituto Nacional de Estatística, organismo independente, e não pelo governo, como é sempre útil relembrar - não escondem falsos empregados ou desempregados subtraídos aos números. As categorias que classificam a população que não é considerada desempregada constam dos inquéritos ao mercado de emprego e são numericamente publicadas e verificáveis. Segundo, como o sabe qualquer economista amador atento aos estudos do mercado de trabalho, os critérios pelos quais se regem os inquéritos do INE para apurar o desemprego oficial obedecem a um Regulamento Comunitário, ou seja, são idênticos em todos os países da União Europeia. Não existe um desemprego malandrinho e manipulado em Portugal. Existe um desemprego oficial apurado, com os mesmos critérios e a mesma seriedade técnica, em Portugal e na União Europeia. Finalmente, estes critérios, que obedecem a uma harmonização comunitária, são os mesmos em 2009, como em 2008, em 2007, em 2006, em 2005, em 2004, em 2003… bem, até o dr. Eugénio Rosa deve estar a ver a ideia. Nada de novo, portanto.

Nada de novo, também, na estratégia e na grelha mental, não estivessemos em ciclo eleitoral e na urgência de arremessar o que for possível. Afinal, ensina-nos a boa herança comunista, todos somos poucos e somos nada para cumprir a revolução. E se para esta se cumprir forem necessários sacrifícios e satisfação por mais um desempregado a servir de adubo para a sementeira da revolução, vão ver, camaradas, mais houvesse para o porvir colectivo. Por cada mártir que caia com fome, um estudo do dr. Eugénio Rosa se levantará. A miséria alimenta-se e há muitas formas de miséria humana. Até a miséria intelectual.

*Economista do gabinete de estudos da CGTP e deputado ocasional do PCP

Do atavismo

1 Setembro 2009, 21:48 · André Salgado

Nada mais verdadeiro que a Verdade verdadinha.