My case today is a simple one

26 Outubro 2009, 23:32 · Patrícia Cadeiras

O Tratado de Lisboa ainda está no congelador checo, o Serviço Europeu de Acção Externa é apenas uma miragem, mas parece-me que já temos candidato a MNE europeu. E dos bons.

Agora, diria eu, só falta encontrar uma mulher, de direita, para o cargo de Presidente permanente do Conselho Europeu.

Não sei se convence os súbditos de Isabel II, mas é um grande discurso e cita Thatcher em fase europeísta, numa brilhante piscadela de olho ao MNE-sombra William Hague: 

http://www.fco.gov.uk/en/news/latest-news/?view=Speech&id=21089158

Será que ainda ri?

9 Outubro 2009, 16:17 · Miguel Cabrita

Depois da decisão do tribunal constitucional italiano, Berlusconi terá muito menos motivos para sorrir. Independentemente do que se seguir, esta foi uma notícia excelente -e muito importante - para a Itália e para a democracia. O que, convenhamos, tem sido uma combinação rara.

Dá que pensar

19 Agosto 2009, 12:47 · Mariana Trigo Pereira

que há por aí muita gente perturbada à espera de pretextos para sair das tocas.

Climate Change fantasies

22 Junho 2009, 15:59 · Tiago Antunes

(…) The point is that we need to be clear about who are the realists and who are the fantasists here. The realists are actually the climate activists, who understand that if you give people in a market economy the right incentives they will make big changes in their energy use and environmental impact. The fantasists are the burn-baby-burn crowd who hate the idea of using government for good, and therefore insist that doing the right thing is economically impossible.

 

Paul Krugman, aqui.

Sinais verdes

19 Junho 2009, 18:55 · Miguel Cabrita

Irão-Coreia do Sul numa obscura - mas global - Taça das Confederações. O resultado pouco importou.

A Europa (pouco se ouviu falar dela nesta noite de e salta, rangel; e salta rangel)

8 Junho 2009, 3:11 · Mariana Vieira da Silva

Em plena crise económica as eleições europeias têm, um pouco por toda a União, um resultado: ganha a direita, cresce a extrema direita e a extrema esquerda, crescem os partidos anti-europeístas. E se a vitória da direita faz desta uma noite triste pelas bandas deste blog, um olhar atento pelo mapa dos resultados, devia deixar-nos a todos muito preocupados.

A extrema direita cresce por  toda a Europa, com especial significado na Austria (onde a extrema direita alcança os 18%), Hungria (com dois deputados da extrema direita eleitos), Filândia (com um anti-europeista eleito) e Holanda (com os 17% dos votos de um partido anti imigração).

No novo parlamento europeu, como se pode ver aqui, o “outros” é o terceiro “grupo parlamentar” com mais deputados. Quem são os outros? Que contributo darão para governabilidade da Europa?

Esta não foi uma boa noite; e a vitória do PSD nas Europeias apenas começa a explicar porquê.

Notícias de tirar o sono

8 Junho 2009, 2:24 · Mariana Vieira da Silva

Europe’s mainstream centre-left parties suffered humiliation last night when four days of voting in the EU’s biggest-ever election concluded with disastrous results for social democrats.

Results from the national rounds of the European parliament election across the 27 member states also showed support for centre-right Christian democrats diminishing in places, but nonetheless notching up handsome victories in several key states.

In Germany, France, Italy, Spain, Poland, Austria, Bulgaria, Hungary and the Czech Republic, the centre right won the elections, with stunning defeats for the left in certain cases.

In the EU’s biggest country, Germany, returning 99 of the parliament’s 736 seats, the Social Democrats (SPD), the junior partner in Chancellor Angela Merkel’s grand coalition, sunk to an all-time low, with 21% of the vote.

(aqui)

Não tenho a certeza que a Coreia do Norte não seja uma democracia

3 Junho 2009, 10:34 · Rui Branco

“When the Europeans probably follow suit…” - importa-se de repetir?

1 Junho 2009, 17:06 · Tiago Antunes

O americano médio tem o terrível hábito de achar que tudo começa e acaba nos Estados Unidos. Paul Krugman está longe - muito longe - de ser um americano médio. E, no entanto, proferiu recentemente esta afirmação:

«Legislation that will establish a capping grade system for greenhouse gases’ emissions is moving forward,” he said, referring to the US Congress.

«When the Europeans probably follow suit, and the Japanese, and negotiations begin with developing countries to work them into the system, that will provide enormous incentive for businesses to start investing and prepare for the new regime on emissions… But that’s a hope, that’s not a certainty»

When the Europeans probably follow suit??? Mas em que mundo é que este Nobel vive?!

Sotomayor a caminho do SCOTUS

26 Maio 2009, 16:58 · Tiago Antunes

Obama descreveu-a como “an inspiring woman”. Claro que a direita conservadora já está ao ataque. Mas com uma maioria de 60 no Senado (e não esquecer que, em 1998, sete dos actuais senadores republicanos já votaram favoravelmente a confirmação desta mesma juíza para o segundo circuito federal), a confirmação está praticamente garantida.

Aqui está um bom exemplo de “change we can believe in” e que terá consequências práticas importantes a médio/longo prazo. Para contrabalançar os Scalia, Thomas, Roberts, Alito e alike…

Era exactamente isto que eu tinha medo com o Obama: healthcare cave-in (e se isto não se resolver esperemos que o resto valha a puta de uma missa). A palavra a Robert Reich

19 Maio 2009, 10:31 · Rui Branco

The Health Care Cave-In

“Don’t make the perfect the enemy of the better” is a favorite slogan in Washington because compromise is necessary to get anything done. But the way things are going with health care, a better admonition would be: “Don’t give away the store.”

Many experts have long agreed that a so-called “single-payer” plan is the ideal, because competition among private insurers who pay health-care bills inevitably causes them to spend big bucks trying to find and market policies to healthy and younger people at relatively low risk of health problems while avoiding sicker and older people with higher risks (and rejecting those with pre-existing conditions altogether), and also contesting and litigating many claims. A single payer saves all this money and focuses on caring for sick people and preventing the healthy from becoming sick. The other advantage of a single payer is it can use its vast bargaining power to negotiate lower prices from pharmaceutical companies, hospitals, and suppliers.

Not surprisingly, insurance and drug companies have been dead-set against a single payer for years. And they’ve so frightened the public into thinking that “single payer” means loss of choice of doctor (that’s wrong — many single payer plans in other nations allow choices of medical deliverers) that politicians no longer even mention it.

On the campaign trail, Barack Obama pushed a compromise — a universal health plan that would include a “public insurance option” resembling Medicare, which individual members of the public and their families could choose if they wished. This Medicare-like option would at least be able to negotiate low rates and impose some discipline on private insurers.

But now the Medicare-like option is being taken off the table. Insurance and drug companies have thrown their weight around the Senate. And, sadly, the White House — eager to get a bill enacted in 2009 rather than risk it during the mid-term election year of 2010 — is signaling it’s open to other approaches. What other approaches? One would create a public insurance plan run by multiple regional third-party administrators. In other words, the putative “public plan” would be broken into little pieces, none of which could exert much bargaining leverage on Big Pharma and Big Insurance. These pieces would also be so decentralized that the drug companies and private insurers could easily bully (or bribe) regional third-party administrators.

Another approach now being considered in the Senate would have states create their own insurance plans. That’s even worse: Big Pharma and Big Insurance are used to buying off state legislators and officials. They’d just continue their current practices.

A third option is to create a public plan that pays for itself and, according to the office of Senator Charles Schumer, who came up with it, “adheres to private-insurance rules.” But adhering to private insurance rules is exactly what the public plan is not supposed to do. How can it possibly discipline private insurers and get good deals from drug companies and medical providers if it adheres to the same rules that private insurers have wangled?

It’s still possible that the House could come up with a real Medicare-like public option and that Senate Dems could pass it under a reconciliation bill needing just 51 votes. But it won’t happen without a great deal of pressure from the White House and the public. Big Pharma, Big Insurance, and the rest of Big Med are pushing hard in the opposite direction. And Democrats are now giving away the store. As things are now going, we’ll end up with a universal health-care bill this year that politicians, including our President, will claim as a big step forward when it’s really a step sideways.

Robert Reich, no seu blog e no Talking Points Memo

Religião, direitos humanos e liberdade de expressão

14 Abril 2009, 18:35 · Miguel Cabrita

Ainda há pouco, foi noticiada a oposição turca à nomeação do primeiro-ministro dinamarquês para a NATO por causa da “crise dos cartoons”.

Também por estes dias, passou quase despercebida a resolução recentemente aprovada por larga maioria no Comité de Direitos Humanos da ONU, (ver o texto completo aqui), condenando a “difamação”, ou calúnia, da religião (”religious defamation”) - que pode não ser mais do que uma forma habilidosa de dizer “blasfémia”.

O “clima anti-islâmico” pós-11 de Setembro, explicitamente referido, acaba por ser o pretexto ideal para, numa notável inversão de argumento, considerar qualquer discurso “anti-religioso” (ou pior, anti-interpretação oficial de uma qualquer religião), um atentado aos direitos de quem professa as religiões e um factor de promoção da violência e de violações dos direitos humanos. O Economist da semana passada dava um merecido destaque ao assunto e chamou, justamente, a atenção para a gravidade do precedente deste uso perverso da linguagem dos direitos humanos em instâncias internacionais para fins precisamente contrários aos originais.

Na prática, e apesar da natureza não vinculativa do texto, patrocinado segundo o Economist pelo Paquistão, Bielorússia e Venezuela (um trio com conhecidas credenciais liberticidas), saem legitimadas em nome da religião todas os regimes e medidas em que a liberdade de expressão é condicionada pelo “direito à religião” - que não é posto, nem podia ser, em causa pela primeira.

Espantoso

13 Abril 2009, 18:07 · Tiago Barbosa Ribeiro

Ribeiro e Castro afirma que a sua exclusão das listas do PP para as europeias «não espanta minimamente». Talvez. O que espanta é ficarmos a saber que o PP de Paulo Portas tem algum tipo de pensamento europeu. Aguardemos para o conhecer.

Democracia turva

13 Abril 2009, 11:40 · Tiago Barbosa Ribeiro

Na Turquia, três académicos foram presos por suspeitas de preparação de um golpe de Estado. Fá-lo-iam com livros e palavras?

Um fim-de-semana de campismo

8 Abril 2009, 10:54 · Miguel Cabrita

 

Ao contrário das vítimas dos sismos, não se pode dizer que os italianos não puderam em devido tempo escolher. E não têm, aliás, nada de pouco expectável, porque já conheciam do passado quem, legitimamente, elegeram para primeiro-ministro.
Bom seria se este tipo de infelicidade, quase cómica, de Berlusconi fosse o mais grave que se passa em Itália; ou que tudo se resumisse a falta de gosto, vertigem pela provocação ou imunidade pessoal ao inconveniente. Aliás, sem escolher destinatários, como se viu pela humilhação pública de Merkel no recente “espera aí que eu já falo contigo, deixa-me só acabar aqui este telefonemazinho”, deixando pendurada a chanceler alemã que o esperava, com ar entre o divertido e o incrédulo, na passadeira à chegada à cimeira da NATO. 
Infelizmente não, esta sucessão de incidentes quotidianos é apenas fait divers, as verdadeiras e importantes imunidades são outras. E sendo espantoso pensar em tudo aquilo a que o regime democrático italiano tem, apesar de tudo, sobrevivido nos últimos 50 anos, é impossível não perguntar a que preço e em que condições. 

Santa remodelación

7 Abril 2009, 16:08 · Patrícia Cadeiras

O Governo de Zapatero só completa 1 ano no próximo dia 11 e já leva duas remodelações. A primeira nasceu de uma caçada mal amanhada do Ministro da Justiça com o Juiz Garzón, em plena crise de espionagem na Comunidade de Madrid.

Esta segunda tem lugar na ’semana santa’, em que muitos espanhóis se refugiam nos seus pueblos campestres e marítimos. O objectivo, diz Zapatero, é combater a crise e preparar a recuperação. Se era para dar um novo alento, não se percebe a escolha do timing. Mas o senhor lá veio a voar de Istambul às quatro da manhã, depois de se ter encontrado com o seu novo amigo Obama (é curioso ver como a comunicação social espanhola alimenta a sua aura internacional, ele que não fala nenhuma outra língua, além do castelhano), para anunciar uma remodelação em parte já passada para os media.

Sai Solbes, que tinha confidenciado numa conferência de imprensa ter inveja do ex-Ministro da Justiça, exactamente porque era ex-Ministro, entra para o seu lugar a antiga Ministra da Administração Pública, uma espécie de esfinge burguesa próxima do Ministro do Interior. E entram também dois pesos pesados do PSOE: José Blanco, vice-SG do PSOE, e Manuel Chaves, ex-Presidente da Andaluzia, para quem é criada uma terceira vice-presidência.

Uma coisa é certa: ZPT voltou a fazer bem as contas no que toca a paridade. 9/9, contando com o Chefe do Executivo.

Dizem que a playboy portuguesa está nas bancas

30 Março 2009, 15:13 · Mariana Vieira da Silva

Ecologia

28 Março 2009, 14:17 · Tiago Barbosa Ribeiro

Parece que hoje à noite vai haver um «apagão» global para proteger o ambiente, com o consequente «acendimento» global 1 hora depois. As emissões geradas pelo pico na rede serão bem mais gravosas para o ambiente do que se não existisse esta acção para proteger o ambiente.

«European Leader Assails American Stimulus Plan»

26 Março 2009, 12:14 · Mariana Trigo Pereira

«The European Union’s crisis of leadership during the economic downturn was thrown into sharp relief on Wednesday, as the current president of the 27-nation bloc labeled President Obama’s emergency stimulus package “a way to hell” that will “undermine the stability of the global financial market.”»

No artigo do NYTimes lê-se ainda que “analysts in Prague said that Mr. Topolanek was eager to show that he was still politically relevant.”

Assim não vamos lá. Como dizia Krugman, vale-nos o Estado Providência.

Chavez aderiu ao neo-liberalismo?

22 Março 2009, 13:37 · Hugo Mendes

Venezuela corta quase 7 por cento no orçamento de Estado.

“Crime”, alguém diz?

18 Março 2009, 22:09 · Hugo Mendes

A propósito das recentes declarações do Papa sobre o efeito dos preservativos no combate à SIDA, que tem feito muitos rir, eu gostava que alguém confrontasse a Igreja Católica com a sua responsabilidade moral - para não ir mais longe - na tomada de posição sobre um problema que, em particular onde atinge proporções epidémicas, vitima largos milhões de pessoas.

Afinal, o que está aqui em causa é um bocadinho mais importante do que ‘acreditar’ se o Homo Sapiens é ou não resultado de uma evolução de muitos milhões de anos; o putatitvo debate sobre entre o darwinismo e criacionismo é, comparado com isto, uma história para entreter as crianças depois de jantar.

O que está aqui mesmo em causa é a responsabilidade e a cumplicidade objectiva da Igreja Católica na influência do comportamento de milhões e milhões de pessoas que correm, objectivamente, risco de vida - risco que cresce exponencialmente se seguirem as ‘opiniões’ do Papa.

Como no ‘caso Galileu’, daqui a umas décadas - ou séculos -, virão pedir desculpa pelas mortes e pelo sofrimento causado. Tudo, claro, em nome da “defesa da vida”. Estejam atentos.

O FMI e o Banco Mundial ao serviço da propaganda

17 Março 2009, 16:30 · Miguel Cabrita

O polvo da propaganda alastra: como se lê hoje na notícia de um jornal situacionista linkada no post anterior,  o FMI diz que, em “previsões que podem não ser ainda as finais” (meaning “ainda podem ser piores”) a economia da zona Euro vai em 2009 contrair-se 3,2%, a economia americana 2,3% e o Japão à volta de 5%. 

Mas o FMI avança mesmo com uma contração de 0,6% da economia mundial (incluindo, portanto, as zonas de crescimento África e Ásia), situação que o Banco Mundial também já admite como muito provável. Ou ainda pior, segundo o seu presidente, que já fala numa contração entre 1 a 2 pontos percentuais da economia global, dando como certo que as dificuldades se vão estender até 2010.

Ganha assim contornos mais precisos, e severos, o cenário traçado há dias pelo FMI:

“a economia mundial poderá contrair-se pela primeira vez em mais de 60 anos”.

Desde a 2ª Guerra Mundial, será? 

A propaganda não tem limites.

“a culpa da crise é do engenheiro Sócrates”

17 Março 2009, 15:42 · Miguel Cabrita

Na linha das séries de título genérico ”a culpa é do Sócrates“, que vão sendo várias e alimentadas com grande êxito, valeria talvez a pena a dra. Manuela Ferreira Leite e outros interessados (?) na matéria tentarem dar alguma atenção ao que se passa no mundo. Só espreitar, se tiverem um minutinho.

As periferias ao centro

16 Março 2009, 18:35 · Miguel Cabrita

O anúncio de que os Tories vão concretizar a ameaça de abandonar o Partido Popular Europeu para fundar um novo grupo no Parlamento Europeu (de designação provisória European Conservatives) (…) significa que um dos grandes partidos de um grande país europeu vai passar a liderar um bloco marcadamente eurocéptico, provavelmente na companhia de partidos de países como a República Checa ou a Polónia, e eventualmente com Berlusconi e a Liga Norte, num somatório de descontentes quer do PPE quer da União Europeia das Nações.
 
Na prática, as correntes eurocépticas ganham uma nova representação, com mais peso autónomo e, o que é significativo, uma voz com assento em governos de vários países. Enfraquecendo ainda mais, sobretudo à direita, o tradicional consenso sobre a Europa que vigorou durante décadas em redor do “centro” ideológico (…).
 
E significa também que o alinhamento que se tem tornado habitual de proximidade entre os britânicos, vários dos novos países da União e as vozes mais contrárias aos avanços da construção europeia ganha uma expressão e cristalização institucional que não tinha.
Veremos a força que esta nova força terá. Mas não se avizinham tempos fáceis para a a gestão política e para a construção da Europa (ainda à espera) de Lisboa.
(ler a versão completa aqui)
(fotografia retirada daqui)
 
 

Deutsche Bank estima contracção da economia alemã de cinco por cento

23 Fevereiro 2009, 11:37 · Hugo Mendes

Se isto se confirmar, preparem-se para o pior.

Caramelos e Paz

17 Fevereiro 2009, 14:37 · Hugo Costa

4500 Crianças americanas foram desafiadas a escrever ao novo Presidente Obama. O pedido de Aaron correu o mundo por pedir ao Presidente para fazer chover caramelos, tal é a inocência e sonho presente na afirmação.

 

Mesmo sendo um sonho, a verdade é que o pedido de Aaron tem mais de exequível do que o do jovem Anthony que pede paz e unidade mundial.

 

Esperemos todos que Obama não desiluda estas duas crianças…e faça nevar sonhos pelos E.U.A. e pelo mundo.

  

Tribunais em mudança

16 Fevereiro 2009, 15:36 · Miguel Cabrita

Num “estudo”, “relatório” ou “um documento de análise” (conforme as passagens que escolhermos, embora na primeira página e no destaque da peça, curiosamente, a expressão seja sempre “estudo”), da lavra independente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, “juízes arrasam o novo sistema informático da justiça” - interpreta o Público, claro, com a dose de criatividade sublinhada na Câmara Corporativa.

Segundo o jornal, “os juízes” (não o sindicato) fazem uma “análise muito crítica do primeiro mês de funcionamento do CITIUS-MJ, o sistema de tramitação dos processos em suporte informático“. E isto “sem querer abordar sequer as matérias relacionadas com a segurança” - sem se explicar exactamente o porquê de tanto decoro, quando há poucas semanas foram tão prontamente levantadas…e logo desmontadas.

Apesar de ser a favor das “novas tecnologias nos tribunais” (não esclarecendo sobre quem as deve usar) e de querer contribuir para “melhorar o sistema” a Associação Sindical dos Juízes Portugueses será, segundo a mesma notícia, contra a “mutilação” (sic) do suporte papel para já, aparentemente porque só o formato papel permite a análise comparativa de documentos (!), dada a impossibilidade de, noutros formatos. os juízes “poderem manusear o processo tal como se de um livro se tratasse” (sic).

Haveria, aliás, “inúmeros e graves problemas quer quanto à sua operacionalidade quer quanto à fiabilidade” do sistema - coisa que, aparentemente, não sucedia com o anterior -, embora nenhum dos exemplos apresentados justifique tal afirmação. E refere-se ainda que a forma como o sistema foi concebido “revela um preocupante desconhecimento sobre a experiência e opinião” dos juízes - sendo que o autor do “documento”, diz-se na mesma notícia, “participou no processo de informatização desde o início e funcionou também como formador junto dos colegas“.

Mais importante que tudo, porém, nem este “documento” - feito ao fim de apenas um mês de experiência com o novo sistema - se atreve a pôr em causa, antes pelo contrário, a necessidade e a bondade da mudança. Mas nem isso impede que o título escolhido pelo jornalista seja “juízes arrasam (…)”, e o Público de ontem de ter feito capa com este belo e imaginativo título: “novo sistema de justiça pode tornar justiça mais lenta“. Mais comentários…para quê?

Nem só de crise vive o planeta!

16 Fevereiro 2009, 12:33 · Tiago Antunes

O Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, anunciou que vai convocar uma Cimeira de Alto Nível sobre Alterações Climáticas, que terá lugar em Setembro próximo, em Nova Iorque, por ocasião da Assembleia-Geral da ONU.

 

Hillary Clinton inicia na Ásia o seu primeiro périplo internacional enquanto Secretária de Estado, com paragem em Pequim para discutir com as autoridades chinesas formas de combater as alterações climáticas.

 

Trezentas cidades europeias (incluindo Lisboa) assumiram, na semana passada, em Bruxelas, o compromisso de ir além do objectivo da UE de reduzir em 20% as emissões de CO2 até 2020.

 

Foi hoje anunciado que Lisboa e Porto vão ter faixas especiais para carros com mais de um ocupante.

 

Tudo isto demonstra como, a diferentes níveis, o combate às alterações climáticas vai fazendo o seu caminho, regardless of ou apesar da crise económica que estamos a viver.

 

Numa altura em que muitos alegam que o mundo tem prioridades mais prementes do que o aquecimento global e vaticinam já o insucesso da cimeira de Copenhaga, em Dezembro deste ano(onde é suposto que a comunidade internacional chegue a um consenso quanto ao sucessor do Protocolo de Quioto), estas são, sem dúvida, notícias positivas.

 

Um unilateralismo europeu?

29 Janeiro 2009, 17:52 · Miguel Cabrita

Alguns dirão que a decisão de acolher prisioneiros de Guantanamo não é decisiva (ou até relevante) para a UE, ou que esse é um problema sobretudo americano.

Mas na verdade estamos a falar de direitos humanos, de uma nódoa no currículo dos Estados Unidos - e, quer queiramos quer não, do Ocidente - e de contribuir (ou não) activamente para resolver uma situação extremamente incómoda para todos os que reclamam para a Europa uma voz autorizada nestas matérias.

Dizer que a Europa se pode alhear deste problema é, na prática, uma capitulação ética e, no plano das relações atlânticas, rigorosamente equivalente ao unilateralismo americano. Sobretudo depois de todos os apelos da UE para que se pusesse cobro ao limbo juridicamente duvidoso que era Guantanamo.

Lembrete (mais um): porque faz falta o Tratado de Lisboa

29 Janeiro 2009, 17:49 · Miguel Cabrita

Tamanha inoperância da UE contrasta com o papel liderante que a Europa pode e tem, apesar de tudo, tido ao longo do tempo, no plano global, em matérias estruturantes como as questões ambientais e alterações climáticas, ou os direitos humanos e sociais. A discrepância entre a relevância e liderança da agenda europeia e as evidentes limitações da UE enquanto actor global é, em si, uma boa razão para justificar todos os esforços de levar a bom porto as melhorias institucionais e políticas que o Tratado de Lisboa, uma vez em vigor, vai permitir.

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