A crise financeira chega à cinemateca
3 Janeiro 2009, 12:34 · Mariana Trigo Pereira
16 de Janeiro - The grapes of wrath - John Ford
19 de Janeiro - You only live once - Fritz Lang
29 de janeiro - Wallstreet - Oliver Stone
30 de Janeiro - American madness - Frank Capra
(entre outros que passam este mês no ciclo: Nos anos de todas as bolsas:1929-2009)

The new year
1 Janeiro 2009, 20:31 · Miguel Cabrita
so this is the new year
and i don’t feel any different
the clanking of crystal
explosions off in the distance
in the distance
so this is the new year
and I have no resolutions
for self-assigned penance
for problems with easy solutions
so everybody put your best suit or dress on
let’s make believe that we are wealthy for just this once
lighting firecrackers off on the front lawn
as thirty dialogs bleed into one
i wish the world was flat like the old days
then i could travel just by folding a map
no more airplanes, or speed trains, or freeways
there’d be no distance that could hold us back
there’d be no distance that could hold us back
so this is the new year
- - -
(Ben Gibbard)
in Death Cab for Cutie (2003), Transatlanticism
O Plano
11 Dezembro 2008, 16:33 · André Salgado
O laureado cineasta Manoel de Oliveira celebra hoje o dia do seu centésimo aniversário. Domingo ao final da tarde, a um suave assentimento de Leonor Silveira, serão sopradas as velas.
Solidariedade com a Islândia (4): Olafur Arnalds
5 Dezembro 2008, 12:23 · Miguel Cabrita

Mais um pretexto, a invasão nórdica da Casa da Música: depois do famoso trombonista sueco Christian Lindberg (hoje e amanhã), e do pianista norueguês Leif Ove Andsnes (amanhã à tarde), é a vez dos sons suaves do islandês Olafur Arnalds, que abrirá a noite e o caminho para registos diametralmente opostos. Interessante ver como este ambiente cola (?) com o que se segue: os portuenses Sizo e, directamente de Omaha, Nebraska, a vivacidade dos The Faint.
Poder simbólico
20 Novembro 2008, 10:39 · Rui Branco

Grande malha, esta versão do «Be my baby» pelos Glasvegas. («grande malha» salvo seja porque, se bem percebi a linha da reunião de ontem da Comissão Central de Controlo e Quadros, este vosso aparelho ideológico de Estado não se arroga a imposição dogmática aos eleitores, perdão, leitores, de um princípio de visão e de divisão, «isto é, o poder de tornar visíveis, explícitas, as divisões sociais implícitas, é o poder político por excelência: é o poder fazer grupos, de manipular a estrutura objectiva da sociedade» [Bourdieu, 1990: 167], nem do campo de produção cultural, nem, et pour cause, do campo político. Embora confesse, mas que fique bem claro que não quero criar chatices a ninguém, dividir a unidade da luta do movimento ou pactuar com qualquer exercício de fraccionamento, que o que eu desejava para a esquerda em Portugal era que tivesse grande simpatia pelo regime democrático parlamentar.)
Porque é que Hillary perdeu
19 Novembro 2008, 15:42 · Rui Branco
Quem viu o «War Room» se calhar lembra-se dele. Howard Wolfson era o tipo alto de barba meio ruiva que aparecia de vez em quando a olhar para Carville e Stephanopoulos, de braços cruzados, às vezes com ósculos escuros, pensativo.
Nas primárias da nomeação democrata, Wolfson era o «director de comunicações» da campanha de Hillary (o Toby Ziegler, portanto). A campanha parece que correu mal, como se sabe. Abundaram as teses e as exumações, depois menos, e se calhar agora outra vez mais.
No final das primárias, Wolfson tornou-se comentador da Fox News (fair and balanced, topam?), abriu um blog no site da New Republic, e regressou a uma paixão antiga (peço desculpa pelo tom taxonómico involuntário), a música indie. E tem um blog porreiríssimo a mostrar isso mesmo, o Gotham Acme.
Há muitas teorias sobre as razões pelas quais Hillary perdeu a nomeação democrata. Uma, ele pode haver outras: Hillary teve muitos, muitos votos, mas Obama teve mais. E parce que mais delegados também. Mas, se quisermos ser mais analíticos e rigorosos, sugiro aqui esta outra, que me parece ser das melhorzinhas até agora.
Uma campanha que entre «Suddenly I See» de K T Tunstall e «You and I» de Celine Dion escolhe a Celine Dion para a música da campanha - está tudo dito (e mais duas palavrinhas: Mark Penn e mais quem o contratou e não o despediu ou não despediu a tempo).
Como Wolfson entretanto contou com piada, ele na altura previu meio a brincar que essa seria uma escolha fatídica, que seria o fim da campanha. E foi mesmo. Tudo isto é recordado no Gotham Acme, no post «Election turning points», e no New York Times:
«Brainstorming sessions ensued. The Iowa caucuses could wait — this was serious business.
Ideas were put forward: Motown, disco, ballads. I pushed K T Tunstall’s “Suddenly I See” because it seemed empowering and upbeat. It was immediately criticized. What about the singer’s use of the word “hell”?
Everyone had favorites, and every favorite had its detractors. We studied lyrics and performer biographies. We downloaded possibilities and listened. Some of us danced, while others sat and frowned.
Get Ready” by the Temptations? Too sexual. “Rhythm Nation” by Janet Jackson? What about that unfortunate wardrobe malfunction?
To break the stalemate, we sponsored an online contest for supporters and gave them options to choose from. The votes and commentaries rolled in. Celine Dion’s “You and I” was selected, a decision I jokingly predicted would signal the end of the campaign.»
Nada como abrir o melão para ver: K T Tunstall vs. Celine Dion
Barack Obama é “jovem, bonito e está bronzeado”
7 Novembro 2008, 11:25 · Rui Branco

De facto, Deus nos salve de Berlusconi.
West Wing, season 8 começa
6 Novembro 2008, 19:35 · Rui Branco
Josh Lyman, perdão, Rahm Emanuel, acaba de aceitar a posição de chefe de gabinete na West Wing de Matt Santos, perdão, Barack Obama. Esta nomeação coloca-nos vários problemas de narratologia e epistemologia. Ficção e realidade tornam-se uma só (facto também notado por Pedro Marques Lopes). Primeiro, foi a série que se inspirou na realidade (quem viu o War Room e se lembrar da cena da galinha para chamar mariquinhas a quem não quer debater percebe do que estou a falar). Joshua «Josh» Lyman, o deputy chief of staff na West Wing de Bartlett, foi inspirado em Rahm Emanuel, politial adviser na Casa Branca de Clinton. Na 6.ª época, e aproximando-se o final do segundo mandato de Bartlett, Josh tem a ideia de ir desafiar um congressista hispânico, Matt Santos (Jimmy Smits), para concorrer às primárias democráticas. O discurso de Obama em 2004 terá inspirado Aaron Sorkin, o criador e argumentista de West Wing, para esta possibilidade (que o próprio já confirmou), a de um presidente não branco, meio desconhecido, que levanta um país com o poder de uma ideia simples: mudança. Depois de umas duras primárias, Matt Santos ganha a nomeação democrata; na época seguinte, Santos ganha a eleição presidencial contra um nomeado republicano desalinhado, decente, respeitável e respeitado pelos democratas (o magnífico Alan Alda), em quem muitos julgaram ver McCain, e bem. Santos, o primeiro presidente hispânico. O que é curioso é que a personagem de Santos sempre se recusou a correr como hispânico-americano; correu apenas como americano. Também ele enfrentou questões raciais fortes, que superou, percebendo bem, como Obama, que se corresse como o típico e previsível candidato chicano, com uma agenda política nascida e limitada por esse facto adscritivo, nunca poderia ganhar ou nunca poderia ganhar da única maneira que valia a pena ganhar, isto é, transcender as linhas de clivagem étnica. A 7.ª época de West Wing termina com a formação do primeiro governo de Santos, do qual Josh é, naturalmente, o chefe de gabinete. O último episódio da última época do West Wing foi para o ar em 14 de Maio de 2006. A ficção copiou a realidade e depois a realidade copiou a ficção. A 8.ª época começa.

Serviço postal: manual de campo
4 Novembro 2008, 17:51 · Miguel Cabrita
Recebi há pouco no meu e-mail esta mensagem que não resisto a reproduzir.
É por estas e por outras (sobretudo por outras, mas também por estas) que gosto especialmente dos death cab for cutie, banda da costa Oeste dos Estados Unidos que apesar do nome duvidoso tem assinado sucessivos álbuns dignos de nota e sobre quem aqui escreverei um destes dias. Para além da música, Benjamin Gibbard e Chris Walla, figuras mais salientes e respectivamente letrista-vocalista e guitarrista-produtor do grupo, estiveram entre os muitos destacados artistas que se empenharam na longa campanha presidencial de Obama, da convenção democrática à participação em comícios.
Hoje, prestam literalmente um serviço postal (nome do projecto paralelo de Gibbard) e como se vê, levam até ao fim um exemplar compromisso cívico: não é apenas um apelo ao voto e à participação (que aliás ocupa hoje a entrada no site da banda), o que já seria digno de elogio, é um verdadeiro manual de campo (título do recente álbum a solo de Chris Walla) para que todos consigam votar e contribuir para que o processo eleitoral corra sem falhas.
Death Cab for Cutie - Vote November 4th
Tomorrow, we will elect the next President of the United States. The result will have great consequences for the nation. This election offers a choice between two men with dramatically different visions of the future. We have strong feelings about this choice. But we feel even more strongly that all Americans, regardless of political preference, have a stake in the outcome and should vote in this critical election
This is likely to be a close election. Your vote matters. Please use it and make a difference.
If you do encounter long lines, here are some ways to have fun and ensure you can vote:
Go with friends and/or bring phones, iPods, lawn chairs, food, reading materials, proper clothing, etc.
Don’t believe the polls if they say a candidate is winning or losing. They’ve been wrong before.
Ask for the day-off from work or class.
Verify your polling location BEFORE you head to the polls by calling 1-866-OUR-VOTE or contact your local County Election Office. Or, use the Google Maps Voter Info
Help others stay in line. Share your food, drink, music, reading materials, election protection information. Remember: we’re in this together.
Make sure to take this number with you so that if you encounter any problems, you can talk to nonpartisan election lawyers who can help: 1-866-OUR-VOTE or request a provisional ballot.
If you do run into any issues at the polls, Video The Vote and document election problems.
Róisín Murphy: (over)powered, mas quanto?
31 Outubro 2008, 14:19 · Miguel Cabrita
Foi ontem no Coliseu, será hoje na Casa da Música. Powered, mas não em demasia, a magnética Róisin Murphy não terá gerado a euforia que alguns antecipavam, mas um bom concerto que oscilou entre o ritmo e a maior intimidade, com interpretações mais soltas quer da fase-herbert quer do último álbum. Tanto melhor, mais espaço para músicas com menos exposição mas brilhantes (esta, por exemplo) e para uma deliciosa voz que se revela (ainda mais) em registos a que é menos habitual associá-la. Talvez ainda venhamos a conhecer Róisín melhor - ou ela a nós.
Solidariedade com a Islândia (2): believe
28 Outubro 2008, 14:06 · Miguel Cabrita
Depois de inaugurada a série com Bjork, mais solidariedade com a ilha do gelo.
Os Gus Gus podem ter perdido algum do fulgor (e da relevância?) inicial, mas mantêm-se justamente como uma das referências mais lembradas da música exportada pela Islândia. Believe (vídeo relativo) é um dos singles de Polydistortion (1997), primeiro registo numa multinacional.
p.s. Via wikipédia, cheguei a esta entrevista da banda em que o nome é atribuído a uma deturpação da pronúncia de “couscous” por uma personagem de Fassbinder. E porque não?
Best political team
27 Outubro 2008, 18:05 · Mariana Vieira da Silva
O Doc Lisboa acabou ontem e, para quem aceitou ficar acordado até às 2am, acabou bem. The War Room, um documentário que mostra como, para The West Wing , Aron Sorkin não precisou de inventar quase nada, foi uma óptima forma de começar a semana que antecede as eleições americanas. Terça-feira, quando a best political team on television entrar pela minha sala, os comentários de James Carville e Paul Begala terão um outro sabor.
E foi bom ouvir, em 2008, um excerto de um discurso de Al Gore de 1992, que também mostra como as eleições de 2000 tiveram o desfecho errado:
“Unemployment around the country has gone up; the number of jobs has gone down. The trade deficit has gone up; personal income has gone down. The budget deficit has gone up; consumer confidence has gone down. Poverty has gone up; the number of jobs has gone down. Bankruptcies have gone up, jobs, down; fear, up; hope, down; everything that oughta be down is *up*, everything that should be up is *down*; they’ve got it upside down, and we’re gonna turn it right side *up!* “
Tenham medo, tenham muito medo
26 Outubro 2008, 11:27 · Rui Branco

Palin: Obama’s Tax Plans Could Mean Nightmare Communist State
«See, under a big government, more tax agenda, what you thought was yours would really start belonging to somebody else, to everybody else. If you thought your income, your property, your inventory, your investments were, were yours, they would really collectively belong to everybody. Obama, Barack Obama has an ideological commitment to higher taxes, and I say this based on his record… Higher taxes, more government, misusing the power to tax leads to government moving into the role of some believing that government then has to take care of us. And government kind of moving into the role as the other half of our family, making decisions for us. Now, they do this in other countries where the people are not free. Let us fight for what is right. John McCain and I, we will put our trust in you.»
Can you spot a pattern?
15 Outubro 2008, 14:44 · Miguel Cabrita
Dois meses depois do interessante (ainda que curto e um pouco desigual) concerto lá para os lados do fim do mundo, a Sudoeste, o País Relativo não pode deixar de invocar Bjork para se solidarizar neste momento (?) difícil com a ilha do Noroeste, quase perdida entre a wanderlust e o (de)gelo. Este será também, talvez, o dilema de Volta (2007), último registo, onde contra a corrente dos álbuns mais recentes regressa a tentativa de equilíbrio entre os ambientes mais fechados, as melodias e súbitas explosões de energia: wanderlust! relentlessly craving / wanderlust! peel off the layers / until we get to the core… Será este um dos problemas - ou a solução?
Wanderlust
(Volta, 2007)
I am leaving this harbour
Giving urban a farewell
Its habitants seem to keen on God
I cannot stomach their rights and wrongs
I have lost my origin
And I don’t want to find it again
Whether sailing into nature’s laws
And be held by ocean’s paws
Wanderlust! relentlessly craving
Wanderlust! peel off the layers
Until we get to the core
Did I imagine it would be like this?
Was it something like this I wished for?
Or will I want more?
Lust for comfort
Suffocates the soul
Relentless restlessness
Liberates me (sets me free)
I feel at home
Whenever the unknown surrounds me
I receive its embrace
Aboard my floating house
Wanderlust! relentlessly craving
Wanderlust! peel off the layers
Until we get to the core
Did I imagine it would be like this?
Was it something like this I wished for?
Or will I want more?
Wanderlust! from island to island
Wanderlust! united in movement
Wonderful! I’m joined with you
Wanderlust!
Can you spot a pattern?
(relentlessly restless)
Can you spot a pattern?
Can you?
Documentários
15 Outubro 2008, 13:12 · Mariana Trigo Pereira
«I try to immerse myself, to the extent I can, in the life of a place of which I have little prior knowledge, and I don’t go in with a thesis I try to prove or disprove. The shooting of the film is the research. My response to that experience is what the final film is about. » Frederick Wiseman
Começa esta semana o festival de documentários de Lisboa e queria aqui destacar a retrospectiva do documentarista americano do ‘direct cinema’ Frederick Wiseman e, em particular, o filme Welfare (20 e 26 de Outubro):
Mas este ano haverá também filmes para os entusiastas das campanhas eleitorais americanas (ambos dia 26 de Outubro) - Primary, sobre a campanha para a nomeação presidencial do senador J.F.Kennedy e The War Room sobre os bastidores da eleição presidencial de Clinton.
Vírus
10 Outubro 2008, 11:22 · Filipe Nunes
Assim se chama o melhor programa da rádio portuguesa. De segunda a sexta, às 9.15, no Rádio Clube Português, José Pacheco Pereira dá som às suas obsessões: os clássicos, a memória histórica, os totalitarismos. E, até, Manuela Ferreira Leite, evocada a propósito de 4’33 de John Cage: «São quatro minutos do mais profundo e perturbador silêncio, mas no final ouvem-se palmas». (Parece que , na estreia da chamada «silent piece», a aclamação não foi assim tão evidente, mas isso agora também não interessa.)
No programa de ontem, Pacheco Pereira falou-nos do seu congelador, onde não há espaço para bifes nem para camarões; só para livros. Livros antigos, daqueles que trazem bichos que é preciso neutralizar antes de irem para a estante. «Durante dois dias deixo-os no congelador. Se forem livros de autores ingleses, são acompanhados de uma garrafa de gin; se forem de autores russos, são acompanhados de uma garrafa de vodka.» É Pacheco vintage.
Muna
5 Outubro 2008, 23:19 · João Jesus Caetano
A companhia de teatro do Porto Visões Úteis estará no Teatro Nacional D. Maria II, de 15 a 26 deste mês, com “Muna”, uma peça com duas versões: para adultos, e para crianças.
Ana Vitorino, Carlos Costa e Catarina Martins assinam a direcção e dramaturgia deste projecto que parte do poema “O Rei dos Elfos”, de Goethe, e do universo do ilustrador Júlio Vanzeler: «Um espectáculo que explora o fascínio pelas imagens e sons que nos embalam e assustam. Como a cabra cabrês. Que te salta em cima e te parte em três». Em palco, estarão também João Martins, Rui Queiróz de Matos e Pedro Carreira.





