Les Paul: a beleza eternizada
14 Agosto 2009, 17:06 · Miguel Cabrita

Não querendo transformar o blogue num obituário, e não sendo grande adepto de textos mortuários exageradamente emocionados e grandiosos, como por aí se vê tantas vezes, a verdade é que dificilmente terei alguma vaz melhor pretexto para postar uma fotografia de uma das mais belas guitarras eléctricas já concebidas.
Les Paul, que morreu ontem, foi um músico e inventor na origem de inovações técnicas e musicais que permitiram ao rock desenvolver-se como se desenvolveu. Merecidamente, esta Gibson imortaliza o seu nome e é pura e simplesmente impossível competir com ela (ou, aliás, com a sua descendência Epiphone). Beleza, elegância e muito estilo num objecto só.
Um grande Homem
10 Agosto 2009, 15:10 · Hugo Costa
Muitas têm sido as homenagens e palavras a Raul Soldado. O Homem da Guerra de 1908, do Zip-Zip e de muitos outros grandes momentos merece o nosso grande aplauso.
O cidadão interessado que ainda há dias se encontrava na apresentação de António Costa (última vez que o vi ao vivo) merece o nosso respeito.
Fica aqui o agradecimento a um grande Homem.
In memoriam
30 Junho 2009, 15:48 · Tiago Antunes
Faleceu a diva do Tanztheater Wuppertal. Depois do criador da moonwalk, outro génio que parte…
Aqui ao lado » » » Deerhunter: never stops
1 Junho 2009, 21:28 · Miguel Cabrita

Uns estarão hoje no Lux; outros não e ficam a perder. E não é pouco. Um dos mais prometedores álbuns de 2008 promete um excelente concerto.
p.s. Para os que estão no grupo dos ausentes, um pequeno prémio de consolação.
Todos à cinemateca
21 Maio 2009, 21:01 · Mariana Trigo Pereira

Amanhã, pelas 21h30 a cinemateca passa o filme da vida de João Bénard da Costa.
As portas estarão abertas para ver ou rever Johnny Guitar - um western muito particular, inteiramente dominado pelas personagens femininas. Celebrarmos o cinema naquela casa será a mais merecida das homenagens.
Momento cultural
19 Maio 2009, 16:02 · André Salgado
“No dia seguinte, o Tim e eu estamos na praia, sob um céu calmo e limpo, a jogar gamão. Estou eu a ganhar. Ele está a ouvir música no Walkman, pouco interessado no resultado do jogo. Lanço dois seis. Ele varre a praia com um olhar indiferente. O rosto dele não tem qualquer expressão. Lança os dados. Um passarinho vermelho pousa no guarda-sol verde. A Rachel aproxima-se de nós. Tem um biquini azul pequeno e um lei cor-de-rosa ao pescoço. Bebe uma Perrier por uma palhinha”
A inaugurar a corrente “parágrafos ao acaso”. Para passar a todos os que participaram na interessante e bem sucedida corrente da transcrição do terceiro parágrafo da página 58 do livro que estiveram a ler na noite passada (para o professor Marcelo, do segundo livro a contar de baixo, terceira pilha).
Nota: atenção, não vão por aí, quem esteja já a pensar tratar-se de mais um excerto da auto-biografia de Vasco Campilho. Não é. É mesmo um parágrafo ao acaso de um livro escolhido ao acaso.
Benedetti morreu
18 Maio 2009, 11:53 · Rui Branco
A culpa é de um
Porventura foi uma hecatombe de esperanças
um desabar de algum modo previsto
ah! mas a minha tristeza teve um sentido só
todas as minhas intuições assomaram
para ver-me sofrer
e seguramente viram-no
até aqui tinha feito e refeito
os meus trajectos contigo
até aqui havia apostado
em inventar a verdade
mas encontraste a maneira
uma maneira terna
e ao mesmo tempo implacável
de deixar sem esperança o meu amor
com um simples prognóstico o deportaste
dos subúrbios da tua vida possível
o embrulhaste em nostalgias
o carregaste por um bom bocado
e devagarinho
sem que o ar nocturno o apercebesse
ali mesmo o deixaste
sozinho à sua sorte
que não é, pois, muita
creio que tens razão
a culpa é de um quando não se faz enamorar
e não dos pretextos
nem do tempo
faz muito, muito tempo
que eu não me enfrentava
como ontem à noite ao espelho
e fui implacável como tu
mas não fui terno
agora estou só
francamente
só
custa sempre um bocadinho
começar a sentir-se um desgraçado
antes de regressar
aos meus lúgubres acampamentos de Inverno
com os olhos bem enxutos
se por acaso
te vejo ao entrar na neblina
e começo a recordar-te
Mario Benedetti, «La culpa es de uno», versão RB.
FATALmente Cénico
14 Maio 2009, 12:38 · Tiago Antunes
Está a decorrer, até ao fim do mês, o FATAL - o Festival de Teatro Universitário organizado pela Universidade de Lisboa, que este ano faz 10 anos (credo, só de pensar que participei na 1.ª edição e já passou uma década desde então…) e está melhor de ano para ano. Começou como uma coisa pequena, mais ou menos improvisada e assente na boa-vontade de um número muito pequeno de pessoas e, com a perseverança dessas pessoas e um conjunto de colaborações que entretanto foi congregando, firmou-se definitivamente como o momento alto do teatro universitário em Portugal.
Na terça-feira passada, dia 12, foi dia de Cénico de Direito. E, como não podia deixar de ser, lá fui eu à Comuna para um momento que, pessoalmente, é sempre carregado de grande dose de nostalgia.
A peça era O Despertar da Primavera, de Franklin Wedekind. Excelente texto, sobre a passagem da infância à juventude e os terrores da descoberta do corpo (do próprio e do outro), da sexualidade, da maternidade precoce. Uma mistura de inocência e malícia, de ingenuidade e sonsice, de verdade e efabulação, de descoberta e experimentação. Tudo sempre rodeado de grande fatalismo (muito próprio para o festival em causa…). Óptima encenação, como o Pedro Wilson nos tem habituado (gostei muito, por exemplo, do apontamento no foyer, antes ainda de a peça começar). Boas interpretações (tem futuro, o Cénico, com este elenco renovado). Em suma, uma bela ida ao teatro.
Nota negativa apenas para a Tertúlia que se seguiu à peça, no café-teatro da Comuna. Que, de tertúlia, não teve nada. Antes foi transformada numa cena muito pouco elegante (para dizer o mínimo) de ataque feroz e despropositado ao trabalho do Cénico por uns quantos puristas ressabiados, que se entretiveram a esgravatar pormenores ínfimos da peça na sua ânsia de descobrir defeitos (a pistola não era de época, os sapatos eram dos anos 90 e não dos anos 20, a personagem que estava fora de cena devia estar a ler o livro e não estava, …)
Séries da vida…
11 Maio 2009, 19:02 · Tiago Antunes
É verdade, fui acorrentado. E, para me desacorrentar, cá vai disto:
Em primeiro lugar, isto das séries «da vida» parece-me demasiado pomposo e definitivo. Tenho sempre imensa dificuldade - julgo que não serei o único - em elegar os/as qualquer-coisa «da vida». Para além de que, em matéria de séries, a minha memória de passarinho, por um lado, e algum pudor na exposição de certos gostos mais foleiros, por outro lado, impedem-me de fazer uma retrospectiva completa da coisa.
Posso começar por relatar as séries com gravação agendada no MEO lá de casa.
Como não podia deixar de ser, a West Wing (Homens do Presidente). Já devorei as sete temporadas em DVD e é, indiscutivelmente, «a» série da minha vida. Mas, estando a última temporada a passar no AXN (acabou há pouco tempo), não resisti a pôr a gravar. Não sei bem em que dias nem a que horas dava, mas sei que de vez em quando lá pingava mais um episódio no meu rol de gravações. Era como uma prenda que o MEO me deixava de vez em quando, sem eu saber, sem eu estar à espera. E era com uma alegria enorme que a recebia, deliciando-me a rever mais um episódio… Excepto para aí há quinze dias, quando revi o 22.º episódio da 7.ª temporada (a Inauguration do Matt Santos, o fim da era Bartlet, a CJ a sair de vez da Casa Branca…), deu-me cá uma melancolia. Fiquei genuinamente triste e saudoso. É este o impacto - o vazio… - que deixam as grandes séries.
Uma grande série é aquela que me faz rir desbragadamente, sozinho, no meio da sala. É aquela que me faz chorar. É aquela que me faz contorcer no sofá com espasmos de ansiedade pelo que se irá passar a seguir. É aquela que me faz repetir as deixas em voz alta.
A West Wing tinha tudo isto. Outras séries que, actualmente, provocam efeitos semelhantes são A Anatomia de Grey e Irmãos e Irmãs (ambas a gravar no MEO, escusado será dizer). E aqui entramos num outro capítulo, mais sentimentalóide, mais recreativo, mas nem por isso de menor qualidade. Brothers & Sisters, em concreto, é «a» minha série do momento. Vibro com as emoções daquela família, tão diferente e contraditória, tão cheia de choques e conflitos, tão sufocante e intrometida, mas tão próxima, tão ligada, tão família… E sempre tão surpreendente.
Ainda a gravar no MEO, Prison Break e A Unidade, ambas excelentes séries (estas no capítulo da acção e da estratégia).
Sem estarem a gravar no MEO, recordo duas “paixões” - “vícios” talvez seja mais apropriado - dos últimos tempos: The L word e Nip Tuck (este último uma crítica contundente, ainda que subliminar, à moderna sociedade hedonista, superficial e obcecada com as aparências, mas tudo de forma absolutamente crua, sem qualquer moralismo patusco).
Recuando um pouco mais, adorava o casal absolutamente improvável Darma & Gregg. E, recuando mais ainda, outro casal também improvável que vi vezes sem conta: Modelo e Detective. Não me posso esquecer, é claro, da grande Murphy Brown.
E depois, lá no mais remoto da minha memória, ficam duas séries inesquecíveis e marcantes. Basta ouvir a música do genérico de qualquer uma delas para ser imediatamente tele-transportado para a minha infância. Chefe mas pouco (Who’s the Boss?), com o grande Tony Danza. E Quem sai aos seus (Family Ties), com o Michael J. Fox no papel do irritantemente genial Alex Keaton.
Por fim, para me vingar, vou acorrentar a beautiful stranger Kel.
Cindy Jackson, presidente do PSDV
29 Abril 2009, 12:25 · Rui Branco

Em escuta aqui ao lado >>> PJ Harvey: black hearted love
16 Abril 2009, 13:15 · Miguel Cabrita

Ela voltou para nos assombrar, volta sempre. E teremos para já de nos contentar com isso, a não ser que sejamos um dos privilegiados que compraram bilhetes para o concerto de 2 de Maio na Casa da Música. Que, dizem-me, esgotaram em 25 minutos.
O recém-editado álbum A woman a man walked by retoma a parceria de meados dos anos 90 com John Parish. Como álbum, não é o conjunto mais coerente e articulado, mas os seus desequilíbrios representam bem o que é o percurso recente de PJ Harvey: retoma algo da crueza de Uh uh her (2004) e, sobretudo, da incursão, carregada de simplicidade mas também de angústia, por universos de memórias distantes em White chalk (2007). Esta proximidade, presente apesar de a escrita das músicas ter ficado a cargo do junior partner da coligação (o que não deixa de ser notável), sublinha (como se fosse necessário) a marca personalizada dos poemas, da voz e da interpretação de PJ, por entre segmentos quase torturados, de difícil audição, e momentos de beleza irresistível como a faixa de abertura “black hearted love“. Aqui ao lado, o vídeo oficial, ilustrativo e igualmente irresistível.
p.s. E sobre concertos como este na Casa da Música - ou melhor, ao que parece numa sala mais pequena da Casa da Música (!) -, uma mensagem aos responsáveis e aos promotores de concertos em geral: porque não pensar em organizar um concerto dos U2 na Malaposta ou dos Rolling Stones na Incrível Almadense? Ou transferir os Depeche Mode do Bessa para os Maus Hábitos? Fica a sugestão.
Black Hearted Love
I think I saw you in the shadows / I move in closer beneath your windows / Who would suspect me of this rapture?
And who but my black hearted love / And who but my black hearted love
When you call out my name in rapture / I volunteer my soul for murder / I wish this moment here forever
And you are my black hearted love / And you are my black hearted love / In the rain, in the evening I will come again
I’d like to take you / I’d like to take you to a place I know / My black hearted…
Uma das melhores capas de sempre (ou judging a book by its cover)
8 Abril 2009, 13:40 · Mariana Trigo Pereira

* Confesso-me permeável ao marketing que gera estas capas, e aos algoritmos que produzem estas sugestões personalizadas em sites que nos dão as boas vindas e nos tratam pelo nome.
Por caminhos estreitos
27 Março 2009, 17:39 · Miguel Cabrita

Ouve-se Narrow Stairs, o registo de 2008 dos Death Cab for Cutie (DCFC), e em cada música sente-se a estreiteza do caminho. Ou tectos muitos baixos, mesmo a roçar as cabeças de quem o escreveu.
O trajecto dos Death Cab é, afinal, comum a muitas bandas. Ganharam seguidores fiéis e um estatuto inatacável no circuito “independente” nos Estados Unidos, culminando na sensibilidade aguda de Photo Album (2001). Assinaram depois por uma major e parecia certo que iam dar “o” salto.
E até deram: fizeram o excelente Transatlanticism (2003), ao qual faltou talvez um single mais visível e o êxito comercial que era merecido e que, noutro mundo ou com um pouco de sorte, podia ter acontecido.
Em Plans (2005), com mais que um punhado de muito boas canções e um som mais aberto, não faltou quem diagnosticasse o perigo de esticar demasiado a corda, entre subir a parada do êxito e perder, se não a coerência, pelo menos o tão característico sabor do (des)conforto suave e melancólico que marcara os primeiros anos. O “tal” single voltou a não aparecer, não por falta de tentativa no trauteável “soul meets body”, e a oportunidade para mudar de campeonato pode bem ter passado.
É assim que chegam a Narrow Stairs (2008). Que repete, entre sinais contraditórios de maturidade e alguma erosão, as fórmulas que fizeram dos DCFC o que são. A opção, clara, foi por pisar terrenos conhecidos. E, a julgar pelos 4 intermináveis minutos de introdução com que arranca “i will possess your heart” (e a sua notável linha de baixo), passar a mensagem - provocatória ou confessional? - de que ter um single arrasador nem é prioridade nem um horizonte provável.
Pelo caminho, é verdade, ficaram mais expostos a mais pessoas sem perder o essencial das marcas peculiares que os levaram longe. Mas isso deixou-os num limbo: demasiado grandes para a inspiração discreta e sem pressão dos primeiros anos, demasiado pequenos para aspirar (?) a outros voos. Este impasse e a aparente ausência de um rumo claro justificam a recepção relativamente fria que Narrow Stairs acabou por ter.
p.s.
Entretanto, e a pretexto tanto de incêndios como do anúncio de um EP (”Open Door”) com mais resultados das gravações de Narrow Stairs, já passa aqui ao lado >>> o novo vídeo de grapevine fires (uma das melhores faixas do disco).
Em escuta aqui ao lado >>> incêndios de Verão*
27 Março 2009, 16:33 · Miguel Cabrita

the wind picked up, the fire spread
the grapevine singing, left for dead
the northern sky looked like the end of days,
end of days
the wake up call to a rented room
sounded like an alarm of impending doom
to warn us it’s only a matter of time
before we all burn
bought some wine and some paper cups
near your daughter’s school and we picked her up
drove to the cemetery on a hill,
on a hill
watched the bullets paint the sky gray
she laughed and danced through the field of graves
there I knew we’d be alright
everything will be alright,
will be alright
news reports on the radio said it was getting worse
as the ocean air fanned the flames
but I couldn’t think of anywhere I would have rather been
to watch it all burn away,
to burn away
the firemen worked in double shifts
with prayers for rain on their lips
they knew it was only a matter of time
—
Benjamin Gibbard (2008)
Death Cab for Cutie, álbum Narrow Stairs
* Que já fazem salivar muita gente…mas talvez não venham a rivalizar com os da Califórnia.
Ele, de volta
24 Março 2009, 22:13 · Mariana Vieira da Silva
Leonard Cohen regressa a Lisboa, dia 30 de Julho. Para quem passou várias semanas a ouvir o concerto no Beacon Theatre, que o all songs considered da NPR disponibilizou em podcast, começa agora a contagem decrescente. À espera, confesso, que na mala não falte isto.
Calçada de Carriche
17 Março 2009, 0:47 · Miguel Cabrita
E completamente a despropósito, por falar em entradas em Lisboa, neste caso sem auto-estrada mas ligando a uma, aliás a várias, e na confluência de muitas estradas com muitas pessoas, vale sempre a pena voltar a isto.
Era escusado
6 Março 2009, 11:42 · Hugo Mendes
Na mesma capa da revista “Ler” (foto roubada daqui) que cita a extraordinária e premonitória frase de António Barreto - «O ‘Magalhães’ é o maior assassino da leitura em Portugal» -, também se lê: «Os intelectuais: podemos acreditar neles?». Muito à propos.
O responsável por esta capa escusava de ter tirado o tapete ao seu entrevistado de forma tão óbvia. Se esta justaposição de títulos não é de propósito, parece.
Rumble Fish
23 Fevereiro 2009, 17:56 · André Salgado
Há quem defenda que a Academia não reconheceu Mr. Rourke por não se reconhecer quem apenas representa a sua vida. Faz mal. Não se traça o percurso tortuoso, os dias ganhos, os anos perdidos e a redenção, para ter o reconhecimento. A Academia não percebeu o que lhe caiu no colo. Faz mal. Representar a sua vida? Não é isso a última utopia?
¡ OPORTUNIDADE ÚNICA - Portugall 15 € - NÃO PERCA !
20 Fevereiro 2009, 18:16 · Patrícia Cadeiras
Lembram-se da celeuma que deu quando uns autocarros transportaram pessoas para um comício?
The shock of the lightning
16 Fevereiro 2009, 12:46 · Miguel Cabrita

“Eficazes”, “competentes”, eis adjectivos usados para descrever os Oasis ontem em Lisboa, em digressão de promoção do último álbum e intercalando o bem recebido material recente com “trunfos” mais antigos. Podem não ser os atributos mais estimulantes do mundo, mas as crónicas também registam que quem se deu ao trabalho de rumar ao Atlântico, que não encheu, assistiu a um bom concerto. Deve ter sido.
Hungry saw
13 Fevereiro 2009, 19:51 · Miguel Cabrita

Depois das aventuras a solo de Stuart Staples, os Tindersticks voltaram aos álbuns, às digressões e, agora, a Portugal. A suave e melancodoce tortura está marcada para hoje à noite, no Coliseu de Lisboa.
Borlas culturais do século XXI
12 Fevereiro 2009, 22:34 · Mariana Trigo Pereira
“The magazine will come out monthly. It will be distributed as a free PDF and if you’re interested in reading it on the bus or during the intermission of the musical Chicago or anywhere else, you can print it up on any printer. If you’re determined to make it into an object that resembles a real magazine, try putting a couple of staples along the spine. If you believe we do indeed live in a paperless society, or your emails end with an exhortation to ‘THINK before you PRINT!’, well, you can read it on the screen of your computer.” (Five Dials, #1)
Antigamente o gratuito era muitas vezes sinónimo de rasca, pobre, foleiro…
É fantástico como nos dias de hoje surgem tantas coisas gratuitas, muitas delas em suporte digital, que são de excelente qualidade, que têm por detrás pessoas que trabalham com brio e entusiasmo, que parecem gostar de ‘mimar’ o público-alvo com bom gosto, perfeccionismo e pormenores cuidados, como é o caso da revista mensal Five Dials que vai já no #5.
Não sei se arranjarei tempo para ler esta revista mas fico contente por existir e de estar acessível à distância de um click. À falta de tempo, posso sempre fazer como os miúdos e deliciar-me só com as ilustrações.
Mogwai: the hawk is howling
5 Fevereiro 2009, 3:36 · Miguel Cabrita
Requiem de Rabbit
4 Fevereiro 2009, 13:53 · Mariana Vieira da Silva
Enquanto acumulo recortes de depoimentos e obituários de John Updike para digerir quando acabar a série Rabbit (alguma coisa me faz resistir a aceitar a morte do autor no meio da minha leitura), o New York Times publicou Requiem, pela mão do próprio.
Cinemateca, presente e futuro
8 Janeiro 2009, 1:55 · Miguel Cabrita

João Bénard da Costa vai deixar de ser director da Cinemateca Portuguesa, a cujos écrãs (e só a eles), como a Mariana assinalava aqui, a(s) crise(s) financeira(s) tinha(m) chegado. Haveria poucos dirigentes da administração pública em funções há tanto tempo. Mas acima de tudo, não sendo a “longevidade” uma qualidade em si, e não estando ninguém isento de críticas, poucos serão também os que, em cargos com visibilidade e ainda por cima num campo tão sensível a diferenças de perspectiva e escolhas como é necessariamente o cinema, conseguiram conquistar e manter ao longo de tantos anos um prestígio público e um consenso tão sólidos.
Destas quase três décadas, e em particular desde que assumiu o cargo de director, Bénard da Costa deixa um legado de qualidade e coerência, e de modernização institucional com uma marca pessoal forte. Soube, além disso, assumir opções que nem sempre seriam óbvias, mas que tantas vezes se revelaram acertadas, como o convite para integrar a direcção da Cinemateca a Pedro Mexia, a quem os destinos da instituição ficam agora interinamente (bem) entregues. O desafio de lhe suceder será sempre imenso, mas a clareza da missão e as condições institucionais para aprofundar um caminho de modernização e inovação (por exemplo na abertura às diferentes franjas do cinema contemporâneo) estarão, decerto, criadas.
A crise financeira chega à cinemateca
3 Janeiro 2009, 12:34 · Mariana Trigo Pereira
16 de Janeiro - The grapes of wrath - John Ford
19 de Janeiro - You only live once - Fritz Lang
29 de janeiro - Wallstreet - Oliver Stone
30 de Janeiro - American madness - Frank Capra
(entre outros que passam este mês no ciclo: Nos anos de todas as bolsas:1929-2009)

The new year
1 Janeiro 2009, 20:31 · Miguel Cabrita
so this is the new year
and i don’t feel any different
the clanking of crystal
explosions off in the distance
in the distance
so this is the new year
and I have no resolutions
for self-assigned penance
for problems with easy solutions
so everybody put your best suit or dress on
let’s make believe that we are wealthy for just this once
lighting firecrackers off on the front lawn
as thirty dialogs bleed into one
i wish the world was flat like the old days
then i could travel just by folding a map
no more airplanes, or speed trains, or freeways
there’d be no distance that could hold us back
there’d be no distance that could hold us back
so this is the new year
- - -
(Ben Gibbard)
in Death Cab for Cutie (2003), Transatlanticism
O Plano
11 Dezembro 2008, 16:33 · André Salgado
O laureado cineasta Manoel de Oliveira celebra hoje o dia do seu centésimo aniversário. Domingo ao final da tarde, a um suave assentimento de Leonor Silveira, serão sopradas as velas.
Solidariedade com a Islândia (4): Olafur Arnalds
5 Dezembro 2008, 12:23 · Miguel Cabrita

Mais um pretexto, a invasão nórdica da Casa da Música: depois do famoso trombonista sueco Christian Lindberg (hoje e amanhã), e do pianista norueguês Leif Ove Andsnes (amanhã à tarde), é a vez dos sons suaves do islandês Olafur Arnalds, que abrirá a noite e o caminho para registos diametralmente opostos. Interessante ver como este ambiente cola (?) com o que se segue: os portuenses Sizo e, directamente de Omaha, Nebraska, a vivacidade dos The Faint.
Poder simbólico
20 Novembro 2008, 10:39 · Rui Branco

Grande malha, esta versão do «Be my baby» pelos Glasvegas. («grande malha» salvo seja porque, se bem percebi a linha da reunião de ontem da Comissão Central de Controlo e Quadros, este vosso aparelho ideológico de Estado não se arroga a imposição dogmática aos eleitores, perdão, leitores, de um princípio de visão e de divisão, «isto é, o poder de tornar visíveis, explícitas, as divisões sociais implícitas, é o poder político por excelência: é o poder fazer grupos, de manipular a estrutura objectiva da sociedade» [Bourdieu, 1990: 167], nem do campo de produção cultural, nem, et pour cause, do campo político. Embora confesse, mas que fique bem claro que não quero criar chatices a ninguém, dividir a unidade da luta do movimento ou pactuar com qualquer exercício de fraccionamento, que o que eu desejava para a esquerda em Portugal era que tivesse grande simpatia pelo regime democrático parlamentar.)








