My case today is a simple one

26 Outubro 2009, 23:32 · Patrícia Cadeiras

O Tratado de Lisboa ainda está no congelador checo, o Serviço Europeu de Acção Externa é apenas uma miragem, mas parece-me que já temos candidato a MNE europeu. E dos bons.

Agora, diria eu, só falta encontrar uma mulher, de direita, para o cargo de Presidente permanente do Conselho Europeu.

Não sei se convence os súbditos de Isabel II, mas é um grande discurso e cita Thatcher em fase europeísta, numa brilhante piscadela de olho ao MNE-sombra William Hague: 

http://www.fco.gov.uk/en/news/latest-news/?view=Speech&id=21089158

A queda dum anjo

15 Abril 2009, 13:24 · Patrícia Cadeiras

Se o Dr. Rangel é conhecido ou não não nos deveria preocupar muito, até porque depois do porta-a-porta, ficá-lo-á com certeza.

O que me preocupa mesmo é evitar que assistamos a mais uma queda dum anjo. Será que Paulo Artur dos Santos Castro de Campos Rangel, à semelhança de Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda, ao tornar-se eurodeputado, também se deixará corromper pelos prazeres e luxos da metrópole europeia?

Já cheira a best-seller em Bruxelas, capaz de destronar o ‘Eu abaixo-assinado’ de João de Deus Pinheiro.

 

Mitologia europeia

13 Abril 2009, 17:12 · Patrícia Cadeiras

Ainda sobre o apoio à candidatura de Durão Barroso para a Presidência da Comissão.
Por razões totalmente europeístas, sou da opinião que o PSE deveria ter um candidato próprio para presidir à Comissão. Por mais tecnocrata que seja a Comissão, não é indiferente às escolhas políticas e de sociedade que se apresentam sempre, que o seu Presidente seja de esquerda ou de direita. E, sinceramente, acho triste que a esquerda europeia não consiga arranjar um nome à altura de Barroso para presidir ao iniciador da legislação europeia, até porque se quisermos que um dia as eleições europeias deixem de ser eleições nacionais, uma das formas de o conseguir é saber em que candidato estamos a votar, à semelhança do que fazemos nas legislativas para escolher um Primeiro Ministro. Mas nada posso fazer além de lamentar o facto ou regozijar-me patrioticamente por Barroso ser um candidato consensual.
No entanto, acho importante desfazer um mito criado em 2004 por Hans-Gert Pöttering, ainda antes das eleições europeias. O mito de que o Presidente da Comissão deveria emanar do partido europeu mais votado. Criou-o porque os Socialistas, na altura, deixaram que se criasse. E vetou Vitorino com base nesse mito. E agora reincide no mito. Já voltou a dizer que, como é o Tratado de Nice que se aplica a estas eleições europeias, ça va de soi que o futuro Presidente da Comissão terá que vir da família política mais votada. Vão lá ler o Tratado de Nice para ver se encontram alguma coisa acerca de partidos políticos e Presidência da Comissão. Nada. O candidato à Presidência da Comissão só tem que conseguir plasmar o apoio de uma maioria no Parlamento Europeu. Esse candidato até pode ser Durão Barroso, o consensual. Ou poderia ser Juncker, ou Blair, ou Chirac. Ou Persson, ou González, ou Vitorino.

Mas já é tempo de mandar calar Pöttering e acabar com o mito.

 

IVG II

7 Abril 2009, 16:18 · Patrícia Cadeiras

Por falar em conservadorismo e aborto, ou a arte do ridículo.

Santa remodelación

7 Abril 2009, 16:08 · Patrícia Cadeiras

O Governo de Zapatero só completa 1 ano no próximo dia 11 e já leva duas remodelações. A primeira nasceu de uma caçada mal amanhada do Ministro da Justiça com o Juiz Garzón, em plena crise de espionagem na Comunidade de Madrid.

Esta segunda tem lugar na ’semana santa’, em que muitos espanhóis se refugiam nos seus pueblos campestres e marítimos. O objectivo, diz Zapatero, é combater a crise e preparar a recuperação. Se era para dar um novo alento, não se percebe a escolha do timing. Mas o senhor lá veio a voar de Istambul às quatro da manhã, depois de se ter encontrado com o seu novo amigo Obama (é curioso ver como a comunicação social espanhola alimenta a sua aura internacional, ele que não fala nenhuma outra língua, além do castelhano), para anunciar uma remodelação em parte já passada para os media.

Sai Solbes, que tinha confidenciado numa conferência de imprensa ter inveja do ex-Ministro da Justiça, exactamente porque era ex-Ministro, entra para o seu lugar a antiga Ministra da Administração Pública, uma espécie de esfinge burguesa próxima do Ministro do Interior. E entram também dois pesos pesados do PSOE: José Blanco, vice-SG do PSOE, e Manuel Chaves, ex-Presidente da Andaluzia, para quem é criada uma terceira vice-presidência.

Uma coisa é certa: ZPT voltou a fazer bem as contas no que toca a paridade. 9/9, contando com o Chefe do Executivo.

Foggia - Carreira 24

5 Abril 2009, 18:08 · Patrícia Cadeiras

Carta aberta ao Engº António Guterres

Os imigrantes de Foggia, em Itália, na sua maioria vindos da África subsariana, em busca do paraíso europeu, têm agora uma carreira criada só para eles pelo chefe da polícia local. Na sequência de distúrbios dentro dos autocarros, e porque nestas coisas de imigração, o melhor é mesmo prevenir, a carreira 24 que leva ao centro da cidade, tem agora autocarros para brancos e autocarros para pretos. Estes últimos até têm uma paragem nova junto ao Centro de Permanência para Imigrantes requerentes de Asilo, o que permitirá aos imigrantes encurtar o percurso que antes tinham que fazer a pé.

Imagino que ser Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados implique muito mais do que saber o que se passa nesses milhares de campos de refugiados espalhados pelo mundo, responsabilizar-se pelas pessoas que aí vivem e pelo que fazem os seus funcionários. Mas mesmo assim não percebo como podem funcionários do ACNUR italiano considerar que esta é uma boa medida, não discriminatória, que permite evitar tensões, pois garante transporte público para todos.

Se isto não é apartheid, em plena Europa, não sei o que chamar-lhe. Espero, sinceramente, Senhor Engº, que apareça rapidamente uma Rosa Parks para acabar com esta prevenção.

 

¡ OPORTUNIDADE ÚNICA - Portugall 15 € - NÃO PERCA !

20 Fevereiro 2009, 18:16 · Patrícia Cadeiras

Lembram-se da celeuma que deu quando uns autocarros transportaram pessoas para um comício?

Vejam este refinar galego da coisa, com Portugal como chamariz.   

Enquanto há Esperança

15 Fevereiro 2009, 20:26 · Patrícia Cadeiras

Espanhóis e Portugueses serão sem dúvida muito diferentes ao olhar do sociólogo, do politólogo, do astrólogo, mas nada como um bom escândalo político para desafiar a crise. E quanto maior e emaranhado o novelo, melhor. Aqui não há arguidos, há presuntos. E, como não poderia deixar de ser, fortes indícios. Madrid, Janeiro de 2009. Denúncia jornalística. Partido político. Eleições regionais à porta. Dirigentes incómodos. Escutas, suspeitas de corrupção, esquema de segurança/espionagem paralelo. Uma mala contendo documentos, cassetes, DVDs e dinheiro em paradeiro incerto. Um juiz internacionalmente conhecido, valente da direita ontem por atacar o PSOE de González com os GAL, vilão hoje por estar a montar uma cabala contra o PP.

Mais uma novela da vida real. Não tendo como pegar em jornais portugueses aqui (acreditam que não há como comprar um jornal português em Madrid? Quando alguém em escala a caminho de Lisboa me pediu que arranjasse o expresso, pensei que se tratava de um autocarro), e já perdida no novelo da internet, decidi dedicar-me ao escândalo da Comunidade de Madrid. Andei agarrada alguns dias; confesso que também já desisti.

E de repente lembrei-me da crise. E, triste associação de ideias, lembrei-me do filme “Tout va très bien Madame la Marquise”, dos anos 30. E não é que a protagonista se assemelha em muito a Esperanza Aguirre, a sobrevivente da política espanhola (a mesma que veio descalça de Bombaim sob o terror e que escapou ilesa, com Rajoy, a um acidente de helicóptero em 2005)?

Não perca o próximo episódio da sua novela alternativa. E enquanto espera, aqui fica mais um jogo para se ir entretendo: descubra as semelhanças.