A direita precisa de amigos (II)

13 Outubro 2009, 20:11 · André Salgado

Rui… Rui… Rui… não é vergonha nenhuma escrevinhar canalhices. Acontece nas melhores famílias. É preciso é tê-los no sítio para defender o que se escrevinha, e não ir a correr corrigir a mão quando se apercebe que se calhar fez merda.

Não entenda isto como um desincentivo. Eu aprecio o que escreve. Apenas acho que o Rui está mais à vontade com a graça e o humor quando pensa e escreve a sério. O talento está lá, é só não forçar demasiado.

Um abraço

A direita precisa de amigos

13 Outubro 2009, 18:55 · André Salgado

Volta e meia e a tropa fandanga insiste em repisar o tema. Nem a triste figura do professor na presidência lhes ensinou a prudência. Não é particularmente interessante saber quem divulgou o e-mail (e esqueçam lá isso das fantasias com agentes secretos; não são precisos mais que dois dedos de testa para perceber que a “fuga” veio de dentro do Público), nem quem foi o Manel ou Jaquim que terá servido de eventual intermediário para fazer chegar a informação a outros jornais. Terá interesse para quem queira fazer ajustes de contas. O que este exercício de spinning elementar procura esconder é o facto do e-mail ser real e o seu conteúdo também. E que o que lá está é grave e não abona nada em favor de quem habita a casa da primeira figura do Estado e do “jornalismo de referência” (sem risos) e é um constrangimento a quem a teoria aproveitou.

João Marcelino terá objectivamente beneficiado o PS com a publicação da notícia do e-mail no DN? Talvez sim, se quisermos ser pragmáticos. Com uma diferença, porém. Argumentários éticos e deontológicos à parte, desmontou aos olhos do país este lamentável episódio. Por outras palavras, contou a verdade, esse vocábulo tão maltratado. Assim como José Manuel Fernandes se colocou ao serviço do mandante e dos interesses do calendário eleitoral do PSD, fabricando um embuste por encomenda. Assim como Henrique Monteiro protegeu os interesses da Presidência da República e do PSD ao recusar a informação que permitia compreender a encomenda. Por entre labirintos de defeitos e virtudes várias, com qual das “verdades” dormiríamos melhor?

Divulga-se: Pais AMPLOS

2 Outubro 2009, 12:12 · Mariana Trigo Pereira

Página na internet : http://amplosbo.files.wordpress.com/

O 1º encontro da AMPLOS, aberto a todos os interessados, realiza-se no próximo dia 10 de Outubro na Ler Devagar da Lx Factory, Alcântara.

Jornal Público

1 Outubro 2009, 15:01 · Tiago Barbosa Ribeiro

José Manuel Fernandes vai abandonar o Público. Agora que deixa a política, pode enfim dedicar-se ao jornalismo.

Um novo ciclo

28 Setembro 2009, 16:57 · Miguel Cabrita

O Duplo Pacto - Hugo Mendes

20 Agosto 2009, 14:11 · João Jesus Caetano

O Hugo Mendes publicou no Diário Económico de hoje um artigo de leitura obrigatória, que transcrevo integralmente:

Um dos mitos contemporâneos diz que a globalização torna o Estado social insustentável, sobretudo nos países pequenos. A direita regozija e a esquerda protesta, mas ambas aceitam a sua inevitabilidade. O mito, porém, não sobrevive à análise: as economias mais integradas no comércio internacional são as dos pequenos países - os mesmos que construíram os Estados sociais mais generosos. Parte da explicação é esta: a vulnerabilidade do mercado interno a choques exógenos incentiva à coordenação entre Governo, capital e trabalho, e favorece a construção de compromissos de classe e de instituições que protegem contra os humores do mercado.

A discussão é particularmente actual no momento em que o PS propõe ao país um duplo pacto: para o reforço da internacionalização da economia e para a expansão do Estado social. Os pactos complementam-se porque permitem aumentar a coerência entre os regimes de produção de bens transaccionáveis e de protecção das pessoas. Claro que é impossível copiar as instituições ou a trajectória dos países europeus pós-1945: em Portugal, a representação do capital e do trabalho é menos unificada; a taxa de sindicalização no privado é muito reduzida; grande parte dos empregadores e trabalhadores é pouco qualificada; o tecido económico tem bolsas de baixíssima produtividade. Sabemos, porém, que as instituições condicionam a acção dos parceiros, mas não a determinam. A escolha da estratégia é, por isso, decisiva.

A estratégia do duplo pacto aposta na definição dos clusters que merecem a aposta prioritária dos sistemas público e privado de inovação. Aposta em medidas de apoio à capacidade organizacional das firmas e à sua inserção em redes internacionais. Aposta na qualificação de pessoas ao nível do ensino superior e do secundário. Aposta em níveis elevados de contratação colectiva e moderada segurança laboral. Aposta em trabalhadores mais bem pagos; num país onde o salário mediano ronda os 700€ e cerca de 500.000 ganham o salário mínimo, é preciso prosseguir o aumento deste, medindo o impacto no emprego. É possível, porém, aumentar o rendimento do trabalhador se o Estado fornecer um complemento ao salário; a medida, que existe em inúmeros países, consta do programa do PS.

Os pactos não se complementam por acção da mão invisível do mercado, mas da mão visível do compromisso. O duplo pacto incentiva ao aprofundamento da coordenação cooperativa da economia, essa dinâmica negocial entre Governo, empresas e sindicatos, assente na concertação, na persuasão, e no incentivo - numa palavra, na política. Se alguns reduzem isto a “negociatas”, é porque lhe têm horror.

Publiquices em período eleitoral

18 Agosto 2009, 11:11 · Mariana Trigo Pereira

Alguém que me explique o encadeamento lógico desta notícia:

O clima psicológico que se vive no Palácio de Belém é de consternação e a dúvida que se instalou foi a de saber se os serviços da Presidência da República estão sob escuta e se os assessores de Cavaco Silva estão a ser vigiados

Será que os assessores do Presidente estão sob vigilância do Governo ou do PS? Como têm acesso a essas informações? Será que em Belém passámos à condição de vigiados?

1- Este país é minúsculo e toda a gente sabe coisas sobre toda a gente. Ninguém precisa de estar sob vigilância para que se saibam de encontros entre pessoas para escrever um programa eleitoral.
2- Mas, se se sentem vigiados é porque confirmam indirectamente a suspeita.

O vice-presidente do PSD, José Pedro Aguiar Branco, desmentiu categoricamente, em declarações ao PÚBLICO, que tenha havido qualquer colaboração de assessores do Presidente da República na elaboração do programa”.

Donde se conclui que o título da manchete do Público devia ser:
“Presidência suspeita estar a ser mal vigiada pelo Governo” ou “Hoje não temos nada melhor para colocar na capa do Jornal”.

Actualização (silly season no seu melhor): Como reporta o SOL, “a colaboração entre assessores de Cavaco e a direcção de Manuela Ferreira Leite já era sugerida antes de sábado passado, num artigo do Semanário, de 7 de Agosto, intitulado «Ferreira Leite faz o programa com Catroga e assessores de Belém». A teoria era aparentemente aceite pelo próprio PSD, que publicou o artigo no site de campanha Política de Verdade.”

“Há sempre um mas…” #2

14 Agosto 2009, 15:59 · Miguel Cabrita

O de hoje, na capa do inevitável Público é:

“Economia volta a crescer mas cenário de crise continua presente”.

Decerto, para o caso de alguém muito, mas mesmo muito, distraído se esquecer…

Os limites do controlo

13 Agosto 2009, 18:36 · Miguel Cabrita

Há sempre um “mas”, costuma dizer-se. E que “mas”, por vezes. Será uma máxima sábia, mas que se torna particularmente verdadeira em contextos muito específicos. Por exemplo, nos títulos que os spin doctors do Público arranjam nas poucas ocasiões que se lembram de puxar para primeira página notícias que seriam inequivocamente boas sobre os resultados da governação. Como que por milagre, há sempre um arreliador “mas” para atrapalhar.

Hoje, por exemplo. O “tempo de espera nas cirurgias baixou para 3,4 meses” contra os 8,6 meses que eram a situação de partida em 2005. Impressionante? Talvez, mas

…”mas consultas estão sem controlo”. Quem lê isto, pensa que os tempos de espera nas consultas estão “descontrolados”, que dispararam, que há uma situação de catástrofe ou que pelo menos ninguém está preocupado. Afinal, tudo espremido e simplesmente não há ainda dados sobre o programa “Consulta a Tempo e Horas”, também lançado por este governo para diminuir os tempos de espera para primeiras consultas de especialidade.

Mesmo dando de barato que a situação possa não ser tão favorável como nas cirurgias (afinal, nem seria fácil), há medidas em curso e haverá dados disponíveis antes do final do ano. Qualquer semelhança disto com uma situação que “está sem controlo” é, no mínimo, pura desonestidade. E, ninguém acredita que por descuido ou descontrolo, (mais) um título verdadeiramente enganoso.

Crescimento económico

13 Agosto 2009, 16:36 · Miguel Cabrita

Os dados hoje revelados pelo INE mostram que, se em termos homólogos há ainda (como seria inevitável) uma variação negativa da economia, em relação ao 1º trimestre de 2009 há  uma evolução positiva da actividade económica de 0,3%. É pouco, mas estamos de novo em terreno positivo; e acima de tudo é um dado inesperado, muito melhor do que o previsto, como aliás o próprio Público reconhece. Não sendo prudente desvalorizar a situação complexa que ainda se vive a vários níveis na economia (por exemplo, na evolução dos preços) e no emprego, esta informação contraria todas as previsões e acaba com a situação de recessão técnica muito mais cedo do que o esperado.

Resta saber o tipo de tratamento que será dado a esta verdadeira notícia. Por exemplo, há uns dias o Público fazia na primeira página grande destaque dos indícios de melhoria dos indicadores económicos internacionais, salientando que Portugal estava “atrasado” em relação a outros países. O rigor informativo era tal que no interior do jornal tínhamos até direito a gráficos para demonstrar tal tese - esquecendo o “analista”, apenas, o pequeno pormenor (aliás, bem visível nos gráficos) de Portugal ter sentido também mais tarde que outros os efeitos da crise. Será interessante ver qual será, agora, não apenas o destaque dado à notícia mas também qual o ângulo escolhido para a tratar.

Programa e política(s)

30 Julho 2009, 13:29 · Miguel Cabrita

Ter a ambição de governar implica ter um programa completo e transparente e sujeitá-lo, atempadamente, à apreciação dos cidadãos. Além de uma obrigação democrática, é uma pré-condição para, como agora alguns se lembraram de inventar, ”fazer política com as pessoas”. De outro modo, far-se-ão muitas coisas com as pessoas, mas dificilmente “política”.

O PS apresentou ontem o programa com que se apresenta às legislativas: no tempo certo, a dois meses das eleições, com opções claras e propostas escrutináveis. Outros apresentarão as suas ideias quando julgarem conveniente ou quando estiverem preparados para isso. E nessa altura poderemos comparar.

Enquanto isso não é possível (durante quanto mais tempo?), pode ler o programa do PS na íntegra aqui.

O País Relativo recomenda

28 Julho 2009, 20:54 · André Salgado

Divulga-se: Pais em Rede

24 Julho 2009, 12:34 · Mariana Trigo Pereira

A integração das “famílias especiais” na sociedade portuguesa é problemática.
PAIS-EM-REDE pretende especializar-se nesta área, reunindo famílias e cidadãos solidários, de todas as regiões do país, com o objectivo de definir a complexa rede de carências e de abrir caminhos para as resolver.

PAIS-EM-REDE é um movimento cívico, a nível nacional, sem fins lucrativos, que apoia “famílias especiais” com o objectivo de promover a qualidade de vida e a realização de projectos pessoais e profissionais.

PAIS-EM-REDE pretende ser a voz activa, que actua de forma dinâmica e transversal, em colaboração com as estruturas existentes.

PAIS-EM-REDE visa estar presente em áreas como a saúde, a educação, a formação e integração sócio-profissional de modo a assegurar a realização pessoal.

Já com página na internet, para consultar aqui.

Rasgar a escola para todos

10 Julho 2009, 14:38 · João Jesus Caetano

O gráfico em baixo mostra a taxa de escolarização dos jovens com idades entre os 15 e os 17 anos, de 1961 a 2006.

Entre 1995 e hoje, essa taxa tem-se situado ligeiramente acima dos 80%, oscilando aqui e ali sem grande significado. Ou seja, nos últimos 15 anos, quase 20% dos jovens com idades entre os 15 e os 17 anos não frequentaram nenhum estabelecimento de ensino.

Hoje, na Assembleia da República, ao não ter votado favoravelmente a proposta do Partido Socialista que prevê o alargamento da escolaridade obrigatória até ao 12º ano, o PSD de Manuela Ferreira Leite mostrou que vive em paz com esta realidade.

[Taxa de escolariação mede o número de estudantes que frequentam estabelecimentos de ensino, independentemente do nível em que se encontram, relativamente à população total com a mesma idade - fonte: GEPE]

É o facilitismo, claro

7 Julho 2009, 17:40 · Tiago Barbosa Ribeiro

Nuno Crato, a TVI e alguma direita catatónica, sobretudo nos blogues, quiseram fazer crer ao indigenato que os socialistas promoviam o facilitismo nos exames escolares. Se isso já era irónico quando pensamos em quem se opôs às reformas promovidas pelo PS para uma maior exigência na educação, mais se torna quando sabemos agora que duplicou a taxa de reprovações a Matemática nos exames do 12º ano. Enfim. A realidade está a fazer oposição à direita, o que não deixa de ser incómodo para as crenças colectivas de algumas pessoas.

Os cínicos, os crédulos e a participação

29 Junho 2009, 0:02 · Mariana Vieira da Silva

Robert Reich escreve aqui um post daqueles que farão os fãs da política americana vestir a pele de Tocqueville e suspirar um “aquilo é que é uma democracia”. Secretary of Labour de Bill Clinton, Reich deixa aos cínicos e aos admiradores um recado sobre Obama e a sua política. E porque este é, por cá, tempo de eleições, de discutir os programas e as políticas, fica para o day-after:

«People who voted for Barack Obama tend to fall into one of two camps: Trusters, who believe he’s a good man with the right values and he’s doing everything he can; and cynics, who have become disillusioned with his bailouts of Wall Street, flimsy proposals for taming the Street, willingness to give away 85 percent of cap-and-trade pollution permits, seeming reversals on eavesdropping and torture, and squishiness on a public option for health care.

In my view, both positions are wrong. A new president — even one as talented and well-motivated as Obama — can’t get a thing done in Washington unless the public is actively behind him. As FDR said in the reelection campaign of 1936 when a lady insisted that if she were to vote for him he must commit to a long list of objectives, “Maam, I want to do those things, but you must make me.”

We must make Obama do the right things. Email, write, and phone the White House. Do the same with your members of Congress. Round up others to do so. Also: Find friends and family members in red states who agree with you, and get them fired up to do the same. For example, if you happen to have a good friend or family member in Montana, you might ask him or her to write Max Baucus and tell him they want a public option included in any healthcare bill.»

Colocar questões incómodas, saber ouvir as respostas

19 Junho 2009, 18:49 · Miguel Cabrita

A entrevista que Ana Lourenço fez a José Sócrates tem suscitado comentários curiosos, porque teria sido demasiado cordial. Aparentemente, há quem prefira o estilo Moura Guedes, em que os convidados são tratados discricionariamente conforme a aprovação ou simpatia que suscitam ou não à “jornalista”; e ou se submetem a uma abordagem tantas vezes inaceitável ou a “interacção” descamba num ápice para um combate de boxe em que o animal mais feroz e que acirra os ânimos é sempre o “entrevistador”.

Não é difícil perceber as razões dessas preferências. Mas é legítimo que nos interroguemos sobre o que se diria se as simpatias e antipatias, evidentes mesmo que não explícitas, de alguns órgãos de comunicação social fossem, em vez destas, outras. E que nos interroguemos também sobre os efeitos que este contexto mediático está a ter na qualidade dos media e da democracia.

Na entrevista a Sócrates que eu vi, a jornalista levantou os temas incómodos que tinha a levantar, interrompeu quando teve que interromper, e até terminou, já sem direito a resposta, com uma biografia do primeiro-ministro que salientava bem mais vários dos pontos do seu percurso que têm suscitado comentários ou interrogações. Mas, pelo meio disto tudo, ouviu as respostas de quem entrevistava. Dir-se-á que se limitou a ser uma boa profissional (além de tratar com educação quem convidou); mas nos tempos que correm, como se vê, isso faz toda a diferença.

P.S. Concordando-se ou não com todos os pontos da análise, vale a pena ler este texto de João Lopes, que não poderá ser acusado de parcialidade.

OCDE desmente Nuno Crato (título tablóide, eu sei)

18 Junho 2009, 2:49 · Hugo Mendes

Já é habitual: em tempo de exames, Nuno Crato é a cara e a voz da Sociedade Portuguesa de Matemática na luta contra o “facilitismo” reinante.  

Como é provável que volte a ser entrevistado no decurso das próximas semanas, deixo aqui um pedido sincero a um(a) jornalista que tenha a ocasião de falar com ele: pergunte-lhe como explicar estes dados da OCDE (atenção: o relatório não foi encomendado pelo Governo) que descrevo aqui, e que contrariam o que Nuno Crato diz há anos na TV, nos jornais e em livros. O país interessado nas coisas da educação agradecia (e o “jornalismo de investigação” - é verdade, os dados estão perdidos no meio de um relatório de 300 páginas, é preciso procurá-los com um pouco de paciência - podia deixar de significar apenas “descobrir os podres dos políticos”).

É que se a crítica ao “facilitismo” nos exames tiver tanta consistencia empírica como a crítica ao “eduquês” (a quem Nuno Crato atribui quase todos os males do nosso sistema educativo), então…Talvez tenhamos que esperar, um dia, por um estudo da OCDE para (ajudar a) resolver a questão. Até lá, o mesmo discurso estereotipado terá o mesmo monopólio de sempre na imprensa (e a mesma condescendência jornalística também: a “agressividade” e o “jornalismo de investigação” só servem, todos sabemos, para encostar os ministros e políticos à parede - nunca os seus críticos, que têm carta branca para dizer o que lhe apetece sem que o que é dito tenha de ser justificado ou validado).

Agora, fazer “exercícios” como o Expresso fez no sábado passado de “comparação de exames” - mas afinal não se “comparam exames”, o que se “compara” são problemas a vulso, escolhidos provavelmente entre milhares de exemplos possíveis - é brincar com coisas sérias.

Coisinhas frescas no verão

17 Junho 2009, 18:49 · André Salgado

Seres humanos fracos e indefesos, friamente assassinados à sombra de leis iníquas, mortos quando não mesmo desmembrados

Uma pessoa interroga-se, em horror: o Ruanda…? o Kosovo…? o Darfur…? Treblinka…?

Nada disso, é o mundo de Rui Crull Tabosa.

I sento (2)

17 Junho 2009, 17:35 · Mariana Trigo Pereira

«TGV fica na gaveta: governo a navegar à vista»

«José Sócrates quer maioria absoluta para governar o país sozinho»

Novos movimentos sociais

9 Junho 2009, 0:38 · Miguel Cabrita

 

Na contabilidade dos vencedores e vencidos das europeias, disto ninguém fala. E é obra: mesmo sem Laurinda Alves, os piratas suecos elegeram um deputado. Em dezoito.

Mais cedo ou mais tarde

5 Junho 2009, 12:41 · Mariana Vieira da Silva

O Público não pára de me surprender. Agora parece que as eleições podem acabar num empate técnico:  ”tendo em conta as margens de erro, o empate técnico é um dos resultados mais previsíveis.”

E ontem assinalou-se o Dia Mundial da Criança

2 Junho 2009, 19:54 · André Salgado

Não é verdade, não pode ser verdade, não podemos deixar que seja verdade. Hoje há em Portugal uma clivagem moral, não entre Sócrates e Ferreira Leite, não entre governo e oposição, mas entre o PS e o País. O País tem de prevalecer sobre um PS que desmereceu da sua história. O País tem que afastar quem não revela qualquer escrúpulo para atingir os seus fins. E o País tem à sua disposição os instrumentos democráticos para o fazer.

O PSD será o instrumento do País nesta tarefa, não porque seja perfeito - a perfeição em democracia é uma miragem - mas porque é o único que está à mão. Também por isso, terá de mostrar muita humildade na hora de assumir as responsabilidades da governação. Será uma ideia nova em Portugal: um governo humilde, à escuta, sem medo de decidir mas que sabe que não é dono da verdade – condição essencial para se fazer uma política de verdade e com verdade

A geração brilhante, o tributo

1 Junho 2009, 19:24 · André Salgado

É sem dúvida, muito embora involuntariamente, o mais engraçado blogue de campanha da praça. A leitura dos últimos dias atravessou um período algo sinuoso e errático, mergulhado no compreensível pânico laranja com a credibilidade bancária. Com os ânimos mais serenos, venham os merecidos prémios da semana:

Papa de Ouro

Pinho Cardão (ex aequo com Pinho Cardão)

Vital terá inventado a ideia de um imposto europeu e depois, com medo da argolada, terá corrigido assumindo tratar-se de uma ideia plagiada. Ora, se Pinho Cardão não mostrasse forte ignorância, para utilizar uma expressão sua, saberia que a proposta de um futuro imposto europeu, e ao contrário das piruetas que Rangel tem tentado fazer, já se encontrava inscrita num relatório de 2007, que estudava as futuras fontes de financiamento da União e que foi votado também pelos eurodeputados do PSD. E foi neste contexto, de quem se limita a conhecer a discussão das matérias europeias, que Vital se referiu a esta proposta. Como a forte ignorância tem remédio, aqui fica a ligação. Não tem nada que agradecer.

Não satisfeito com este bom desempenho, Pinho Cardão entusiasma-se e lança-se na politologia. O PS está a fugir, incomodado com o seu candidato, deixando Vital a falar sozinho. Qualquer aprendiz teria a caridade de avisá-lo da insensatez da análise. Se Vital, sozinho e com o PS em debandada, vencer o mais brilhante político da nova geração, sustentado pela mais séria direcção social-democrata, digamos, do último ano, já viu o sarilho? Era como o PSD ser vencido nas urnas pelo blogue Causa Nossa.

Papa de Prata

Vasco Campilho

Descobriu que, tal como os socialistas europeus, os nossos socialistas defendem a corrupção. Fica uma pessoa intrigada com tão bombástica revelação e o que sustenta o raciocínio do Vasco é a recente lei do financiamento partidário. Que foi votada por unanimidade, incluindo o PSD. Pretendendo melhorar este esplêndido contributo, toma balanço e desfere a estocada mortal: tal como os socialistas europeus, os nossos socialistas estão pejados da escola toda dos ex-comunistas. Não só Zita Seabra lhe dará, certamente, um forte abraço, como o maoísmo do presidente que importa manter na comissão em nome do interesse nacional deverá ter ficado com as orelhas a arder. Bravo, Vasco.

Papa de Bronze

Rodrigo Adão da Fonseca

Vital tem uma visão paroquial que não reconhece a importância em ter Barroso na presidência da UE (por sinal, é da CE). E para nos convencer, o Rodrigo desencanta um exemplo imbatível: o chefe de gabinete de Barroso vai ser nomeado director-geral na comissão. Ora bem… Não é de crer, até pela experiência anterior de Vale de Almeida na comissão, que o Rodrigo queira insinuar que o seu mérito e competência para o cargo não se aguentavam nas pernas caso o presidente da comissão não fosse português. Só poderemos acreditar que são esse mérito e competência, independentemente da nacionalidade, que sustentam a nomeação, não é verdade? Devolve-se, afinal, a pergunta ao Rodrigo: tem a certeza que este é um bom exemplo do interesse nacional em ter Barroso na presidência da CE? Ou será que está descoberto o misterioso significado do slogan das famílias portuguesas acima das famílias políticas?

Papa comícios

Nuno Gouveia

Apontar o fiasco do comício do PSD em Barcelos é falta de civismo democrático de Vital. Tem toda a razão, o Nuno. Em nome do respeito pela participação democrática, pouco interessa se um comício tem 500 ou 50 mil pessoas e o que interessa é a festa da democracia. Foi por isso mesmo que o PSD protelou o início do comício em hora e meia.

E haveria tantos mais a atribuir (a Maria João Marques merecia uma categoria própria, assim como o João Gonçalves, que não foi possível linkar devido à agitação com que dispara insultos, e o Afonso “esta merda e badamecos” Azevedo Neves). Fica para a próxima, que ainda há mais uma semana pela frente.

Igualdade

1 Junho 2009, 13:08 · Mariana Trigo Pereira

A pedido de uma mãe (e porque hoje é dia da criança), transcrevo aqui o excerto de um texto do Miguel Vale de Almeida:

«Você criou o seu filho com amor e carinho. Por vezes sacrificou-se, para lhe dar a melhor educação possível. É provável que você tenha visto o seu filho como um prolongamento de si e tenha desejado para ele uma vida de felicidade e sucesso, nos planos amoroso, familiar, profissional e social. Mas com certeza você também pensou muitas vezes em como o seu filho é um indivíduo com vida própria ou como as escolhas dele podem ser diferentes das suas (por exemplo, os gostos musicais, os amigos com quem sai, até mesmo as ideias políticas), sem que isso vos afaste, desde que haja a comunicação e o afecto suficientes para aprenderem em conjunto. Você sabe que o laço entre si e o seu filho nunca se perderá, mas que, para tal, terá que o cultivar depois da inevitável separação.

Mas um dia o seu filho diz-lhe que gosta sobretudo de pessoas do mesmo sexo. Ou que se apaixonou por alguém do mesmo sexo. E você não sabe como reagir. » Continuar a ler aqui.

Aproveito também para divulgar o site do recém-criado MPI - Movimento pela igualdade de acesso ao casamento civil.

i ditoriais i sentos

30 Maio 2009, 13:32 · Mariana Trigo Pereira


(Martim Avillez Figueiredo no editorial de hoje do i. Aos poucos vamos percebendo o significado da escolha da minúscula.)

 

Era uma tarefa tão simples. Nem era preciso pertencer a uma geração brilhante

28 Maio 2009, 19:02 · André Salgado

À atenção dos mayzenas e do Afonso Azevedo Neves em particular: esta merda e badameco não chega a ser mau o suficiente para vos atribuir um traço interessante de carácter e não chega a ser bom o suficiente para um insulto que se apresente. É de percalços como este que se pode transformar em papa o mito de uma geração. O que seria uma irreparável perda para o país que vos espera.

Iluminados

27 Maio 2009, 15:21 · Mariana Trigo Pereira

Eu percebo, André, que seja difícil de imaginar que haja gente ‘socialista’ válida e bem sucedida nos seus percursos profissionais, interessada na coisa pública, etc. Quem se preocupa genuinamente com igualdade de oportunidades, combate à pobreza, justiça social para todos, serviços públicos de qualidade, redução das desigualdades sociais, qualidade de vida e liberdade nas escolhas individuais (incluindo as sexuais), suportado por uma economia dinâmica, com competitividade para gerar emprego em quantidade e qualidade, com gente qualificada, etc., não pode ter um actividade profissional de “sucesso”, não pode estar bem na vida, ou só pode ser maluquinho. Não há gente assim tão desinteressada e altruísta. São todos uns ressabiados, medíocres, que aguardam pacientemente à espera do tacho. Como eu adoro o pensamento linear e descomplicado da geração mayzena!

Até tu…31! Já não se pode adormecer…

27 Maio 2009, 12:55 · Hugo Costa

O “adormecer” de Paulo Rangel e o seu atraso ontem já foi mais que comentado.

Surpresa total é um blog que está convertido ao “rangelismo” e ao “bota-abaixo” brincar com a situação.

Não há como não gostar desta rapaziada

26 Maio 2009, 15:26 · André Salgado

Parece que há agora uma auto-intitulada geração Maizena. Gente interessada na coisa pública, à espera de um sinal, de uma abertura, de uma razão para intervir. Que se citam uns aos outros para se definirem como uma nouvelle vague. Uma nouvelle vague que é, sem tirar nem pôr, a mesma rapaziada que gravita há muito nos mesmos blogues e que, por ocasião de actos eleitorais, se arrebanha num colectivo. Uma nouvelle vague que já suspirava por Barroso, até monsieur Le commissaire se ter posto em fuga. Que foi atrás da aventura de Santana (não é, Vasco?…). Que foi esperançosa com Mendes. Que assobiou para o lado enquanto Menezes passava. Que volta a acreditar com a dra. Manela, cumprindo o retorno a Barroso.

Nova geração desde sempre longe do poder? Meu caro Vasco… o mesmo projecto político, reciclado. A mesma geração, já com saudades de se rever no poder. Saltitando de embrulho em embrulho, a aparentar algo de novo. Legítimo, diga-se. Não merece é o sacrifício de se barrarem com leite e farinha.

Ou como diria The Wolf,

Let’s not start sucking

each other’s dicks

just yet”

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