Lisboa de autocarro

5 Janeiro 2009, 15:55 · Mariana Trigo Pereira

«Forward-minded people tend to sit at the front of the top deck, according to Dr Tom Fawcett of Salford University, the independent-minded in the middle and those with a rebellious streak at the rear.»

O estudo sobre a psicologia dos autocarros aplicado ao caso português (numa grande cidade) procurará antes associar as diferentes tipologias psicológicas à zona onde se posicionam as pessoas no autocarro, uma vez que, na maioria dos casos, não existe lugar para sentar, ou, quando existem lugares vagos, a liberdade de escolha é francamente limitada.

As estratégias subjacentes à escolha deste posicionamento assentam, por isso, na maximização da probabilidade de ir parte da viagem sentado. Com vista a alcançar este objectivo existem vários tipos de abordagens tipificadas pelos agentes racionais, os passivos e os verdadeiros animais. Os racionais fogem da zona de entrada onde metade dos bancos se destinam a velhotes e grávidas. Evitam também a zona extrema oposta onde se costumam sentar aqueles que terão que fazer o percurso do autocarro quase por completo e, por isso, se colam aos bancos com ar de estarem verdadeiramente instalados e terem algum direito de propriedade porque entraram logo nas primeiras paragens quando ainda nem existiam pessoas. Os racionais, sentido-se especialmente espertos, posicionam-se na zona intermédia do autocarro, atentos aos vários movimentos e ameaças dos que vão sentados, esperando pelo momento da antecipação ágil, respeitando as normas de boa educação. Os passivos são também os mais pacíficos, os que viajam tranquilos com a vida ou que vão preocupados com coisas mais importantes do que um lugar sentado. Podem acabar por se sentar se vagar um lugar que não seja antes topado por um agente racional ou roubado por um animal. Este último, embora ocupando um posicionamento mais distante, inventa uma desculpa esfarrapada para impor a prioridade do acesso ao lugar, reforçando os seus argumentos através de gestos bruscos e encontrões. Quando surge a oportunidade, opta logo por se sentar nos lugares ‘prioritários’, de preferência junto à janela para olhar através do vidro enquanto finge que o velhote, que mal se segura em pé nas curvas, não é assunto que lhe diga respeito.

Muito mais se poderia dizer acerca da psicologia dos autocarros em Lisboa mas deixo apenas alguns conselhos: a racionalidade nem sempre compensa, agarrem-se bem no 773 e não percam tempo à espera do eléctrico 28.

A crise financeira chega à cinemateca

3 Janeiro 2009, 12:34 · Mariana Trigo Pereira

16 de Janeiro - The grapes of wrath - John Ford

19 de Janeiro - You only live once - Fritz Lang

29 de janeiro - Wallstreet - Oliver Stone

30 de Janeiro - American madness - Frank Capra

(entre outros que passam este mês no ciclo: Nos anos de todas as bolsas:1929-2009)

The new year

1 Janeiro 2009, 20:31 · Miguel Cabrita

THE NEW YEAR

so this is the new year
and i don’t feel any different
the clanking of crystal
explosions off in the distance
in the distance

so this is the new year
and I have no resolutions
for self-assigned penance
for problems with easy solutions

so everybody put your best suit or dress on
let’s make believe that we are wealthy for just this once
lighting firecrackers off on the front lawn
as thirty dialogs bleed into one

i wish the world was flat like the old days
then i could travel just by folding a map
no more airplanes, or speed trains, or freeways
there’d be no distance that could hold us back
there’d be no distance that could hold us back

so this is the new year

- - -

(Ben Gibbard)

in Death Cab for Cutie (2003), Transatlanticism

Um desejo razoável

31 Dezembro 2008, 19:17 · Miguel Cabrita

Se 2009 mais não puder ser, que seja um ano…GLORIOSO.

Das estações

26 Dezembro 2008, 12:08 · Tiago Barbosa Ribeiro

Nunca, nos últimos 15 anos, me tinha apercebido da relevância desportiva do título de campeão de Inverno. Outras possibilidades, como o campeão do Carnaval, da Páscoa ou dos Santos Populares, permitirão certamente alargar a riqueza etnográfica do campeonato português de futebol e consolidar o registo desportivo de alguns clubes do burgo. Pelo menos, enfim, enquanto não existe uma Taça UEFA de Verão.

Significado

22 Dezembro 2008, 21:50 · Mariana Trigo Pereira

Enquanto muitos andam entretidos com conversas da treta, desejos fúteis, conhecimento altamente especializado mas desligado de tudo, intrigas sem significado, impulsos consumistas, relações falsas e mesquinhas, vidas apáticas, discussões umbiguistas, preocupações inúteis, sobrevivem ainda aqueles que se dedicam ao que verdadeiramente interessa.

#1 - Does the Universe have a purpose? (pdf)
# 2 - Will money solve Africa’s development problems? (pdf)
# 3 - Does science make belief in God obsolete? (pdf)
# 4 - Does the free market corrode moral character? (pdf)
(continua…)

Boa moeda?

18 Dezembro 2008, 9:11 · Tiago Barbosa Ribeiro

Santana Lopes candidato à Câmara Municipal de Lisboa.

O Plano

11 Dezembro 2008, 16:33 · André Salgado

O laureado cineasta Manoel de Oliveira celebra hoje o dia do seu centésimo aniversário. Domingo ao final da tarde, a um suave assentimento de Leonor Silveira, serão sopradas as velas.

Futebol Clube do Porto

11 Dezembro 2008, 10:32 · Tiago Barbosa Ribeiro

Apesar de tudo, há bons sinais de resistência à crise internacional.

Solidariedade com a Islândia (4): Olafur Arnalds

5 Dezembro 2008, 12:23 · Miguel Cabrita

Mais um pretexto, a invasão nórdica da Casa da Música: depois do famoso trombonista sueco Christian Lindberg (hoje e amanhã), e do pianista norueguês Leif Ove Andsnes (amanhã à tarde), é a vez dos sons suaves do islandês Olafur Arnalds, que abrirá a noite e o caminho para registos diametralmente opostos. Interessante ver como este ambiente cola (?) com o que se segue: os portuenses Sizo e, directamente de Omaha, Nebraska, a vivacidade dos The Faint.

Obrigado

3 Dezembro 2008, 19:43 · André Salgado

É do Benfica, sim, e a quem não o é, não se explica. Mas é mais que isso, é do que tantas vezes nos esquecemos e é do ensinar a gostar na noite fria.

Estávamos gelados, naquele sector 23, lembras-te? Ainda assim, lá fui batendo palmas, que é a único som não desafinado que consigo fazer. Se me tivesses conseguido ouvir, terias percebido como isto é verdade, e eu escusaria a explicação. Não ouviste, fica dada a explicação. Na primeira parte, o nosso Benfica foi fraquito, Miguel, mas suponho que não devas ter passado muito tempo sentado, porque a primeira vez que te vi estavas de pé, a tapar elegantemente a vista a quem estava atrás de ti, e a tua mãe (era a tua mãe?) puxava-te vigorosamente para baixo, para te sentares.

O bairro do amor

26 Novembro 2008, 19:05 · André Salgado

Alargar o terminal de contentores, sim, mas com uma contrapartida. Construir uma ciclovia espaçosa, ao nível do contentor mais elevado, com cervejarias que nunca fechavam ao longo do percurso. O melhor de dois mundos. Por um lado, mariscava-se, por outro, pedalava-se e o rio e os barcos. Nos contentores desocupados viviam o Baptista Bastos e outros. Escrevendo, rindo, combatendo e trocando proezas com os estivadores.

Mais tarde, abandonada a fantasia do novo aeroporto, canalizava-se o dinheiro para um grande dispositivo hidráulico que elevaria a cidade ao nível da ciclovia.

No espaço subterrâneo ganho, instalavam-se, não os agora desnecessários parques de estacionamento, mas esplêndidas garagens para os transportes públicos e fábricas de bicicletas. Embora estas também pudessem chegar nos contentores. Pensem nisto.

Poder simbólico

20 Novembro 2008, 10:39 · Rui Branco


Grande malha, esta versão do «Be my baby» pelos Glasvegas. («grande malha» salvo seja porque, se bem percebi a linha da reunião de ontem da Comissão Central de Controlo e Quadros, este vosso aparelho ideológico de Estado não se arroga a imposição dogmática aos eleitores, perdão, leitores, de um princípio de visão e de divisão, «isto é, o poder de tornar visíveis, explícitas, as divisões sociais implícitas, é o poder político por excelência: é o poder fazer grupos, de manipular a estrutura objectiva da sociedade» [Bourdieu, 1990: 167], nem do campo de produção cultural, nem, et pour cause, do campo político. Embora confesse, mas que fique bem claro que não quero criar chatices a ninguém, dividir a unidade da luta do movimento ou pactuar com qualquer exercício de fraccionamento, que o que eu desejava para a esquerda em Portugal era que tivesse grande simpatia pelo regime democrático parlamentar.)

Porque é que Hillary perdeu

19 Novembro 2008, 15:42 · Rui Branco

Quem viu o «War Room» se calhar lembra-se dele. Howard Wolfson era o tipo alto de barba meio ruiva que aparecia de vez em quando a olhar para Carville e Stephanopoulos, de braços cruzados, às vezes com ósculos escuros, pensativo.

Nas primárias da nomeação democrata, Wolfson era o «director de comunicações» da campanha de Hillary (o Toby Ziegler, portanto). A campanha parece que correu mal, como se sabe. Abundaram as teses e as exumações, depois menos, e se calhar agora outra vez mais.

No final das primárias, Wolfson tornou-se comentador da Fox News (fair and balanced, topam?), abriu um blog no site da New Republic, e regressou a uma paixão antiga (peço desculpa pelo tom taxonómico involuntário), a música indie. E tem um blog porreiríssimo a mostrar isso mesmo, o Gotham Acme.

Há muitas teorias sobre as razões pelas quais Hillary perdeu a nomeação democrata. Uma, ele pode haver outras: Hillary teve muitos, muitos votos, mas Obama teve mais. E parce que mais delegados também. Mas, se quisermos ser mais analíticos e rigorosos, sugiro aqui esta outra, que me parece ser das melhorzinhas até agora.

Uma campanha que entre «Suddenly I See» de K T Tunstall e «You and I» de Celine Dion escolhe a Celine Dion para a música da campanha - está tudo dito (e mais duas palavrinhas: Mark Penn e mais quem o contratou e não o despediu ou não despediu a tempo).

Como Wolfson entretanto contou com piada, ele na altura previu meio a brincar que essa seria uma escolha fatídica, que seria o fim da campanha. E foi mesmo. Tudo isto é recordado no Gotham Acme, no post «Election turning points», e no New York Times:

«Brainstorming sessions ensued. The Iowa caucuses could wait — this was serious business.

Ideas were put forward: Motown, disco, ballads. I pushed K T Tunstall’s “Suddenly I See” because it seemed empowering and upbeat. It was immediately criticized. What about the singer’s use of the word “hell”?

Everyone had favorites, and every favorite had its detractors. We studied lyrics and performer biographies. We downloaded possibilities and listened. Some of us danced, while others sat and frowned.

Get Ready” by the Temptations? Too sexual. “Rhythm Nation” by Janet Jackson? What about that unfortunate wardrobe malfunction?

To break the stalemate, we sponsored an online contest for supporters and gave them options to choose from. The votes and commentaries rolled in. Celine Dion’s “You and I” was selected, a decision I jokingly predicted would signal the end of the campaign

Nada como abrir o melão para ver: K T Tunstall vs. Celine Dion

Foi notícia mas podia não ter sido (4)

19 Novembro 2008, 13:50 · Miguel Cabrita

Golfinho já está à frente do choco. Entrevista de Fernando Pedrosa mudou tendência da votação online da mascote. A agitadora votação que decorre no site do Vitória para eleição da mascote, entre uma bola, um golfinho e um polémico choco, sofreu inversão de tendência. O golfinho acelerou, chegou aos 49 por cento das preferências e ultrapassou o choco que está agora apenas com 47. A bola nem entra na luta. Esta mudança, no universo de votantes já próximo dos onze mil, parece estar relacionada com o pedido público do presidente do Conselho Vitoriano, Fernando Pedrosa, que classificou a simples sugestão do choco como um atentado à dignidade do Vitória de Setúbal.”

A Bola, 18 de Novembro de 2008, p28 (infelizmente, não disponível online).

Actualização: com 29000 votos contados, o choco toma claramente a dianteira com 52% das preferências contra apenas 46% do golfinho. Votar aqui.

Actualização 2: (20Nov, 15h) Hoje de manhã, A Bola dava conta de uma aproximação dramática, ontem ao fim da noite, do golfinho ao choco (apenas 1% de diferença). Mas eis que o impensável aconteceu: a votação foi suspensa. A “comissão de gestão” promete novidades para amanhã. Ver as razões e aguardar os desenvolvimentos aqui.

É un’ ingiustizia, però!

11 Novembro 2008, 13:07 · Sílvia Sousa

Odeio que digam que faço de Calimero.

Pedro Santana Lopes, Pública, 9/11/2008

Barack Obama é “jovem, bonito e está bronzeado”

7 Novembro 2008, 11:25 · Rui Branco

«O primeiro-ministro da Itália brincou ainda, afirmando que o democrata Barack Obama é “jovem, bonito e está bronzeado” o que, segundo ele, é um bom começo para impulsionar boas relações entre Moscovo e Washington

«Ma non è una gaffe, giura il presidente del Consiglio da Mosca. Anzi, è tutto il contrario. “Ad Obama io ho fatto un gran complimento”

«Veramente c’è qualcuno che pensa che non sia stata una carineria? Se scendono in campo gli imbecilli - insiste - siamo fregati. Dio ci salvi dagli imbecilli»

De facto, Deus nos salve de Berlusconi.

West Wing, season 8 começa

6 Novembro 2008, 19:35 · Rui Branco

Josh Lyman, perdão, Rahm Emanuel, acaba de aceitar a posição de chefe de gabinete na West Wing de Matt Santos, perdão, Barack Obama. Esta nomeação coloca-nos vários problemas de narratologia e epistemologia. Ficção e realidade tornam-se uma só (facto também notado por Pedro Marques Lopes). Primeiro, foi a série que se inspirou na realidade (quem viu o War Room e se lembrar da cena da galinha para chamar mariquinhas a quem não quer debater percebe do que estou a falar). Joshua «Josh» Lyman, o deputy chief of staff na West Wing de Bartlett, foi inspirado em Rahm Emanuel, politial adviser na Casa Branca de Clinton. Na 6.ª época, e aproximando-se o final do segundo mandato de Bartlett, Josh tem a ideia de ir desafiar um congressista hispânico, Matt Santos (Jimmy Smits), para concorrer às primárias democráticas. O discurso de Obama em 2004 terá inspirado Aaron Sorkin, o criador e argumentista de West Wing, para esta possibilidade (que o próprio já confirmou), a de um presidente não branco, meio desconhecido, que levanta um país com o poder de uma ideia simples: mudança. Depois de umas duras primárias, Matt Santos ganha a nomeação democrata; na época seguinte, Santos ganha a eleição presidencial contra um nomeado republicano desalinhado, decente, respeitável e respeitado pelos democratas (o magnífico Alan Alda), em quem muitos julgaram ver McCain, e bem.  Santos, o primeiro presidente hispânico. O que é curioso é que a personagem de Santos sempre se recusou a correr como hispânico-americano; correu apenas como americano. Também ele enfrentou questões raciais fortes, que superou, percebendo bem, como Obama, que se corresse como o típico e previsível candidato chicano, com uma agenda política nascida e limitada por esse facto adscritivo, nunca poderia ganhar  ou nunca poderia ganhar da única maneira que valia a pena ganhar, isto é,  transcender as linhas de clivagem étnica. A 7.ª época de West Wing termina com a formação do primeiro governo de Santos, do qual Josh é, naturalmente, o chefe de gabinete. O último episódio da última época do West Wing foi para o ar em 14 de Maio de 2006. A ficção copiou a realidade e depois a realidade copiou a ficção. A 8.ª época começa.

Uma noite histórica

5 Novembro 2008, 17:18 · André Salgado

Tivemos o privilégio de assistir na última noite a um momento que ficará gravado na história, que se recordará por muitos anos e mesmo gerações. E nós, privilegiados, poderemos contar, a filhos e netos, que estávamos lá, pasmados, em frente aos ecrãns, assistindo à história a acontecer diante dos nossos olhos.

Trazendo à memória o célebre discurso de Kennedy em Berlim, honrando o sonho de Luther King, redescobrindo a abençoada esperança, em comunhão de raças e credos, brancos, negros, louros, morenos, até na diversidade de nacionalidades, unidas na esperança emocionada de mudar o mundo. Este mundo, o nosso mundo.

Esta, meus amigos, será recordada como a noite em que o Sporting Clube de Portugal descobriu que afinal se continua a jogar após a fase de grupos da liga dos campeões.

Serviço postal: manual de campo

4 Novembro 2008, 17:51 · Miguel Cabrita

Recebi há pouco no meu e-mail esta mensagem que não resisto a reproduzir.

É por estas e por outras (sobretudo por outras, mas também por estas) que gosto especialmente dos death cab for cutie, banda da costa Oeste dos Estados Unidos que apesar do nome duvidoso tem assinado sucessivos álbuns dignos de nota e sobre quem aqui escreverei um destes dias. Para além da música, Benjamin Gibbard e Chris Walla, figuras mais salientes e respectivamente letrista-vocalista e guitarrista-produtor do grupo, estiveram entre os muitos destacados artistas que se empenharam na longa campanha presidencial de Obama, da convenção democrática à participação em comícios.

Hoje, prestam literalmente um serviço postal (nome do projecto paralelo de Gibbard) e como se vê, levam até ao fim um exemplar compromisso cívico: não é apenas um apelo ao voto e à participação (que aliás ocupa hoje a entrada no site da banda), o que já seria digno de elogio, é um verdadeiro manual de campo (título do recente álbum a solo de Chris Walla) para que todos consigam votar e contribuir para que o processo eleitoral corra sem falhas.

Death Cab for Cutie - Vote November 4th

Tomorrow, we will elect the next President of the United States. The result will have great consequences for the nation. This election offers a choice between two men with dramatically different visions of the future. We have strong feelings about this choice. But we feel even more strongly that all Americans, regardless of political preference, have a stake in the outcome and should vote in this critical election

This is likely to be a close election. Your vote matters. Please use it and make a difference.

If you do encounter long lines, here are some ways to have fun and ensure you can vote:

Go with friends and/or bring phones, iPods, lawn chairs, food, reading materials, proper clothing, etc.

Don’t believe the polls if they say a candidate is winning or losing. They’ve been wrong before.

Ask for the day-off from work or class.

Verify your polling location BEFORE you head to the polls by calling 1-866-OUR-VOTE or contact your local County Election Office. Or, use the Google Maps Voter Info

Help others stay in line. Share your food, drink, music, reading materials, election protection information. Remember: we’re in this together.

Make sure to take this number with you so that if you encounter any problems, you can talk to nonpartisan election lawyers who can help: 1-866-OUR-VOTE or request a provisional ballot.

If you do run into any issues at the polls, Video The Vote and document election problems.

Róisín Murphy: (over)powered, mas quanto?

31 Outubro 2008, 14:19 · Miguel Cabrita

Foi ontem no Coliseu, será hoje na Casa da Música. Powered, mas não em demasia, a magnética Róisin Murphy não terá gerado a euforia que alguns antecipavam, mas um bom concerto que oscilou entre o ritmo e a maior intimidade, com interpretações mais soltas quer da fase-herbert quer do último álbum. Tanto melhor, mais espaço para músicas com menos exposição mas brilhantes (esta, por exemplo) e para uma deliciosa voz que se revela (ainda mais) em registos a que é menos habitual associá-la. Talvez ainda venhamos a conhecer Róisín melhor - ou ela a nós.

Estalou o verniz

29 Outubro 2008, 22:25 · André Salgado

Solidariedade com a Islândia (2): believe

28 Outubro 2008, 14:06 · Miguel Cabrita

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Depois de inaugurada a série com Bjork, mais solidariedade com a ilha do gelo.

Os Gus Gus podem ter perdido algum do fulgor (e da relevância?) inicial, mas mantêm-se justamente como uma das referências mais lembradas da música exportada pela Islândia. Believe (vídeo relativo) é um dos singles de Polydistortion (1997), primeiro registo numa multinacional.

p.s. Via wikipédia, cheguei a esta entrevista da banda em que o nome é atribuído a uma deturpação da pronúncia de “couscous” por uma personagem de Fassbinder. E porque não?

Best political team

27 Outubro 2008, 18:05 · Mariana Vieira da Silva

O Doc Lisboa acabou ontem e, para quem aceitou ficar acordado até às 2am, acabou bem. The War Room, um documentário que mostra como, para The West Wing , Aron Sorkin não precisou de inventar quase nada, foi uma óptima forma de começar a semana que antecede as eleições americanas. Terça-feira, quando a best political team on television entrar pela minha sala, os comentários de James Carville e Paul Begala terão um outro sabor.
E foi bom ouvir, em 2008, um excerto de um discurso de Al Gore de 1992, que também mostra como as eleições de 2000 tiveram o desfecho errado:
“Unemployment around the country has gone up; the number of jobs has gone down. The trade deficit has gone up; personal income has gone down. The budget deficit has gone up; consumer confidence has gone down. Poverty has gone up; the number of jobs has gone down. Bankruptcies have gone up, jobs, down; fear, up; hope, down; everything that oughta be down is *up*, everything that should be up is *down*; they’ve got it upside down, and we’re gonna turn it right side *up!* “

Tenham medo, tenham muito medo

26 Outubro 2008, 11:27 · Rui Branco

Palin: Obama’s Tax Plans Could Mean Nightmare Communist State

«See, under a big government, more tax agenda, what you thought was yours would really start belonging to somebody else, to everybody else. If you thought your income, your property, your inventory, your investments were, were yours, they would really collectively belong to everybody. Obama, Barack Obama has an ideological commitment to higher taxes, and I say this based on his record… Higher taxes, more government, misusing the power to tax leads to government moving into the role of some believing that government then has to take care of us. And government kind of moving into the role as the other half of our family, making decisions for us. Now, they do this in other countries where the people are not free. Let us fight for what is right. John McCain and I, we will put our trust in you

Os malefícios do ginásio

24 Outubro 2008, 12:16 · Rui Branco

Parece que Madonna e Guy Ritchie já não tinham sexo há 18 meses, porque, parece, ela após quatro horas diárias de ginásio estava «too tired for love». Querem propostas para o orçamento? Reponham o IVA na merda dos ginásios.

A festa da taça

20 Outubro 2008, 19:22 · Miguel Cabrita

Deve ser defeito de gostar de ver bom futebol, mas a Taça de Portugal proporciona demasiadas vezes jogos paupérrimos quando envolve equipas de escalões muito diferentes. Mesmo se “há taça” (expressão que os futebolófilos conhecerão, ie um clube “pequeno” calha em sorteio a um grande e elimina-o, transformando-se na linguagem da imprensa desportiva num “tomba-gigantes”), normalmente isso é mais fruto da mediocridade e desleixo do mais forte e não de uma romântica transcendência de quem ganha.

Não vi, por exemplo, nem o Leiria-Sporting nem o Sertanense-Porto (que se repetiu este ano, resultado e tudo), mas admito que fora de casa sempre há a vantagem de levar os “grandes” a estádios que normalmente não têm esse privilégio - sem que o jogo da vida dessas equipas signifique qualquer garantia de qualidade, entre segundas e terceiras escolhas dos plantéis e campos por vezes próximos do impróprio.

Em compensação, tive o privilégio de assistir ao Benfica-Penafiel, num lugar aliás próximo daquele onde vi o estimulante Benfica-Feirense da época passada. Num horário deprimente (domingo à noite), com honras de transmissão televisiva (que belo serão deve ter sido…) ainda foram 20000 a pagar preços de saldo para ir ao Estádio, meio fechado, matar a curiosidade de ver jogadores que noutras circunstâncias têm menos hipóteses e outros que por alguma razão andam afastados da equipa.

No ano passado, com o Feirense, ainda fomos poupados ao martírio do prolongamento.  Ontem, a alegre “festa da taça” durou mais meia hora e, êxtase, foi até aos penaltis. O mínimo que se pode dizer é que, por idêntico preço e com qualidade de jogo apenas vagamente superior, tivemos direito a mais “espectáculo”. Claro que nada disto se compara ao supremo deleite da eliminação que o Porto sofreu em casa diante do Atlético; ou da que o Gondomar infligiu na Luz ao Benfica do professor Jesualdo. Sempre jogos abaixo de cão, mas, esses sim, momentos inesquecíveis.

De ontem, pouco restará na memória (talvez a sentença final a Balboa, ver-se-á). E ainda bem, de tão miserável.

Despensa

16 Outubro 2008, 15:43 · Sílvia Sousa

A propósito do que li sobre a FNAC do Vasco da Gama, fiquei a pensar sobre as possíveis razões para a FNAC do Chiado ter posto os putos na despensa.

Uma tentativa de explicação da crise

16 Outubro 2008, 11:08 · Hugo Mendes

Chegou-me por e-mail uma breve e simples tentativa de explicação da crise financeira para o cidadão comum - que, como lembrou o João Pinto e Castro, deve andar baralhado. Aqui vai: 

«O Ti Jaquim tem uma tasca, na Vila Carrapato, e decide que vai vender copos ‘fiados’aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados.
Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose do tintol e da branquinha (a diferença é o sobre preço que os pinguços pagam pelo crédito).
O gerente do banco do Ti Jaquim, um ousado administrador formado em curso muito reconhecido, decide que o livrinho das dívidas da tasca constitui, afinal, um activo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao
estabelecimento, tendo o ‘fiado’ dos pinguços como garantia.
Uns seis zécutivos de bancos (que recebem chorudíssimos ordenados como prémio pelas decisões milagreiras que saem daquelas cabacinhas, sim cabacinhas), mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrónimo financeiro que ninguém sabe exactamente o que quer dizer.
Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BM&F, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (os tais livrinhos das dívidas do Ti Jaquim).
Esses derivativos estão a ser negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.
Até que alguém descobre que os bêbados da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e a tasca do Ti Jaquim vai à falência».

Not anymore

15 Outubro 2008, 14:59 · Mariana Vieira da Silva

John Cleese sobre a nova Palin que, espera-se, apesar de também ter começado no Alaska, não fará o Full Circle:

“It’s like a nice looking parrot. Because the parrot speaks beautifully and kinda says, “Aw shucks!” every now and again, but doesn’t really have any understanding of the words it’s producing, even though it’s producing them very accurately…
“I’m sorry, Michael Palin, to say you’re not the funniest Palin anymore. But you’re not.”

Mais aqui.

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