O Economist continua a conspirar contra a Dra. Manuela

11 Fevereiro 2009, 12:05 · Filipe Nunes

Depois do convite ao promissor Pedro Passos Coelho, decidiu agora enviar à estação de TGV de Barcelona um correspondente com o dinheiro das nossas assinaturas:

Shifting people on to high-speed trains has needed both careful planning and political consensus. When José Luis Rodríguez Zapatero’s Socialist government proudly opens new stations, it is often reaping rewards sown by previous administrations. But Mr Zapatero’s commitment cannot be faulted. New lines are being built in every corner of the country. Under a recent agreement the network will even be extended into Portugal.

A explicação

16 Janeiro 2009, 18:36 · Filipe Nunes

Saiu esta semana uma sondagem que dá à Dra. Manuela Ferreira Leite um resultado próximo daquele que o PSD teve em 1976, quando o seu líder histórico estava hospitalizado em Londres. Por muito menos caíram Mendes e Menezes. Assim sendo, como é que se explica que só o próprio Menezes exija a demissão da senhora? O facto de estarmos em ano de eleições não justifica tudo. Parece-me que há aqui algo de mais estrutural e que desde o início está presente na liderança de Manuela Ferreira Leite. O fenómeno foi particularmente bem descrito por Marina Costa Lobo no Jornal de Negócios de 26 de Junho passado:

«Manuela Ferreira Leite ainda não conseguiu comunicar uma estratégia política para o país que seja alternativa à do PS. Não o fez durante as eleições directas do PSD nem no recente Congresso. Ainda não há sondagens consistentes que assinalem uma recuperação nas intenções de voto e justifiquem o optimismo de um fortalecimento do PSD.

É precisamente para isso que as elites mediáticas afectas ao PSD estão a trabalhar afincadamente. Este episódio que se desenrola perante os nossos olhos é quase um estudo de caso sobre a independência da cobertura jornalística em Portugal, a forma como se cria “opinião” política e a importância do spinning. Mais do que um Regresso do PSD, estas últimas semanas assinalam O Regresso das Elites do PSD. E comprova um facto com que Luís Filipe Menezes amargamente se confrontou quando foi lider. As eleições directas no PSD permitiram-lhe ingenuamente pensar que bastava ganhar uma maioria de militantes para ser líder do partido e, quem sabe um dia, Primeiro-Ministro.

A verdade é que de nada adianta vencer o partido se não se contar com esta gente

Notícias da crise

5 Janeiro 2009, 15:30 · Filipe Nunes

«Pelos vistos, a receita portuguesa [para responder à crise], tão criticada entre nós, não diverge da de outros países. Porventura o que diverge é a oposição…» Assim comentava Vital Moreira o pacote de medidas do Governo da Senhora Merkel. Apenas uma adenda: segundo o Economist, o governo britânico também começa a equacionar seriamente a construção de uma rede ferroviária de alta velocidade, para ligar as principais cidades inglesas (Londres-Birmingham-Manchester-Leeds). A oposição conservadora, pela voz da responsável pela política de transportes, Theresa Villiers, subscreve.

Formação

17 Dezembro 2008, 19:47 · Filipe Nunes

Ontem na entrevista a Ana Lourenço, da sic-notícias, Manuel Alegre lamentou que os militantes do PS de 2008 não sejam exactamente os mesmos do PS de 1975. Pode-se combater o capitalismo neoliberal mas, infelizmente, não há como contrariar as leis da demografia. Alegre pediu que, ao menos, as gerações mais novas do PS tivessem acesso a alguma formação política sobre os fundamentos do socialismo. A Fundação Res Publica fez-lhe a vontade. Aí está o I Curso de Formação Política, precisamente intitulado O Socialismo Democrático Português.  

Irresponsabilidade histórica

16 Dezembro 2008, 16:11 · Filipe Nunes

«A escolha do PS como principal adversário das outras esquerdas tem limitado a consolidação de uma coligação política e social que permita enfrentar com robustez alguns dos problemas que o país enfrenta, maxime as desigualdades. Há umas semanas, Rui Tavares, num artigo no Público, justificava o peso eleitoral da esquerda em Portugal com o nosso padrão de desigualdades. Se assim é, combater as desigualdades deveria ser “uma responsabilidade histórica” e, pressupõe-se, um bom tema para o diálogo à esquerda. Será possível?
Não se combatem as desigualdades de hoje com os instrumentos do passado e muito menos com uma visão fixista do papel das políticas públicas face a “forças irresistíveis”. Centrando-me apenas em três dimensões fundamentais para enfrentar com eficácia as desigualdades: precisamos de mecanismos de regulação do mercado de trabalho sensíveis à transição para uma sociedade pós-industrial; de modernizar a protecção social de modo a compatibilizá-la com as transformações demográficas e de encontrar formas inovadoras de superar o défice de qualificação dos activos. O problema é que, por exemplo, enquanto não for abandonada a posição conservadora e retórica que trata, num típico exemplo de reflexo de Pavlov, a “flexigurança”, a sustentabilidade da segurança social ou as “novas oportunidades” para os activos como “políticas de direita”, dificilmente as esquerdas poderão conversar de modo consequente sobre o combate às desigualdades

Pedro Adão e Silva, no Diário Económico

A Raposa e o Corvo

15 Dezembro 2008, 16:53 · Filipe Nunes

Mestre Corvo, numa árvore poisado,

No bico segurava um belo queijo.

Mestra raposa, atraída pelo cheiro,

Assim lhe diz em tom entusiasmado:

- Olá! Bom dia tenha o Senhor Corvo,

Tão lindo é: uma beleza alada!

Fora de brincadeiras, se o seu canto

Tiver das suas penas o encanto

É de certeza o Rei da Bicharada!

 

Ouvindo tais palavras, que feliz

O Corvo fica; e a voz quer mostrar:

Abre o bico e lá vai o queijo pelo ar!

A Raposa o agarra e diz: - Senhor,

Aprenda que o vaidoso se rebaixa

Face a quem o resolve bajular.

Esta lição vale um queijo, não acha?

O Corvo, envergonhado, vendo o queijo fugir,

Jurou, tarde de mais, noutra igual não cair.

Um equívoco

12 Dezembro 2008, 18:46 · Filipe Nunes

Foi lançado há uma semana um estudo Para uma melhoria da Representação Política, coordenado por André Freire. A solução de reforma eleitoral proposta – o sistema de voto preferencial – foi bastante mal recebida, não só na imprensa e no meio académico, mas também mesmo junto de personalidades próximas Partido Socialista, a entidade que encomendou o estudo.

É verdade que o mandato dado à equipa coordenada por André Freire foi claro: equacionar soluções que melhorassem a relação entre eleitores e eleitos, sem contemplar a criação de círculos uninominais ou a introdução de mecanismos que reduzissem a proporcionalidade, na medida em que não teríamos hoje problemas de governabilidade, mas apenas de qualidade da representação. Só que é justamente aqui que reside o equívoco. Este pressuposto dominou a posição do PS em matéria de reforma eleitoral desde 1992 e inspirou a revisão constitucional de 1997 e as subsequentes propostas de reforma eleitoral de 1998. Mas nem sempre foi assim: até 1987, a governabilidade era a preocupação central. E, pelo que se viu na sessão de lançamento do estudo, realizada na Assembleia da República, e nos comentários dos dias seguintes, a governabilidade voltou a ser a preocupação central. Como escreveu esta semana Marina Costa Lobo, no Jornal de Negócios, «É certo que entre 1987 e 1999 houve três governos de partidos diferentes que cumpriram os seus mandatos, tendo havido, portanto, alternância democrática. Mas entre 1999 e 2005 houve novamente grande instabilidade governativa em Portugal, tanto em governos minoritários como de coligação. A realidade é que em Portugal, de 1976 até hoje, apenas um governo que não tinha maioria absoluta de um só partido na Assembleia da República cumpriu o mandato de quatro anos (Guterres,1995-99).» Mais, as condições de governabilidade agravaram-se particularmente à esquerda, com a substituição de Carlos Carvalhas por Jerónimo de Sousa e com a evolução do BE de uma hipótese de partido da esquerda moderna (na linha dos Verdes alemães) para partido da esquerda conservadora (ao estilo do Linke, que junta dissidentes do SPD e neocomunistas).

De resto, o sistema eleitoral proposto não só não garante uma real aproximação entre eleitos e eleitores (que só os círculos uninominais podem garantir), como não resolve da melhor maneira a necessidade de aumentar o pluralismo e a competição no interior dos partidos. Como se vê pela experiência, o número de eleitores que efectivamente exerce o direito de preferência é bastante baixo para compensar o risco de um prolongamento da competição intrapartidária entre candidatos da mesma lista em plena campanha eleitoral. Como escreveu Pedro Magalhães, no Público de segunda-feira, a proposta «deverá ter falecido» no próprio dia da apresentação.      

Activo tóxico

20 Novembro 2008, 11:28 · Filipe Nunes

As “gaffes” de Ferreira Leite são mais do que apenas “gaffes”. Elas revelam um pensamento político, ou talvez um não-pensamento político. Quando ela diz que “o polícia está transformado num palhaço” porque os tribunais libertam suspeitos está a subentender que, se a taxa de encarceramento fosse mais alta, a criminalidade diminuía. Mas isso é falso, de acordo com todos os estudos.  
Quando ela afirma que “não pode ser a comunicação social a seleccionar aquilo que transmite” está a admitir a sua incapacidade para compreender o papel dos “media” - que é insubstituível numa sociedade pluralista. Quando ela confessa que “se já tivesse políticas, não as anunciava até às eleições” está a revelar a falta de quaisquer ideias consistentes e de qualquer estratégia.  
Da mesma forma, quando Ferreira Leite diz agora que não sabe se “não é bom haver seis meses sem democracia” para meter tudo na ordem, está a mostrar que já não acredita no reformismo democrático que sempre foi a marca do seu partido. Ferreira Leite é, neste momento, o activo tóxico do PSD.  

João Cardoso Rosas no Diário Económico

«Um ensino para pobrezinhos»

13 Novembro 2008, 11:53 · Filipe Nunes

Neste post, o Hugo começa por notar que Manuel Alegre se deixa cair «no colo de improváveis aliados, como Nuno Crato e José Manuel Fernandes». De facto, a questão da educação está revelar mais uma vez que a distinção esquerda/direita não é suficiente para se perceber muitos dos debates dos últimos quatro anos. Na administração pública, na saúde, na segurança social e, agora na educação, o debate fez-se, sim, entre uma posição conservadora (e estou a ser simpático) e uma posição reformista. Claro que na posição conservadora convergiram motivações muito diferentes: houve quem, à direita, apostasse deliberadamente no desgaste dos serviços públicos e houve quem, à esquerda, se mantivesse apenas fiel às mesmas receitas dos últimos 30 anos (independentemente dos seus resultados). Mas basta ver os diários da Assembleia da República e as respectivas votações para verificar que no essencial foi isto que se passou.

A audição de ontem à ministra da Educação foi particularmente elucidativa. Às tantas, a deputada Cecília Honório, do Bloco de Esquerda, criticou a existência de cursos profissionais e cursos de educação-formação: «é um ensino para os pobrezinhos». Pouco importa ao Bloco de Esquerda que a introdução destes cursos vá ao encontro do que se pratica noutros países europeus ou das recomendações internacionais. Pouco importa que a diversificação da oferta tenha reduzido o insucesso e o abandono escolares. Pouco importa que tenha aumentado o número de alunos em todas as vias de formação. Pouco importa que a alternativa a estes cursos seja ter os «pobrezinhos» desqualificados, no mercado trabalho ou na rua. Aquilo «é um ensino para pobrezinhos. Não foi para isto que fizemos o 25 de Abril».  

Caro André Freire,

13 Novembro 2008, 10:51 · Filipe Nunes

Ainda não consegui ler o estudo sobre a reforma do sistema eleitoral da Assembleia da República que o Grupo Parlamentar do Partido Socialista te encomendou e que aqui anuncias. A única coisa que sei (DN, 6/11) é que, a pedido do PS, abandonas os círculos uninominais (que constam de todos os programas do governo do PS desde 1995) e defendes a adopção de um sistema de voto preferencial em que um círculo nacional seria acompanhado por círculos distritais plurinominais. O PS regressaria assim à sua posição de inícios da década de 90. Este sistema, como tu próprio admites (DN, 6/11), «incentiva a competição entre candidatos do mesmo partido (porque o eleitor tanto poderá escolher o primeiro da lista como o último). Os partidos terão de ceder algum poder». Nada contra. Aliás, esse era justamente um dos méritos da introdução dos círculos uninominais de candidatura. Subsistem, no entanto, duas dúvidas que gostava que esclarecesses:

Em que medida é o voto preferencial compatível com o que estabelece a Constituição?

Nos países em que vigora este sistema, qual é percentagem de votantes que efectivamente exerce o direito de preferência?   

O País Relativo recomenda

12 Novembro 2008, 11:18 · Filipe Nunes

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Lembrar a Revolução de Outubro, impõe necessariamente ter em conta essa tragédia para toda a humanidade que foi a derrota do socialismo e a destruição da URSS.
A análise profunda e rigorosa das causas dessa derrota, dando continuidade à reflexão colectiva do PCP desde o XIII e XIV Congressos, apresenta-se como questão crucial e é, naturalmente, tema em debate no processo preparatório do XVIII Congresso. (…)
Ao contrário do que apregoam esses cangalheiros frustrados, o comunismo não morreu e o desaparecimento da URSS não foi o fim da história: como a luta dos trabalhadores e dos povos mostra, a Revolução de Outubro, iniciando a época da passagem do capitalismo ao socialismo, confirmou a inevitabilidade histórica da derrota do primeiro e da vitória do segundo.
É nessa perspectiva que os comunistas portugueses prosseguem a sua luta e continuam a afirmar que o projecto de sociedade que é seu objectivo maior tem as suas raízes essenciais nos valores, nos princípios, nos êxitos da Revolução de Outubro, cujos ensinamentos constituem uma referência de todos os dias – na luta contra a política de direita e por uma alternativa de esquerda, tendo sempre no horizonte o socialismo e o comunismo.
E venceremos.

There’s always a mountain to climb

11 Novembro 2008, 15:45 · Filipe Nunes

Começa assim a fantástica entrevista de Pedro Santana Lopes à Pública (indisponível online): «Depois de, há três anos, ter sido demitido das funções de primeiro-ministro, mergulhou num período de meditação». Foi, realmente, um período de longa e profunda meditação, apenas interrompido aqui ou ali por um merecido ajuste de contas (o livro Percepções e Realidade), por uma presidência da Câmara e do Grupo Parlamentar, pela candidatura a líder do PSD e, mais recentemente, por uma reacção à notícia do Expresso que dava conta de um episódio em que Santana teria posto gasolina num carro a gasóleo.

Terminado o mergulho, Santana Lopes está de volta. Desde logo porque descobriu, finalmente, a razão pela qual lhe apontam falta de credibilidade. Afinal, como lhe explicou um «amigo estrangeiro», «quando falam da tua falta de credibilidade, o que querem dizer é que não tens poder, porque não tens dinheiro». Talvez a originalidade da explicação não se deva à nacionalidade da testemunha, mas ao facto de se tratar de um amigo. Seja lá como for, apesar da crise, este problema do dinheiro (e portanto da credibilidade) está em vias de se resolver: «Quero aproveitar esta entrevista para dizer que isto, no escritório [de advogados] me está a correr muito bem

«As pessoas pensam que sou um viciado na política», constata Santana, com alguma ironia. «As pessoas não têm esta ideia de mim [como alguém com uma vida para além da política]», mas a verdade é que «com 23 anos eu era bolseiro na Alemanha, onde ia fazer o doutoramento em Direito Europeu, na Universidade de Colónia. Depois de Sá Carneiro morrer, ainda fiz o meu estágio de advocacia, mas não foi fácil: já tinha sido assessor jurídico do primeiro-ministro». Ora, como é evidente, a um ex-assessor jurídico de um primeiro-ministro é muito mais fácil tornar-se presidente do Sporting, presidente da Figueira e primeiro-ministro do que voltar à advocacia ou à universidade.

É por isso que, ao fim destes anos todos, ele continua a andar por aí, enfrentando, sozinho, um mundo de inveja e maledicência. «Normalmente, os que mais me detestam são os que têm um estilo de vida parecido. Ou com quem houve alguma história… seja no jornalismo, seja na política… Tenho vários casos. E é incómodo não poder falar nisso.» Incómodo para ele e incómodo para nós que acompanhamos sempre com interesse o que Santana tem para dizer. Enfim, habituem-se. Santana está mesmo diferente. Como ex-primeiro-ministro, descobriu que tem «uma responsabilidade social» e que não é «uma pessoa comum». E por isso evita, sempre que pode, os eventos sociais: «Não me apanham em nenhuma festa. Olhe, sábado tenho uma festa de anos. É uma festa com muita gente, enfim tenho de ir (…) Se me perguntar: vai a recepções nas embaixadas? Não, não vou. No outro dia fui à do Brasil, o embaixador foi muito simpático, disse que gostava muito que eu fosse. E fui. (…) Nesse dia fui a três cerimónias: essa, a da entrega do prémio Champallimaud e outra no Espaço Chiado. Tinha a obrigação de ir. Era da sobrinha do rei de Espanha, que eu conheço. Cumpri a minha obrigação e fui-me embora. Porque eu desisti de ir a festas. Por mim, não ia.» (Aliás, «por si», ninguém vai a estas coisas.)

Do que Santana não desistiu foi de ir a votos, e faz muito bem. É uma pessoa cheia de ideias. É «pró-europeu», contra o «PEC» e contra a «PAC». «Tenho defendido como causa das causas o combate à desertificação do interior. Se eu não tenho ideias, gostava de saber quem é que tem ideias». Provavelmente, só o ministro da agricultura. Além disso, aprendeu com os erros do passado, nomeadamente ter «ficado com uma equipa que não era a minha», quando substituiu Durão Barroso à frente do Governo. Se houvesse mais Gomes da Silva e Henriques Chaves, seria outra a história do XVI Governo Constitucional. Mas a verdade é que o nosso herói «estava no fio da navalha», um pouco como o Bogart no aeroporto do Casablanca: «O Durão Barroso tinha a porta aberta do avião para ir para Bruxelas. Se eu pusesse tudo em causa, ele já não iria…» Felizmente, se o Rick, no filme, tinha sempre Paris, Santana, na política, «tem sempre Lisboa». E aí está ele de novo a candidatar-se à cidade das sete colinas, para cumprir, literalmente, a «frase que inventei para o messanger – There’s allways [sic] a mountain to climb».     

Do que é que a social-democracia europeia se pode orgulhar nos últimos 20 anos?

6 Novembro 2008, 20:17 · Filipe Nunes

De que é que a social-democracia europeia se pode orgulhar nas últimas décadas?, pergunta Ricardo Paes Mamede (RPM). Parecendo que não, a resposta a esta pergunta até dava um número razoável de posts. Mas fiquemo-nos pela «prática dos governos Blair», de que fala RPM, e deixemos para já o Senhor Delors. De facto, para usar as expressões de RPM, deitar a «terceira via» (uma proposta de renovação da social-democracia) para a fogueira da história como uma emanação do neoliberalismo seria tão absurdo como deitar a social-democracia para a fogueira da história como uma emanação do comunismo. Deitemos apenas para a fogueira da história a expressão («terceira via», que tantos equívocos gera) e olhemos para o que fez o partido europeu que com ela mais se identificou.

Os Governos do New Labour têm sido avaliados basicamente à luz da sua “relação especial” com os Estados Unidos (e, como tal, com Bush), ignorando-se frequentemente aspectos diferenciadores, mesmo no plano internacional: ao contrário de Bush, Blair assinou o protocolo de Quioto, aderiu ao Tribunal Penal Internacional e teve resultados positivos ao nível da cooperação para o desenvolvimento. É verdade que falhou na adesão à moda única, escolheu más companhias na EU (Aznar, Berlusconi, etc.) e não conseguiu criar as condições globais necessárias à concretização das recomendações regulatórias que, pelos vistos, vieram de figuras tão diferentes como Anthony Giddens e Manuel Alegre. Mas não será certamente por acaso que é Brown, e não outro líder qualquer, que está agora a liderar o debate em torno da reforma das instituições económicas internacionais.

De resto, pouco esforço se faz para reconhecer a natureza progressista das políticas públicas de Blair. Eu próprio já tinha desistido desse exercício a que esta pergunta de RPM me obrigou a voltar. O New Labour teve o mérito de trazer para o governo duas correntes ideológicas que estiveram quase toda a segunda metade do século XX de costas voltadas e (por isso) na oposição: liberais sociais e trabalhistas. Partindo de uma herança neoliberal deixada pelos conservadores (e o ponto de partida é sempre importante), as políticas dos trabalhistas têm tido inegavelmente a marca da social-democracia (que sempre foi «reformista e revisionista», caro RPM). Assim de repente, recordo-me: da democratização do sistema político (proporcionalidade nalguns sistemas eleitorais, a devolução de poderes à Escócia e Gales, fim da hereditariedade na Câmara dos Pares); da igualdade de direitos entre casais heterossexuais e homossexuais; da criação do salário mínimo; da aposta na educação (compare-se o parque escolar em ‘97 e agora; compare-se o acesso das escolas britânicas às novas tecnologias com o que se passa noutros países); do aumento do investimento no Serviço Nacional de Saúde (melhores condições para os profissionais, redução das listas de espera). A concretização destas políticas foi (até agora) sempre acompanhada por níveis elevados de emprego e crescimento e, claro, pelo «neoliberal» controlo orçamental.

Então e a pobreza e as desigualdades, preocupações clássicas da social-democracia, perguntarão os Ladrões de Bicicletas? Também aí os resultados vão na direcção certa, apesar da concepção blairista de igualdade como igualdade de oportunidades. A política fiscal foi usada para reduzir a pobreza e promover o emprego. Entre 2000 e 2005 as taxas de pobreza e desigualdade baixaram no Reino Unido, a um ritmo superior ao dos restantes países e a experiências trabalhistas passadas (OCDE). E como sei que os Ladrões de Bicicletas gostam de números aqui têm mais alguns: entre 1997 e 2005, 2.5 milhões de pessoas saíram da pobreza; e se hoje em dia um quinto da população vive abaixo do limiar da pobreza, em 1997 era um quarto da população que estava nessa situação. (Sim, vem no Giddens, Over to you, Mr Brown.)

Dez anos depois, o neoliberalismo, face ao qual Thatcher dizia «there is no alternative», deu lugar a um consenso de centro-esquerda. Blair, ao contrário de Clinton (que ao fim de dois anos tinha um congresso republicano), teve o mérito de conseguir virar o centro do sistema político para a esquerda, e a melhor prova disso é a necessidade de aproximação de David Cameron, não só ao estilo, mas também às políticas de Blair. Claro que Blair desiludiu em muitos aspectos e não conseguiu fazer as rupturas necessárias de que fala o Paulo Pedroso. Mas neste preciso momento o pior que podia acontecer à social-democracia era perder o tal «orgulho nos seus últimos 20 anos» e desvalorizar (ou ignorar) o que fez, nomeadamente o que fez bem.

«Venha ver o preto que você gosta»

6 Novembro 2008, 16:28 · Filipe Nunes

Chorei junto com ele. Nem gosto das coisas que ele diz – seja no caso da palavra “nigger” que um rapper queria pôr como título de seu CD, seja na própria campanha de Obama: Jackson soa como um velho lutador racialista; Obama é um presidente mulato. Jackson chorava como um homem velho que vê a grandeza de um fato consumado suplantar a dos seus maiores sonhos.

Caetano Veloso

We can believe in

6 Novembro 2008, 13:02 · Filipe Nunes

Continua a relativização do impacto de Obama na política externa americana. Parece que afinal estamos apenas perante uma mudança de estilo e não de substância. Como se, depois do Iraque e de Guantanamo, o estilo não fosse a substância. Se Obama for fiel a Obama, podemos mesmo acreditar na mudança:

«We are playing to Osama’s plan for winning a war from a cave. The struggle against Islamic-based terrorism will be not simply a military campaign but a battle for public opinion in the Islamic world, among our allies & in the US. Osama bin Laden understands that he cannot defeat the US in a conventional war. What h & his allies can do is inflict enough pain to provoke a reaction of the sort we’ve seen in Iraq–a botched & ill-advised US military incursion into a Muslim country, which in turn spurs on insurgencies based on religious sentiment & nationalist pride, which in turn necessitates a lengthy & difficult US occupation. All of this fans anti-American sentiment among Muslims, & increases the pool of potential terrorist recruits. That’s the plan for winning a war from a cave, & so far, we are playing to script. To change that script, we’ll need to make sure that any exercise of American military power helps rather than hinders our broader goals: to incapacitate the destructive potential of terrorist networks and win this global battle of ideasThe Audacity of Hope, Barack Obama, p.307 

«In almost every successful social movement of the last century (…) democracy was the result of a local awakening. We can inspire and invite other people to assert their freedoms (…) But when we seek to impose democracy with the barrel of a gun, funnel money to parties whose economic policies are deemed friendlier to Washington, or fall under the sway of exiles like Chalabi whose ambitions aren’t matched by any discernible local support, we aren’t just setting ourselves up for failure. We are helping oppressive regimes paint democratic activists as tools of foreign powers and retarding the possibility that genuine, homegrown democracy will ever emergeThe Audacity of Hope, Barack Obama, p.317 

PS: Este post é dedicado ao nosso camarada Humberto Bernardo, «o primeiro português a apontar Barack Obama como próximo presidente».    

Louçã e Obama

5 Novembro 2008, 15:26 · Filipe Nunes

O leitor João Santos não gostou do meu post sobre Louçã e Obama:

«O excerto retirado do contexto sem o resto da resposta leva a comentários precipitados (ou não). Que tal ver a entrevista completa? “Acha que o Obama é de esquerda?” “Não. Acho que é uma ofensa terrível QUE LHE PODE FAZER [...]“. Mais, é um comentário retirado de uma conversa que contextualizava a política americana face à política portuguesa.»

Não assisti ao debate da Tinta da China, onde Louçã terá falado da Esquerda e das Eleições Americanas; limitei-me a ler o relato do Diário de Notícias (30/10).
No entanto, a citação do DN a que me referi não corresponde a nenhuma «entrevista» nem ao que está na transcrição do comentário de João Santos. O que se lia no DN era isto: «”Obama é de esquerda?”, perguntaram-lhe. “Não. É uma ofensa terrível”, respondeu, recordando, por exemplo, que o candidato democrata já declarou “que pode manter como ministro da Defesa o ministro da Defesa do George Bush, Robert Gates”. “Nos EUA – acrescentou – não há política à esquerda”».

Mas como diria Pacheco Pereira, a questão evidentemente não era essa; a questão é que, em vez de andar preocupado com a emissão de certidões de esquerda, bastava a Louçã ter dito esta coisa muito simples:

«(…) não é indiferente Obama ou McCain. O primeiro é um grande ponto de interrogação, o segundo uma exclamação. Prefiro a interrogação porque ela contém, em si mesma, a permeabilidade à relação de forças e esta precisa de sinais para mudar.» (Post de Miguel Portas, a que cheguei via Daniel Oliveira.)

PS: Entretanto, Francisco Louçã já corrigiu as afirmações da semana passada: reconheceu que a vitória de Obama representa «uma mudança importante» (Lusa, 5 de Novembro de 2008).

Proposta de aditamento às Teses do XVIII Congresso do PCP

5 Novembro 2008, 13:39 · Filipe Nunes

Continua bem vivo o debate em torno das Teses do XVIII Congresso do Partido Comunista Português. Ângelo Alves, da Comissão Política, aproveitou as eleições americanas para dar mais um contributo:

Barack Obama está longe de corresponder às expectativas criadas com a gigantesca campanha mediática de construção de uma ilusão de mudança política nos Estados Unidos da América“. Tanto a candidatura de Barack Obama, como a candidatura do seu adversário John McCain, “não disfarçaram a sua vinculação ao plano de dominação” norte-americana. Por outro lado, a “gigantesca operação mediática” criada à volta das eleições norte-americanas não esteve “desligada da crise do capitalismo” e das “tentativas em curso de reabilitar o capitalismo e o papel de potência hegemónica” dos Estados Unidos da América. (Agência Lusa)

“Obama é de esquerda?”

30 Outubro 2008, 17:15 · Filipe Nunes

Este texto do Paulo Pedroso  merece outra atenção. E é bem verdade que, na perspectiva da renovação da esquerda, «pouco importa a simpatia ou antipatia que se tenha pelas personalidades de Manuel Alegre, ou de Mário Soares, ou de José Sócrates, ou de Francisco Louçã». Mas convenhamos que Louçã também não ajuda nada:

«No debate promovido pela Tinta da China (…) Francisco Louçã falou longamente questionado sobre actualidade internacional. Com as eleições norte-americanas à cabeça. “Obama é de esquerda”, perguntaram-lhe. “Não. É uma ofensa terrível”, respondeu».

(Louçã citado hoje na p. 16 do Diário de Notícias)

Obamacons

29 Outubro 2008, 17:44 · Filipe Nunes

O fenómeno dos Obamacons, de que fala a última edição do Economist, parece ter chegado em força a Portugal. Há uns tempos, foi Luís Nobre Guedes a confessar-se «um devoto de Obama». Hoje foi a vez de António Pires de Lima. 

Via Nova e Terceira Via

29 Outubro 2008, 12:57 · Filipe Nunes

Citando de Gaulle, Manuel Alegre reconhece que comete por vezes o erro de ter razão antes de tempo. Voltou, aliás, a cometer esse erro na moção “Falar é preciso”, apresentada ao Congresso do PS em 1999.

Dizia então Alegre: «A crise financeira (…) pode minar, de um momento para o outro, pela incerteza e pela volatilidade, o próprio funcionamento dos maiores centros financeiros do mundo. A ‘mão invisível’ falhou. (…) Temos de continuar a exigir uma reforma das instituições internacionais, do FMI ao Banco Mundial, para que deixem de ser arautos e agentes do pensamento único. Outra lógica terá de presidir à Organização Mundial do Comércio, para que a livre circulação de mercadorias não se torne em mais um instrumento de enfraquecimento das economias mais frágeis. É preciso regular os mercados financeiros mundiais (…).»

É, de facto, extraordinário. Assim de repente, só encontro tamanha presciência no capítulo de um livro escrito um ano antes dessa referência que é a moção “Falar é preciso”: «Crises, erratic fluctuations, the sudden rush of capital into and out of particular countries and regions – these are not marginal but core features of untamed markets. The regulation of financial markets is the single most pressing issue in the world economy (…) The needs are (…) to create greater accountability within the transnational organizations involved in world economic management, as well as restructure them. The idea that controlling the free mobility of capital produces losses of efficiency takes no account of the social and economic costs of crises. »

O livro intitula-se «The Third Way», o capítulo «Market fundamentalism on a world scale» (pp. 147-153) e o autor chama-se Anthony Giddens, esse mesmo: «o ideólogo da terceira via neoliberal».

“Podiam ter sido primeiros-ministros”

27 Outubro 2008, 20:17 · Filipe Nunes

Há um ano, de quinze em quinze dias, a sic-notícias passava um programa de debate intitulado A Regra do Jogo. Os comentadores, António Barreto e José Miguel Júdice, eram moderados pelo próprio director da estação, António José Teixeira. Nada sei sobre os orçamentos e os números do programa, mas desconfio que os custos acabaram por superar as audiências. E quanto a influência política, estamos conversados: igual a zero. Compreensivelmente, na nova grelha, já não houve lugar para a Regra do Jogo. Há dez anos este programa teria tido um enorme sucesso. Mas com o advento da blogosfera, muito mudou. Pacheco Pereira bem pode dizer que 99% dos blogs não prestam. A verdade é que sem a blogosfera a opinião publicada em Portugal seria muito mais pobre. Em poucos anos acabou o monopólio dos comentadores habituais: a concorrência obrigou os comentadores que queriam sobreviver a estudar, a comparar, a interessar-se por coisas novas. Pacheco Pereira ainda consegue fazer isso, mas Barreto e Júdice manifestamente já não conseguem. Um bom retrato dessa incapacidade, que explica a decadência destas e outras glórias dos anos 80 e 90, é-nos dada pela notícia do lançamento do mais recente livro de José Miguel Júdice. O livro tem prefácio de António Barreto e, como não podia deixar de ser, foi apresentado por Marcelo Rebelo de Sousa:

“Podia ter sido primeiro-ministro.” Esta é uma das apreciações que António Barreto fez no prefácio do livro do seu amigo José Miguel Júdice. A obra, Portugalando - Os olhares de um optimista preocupado, foi ontem apresentada na Fnac do Colombo, em Lisboa, por um outro amigo do autor Marcelo Rebelo de Sousa, Porém, do livro falou-se pouco. (…) Marcelo Rebelo de Sousa garantiu que “as crónicas foram escritas como só ele [Júdice] sabe e gosta de fazer, suscitando polémica”. O comentador disse ainda que “o livro vai ter muito sucesso editorial”. A discussão sobre a obra ficou, assim, arrumada. (…) A maior parte do tempo, Marcelo Rebelo de Sousa optou por falar daquilo que mais influenciou a escrita das crónicas, ou seja, o próprio Júdice. (…) Por entre o vasto rol de elogios que lançou a Júdice, Marcelo deixou escapar uma apreciação que está directamente relacionada com as crónicas. “Júdice aprecia cultivar adversários”, disse. José Miguel Júdice no seu monólogo retribuiu aos elogios de Marcelo e mandou uma farpa ao PSD: “Um partido que não aproveita Marcelo mostra uma necrose muito avançada”. O advogado aproveitou ainda para fazer uma revelação: “Depois de Cavaco ganhar o congresso para líder do PSD disse-lhe: tem o meu apoio, mas continuo a achar que Marcelo teria sido muito melhor escolha”.

Diário de Notícias, 26 de Outubro de 2008  

Where I come from, I call that socialism*

16 Outubro 2008, 10:24 · Filipe Nunes

«É muito provável que assistamos nos próximos tempos ao regresso em força de um liberalismo mais interventor e mais social

João Cardoso Rosas hoje no Diário Económico

* Com a devida vénia a Joe Biden 

Les bons esprits se rencontrent

14 Outubro 2008, 18:01 · Filipe Nunes

Primeiro, foi Pacheco Pereira (Público de sábado). Agora, os Ladrões de Bicicletas. Afinal, a terceira via é que é a teoria derrotada  pela crise financeira que vivemos. Convém ir contrariando esta ideia. Como faz hoje o Pedro Adão e Silva no Diário Económico:

O que fazer perante este contexto? Há duas respostas frequentes, ambas recorrem à tradição e tendem a estar condenadas ao fracasso. A primeira é a de considerar os riscos conjunturais e insistir nas soluções até então mobilizadas (o caso dos que, perante a actual crise, reagem à criação de novos mecanismos de regulação); a segunda consiste em recorrer a soluções que funcionaram no passado, mas que não se ajustam ao novo contexto (ex. o regresso anunciado das soluções keynesianas tal como usadas durante os “trinta gloriosos”).

It’s the emotions, stupid!

13 Outubro 2008, 18:57 · Filipe Nunes

Há quem seja a favor e há quem seja contra, mas numa coisa a generalidade das opiniões publicadas convergem: neste momento, o tema do casamento entre pessoas do mesmo sexo não interessa a ninguém. Marques Mendes, por exemplo, apesar de ter perdido o partido para Luís Filipe Menezes, não teve dúvidas em aproveitar o lançamento do seu livro para dar lições de estratégia política e garantir que o assunto «não corresponde às expectativas nem às preocupações dos portugueses».

Perante estas certezas todas, lembrei-me do livro de Drew Westen, cuja capa ilustra o post. É evidente que num inquérito de opinião ninguém vai, conscientemente, dar mais relevância aos direitos das minorias sexuais do que ao Serviço Nacional de Saúde. Mas depois, em casa e no emprego, é a primeira questão, e não a segunda, que motiva a discussão. As emoções, as avaliações de carácter e as clivagens culturais muitas vezes não aparecem nas listas de prioridades das sondagens, mas contam bastante na vida das pessoas e são determinantes no momento do voto. Desprezar esta dimensão da política pode ser um erro. Um erro que, aliás, os democratas americanos cometeram sucessivas vezes nos últimos anos, como mostra Westen nesse livro: entre 1980 e 2004, talvez com a excepção de Clinton (que ganhou muito à custa da divisão do campo conservador), as campanhas do partido democrata assentaram em mensagens positivas, discursos fragmentados para agradar a todos e listas intermináveis de medidas concretas, que iam ao encontro do que diziam as sondagens e os «focus groups». Durante esse período, o campo republicano, pelo contrário, fez ataques que ficaram sem resposta, concentrou-se numa história de cada vez e mostrou posições claras em matéria de valores. Apesar de toda a racionalidade das campanhas democratas, a emotividade das campanhas republicanas prevaleceu no momento do voto. Só mesmo o papel da emoção pode explicar o persistente fenómeno dos «Reagan Democrats» ou, mais recentemente, a vitória de Obama (o homem que tinha uma história para contar) sobre Hillary (a mulher competente que sabia quanto custava cada medida). E só isso pode explicar que, apesar de tudo e mais alguma coisa (Katrina, guerras perdidas, economia de rastos), ainda persistam algumas incertezas quanto ao desfecho das presidenciais do próximo dia 4 de Novembro.

Inquérito País Relativo: os resultados

13 Outubro 2008, 14:41 · Filipe Nunes

Como já aqui foi dito, a academia sueca anunciou hoje os resultados do inquérito que lançámos há precisamente uma semana. Ao vencedor, Paul Krugman, resta-nos endereçar, mais uma vez, os nossos parabéns. A Karl Marx e, especialmente, a João Rodrigues, Eugénio Rosa e Ricardo Reis, pedimos que não desistam. Para o ano há mais.  

Foi notícia mas podia não ter sido (3)

10 Outubro 2008, 19:47 · Filipe Nunes

Jorge Costa continua fiel ao Olhanense e recusa Belenenses.

Vírus

10 Outubro 2008, 11:22 · Filipe Nunes

Assim se chama o melhor programa da rádio portuguesa. De segunda a sexta, às 9.15, no Rádio Clube Português, José Pacheco Pereira dá som às suas obsessões: os clássicos, a memória histórica, os totalitarismos. E, até, Manuela Ferreira Leite, evocada a propósito de 4’33 de John Cage: «São quatro minutos do mais profundo e perturbador silêncio, mas no final ouvem-se palmas». (Parece que , na estreia da chamada «silent piece», a aclamação não foi assim tão evidente, mas isso agora também não interessa.)    

No programa de ontem, Pacheco Pereira falou-nos do seu congelador, onde não há espaço para bifes nem para camarões; só para livros. Livros antigos, daqueles que trazem bichos que é preciso neutralizar antes de irem para a estante. «Durante dois dias deixo-os no congelador. Se forem livros de autores ingleses, são acompanhados de uma garrafa de gin; se forem de autores russos, são acompanhados de uma garrafa de vodka.» É Pacheco vintage.    

Foi notícia mas podia não ter sido (2)

9 Outubro 2008, 20:40 · Filipe Nunes

Câmara do Seixal aposta no graffiti para requalificar concelho

Social-democracia à portuguesa

9 Outubro 2008, 11:07 · Filipe Nunes

O PSD continua com a conversa anti-obras públicas. Percebo que, na sequência da crise económica de 73, Manuela Ferreira Leite tenha deitado fora o velho Keynes. E até aceito que não acompanhe regularmente o que escreve João Pinto e Castro. O que não entendo é que também não dê ouvidos a António Sampaio e Mello, director do Gabinete de Estudos do PSD e assessor económico de uma candidatura que defende isto:

Barack Obama and Joe Biden believe that it is critically important for the United States to rebuild its national transportation infrastructure – its highways, bridges, roads, ports, air, and train systems – to strengthen user safety, bolster our long-term competitiveness and ensure our economy continues to grow.

Foi notícia mas podia não ter sido (1)

8 Outubro 2008, 20:38 · Filipe Nunes

Putin apresenta DVD de instruções sobre judo.

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