Tragicomédia numa noite de verão

3 Julho 2009, 19:13 · André Salgado

Dois pesos e duas medidas

3 Julho 2009, 18:57 · Tiago Antunes

Pedro Correia apelida-me de primo ballerino e acusa-me de ter usado doces eufemismos a propósito dos corninhos de Manuel Pinho.

Ora, quanto à primeira parte, confesso que não percebo nada de ballet, mas julgo que se trate de um elogio; quanto à segunda parte, confesso que não percebo nada de touradas nem de encornanços, mas se o objectivo é pôr-me a dizer que a atitude de Manuel Pinho foi feia, deselegante, condenável, desadequada ou imprópria (particularmente em atenção à instituição em que se encontrava) e, portanto, merecedora de censura, não tenho problema nenhum em dizê-lo: efectivamente foi.

Como também o foi, by the way, esta atitude; ou este incidente, relativamente ao qual não vi tamanha indignação na blogosfera, particularmente numa certa blogosfera. Incidente esse, já agora, que Paulo Rangel considerou sanado com um mero pedido de desculpas (que nem sequer abrangeu o visado pelo impropério), sem exigir que fossem retiradas as devidas consequências… Enfim, dois pesos e duas medidas. E depois sou eu que sou eufemístico!

Pinho, o «seguro de vida» de Rangel

2 Julho 2009, 23:59 · Tiago Antunes

aqui tinha salientado como, durante a campanha para as Europeias, uma intervenção menos feliz do ministro Manuel Pinho acabou por beneficiar objectivamente Paulo Rangel, permitindo-lhe disfarçar um erro grave, distrair as atenções e, assim, esconder a sua impreparação política.

A história repetiu-se hoje. Um gesto imponderado de Manuel Pinho acabou por abafar a péssima prestação de Paulo Rangel no debate sobre o Estado da Nação, particularmente a birra com Jaime Gama e o início hiper-narcisista do seu discurso.

Paulo Rangel deve estar tristíssimo: a partir de hoje, perdeu o seu «seguro de vida»…

www.voltaraopassado.com a política de verdade

2 Julho 2009, 21:04 · André Salgado

Do insólito na arena política

2 Julho 2009, 21:03 · André Salgado

Sócrates esteve à altura. Fez o que devia ser feito. A oposição, procurando espremer dividendos políticos de um gesto pessoal muito infeliz, portou-se como um grupo de forcados que foi para a tasca contar façanhas depois de se ter baldado à arena.

A contradição por detrás do «abalozinho»

2 Julho 2009, 12:57 · Tiago Antunes

Falar de «abalozinho» a propósito da crise mundial que estamos a viver é, por si só, uma contradição. Uma contradição com a realidade. Com a política de verdade que a dra. Manuela Ferreira Leite afirma prosseguir.

 

Mas, ao reler aqui esse trecho da entrevista, recordei-me de algo que já na altura me tinha chamado a atenção: a contradição por detrás do «abalozinho». É que, confrontada pela Ana Lourenço com a infeliz expressão que tinha acabado de usar, Manuela Ferreira Leite mete os pés pelas mãos e acaba por contradizer o argumento que tinha acabado de sustentar. Senão, vejamos.

 

Manuela Ferreira Leite estava a defender a ideia de que a consolidação orçamental operada pelo actual Governo era meramente aparente e não sustentada. Tanto que, segundo a própria, «veio um abalozinho de terra e desmoronou-se». Mas, quando questionada se era mesmo de um «abalozinho» que se tratava, Manuela Ferreira Leite - visivelmente atrapalhada - responde: «é um abalozinho relativamente àquilo que poderia ter sido caso não estivessem as contas feitas… construídas doutra forma…». Isto é, se as contas públicas não tivessem sido postas na ordem e não estivessem consolidadas, teria sido um abanão. Mas, como as contas públicas entretanto estavam controladas, foi apenas um «abalozinho».

 

Em suma, fugiu-lhe a boca para a verdade (esta sim, a verdade). Pretendendo criticar o Governo por uma meramente cosmética consolidação orçamental, Manuela Ferreira Leite acaba por confessar que se não fosse a consolidação orçamental operada por este Governo (consolidação que ela própria reconheceu, nesta mesma entrevista, não ter conseguido fazer enquanto Ministra das Finanças) é que teriam sido elas…

 

Portanto, se de um mero «abalozinho» se tratou, temos de o agradecer ao bom trabalho deste Governo. Não é, dra. Manela?

Retratos do Verão

1 Julho 2009, 17:55 · André Salgado

In memoriam

30 Junho 2009, 15:48 · Tiago Antunes

Faleceu a diva do Tanztheater Wuppertal. Depois do criador da moonwalk, outro génio que parte…

Dia 2 Julho - António Costa conversa com as redes sociais

30 Junho 2009, 12:40 · Hugo Costa

No dia 2 de Julho (Sala do Arquivo nos Paços do Concelho da CML), pelas 18 horas António Costa vai interagir e conversar com as redes sociais (twitters, bloggers, etc) fazendo o balanço do mandato.  

Esta é una iniciativa meritória que demonstra um grau de abertura à participação democrática que deve ser saudada.

Eu estarei presente, espero que sigam o meu exemplo de não perder a oportunidade inovadora de comunicar e discutir estratégias para capital com o actual Presidente de Câmara e colocar as mesmas na democracia virtual em directo. Questionar o presente e ouvir respostas para o futuro é o desafio.

Os cínicos, os crédulos e a participação

29 Junho 2009, 0:02 · Mariana Vieira da Silva

Robert Reich escreve aqui um post daqueles que farão os fãs da política americana vestir a pele de Tocqueville e suspirar um “aquilo é que é uma democracia”. Secretary of Labour de Bill Clinton, Reich deixa aos cínicos e aos admiradores um recado sobre Obama e a sua política. E porque este é, por cá, tempo de eleições, de discutir os programas e as políticas, fica para o day-after:

«People who voted for Barack Obama tend to fall into one of two camps: Trusters, who believe he’s a good man with the right values and he’s doing everything he can; and cynics, who have become disillusioned with his bailouts of Wall Street, flimsy proposals for taming the Street, willingness to give away 85 percent of cap-and-trade pollution permits, seeming reversals on eavesdropping and torture, and squishiness on a public option for health care.

In my view, both positions are wrong. A new president — even one as talented and well-motivated as Obama — can’t get a thing done in Washington unless the public is actively behind him. As FDR said in the reelection campaign of 1936 when a lady insisted that if she were to vote for him he must commit to a long list of objectives, “Maam, I want to do those things, but you must make me.”

We must make Obama do the right things. Email, write, and phone the White House. Do the same with your members of Congress. Round up others to do so. Also: Find friends and family members in red states who agree with you, and get them fired up to do the same. For example, if you happen to have a good friend or family member in Montana, you might ask him or her to write Max Baucus and tell him they want a public option included in any healthcare bill.»

Black and white

26 Junho 2009, 12:37 · Mariana Trigo Pereira

Quando andava na 2ª classe em Inglaterra tinha diariamente uma encontro marcado com todos os alunos e o director da escola. Entrávamos ordeira e pontualmente no ginásio às 3 da tarde - the Assembley - era assim que lhe chamavam. Falávamos sobre assuntos importantes para a escola e para os alunos, havia um momento de oração (protestantes, católicos, sikhs, hindus, muçulmanos e eu sem saber muito bem o que fazer…) e os alunos por vezes organizavam-se para fazer apresentações ou actuações artísticas. Para além disso havia também um momento de música em que uma professora se sentava ao piano e os alunos cantavam músicas cujas letras eram projectadas na parede através de um acetato. Só me lembro de duas dessas músicas, que cantámos vezes sem conta: We are the World e Black and White.

A Mariana já se antecipou e pôs o video aqui ao lado.

Intrigas de Cavaco

26 Junho 2009, 7:45 · Hugo Costa

Cavaco Silva com estas afirmações passou as suas competências. Agora já mete-se nas empresas? Lamentável que um Presidente perca o seu dia em intrigas. Intrigas para defender o partido que o elegeu. Ou não foi para defender a Sra. Manuela?

A ver e ouvir ali ao lado

26 Junho 2009, 1:19 · Mariana Vieira da Silva

Para acompanhar os dias que se seguirão, cheios de relatos de uma vida de que sabemos pouco (por enquanto a CNN explica detalhadamente o cardiac arrest).

Michael Jackson, Black or White.

Eu tenho dois amores

24 Junho 2009, 23:11 · Tiago Antunes

Manuela Ferreira Leite trocou a obsessão do défice pela obsessão do endividamento.

O PS e o controlo da TVI: toda a fama, nenhum proveito

24 Junho 2009, 23:07 · Tiago Antunes

Quando a PRISA decidiu comprar a TVI, aqui-del-Rei, que era uma espécie de OPA do PS sobre a TVI. Viu-se! Aliás, basta assistir ao telejornal da TVI, particularmente à sexta, para verificar como essa tese era falsa.

 

Agora, que a PT aparentemente irá comprar uma parte da TVI à PRISA, lá volta o mesmo filme. Mas tudo indica que não passa de um filme de ficção científica, sem qualquer aderência à realidade. Ou melhor, de um romance quixotesco, em que umas quantas mentes imaginosas se deleitam a investir contra moinhos de vento…

MFL em entrevista: a forma

24 Junho 2009, 22:52 · Tiago Antunes

Repararam como as «piquenas e médias empresas» já passaram a «pequenas e médias empresas»? Será que MFL anda a ter sessões de terapia da fala?

 

Repararam como MFL mistura, indiferenciadamente, o singular e o plural na mesma frase?

MFL em entrevista: o apelo

24 Junho 2009, 22:48 · Tiago Antunes

«Se não quiserem mais um Governo do Eng. Sócrates, não dispersem o voto, votem no PSD», diz Manuela Ferreira Leite.

 

O PSD, portanto, só se afirma pela negativa, como mal menor. MFL não quer que votem no PSD pelo PSD, mas apenas por exclusão de partes.

 

É pouco. Muito pouco…

MFL em entrevista: a impreparação

24 Junho 2009, 22:45 · Tiago Antunes

«Se eu quiser montar um café, faço-o sem pedir autorização a ninguém», diz Manuela Ferreira Leite. Ora, a bem da saúde pública e da segurança alimentar, não é assim. MFL tinha obrigação de saber que a instalação de estabelecimentos de restauração e bebidas está sujeita a um procedimento de licenciamento (nos termos do DL 234/2007).

 

Os grandes investimentos não servem para as pequenas e médias empresas, considera Manuela Ferreira Leite. Nunca ninguém lhe explicou, certamente, o fenómeno da sub-contratação. MFL tinha obrigação de saber que todas as obras públicas (e particularmente as de grande dimensão) são executadas mediante o envolvimento de inúmeros pequenos sub-empreiteiros.

MFL em entrevista: as aldrabices

24 Junho 2009, 22:37 · Tiago Antunes

«Demitir-se ou não é uma decisão pessoal. Não julgo ninguém», diz Manuela Ferreira Leite. No entanto, no Verão passado, um dos seus primeiros actos como líder do PSD foi exigir - por comunicado! - a demissão do Ministro da Administração Interna.

 

(sobre o TGV): «com Espanha acordou-se apenas fazer os estudos», diz Manuela Ferreira Leite. No entanto, sabe bem que não é assim. E a prová-lo está a Resolução do Conselho de Ministros n.º 83/2004, aprovada por um Governo de que MFL era Ministra de Estado e das Finanças, cujo n.º 2 prevê, não apenas 5 linhas - cinco! - de alta velocidade, como define para cada uma delas um horizonte temporal muito preciso (uma dessas linhas, aliás, era suposto estar concluída este ano, em 2009).

MFL em entrevista: as frases

24 Junho 2009, 22:22 · Tiago Antunes

«Não resolvi o problema das contas públicas»

 

«Esta crise foi um abalozinho»

 

«Não sou maluquinha dos comboios»

Os 28

23 Junho 2009, 17:57 · André Salgado

Climate Change fantasies

22 Junho 2009, 15:59 · Tiago Antunes

(…) The point is that we need to be clear about who are the realists and who are the fantasists here. The realists are actually the climate activists, who understand that if you give people in a market economy the right incentives they will make big changes in their energy use and environmental impact. The fantasists are the burn-baby-burn crowd who hate the idea of using government for good, and therefore insist that doing the right thing is economically impossible.

 

Paul Krugman, aqui.

Uma vergonha que pode custar muito ao país

20 Junho 2009, 11:41 · Hugo Costa

Intromissão grave do PCP na Autoeuropa.

A ser verdade, o PCP acabou de dar uma grande facada na economia portuguesa. O PCP lança pessoas para o desemprego.

É esta a esquerda ortodoxa que temos?

Sinais verdes

19 Junho 2009, 18:55 · Miguel Cabrita

Irão-Coreia do Sul numa obscura - mas global - Taça das Confederações. O resultado pouco importou.

Colocar questões incómodas, saber ouvir as respostas

19 Junho 2009, 18:49 · Miguel Cabrita

A entrevista que Ana Lourenço fez a José Sócrates tem suscitado comentários curiosos, porque teria sido demasiado cordial. Aparentemente, há quem prefira o estilo Moura Guedes, em que os convidados são tratados discricionariamente conforme a aprovação ou simpatia que suscitam ou não à “jornalista”; e ou se submetem a uma abordagem tantas vezes inaceitável ou a “interacção” descamba num ápice para um combate de boxe em que o animal mais feroz e que acirra os ânimos é sempre o “entrevistador”.

Não é difícil perceber as razões dessas preferências. Mas é legítimo que nos interroguemos sobre o que se diria se as simpatias e antipatias, evidentes mesmo que não explícitas, de alguns órgãos de comunicação social fossem, em vez destas, outras. E que nos interroguemos também sobre os efeitos que este contexto mediático está a ter na qualidade dos media e da democracia.

Na entrevista a Sócrates que eu vi, a jornalista levantou os temas incómodos que tinha a levantar, interrompeu quando teve que interromper, e até terminou, já sem direito a resposta, com uma biografia do primeiro-ministro que salientava bem mais vários dos pontos do seu percurso que têm suscitado comentários ou interrogações. Mas, pelo meio disto tudo, ouviu as respostas de quem entrevistava. Dir-se-á que se limitou a ser uma boa profissional (além de tratar com educação quem convidou); mas nos tempos que correm, como se vê, isso faz toda a diferença.

P.S. Concordando-se ou não com todos os pontos da análise, vale a pena ler este texto de João Lopes, que não poderá ser acusado de parcialidade.

Uma última e justa homenagem a Carlos Candal

19 Junho 2009, 13:30 · Hugo Costa

Energias Renováveis, um “disparate”…

18 Junho 2009, 20:14 · Tiago Antunes

Mira Amaral acusou hoje o Governo de criar falsas ilusões ao apresentar as renováveis como a resposta para todos os problemas, considerando “um disparate” projectos como a central solar da Amareleja.

 

Está-se mesmo a ver que tem toda a razão.

Afinal de contas, as energias renováveis não ajudam a reduzir a nossa dependência energética do exterior e a pesada factura que suportamos com a importação de combustíveis fósseis.

As energias renováveis não tiram partido de recursos naturais endógenos, de que dispomos com fartura (por oposição ao petróleo e ao gás natural, de que não dispomos – pelo menos por enquanto!) e que, de outra forma, seriam desperdiçados.

As energias renováveis não permitem reduzir as emissões de CO2 e, com isso, evitar os efeitos nefastos das alterações climáticas, bem como evitar que, para cumprir Quioto, tenhamos de gastar balúrdios na aquisição de créditos de emissão de gases com efeito de estufa.

A aposta nas energias renováveis não cria empregos qualificados e know-how tecnológico em áreas de vanguarda, rápido crescimento e grande valor acrescentado.

Enfim, um óbvio erro estratégico. Coisa de gente sem visão!

Um Portugal da Verdade, meu deus…

18 Junho 2009, 19:12 · André Salgado

Depois de fazer gáudio em campanha com o desrespeito político das “candidatas fantasma” Ana Gomes e Elisa Ferreira, que, diga-se, apresentaram-se ao eleitorado dizendo de forma transparente ao que vinham, o dr. Paulo Rangel, o novo prodígio da política portuguesa, apenas uma semana depois de encabeçar a lista do PSD às europeias, já admite deixar o parlamento europeu para fazer parte de um eventual executivo laranja.

Pois é. A vida é como ela é.

O Portugal da Verdade não resiste ao cheiro a poder e tem um prazo de validade muito curto.

5 Pequenas notas sobre a moção de censura de ontem

18 Junho 2009, 18:16 · Hugo Costa

1 – A moção de censura não tinha sentido. Mesmo que tivesse sido aprovada (não sei como) não teria qualquer efeito. Estamos a 3 meses de eleições legislativas, e essas é que são a verdadeira moção de confiança ou censura a qualquer governo;

2 – O CDS apenas procurou aparecer e ter tempo de antena;

3 – O PSD mostrou ser um partido irresponsável. Como o próprio Marcelo Rebelo de Sousa alertou o PSD não pode brincar às moções de censura. O PSD foi o partido que teve a atitude mais irresponsável e incompressível neste debate;

4 – O PSD falava como já tivesse ganho as eleições. Em política é importante saber ganhar e não deixar a arrogância contagiar os discursos;

5 – O CDS teve um bom resultado nas Europeias. Mas falar tanto que estava mandatado pelo resultado que teve para a moção de censura já é duvidoso. O CDS ficou em 5º e não chegou aos 9% de votos. Ou não é verdade?.

PSD: o partido do NÃO

18 Junho 2009, 17:01 · Tiago Antunes

Qual é a solução que Manuela Ferreira Leite - já alcandorada por alguns a proto-Primeira-Ministra - tem para o país?

- Não ao investimento público.

- Não ao aumento do salário mínimo

E porquê?

- Porque o país, nas suas palavras, “não tem dinheiro para nada”.

Em suma: não, não, não e mais não. O PSD e Manuela Ferreira Leite só se afirmam pela negativa. Só nos falam daquilo que não fariam e nunca daquilo que fariam.

Porquê? Porque eles próprios não sabem. São um deserto de ideias. Para além de uns chavões gastos como “não desista” e “nunca baixamos os braços”, não têm a menor ideia do que querem para o país ou do que fariam de diferente.

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