45 anos, they say
29 Setembro 2009, 15:12 · Mariana Vieira da Silva
E, no entanto, ela cumpre-se
27 Agosto 2009, 20:17 · Mariana Vieira da Silva
A questão das qualificações dos portugueses faz parte, e bem, de todos os discursos de todos os partidos, nos últimos 35 anos. O diagnóstico é partilhado por (quase) todos, mesmo que as soluções apresentadas para superar este problema sejam muito diferentes. Portugal tem um problema citado por todos – uma elevadíssima % de jovens (18 aos 24 anos) que saiu da escola da escola sem completar o ensino secundário. Era cerca de 39% em 2006 (36 agora), o dobro da média da UE. Mas permanecia um outro problema, muito mais grave, até porque absolutamente excepcional na Europa em que nos inserimos: segundo os censos de 2001, 26% dos jovens entre os 18 e os 24 anos não tinha completado o ensino básico (9.º ano). Quer isto dizer que 1/4 dos jovens, apesar de cumprir a escolaridade obrigatória não terminava o ensino básico (a lei de bases fixava a obrigatoriedade de frequência da escola até completar o 9.º ano OU até aos 16 anos). São milhares de jovens(cerca de 25 000) que entraram no mercado de trabalho sem terem adquirido os conhecimentos considerados mínimos.
Nós e o inferno dos outros
27 Julho 2009, 18:33 · Mariana Vieira da Silva
Francisco Louçã já vai na terceira ou quarta declaração sobre o caso Joana Amaral Dias. O convite é desmentido e logo salta Louçã dizendo que é esclarecedor não ter sido Sócrates a desmentir; quando perguntam a Sócrates e este desmente, salta Louçã estranhando que Sócrates venha desmentir o que já estava desmentido. E assim anda Louçã, fingindo que fala de um convite que não existiu e utilizando verbos que ninguém que gosta de política devia utilizar com leveza, especialmente quando fala sobre convites para listas de deputados (os que existiram e os que não existiram).
Esta postura é paradigmática e é um bom corolário para as recentes entrevistas. Para Louçã, todos os convites são tráfico de interesses, todos os acordos são negócios (dito com o tom de voz que conhecemos), todas as coligações são traições. Todas? Todas, não. As do Bloco são puras e sãs. Quando um partido convida para as suas listas um independente está a traficar, o BE está a abrir-se à sociedade; quando um partido procura estar próximo dos movimentos sociais está a fingir, o BE está a cumprir-se; se um partido vota maioritariamente no seu lider é falta de democracia interna, no BE é a unidade em torno de um projecto. Eis a política, segundo Louçã: ou fui eu que fiz, ou não é sério.
Que este discurso sobre coligações e independentes seja feito por um líder de um partido com a história do Bloco de Esquerda é só irónico.
(em stereo, http://simplex.blogs.sapo.pt/28983.html)
Os cínicos, os crédulos e a participação
29 Junho 2009, 0:02 · Mariana Vieira da Silva
Robert Reich escreve aqui um post daqueles que farão os fãs da política americana vestir a pele de Tocqueville e suspirar um “aquilo é que é uma democracia”. Secretary of Labour de Bill Clinton, Reich deixa aos cínicos e aos admiradores um recado sobre Obama e a sua política. E porque este é, por cá, tempo de eleições, de discutir os programas e as políticas, fica para o day-after:
«People who voted for Barack Obama tend to fall into one of two camps: Trusters, who believe he’s a good man with the right values and he’s doing everything he can; and cynics, who have become disillusioned with his bailouts of Wall Street, flimsy proposals for taming the Street, willingness to give away 85 percent of cap-and-trade pollution permits, seeming reversals on eavesdropping and torture, and squishiness on a public option for health care.
In my view, both positions are wrong. A new president — even one as talented and well-motivated as Obama — can’t get a thing done in Washington unless the public is actively behind him. As FDR said in the reelection campaign of 1936 when a lady insisted that if she were to vote for him he must commit to a long list of objectives, “Maam, I want to do those things, but you must make me.”
We must make Obama do the right things. Email, write, and phone the White House. Do the same with your members of Congress. Round up others to do so. Also: Find friends and family members in red states who agree with you, and get them fired up to do the same. For example, if you happen to have a good friend or family member in Montana, you might ask him or her to write Max Baucus and tell him they want a public option included in any healthcare bill.»
A ver e ouvir ali ao lado
26 Junho 2009, 1:19 · Mariana Vieira da Silva
Para acompanhar os dias que se seguirão, cheios de relatos de uma vida de que sabemos pouco (por enquanto a CNN explica detalhadamente o cardiac arrest).
Michael Jackson, Black or White.
de verde
15 Junho 2009, 14:57 · Mariana Vieira da Silva
“All books about revolutions begin with a chapter that describes the decay of tottering authority or the misery and sufferings of the people. They should begin with a psychological chapter, one that shows how a harassed and terrified man suddenly breaks his terror, stops being afraid. This unusual process, sometimes accomplished in an instant, like a shock or lustration, demands illuminating. Man gets rid of fear and feels free. Without that there would be no revolution,” - Ryszard Kapuscinski, in Iran during the 1979 revolution. Daqui.
Why aren’t you in the administration?
13 Junho 2009, 14:05 · Mariana Vieira da Silva
A ouvir ali ao lado, música de intervenção. Dedicada a Paul Krugman, em modo de apelo.
Para viciadinhos, que passam por aqui todas as manhãs.
(obrigada, Pedro)
Afinal não estão mesmo prontos
12 Junho 2009, 16:52 · Mariana Vieira da Silva
“Jamais faremos coligações com o PS”, Francisco Louçã em entrevista ao i.
Numa entrevista a não perder, em que Louçã diz o seguinte sobre uma eventual participação no governo: “Não influencia nada! Isso destrói o sentimento de política, destrói a democracia, porque significa que nós, em nome de carreiras pessoais, do brilho do poder, aceitaríamos fazer o contrário do que dissémos aos eleitores. Não podemos fazer isso.”
O BE teve pouco mais de 10% dos votos, mas não aceitará nenhuma medida que não esteja no seu Programa de Governo. Louçã considera que as coligações destroem a democracia e o sentimento de política, porque, percebe-se agora, só contam os 10% de votos que teve o BE e é só a esses 10% que o bloco deve alguma coisa. Estão prontos, mas só para os seus eleitores; finalmente o cartaz ficou claro.
Afinal não estão prontos
8 Junho 2009, 17:30 · Mariana Vieira da Silva
“O Bloco de Esquerda afirma com toda a clareza que assumirá sempre a responsabilidade de defender estas propostas, não participando nem estabelecendo acordos programáticos com governos que sejam constituídos numa base contrária ao manifesto eleitoral que aqui se apresenta.” (no Programa de Governo do Bloco de Esquerda)
A Europa (pouco se ouviu falar dela nesta noite de e salta, rangel; e salta rangel)
8 Junho 2009, 3:11 · Mariana Vieira da Silva
Em plena crise económica as eleições europeias têm, um pouco por toda a União, um resultado: ganha a direita, cresce a extrema direita e a extrema esquerda, crescem os partidos anti-europeístas. E se a vitória da direita faz desta uma noite triste pelas bandas deste blog, um olhar atento pelo mapa dos resultados, devia deixar-nos a todos muito preocupados.
A extrema direita cresce por toda a Europa, com especial significado na Austria (onde a extrema direita alcança os 18%), Hungria (com dois deputados da extrema direita eleitos), Filândia (com um anti-europeista eleito) e Holanda (com os 17% dos votos de um partido anti imigração).
No novo parlamento europeu, como se pode ver aqui, o “outros” é o terceiro “grupo parlamentar” com mais deputados. Quem são os outros? Que contributo darão para governabilidade da Europa?
Esta não foi uma boa noite; e a vitória do PSD nas Europeias apenas começa a explicar porquê.
Notícias de tirar o sono
8 Junho 2009, 2:24 · Mariana Vieira da Silva
Europe’s mainstream centre-left parties suffered humiliation last night when four days of voting in the EU’s biggest-ever election concluded with disastrous results for social democrats.
Results from the national rounds of the European parliament election across the 27 member states also showed support for centre-right Christian democrats diminishing in places, but nonetheless notching up handsome victories in several key states.
In Germany, France, Italy, Spain, Poland, Austria, Bulgaria, Hungary and the Czech Republic, the centre right won the elections, with stunning defeats for the left in certain cases.
In the EU’s biggest country, Germany, returning 99 of the parliament’s 736 seats, the Social Democrats (SPD), the junior partner in Chancellor Angela Merkel’s grand coalition, sunk to an all-time low, with 21% of the vote.
(aqui)
Vitória
7 Junho 2009, 16:22 · Mariana Vieira da Silva

Mais cedo ou mais tarde
5 Junho 2009, 12:41 · Mariana Vieira da Silva
O Público não pára de me surprender. Agora parece que as eleições podem acabar num empate técnico: ”tendo em conta as margens de erro, o empate técnico é um dos resultados mais previsíveis.”
West Wing, série 8
26 Maio 2009, 15:24 · Mariana Vieira da Silva
Tiago, já está. Obama em directo na CNN a terminar o episódio The Supremes: Obama escolhe Sonia Sotomayor para o Supremo Tribunal.
I wish you an unhappy birthday
22 Maio 2009, 11:27 · Mariana Vieira da Silva
Morrissey faz 50 anos.
No tempo e no modo
21 Maio 2009, 11:33 · Mariana Vieira da Silva
Fotografia: Manuel Roberto, Ípsilon (arquivo)
Para memória futura (ou frases que impõe respeito)
20 Maio 2009, 8:31 · Mariana Vieira da Silva
Roubo a citação que Mariana faz do documento Desafios para Portugal em 2009 do gabinete de estudos do PSD:
É muito importante que registemos estas ideias, até porqiue elas serão desmentidas e corrigidas dezenas de vezes até Outubro (a tal política de verdade). É que nas próximas eleições é de escolhas que falaremos, e agora já sabemos qual o mote do PSD em matéria de educação: dar meios para escapar (belo verbo) do ensino público.
Leitura obrigatória
19 Maio 2009, 13:23 · Mariana Vieira da Silva
Para quem tenha deixado passar, o artigo do Pedro Magalhães, no Público de ontem, já está no Outras Margens. A leitura é tão obrigatória, que justifica a transcrição de uma parte:
«Se Portugal fosse “um país a sério”, o debate público sobre este tipo de questões já não ocorreria ao nível em que Pacheco Pereira o colocou. Haveria uma comunidade académica pujante de investigadores dedicados ao estudo do fenómeno do crime, cujo papel no debate público sobre este assunto já teria inibido qualquer pessoa que se apresente como “historiador” (ou seja, como um cientista social) de escrever o que Pacheco Pereira escreveu com objectivos única e exclusivamente políticos. Essa comunidade poderia já ter explicado, por exemplo, que não há hoje praticamente dúvidas de que os factores que melhor explicam a incidência de crimes num determinado contexto são a pobreza das populações e a falta de mecanismos de “controlo social” (em particular, a existência de alta instabilidade familiar).
(…)
Na ciência, e ainda menos nas “ciências sociais”, não há certezas. Mas é o melhor que temos. Fazer de conta que não existem, para quem se apresenta como fazendo algo mais do que mero combate político, justifica-se apenas por ignorância ou cegueira voluntária. Num país a sério, uma ou outra seriam dificilmente desculpáveis.»
Há semanas que nada justificava comprar o Público, ontem valeu a pena.
A paz, o pão, a habitação
17 Maio 2009, 1:49 · Mariana Vieira da Silva
Absolutamente imperdível, o documentário As operações SAAL, de João Dias, que se pode ver em Lisboa, no Cinema Alvalade. Não é muito comum ver um documentário que começa com a leitura em voz alta de um Despacho governamental, nem ver uma política recente ser comentada pelos seus principais protagonistas.
O SAAL - Serviço de Apoio Ambulatório Local - foi criado em Agosto de 74 para responder às necessidades de habitação da população, tendo sido extinto dois anos mais tarde (em Outubro de 76) depois de muita polémica. Liderado por Nuno Portas, então secretário de estado da habitação e do urbanismo, o projecto SAAL assentava na criação de um corpo técnico que apoiaria a iniciativa das populações na resolução dos seus problemas de habitação e contou com a participação de dezenas jovens arquitectos (Souto Moura, Gonçalo Byrne, Siza Vieira, entre outros). O documentário retrata exemplarmente a apropriação que, por todo o país, e de forma muito diversa, foi feita desta medida.
Não foi feita justiça ao que foi feito imediatamente após o 25 de Abril em matéria de habitação com o SAAL, ou em matéria de saúde com o Serviço Médico à Periferia. O que este documentário faz é permitir que essa justiça comece a ser feita, e fá-lo contando a história na primeira pessoa.
Serviço Público
16 Abril 2009, 14:31 · Mariana Vieira da Silva
O podcast do programa Quase Famosos, em que o Pedro e Adão e Silva e o Nuno Costa Santos nos contam o que andam a ouvir, já está disponível. Música sempre óptima, para todas as ocasiões, enquanto se trabalha, a caminho da praia, no alfa-pendular. Um acontecimento que torna o ipod um objecto ainda mais essencial, portanto.
Dizem que a playboy portuguesa está nas bancas
30 Março 2009, 15:13 · Mariana Vieira da Silva
Os puristas
26 Março 2009, 18:02 · Mariana Vieira da Silva
Num país cheio de donos da leitura, das cidades, dos museus ou da cultura é com alívio que se lêem frases destas, libertas dos purismos do costume:
“A ideia de que a frente do rio é um jardim é uma ilusão. Há um porto e o porto faz parte da paisagem da cidade e não é parte a ignorar”, disse Siza Vieira aos jornalistas quando questionado sobre o projecto de ampliação do terminal de contentores de Alcântara.
O arquitecto afirmou não ter uma “opinião formada” sobre o projecto e a pertinência da localização em Alcântara, mas defendeu que a “vida do porto” é “uma coisa muito interessante numa cidade”.
“Uma cidade existe porque há coisas que tiram a vista a outras, se não, não havia cidade”, afirmou.
(fonte: Lusa)
Ele, de volta
24 Março 2009, 22:13 · Mariana Vieira da Silva
Leonard Cohen regressa a Lisboa, dia 30 de Julho. Para quem passou várias semanas a ouvir o concerto no Beacon Theatre, que o all songs considered da NPR disponibilizou em podcast, começa agora a contagem decrescente. À espera, confesso, que na mala não falte isto.
avisos que não cabem no twitter
25 Fevereiro 2009, 13:09 · Mariana Vieira da Silva
Paul krugman, aqui: “And my sinking feeling that the administration plan is to rearrange the deck chairs and hope the iceberg melts just keeps getting stronger”
Rochemback e o CM (ou o Sporting sem Tó Madeira)
23 Fevereiro 2009, 0:23 · Mariana Vieira da Silva
Tudo o que vale a pena saber sobre o derby de sábado, no sítio do costume:
“Aliás, o debate sobre os laterais-direitos do Sporting devia acabar antes de ter tempo de ganhar importância. Há pessoas que continuam a perguntar em voz alta se Pedro Silva é pior que Abel - uma linha de inquérito que faz tanto sentido como tentar saber se o Pol Pot era mais mauzinho que o Estaline. Numa sociedade civilizada, a posição humanista e liberal é decidir que são ambos monstros genocidas, e emprestar os dois ao Trofense” , pelo Rogério Casanova.
Requiem de Rabbit
4 Fevereiro 2009, 13:53 · Mariana Vieira da Silva
Enquanto acumulo recortes de depoimentos e obituários de John Updike para digerir quando acabar a série Rabbit (alguma coisa me faz resistir a aceitar a morte do autor no meio da minha leitura), o New York Times publicou Requiem, pela mão do próprio.
Deve ser o situacionismo
4 Fevereiro 2009, 12:59 · Mariana Vieira da Silva
No final da semana passada, em pleno pico mediático do caso Freeport, foi noticiado um abaixo-assinado de alguns juízes alegando a possibilidade de acesso de funcionários do Ministério da Justiça a processos judiciais através de uma plataforma informática. Esta notícia, apesar de desmentida pelo Ministério da Justiça, foi amplamente divulgada em todos os jornais, rádios e televisões, com direito a manchete em alguns jornais. Sempre, claro está, devidamente associada ao caso Freeport, ignorando a informação de que a referida plataforma não se aplica ao processo penal e à investigação criminal.
Ontem, o Conselho Superior de Magistratura esclareceu em comunicado que nada indicia a hipótese de haver intromissão na independência dos juízes que utilizam o referido programa informático. Como encontrar esta notícia não é fácil, porque milagrosamente o assunto perdeu interesse, fica aqui.
(não) tente isto em casa
3 Fevereiro 2009, 1:33 · Mariana Vieira da Silva
O Pedro Adão e Silva explica como pode ser (assustadoramente) simples desenvolver uma campanha negra. Vão lá ler:
Nova economia
30 Janeiro 2009, 15:47 · Mariana Vieira da Silva
O Presidente da República acaba de fazer um discurso no congresso das IPSS, onde afirmou que a dissolução da família e a nova lei do divórcio são dois dos factores que mais contribuem para o surgimento de novas formas de pobreza.
Isto é uma boa notícia, porque ao contrário das estratégias assentes no investimento público e na criação e manutenção do emprego, o fim dos divórcios é uma solução barata e que não afecta o défice. E talvez até tenha a concordância do PSD.
Não aprender
29 Janeiro 2009, 22:00 · Mariana Vieira da Silva
Nos primeiros dias de 2004, um diário publicou uma manchete associando diversos nomes de personalidades públicas (entre os quais o Presidente da República de então) ao processo Casa Pia. Já antes disso e durante os meses seguintes pulularam as listas e os álbuns, as escutas, as bocas e as insinuações. Câmaras estiveram montadas à porta de casa de algumas destas pessoas, jornalistas andavam num corropio em corredores; todos tinham uma informação que mais ninguém tinha. Todos tinhas as fontes e as certezas.
Nada disto é novo, e tudo serve apenas para lembrar o muito que se disse sobre o que o país ia aprender com o processo Casa Pia, sobre os erros que não se cometeriam mais, sobre tudo o que ia mudar em matérias relacionadas com o segredo de justiça.
Não se vê nada de novo, nada de muito diferente. Vê-se o mesmo vazio transformado em manchete, com os mesmos títulos insidiosos, assinados pelos mesmos jornalistas. Vê-se a comunicação social a transmitir buscas quase em directo.
Passaram 5 anos e parece que não aprendemos grande coisa. Talvez para a próxima.








