O delírio de Louçã

5 Setembro 2009, 20:29 · João Jesus Caetano

Francisco Louçã, professor catedrático de economia e dirigente do Bloco de Esquerda, afirmou recentemente que há “630 mil desempregados em Portugal”.

Ora, Francisco Louçã, o catedrático de economia, sabe que só há duas formas de “medir” o desemprego em Portugal: uma é a estimativa trimestral do INE, um organismo independente, que resulta de metodologias validadas internacionalmente; a outra é o número de desempregados registados no final de cada mês nos centros de emprego do IEFP, um organismo tutelado pelo ministério do trabalho e da segurança social, que resulta de metodologias validadas pelo seu conselho de administração do qual faz parte, por exemplo, a CGTP.

Os últimos números disponíveis, de um e outro organismo, apontam para quase 508 mil desempregados ao longo do segundo trimestre deste ano (INE) e para 497 mil desempregados registados no final de Julho de 2009 (IEFP).

Teria então Francisco Louçã, o catedrático de economia, desenvolvido um modelo econométrico sofisticado, e Francisco Louçã, o dirigente do Bloco de Esquerda, lido-o? Não. O que aconteceu foi que Francisco Louçã, o dirigente do Bloco de Esquerda, referiu o valor de uma estimativa feita por um deputado do PCP que o Correio da Manhã destacou esta semana. Estimativa essa, estou certo, que Francisco Louçã, o catedrático de economia, não validaria.

O Duplo Pacto - Hugo Mendes

20 Agosto 2009, 14:11 · João Jesus Caetano

O Hugo Mendes publicou no Diário Económico de hoje um artigo de leitura obrigatória, que transcrevo integralmente:

Um dos mitos contemporâneos diz que a globalização torna o Estado social insustentável, sobretudo nos países pequenos. A direita regozija e a esquerda protesta, mas ambas aceitam a sua inevitabilidade. O mito, porém, não sobrevive à análise: as economias mais integradas no comércio internacional são as dos pequenos países - os mesmos que construíram os Estados sociais mais generosos. Parte da explicação é esta: a vulnerabilidade do mercado interno a choques exógenos incentiva à coordenação entre Governo, capital e trabalho, e favorece a construção de compromissos de classe e de instituições que protegem contra os humores do mercado.

A discussão é particularmente actual no momento em que o PS propõe ao país um duplo pacto: para o reforço da internacionalização da economia e para a expansão do Estado social. Os pactos complementam-se porque permitem aumentar a coerência entre os regimes de produção de bens transaccionáveis e de protecção das pessoas. Claro que é impossível copiar as instituições ou a trajectória dos países europeus pós-1945: em Portugal, a representação do capital e do trabalho é menos unificada; a taxa de sindicalização no privado é muito reduzida; grande parte dos empregadores e trabalhadores é pouco qualificada; o tecido económico tem bolsas de baixíssima produtividade. Sabemos, porém, que as instituições condicionam a acção dos parceiros, mas não a determinam. A escolha da estratégia é, por isso, decisiva.

A estratégia do duplo pacto aposta na definição dos clusters que merecem a aposta prioritária dos sistemas público e privado de inovação. Aposta em medidas de apoio à capacidade organizacional das firmas e à sua inserção em redes internacionais. Aposta na qualificação de pessoas ao nível do ensino superior e do secundário. Aposta em níveis elevados de contratação colectiva e moderada segurança laboral. Aposta em trabalhadores mais bem pagos; num país onde o salário mediano ronda os 700€ e cerca de 500.000 ganham o salário mínimo, é preciso prosseguir o aumento deste, medindo o impacto no emprego. É possível, porém, aumentar o rendimento do trabalhador se o Estado fornecer um complemento ao salário; a medida, que existe em inúmeros países, consta do programa do PS.

Os pactos não se complementam por acção da mão invisível do mercado, mas da mão visível do compromisso. O duplo pacto incentiva ao aprofundamento da coordenação cooperativa da economia, essa dinâmica negocial entre Governo, empresas e sindicatos, assente na concertação, na persuasão, e no incentivo - numa palavra, na política. Se alguns reduzem isto a “negociatas”, é porque lhe têm horror.

Emprego: Diferenças entre PSD/PP e PS

16 Agosto 2009, 22:24 · João Jesus Caetano

O PSD, pela voz da dra. Manuela Ferreira Leite, considera que o Governo do PS fez pouco para proteger o mercado de trabalho das pressões que resultaram da quebra da actividade económica ao longo do último ano.

Num post anterior, ilustrei que o mercado de trabalho em Portugal respondeu em linha com o comportamento europeu. Agora, quero ilustrar os diferentes impactes da economia no emprego/desemprego entre 2002 e 2005, com o PSD/PP no Governo, e entre 2005 e 2009, com o PS.

No último trimestre de 2002, e nos três primeiros de 2003, a economia nacional esteve em quebra. Mas ao contrário do que aconteceu ao longo dos últimos três trimestres, em 2003 não havia uma crise internacional.

E o que aconteceu ao mercado de trabalho nacional nesse período? O desemprego cresceu como nunca. Aliás, a taxa de desemprego homóloga ente o 4T02 e o 3T03 cresceu mais do que nos três últimos trimestres em que a crise internacional se fez sentir em Portugal, com diminuições de actividade consideravelmente superiores a 2003, como se pode ver no gráfico acima.

Mas, pior do que isso, durante a governação do PSD, o desemprego homólogo cresceu sempre, mesmo quando a dinâmica económica era positiva.

Para o PSD, é a economia que gera emprego. Para o PS, é a economia, mas também as políticas activas de emprego, destinadas, por exemplo, a promover a formação profissional em contextos de trabalho, a inserção de jovens no mercado de trabalho, e a protecção de postos de trabalho ocupados por trabalhadores mais velhos.

A diferença entre estas duas visões é ilustrada pelas linhas (rosa e laranja) no gráfico acima. Para o mesmo nível de actividade económica, a visão do PS cria mais emprego e menos desemprego do que a visão do PSD.

É isto que define um Programa de políticas de emprego; e não a fotografia circunstancial de um período condicionado pela fraca dinâmica económica internacional, como a líder do PSD quer fazer crer.

Emprego: Novas qualificações

16 Agosto 2009, 22:05 · João Jesus Caetano

Num artigo publicado no Diário Económico, o Pedro Adão e Silva referiu que o objectivo dos 150 mil empregos não foi atingido nesta legislatura porque a crise internacional que se iniciou no terceiro trimestre de 2008 criou uma enorme pressão sobre a dinâmica de criação de empregos.

De facto, até ao segundo trimestre do ano passado, e desde o início da legislatura, a economia nacional tinha criado cerca de 133 mil empregos numa dinâmica sustentada, o que fazia prever que o objectivo dos 150 mil empregos seria atingido. Não foi, e o resultado final acabou por ser a diminuição de 18 mil postos de trabalho.

Mas se olharmos para a dinâmica de criação de emprego em função das habilitações verificamos algo interessante, que o Pedro já referira, e que convém voltar a sublinhar.

Desde o início da legislatura, a criação líquida de emprego qualificado (pessoas com habilitações equivalentes ao secundário ou ensino superior) aproximou-se de 250 mil. Mas, ainda mais interessante, esta dinâmica acentuou-se durante a crise, gerando um resultado líquido de 83 mil empregos qualificados nos últimos 12 meses.

Estes elementos permitem construir uma tese que deverá ser estudada com mais atenção nos próximos tempos: o aumento sustentado das qualificações de base dos portugueses ao longo dos útimos anos permitiu que um maior número de activos estivesse menos exposto à pressão da quebra de actividade económica, contribuíndo para a reestruturação do mercado de trabalho e, talvez, da própria economia nacional.

Emprego: Panorama mundial

16 Agosto 2009, 22:00 · João Jesus Caetano

A dra. Manuel Ferreira Leite considera o crescimento do desemprego ao longo do último ano em Portugal um problema exclusivo do nosso país. Esta leitura está aliás em sintonia com a interpretação que faz da maior crise internacional dos últimos 80 anos, o “abalozinho de terras”.

Ora, o Instituto Francisco Sá Carneiro já deveria ter informado a Presidente do PSD que as coisas não são bem assim. No gráfico acima, estão representadas as variações homólogas no segundo trimestre deste ano do PIB e da Taxa de Desemprego para todos os países da União Europeia, assim como Estados Unidos e Japão, com base nas estimativas do EUROSTAT.

E o que é que o gráfico nos diz? Diz-nos que tendo em conta a quebra do PIB português ao longo do último ano, o aumento verificado no desemprego está em linha com a média do comportamento internacional (linha contínua - Lei de Okun). E se países como a Alemanha tiveram reduções menos acentuadas do desemprego, os mercados de trabalho em França, na Irlanda, nos Estados Unidos e (na clássica) Espanha responderam pior à quebra de actividade económica do que em Portugal.

Rasgar a escola para todos

10 Julho 2009, 14:38 · João Jesus Caetano

O gráfico em baixo mostra a taxa de escolarização dos jovens com idades entre os 15 e os 17 anos, de 1961 a 2006.

Entre 1995 e hoje, essa taxa tem-se situado ligeiramente acima dos 80%, oscilando aqui e ali sem grande significado. Ou seja, nos últimos 15 anos, quase 20% dos jovens com idades entre os 15 e os 17 anos não frequentaram nenhum estabelecimento de ensino.

Hoje, na Assembleia da República, ao não ter votado favoravelmente a proposta do Partido Socialista que prevê o alargamento da escolaridade obrigatória até ao 12º ano, o PSD de Manuela Ferreira Leite mostrou que vive em paz com esta realidade.

[Taxa de escolariação mede o número de estudantes que frequentam estabelecimentos de ensino, independentemente do nível em que se encontram, relativamente à população total com a mesma idade - fonte: GEPE]

Fragmentação eleitoral (2)

10 Junho 2009, 13:35 · João Jesus Caetano

Em Portugal, o efeito imediato da fragmentação do espectro político acaba por ser a legitimação de uma ambição da direita (PSD/PP) que se julgava perdida: a de se apresentar como alternativa de governação em Setembro/Outubro.

Durante os últimos anos, o BE apelou à crítica emocional da governação Sócrates, sustentando-se na ausência de uma direita credível e apelidando o governo PS de neo-liberal. Agora, terá que perceber que, tal como há quatro anos com o dr. Santana Lopes, a dra. Manuela Ferreira Leite será incapaz de promover ou dar continuidade às políticas marcadamente sociais desta legislatura: a despenalização da IVG; a aposta, através das Novas Oportunidades, numa melhor qualificação dos portugueses; a reforma da Segurança Social; o complemento solidário para idosos; o aumento do salário mínimo (acordado com os parceiros sociais); o reforço das políticas activas de emprego; a reforma da lei da imigração; o apoio às famílias, através do aumento do abono de família e da sua abrangência a períodos anteriores ao nascimento; a aposta na educação pré-escolar; a acção social escolar; o apoio ao acesso a computadores de crianças e jovens; a aprendizagem de inglês no primeiro ciclo do ensino básico público; e a aposta num ensino público pedagogicamente mais exigente e com um parque escolar requalificado e modernizado.

Fragmentação eleitoral (1)

10 Junho 2009, 13:35 · João Jesus Caetano

["Diffusion indexes" das cinco maiores economias europeias. O Reino Unido está ligeiramente acima de 50, o que significa expansão económica.]

Paul Krugman, sobre as críticas a Gordon Brown: «It’s not far-fetched to imagine that Britain will soon be experiencing at least a modest recovery, even as its neighbors languish. Yet that possibility doesn’t seem to factor into any of the political discussion.»

No Reino Unido, o partido de Gordon Brown, com 15,7%, foi o terceiro mais votado nas eleições Europeias atrás do UK Indepedence Party (16,5%). Pior ainda, só teve duas vezes e meia mais votos do que o British National Party (6,2%), que proíbe a militância de não caucasianos.

No actual contexto económico, a fragmentação eleitoral transporta um risco acrescido na generalidade dos países europeus: ao enfraquecer as lideranças políticas e a sua legitimidade executiva, acaba por comprometer o alcance das medidas anti-crise implementadas no início do ano.

A vida para lá dos 67

10 Março 2009, 22:05 · João Jesus Caetano

Na capa do Diário de Notícias de hoje, um título que provoca mais danos na confiança dos portugueses do que a actual crise económica: “Trabalhar mais dois anos não vai compensar reforma”.

Em 2046, quem se reformar com 65 anos terá, em média, um rendimento disponível por via da pensão equivalente a 71% do último salário líquido. Se trabalhar mais dois anos, passará a ter um rendimento disponível equivalente a 84% do último salário. Ou seja, com mais 5% de tempo de actividade (dois anos, em 40), o rendimento aumenta 18% (13 pontos percentuais, em 71).

Não compensa?

Já os físicos-politólogos…

26 Novembro 2008, 14:50 · João Jesus Caetano

Lee Smolin, do Perimeter Institute for Theoretical Physics, numa TedTalk com o título “How science is like democracy“, em Fevereiro de 2003 mas só agora publicada [link]:

As gravatas dos astrofísicos(*) mimicam a estrutura do universo

26 Novembro 2008, 14:48 · João Jesus Caetano

Geoge Smoot, nobel da física em 2006, numa TedTalk com o título “The design of the universe“, em Maio deste ano e publicada este mês [link]:

(*) dos norte-americanos, pelo menos.

Onda azul

5 Novembro 2008, 13:43 · João Jesus Caetano

A vitória de Barack Obama nas presidenciais foi acompanhada por uma nova configuração do Senado e da Câmara dos Representantes. Durante os próximos dois anos, espera-se dos 56 senadores (em 100) e 250 representantes (em 435) democratas um apoio claro às políticas estruturantes de Barack Obama - na energia, na saúde, na educação, na regulação do sistema financeiro, na dinamização do tecido micro-empresarial e no campo fiscal - para além das escolhas para o topo do sistema judicial.

Este novo mapa político começou a ser construído há pouco mais dois anos, quando durante a campanha para as eleições intercalares do Congresso, Howard Dean decidiu que o partido Democrata deveria apoiar inequivocamente (leia-se injectando dólares) candidatos em círculos outrora considerados bastiões republicanos. Esta maior amplitude e incidência geográfica do campo de campanha democrata, associada ao prolongamento das primárias, permitiu construir e motivar uma base de apoio a Barack Obama e a muitos dos democratas ontem a sufrágio.

Não é por acaso que Colorado, Virgínia e Carolina do Norte, os dois últimos tradicionalmente mais republicanos do que o primeiro, votaram com Obama e com os candidatos democratas ao Senado. Noutros estados de um sul mais profundo ou circundantes das Rockies, onde o determinismo demográfico é mais claro, Obama não venceu, mas o partido Democrata conquistou importantes distritos congressionais.

Daqui a dois anos, voltam a ser escolhidos os 435 representantes e um terço dos senadores. Neste momento, a coesão parece evidente, mas há riscos associados; cabe a Obama gerir e coordenar as expectativas desta alargada base legislativa de apoio.

Títulos simples

5 Novembro 2008, 4:10 · João Jesus Caetano

«Red states turning blue on U.S. map» [CNN]

Live blogging?

5 Novembro 2008, 2:33 · João Jesus Caetano

Está difícil postar; o debate na redação é constante.  Talvez o melhor seja segui-lo em directo aqui.

North Carolina

5 Novembro 2008, 2:01 · João Jesus Caetano

Através da exit polls, Obama terá entre 50 e 52% dos votos na Carolina do Norte.

Portugal Diário

4 Novembro 2008, 23:34 · João Jesus Caetano

Chegámos à redacção do Portugal Diário - feed vídeo aqui. Nas próximas horas, a atenção vai estar focada no que acontecer em cinco estados: Florida, Ohio, Carolina do Norte, Indiana e Missouri. Se McCain e Obama dividirem os grande-eleitores destes estados, teremos que esperar pelos resultados de Nevada, Colorado e Arizona.

Para além das presidenciais, há 35 lugares a eleição no Senado e todos os 435 da Câmara dos Representatntes. A dúvida, aqui, é qual será a dimensão da vitória dos Democratas.  As primárias, ao terem-se prolongado por vários meses, permitiram ao partido Democrata motivar as bases em todo o território norte-americano.

Short Tuesday (2)

3 Novembro 2008, 16:49 · João Jesus Caetano

Paul Krugman, há pouco: «We need a government of national unity to deal with the economic crisis, starting at, oh, around 8:45 PM tomorrow.»

Top five

3 Novembro 2008, 12:54 · João Jesus Caetano

Tenho alguma dificuldade em perceber que tipo de informação extra é que os rankings das escolas acrescentam. Para um pai, o universo das escolas possíveis para os filhos está circunscrito pela oferta geográfica local, próxima de casa, para além de, na esmagadora maioria dos casos, condicionada pela sua capacidade financeira.

A não ser que façamos fé numa metodologia que nos diz que a escola com um resultado de 98 é, de facto, melhor do que outra com resultado 97,5, os rankings não fazem mais do que reproduzir a percepção colectiva de que as escolas privadas são, grosso modo, melhores do que as escolas públicas quando têm que responder às expectativas dos pais que as podem pagar.

Em Portugal, país pouco conhecido pela mobilidade geográfica induzida pela procura das melhores opções educacionais para os filhos, os rankings são, no final do dia, um valor acrescentado nulo. Para além, claro, de, para alguns, uma conveniente forma de auto-promoção das virtudes de “encarregado de educação responsável”.

Nem Rob, em High Fidelity, tinha este nível de confiança nos seus tops-five.

Short Tuesday

31 Outubro 2008, 20:09 · João Jesus Caetano

A questão para a noite eleitoral de terça-feira é a de saber se basta contar os votos até a Appalachia (Carolina do Norte, Florida e Virgínia), ou se é necessário esperar que os fusos horários cubram o território norte-americano até ao Mississippi (Ohio e Missouri). Sim, porque isto de noites eleitorais longas já era.

O fim de uma aberração

26 Outubro 2008, 16:03 · João Jesus Caetano

Desde 1960 que o New York Times tem declarado o seu apoio ao candidato do partido democrata à Casa Branca. Na passada quinta-feira, voltou a fazê-lo num editorial muito crítico dos oito anos de administração Bush e da campanha de John McCain. É significativo, por exempo, o facto de o texto assinado pelo corpo editorial do jornal dedicar seis parágrafos ao tema “The Constitution and the Rule of Law“.  Para a generalidade dos europeus, a política norte-americana vive-se no palco das relações internacionais. Mas, nos últimos oito anos, uma das assinaturas mais dramáticas da adminstração Bush foi o abuso de poder e os ataques ao sistema judicial e ao princípio da separação de poderes:

«Under Mr. Bush and Vice President Dick Cheney, the Constitution, the Bill of Rights, the justice system and the separation of powers have come under relentless attack. Mr. Bush chose to exploit the tragedy of Sept. 11, 2001, the moment in which he looked like the president of a unified nation, to try to place himself above the law.»

A conivência do partido republicano, em geral, e do suposto Maverick McCain, em particular, ilustra o poder singular que a entourage de Bush conquistou ao longo destes anos.

Jose the stereotype

26 Outubro 2008, 15:17 · João Jesus Caetano

Stephen o humorista, via Paul o Professor:

«I for one appreciate the McCain campaign treating us like children. McCain will bring us back to a simpler time. A time when you could identify your neighbors’ jobs by the hats they wore. Like Sam the Fireman, Bill the Cowboy and Jose the stereotype. These are the people in your neighborhood. The people that you meet when you’re walking down the street. They’re the people that you meet each day. And what the people in your neighborhood, the Joe the Plumber, the Wendy the Waitress need are tax cuts for the wealthy and off shore drilling. They don’t need universal health care or last names.»

Do medo (*)

24 Outubro 2008, 17:20 · João Jesus Caetano

O Paulo Pinto Mascarenhas está chocado com o facto de Portugal ter passado, no último ano, de 8º para 16º no ranking [pdf] da liberdade de imprensa produzido pelos Repórteres sem Fronteiras. E, de caminho, lá vai alertando para a vinda do 5º canal, que, perante esta realidade, só poderá significar mais informação controlada pelo governo.

De oitavo para 16º lugar, num ranking com uma degenerescência tremenda (três primeiros lugares, três quartos, seis sétimos e por aí fora). É o fim do mundo, de facto.

(*) Série descontinuada no Blogue Atlântico [link] e retomada pelo País Relativo.

Azul escuro

20 Outubro 2008, 8:06 · João Jesus Caetano

[esquerda: 2004; direita: 2008]

Por esta altura, em 2004, John Kerry tinha uma ligeira vantagem sobre George W. Bush na previsão de grande-eleitores do colégio eleitoral (284-247).  Duas semanas depois, Bush acabaria por vencer 286-252.

Actualmente, as projecções do sítio electoral-vote dão uma vantagem de 193 grande-eleitores a Barack Obama (364-171-3). Mas mais impressionante, é que ela assenta numa plataforma alargada de estados praticamente garantidos na coluna de Obama: compare-se o mapa da projecção de 2004 (esquerda), com o de agora (direita).

Outro elemento interessante é que Obama acabará por perder nos estados do sul, excepto talvez na Carolina do Norte que de sul tem cada vez menos (o maior parque tecnológico dos EUA está lá, mesmo no seu centro geográfico).  Quem durante as primárias andou a justificar a maior elegibilidade de Obama pelas vitórias sobre Clinton no sul republicano, esqueceu-se da marca demográfica destes estados. A vitória democrata acabará por ser garantida, isso sim, pelos mesmos battleground states dos últimos anos: Colorado, Florida, Iowa, Ohio, Minnesota, Missouri, Nevada, Novo México, Pennsylvania, Wisconsin. It’s the economy again, stupid!

À espera de um segundo Nobel?

13 Outubro 2008, 22:05 · João Jesus Caetano

Na quinta-feira, Paul Krugman escreveu um artigo no New York Times (The Moment of Truth) onde alertava para a necessidade de os líderes mundiais definirem uma estratégia concertada e global para combater a crise financeira que se vivia.  Pelo meio, criticava a falta de clareza do plano Paulson e a ausência de uma liderança política na União Europeia. Ontem, num outro artigo (Gordon Does Good), Krugman elogiava a iniciativa de Gordon Brown que, entre outras coisas, promoveu fundos de garantia para empréstimos entre bancos. Para Krugman, só uma concertação internacional inspirada nas iniciativas britânicas poderia salvar o mundo das trevas.

A resposta definitiva pode ainda estar longe, mas o comportamento dos mercados financeiros ao longo do dia (acrescente-se uma subida de 11% no Dow Jones) mostram que Paul Krugman já anda a trabalhar para o segundo prémio Nobel.

Falando de emoções

13 Outubro 2008, 22:05 · João Jesus Caetano

Como lembra o Filipe, a generalidade das opiniões publicadas aponta no sentido do tema do casamento entre pessoas do mesmo sexo interessar a pouca gente.  Mas interessa às pessoas do mesmo sexo que gostariam de se casar, para além de às que não querem que as pessoas do mesmo sexo se casem. Por isso, ainda não percebi porque é que não se resolveu o problema das pessoas do mesmo sexo que querem casar e se manda às urtigas as pretensões das pessoas que não querem que as outras do mesmo sexo se casem. Que o BE é oportunista, já o sabemos. Que não se consiga desmontar esse oportunismo ao mesmo tempo que se garante a liberdade nas escolhas, já me parece incompleto.

Isto é lindo! - Krugman é Nobel da Economia

13 Outubro 2008, 12:20 · João Jesus Caetano

Paul Krugman é o Nobel da Economia 2008: «for his analysis of trade patterns and location of economic activity»

[Copyright © Princeton University]

Fundo Estratégico de Crédito Estruturado de Alta Gama

10 Outubro 2008, 14:52 · João Jesus Caetano


The Last Laugh - George Parr - Subprime - subtitulos
by erioluk
[via Arcebispo de Cantuária]

Whatshisname

10 Outubro 2008, 11:03 · João Jesus Caetano

Isto está lindo. Depois de num post com um título sugestivo (”Please go away“) ter escrito que a última coisa necessária é que George W. Bush fale à nação sobre a crise financeira — ontem ampliada pela queda de 7,3% do Dow Jones — , Paul Krugman tem esta tirada monumental: «And the slower-motion issues, realistically, won’t be effectively addressed for a while, probably until whatshisname moves out of the White House.»

[Há uma certa esperança, e isso nota-se na narrativa até do próprio Krugman, que o impacto da actual crise não seja suficientemente estrutural e possa ser minorado com o início de um novo ciclo político, em Novembro-Janeiro próximos. Isto, naturalmente, desde que Obama vença, o que parece cada vez mais provável.]

$1,000 lap dance package

9 Outubro 2008, 22:41 · João Jesus Caetano

 

No dia em que o Dow Jones perdeu 7,3%, ficamos a saber que o negócio das lap dance milionárias prolifera cinco kilómetros a norte de Wall Street:

«Since the market has been going down, our business has been going up — it’s unbelievable

«A lot of people are coming in and spending $2,000 and $5,000 and $10,000; they are spending like they are making millions and millions of dollars. I don’t know if they are depressed or what

Fox-Notícias

8 Outubro 2008, 21:28 · João Jesus Caetano

A SIC-Notícias está, neste momento, a passar em rodapé a nota «Obama mantém pequena vantagem sobre McCain nas sondagens», ao mesmo tempo que a realidade nos diz que Obama recuperou a desvantagem e está a esmagar McCain.

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