A batalha por Lisboa

29 Dezembro 2008, 19:28 · Miguel Cabrita

Com oportunidade, o Expresso noticiava a “larga margem” que uma recente sondagem dá a António Costa em Lisboa: 40% contra 25 do PSD. 

Não restarão muitas dúvidas de que os expressivos 40% da sondagem são um salto importante em relação aos 30 que garantiram a António Costa a vitória nas eleições intercalares. E que correspondem a um justo reconhecimento do bom trabalho que está a ser feito em condições que são conhecidas.

Mas que “larga margem” é esta, no fundo? Desde logo, é um resultado que não garantiria condições de governabilidade mínimas à cidade. E é uma previsão obtida num momento em que, já para não falar do PCP, CDS e BE ainda não indicaram candidatos nem se sabe sequer se terão candidatos autónomos. Além disso, no tempo que falta até às eleições - fértil em disputas eleitorais - muita coisa poderá acontecer a vários níveis, com repercussões imprevisíveis em Lisboa.

Desengane-se quem se deixar iludir pelas anunciadas facilidades e achar que este tipo de sondagens permite algum tipo de ”descanso” sobre o resultado das eleições na câmara mais importantre do país. A batalha, pela dispersão de votos à esquerda e pela complexidade da situação política, vai ser dura, longa, e dependerá de muitos factores, incluindo o próprio xadrez eleitoral local. Se há erros que custam caro, pensar por um só momento o contrário seria certamente um deles.

É a segunda vez em menos de uma semana…

13 Dezembro 2008, 20:42 · Miguel Cabrita

…que o Público repete a brincadeira de mau gosto de aparecer embrulhado num lençol publicitário. Desta vez, não a um supermercado mas à grande superfície proprietária dos supermercados do outro dia.

Ainda não chega para competir com o incontável número de vezes que se repetem, semana após semana, as setas para baixo de certas figuras ministeriais seleccionadas. Mas, a manter-se o ritmo, a competição pode tornar-se renhida.

Jornais e leitores: o estranho caso dos sacos de plástico

10 Dezembro 2008, 17:36 · Miguel Cabrita

No seguimento do post anterior, é bom recordar que vivemos num país em que os dois principais semanários se vendem, na maior parte das papelarias, dentro de sacos de plástico que têm o mesmo efeito de substituição da informação pela publicidade. O pretexto é benévolo, claro: ajudar a armazenar a “quantidade” de “suplementos” que transportam. O perverso é que a maior parte destes é de qualidade e interesse duvidosos e, quando não têm explicitamente o formato de folhetos de publicidade paga, têm em muitos casos a função mais ou menos óbvia de servir de veículo a interesses de anunciantes. 

Esta colonização invade, aliás, o que outrora eram partes fundamentais da dimensão informativa do jornal. Um exemplo: a tradicional revista do Expresso vem agora selada dentro de uns invólucros plastificados contendo, além da Única, panfletos de telemóveis e afins. 

Como num holograma, os sacos de plástico multiplicam-se e reproduzem-se: dentro do grande saco publicitátio, nascem novos e mais pequenos, com todo o tipo de inutilidades. Que, de resto, também vêm fora dos saquinhos, acrescentos soltos que escorregam por entre a profusão de papelada impingida. São literalmente jornais à venda, e à deriva também, com claro prejuízo e desrespeito dos leitores.

O que fazer quando este estado de coisas se tornou a regra, e não a excepção, num segmento tradicionalmente nobre da imprensa?

O que fazer com os jornais que abdicam dos interesses dos leitores

10 Dezembro 2008, 17:23 · Miguel Cabrita

Lembro-me que há uns anos largos (uns quinze? talvez mais) causou escândalo e indignação que a primeira página de um tablóide (à época, salvo erro, o Correio da Manhã) fosse integralmente ocupada pelo anúncio a um detergente.

Quinze anos depois, parece passar razoavelmente despercebido, e incólume, que os dois diários “de referência” do mercado (o DN e o Público) ocupem na íntegra a capa com um anúncio a uma cadeia de supermercados. Num dos casos, o do Público, é mais do que isso: todo o jornal vem embrulhado num lençol que cobre a primeira e a última página, deixando completamente incógnito o que se esconde lá dentro. Não é, aliás, facto inédito.

Gostando mais ou menos de publicidade, aceitando que os anunciantes ousem sonhar e tirem partido das possibilidades que lhes são oferecidas, e sabendo da precária situação financeira da imprensa diária, percebe-se a conjugação de factores que leva a que este tipo de coisas seja possível. No fundo, sacrifica-se integralmente, em nome da venda de publicidade, a possibilidade de os leitores terem acesso aos conteúdos do jornal que vão comprar…antes de o fazer. Procuramos num escaparate um jornal e encontramos, antes de mais, um anúncio gigante.

No meio disto tudo, e ao fim e ao cabo, quase todos os interesses são acautelados. Menos aquele que devia ser supremo, o dos leitores; e de forma correlata o da dignidade e qualidade dos media. A única resposta possível é não comprar, pelo menos nestes dias, as publicações que não sabem e/ou não conseguem preservar, pelo menos nestas questões básicas, interesses tão fundamentais.

As frases, a substância e os (sub-)textos

3 Dezembro 2008, 18:35 · Miguel Cabrita

Em editorial do Público de ontem, José Manuel Fernandes fazia uma espécie de jogo com citações avulsas para fazer prova de um imenso “coro das esquerdas” contra o “neoliberalismo”, tentando asim enfiar o PS num enorme - e conveniente - saco com o PCP.

Pena foi que, concedendo piedosamente que a citação que retirou da declaração de princípios do partido era “porventura a mais elaborada” de todas as que compilou, se tivesse focado na n-palavra maldita. Em vez de ler as linhas anteriores; e, já agora, as posteriores, que se esqueceu de incluir. Nelas veria preocupações que no PS, afinal, não são de hoje mas que, talvez concedesse, são de uma actualidade gritante.

O desenvolvimento económico não pode ser sacrificado à ânsia do lucro imediato ou à especulação sem escrúpulos. É preciso, pois, construir uma alternativa democrática à presente hegemonização do mundo pela actuação sem controlo de empresas multinacionais e pela ideologia neoliberal de combate aos Estados. É preciso contrariar as gritantes desigualdades entre os países ricos e os países pobres. É precisa uma organização mais equitativa do comércio mundial. (acrescento meu)

Foi também pena que JMF não tivesse escolhido outras passagens, para que os leitores pudessem perceber a posição do PS sobre a relação entre o mercado e outras esferas sociais, e as proximidades e distâncias a este respeito com outros partidos. Em vez de andar a brincar às frases soltas, talvez fosse bom olhar seriamente para a substância.

Já agora, e para ajudar em artigos futuros, fica aqui o registo de que a tal n-palavrinha aparece em pelo menos mais duas passagens da declaração de princípios. Não sei é se essas passagens ajudam a misturar o PS com o PCP:

Um pouco antes da passagem destacada no editorial,

O PS acredita convictamente nas virtualidades da liberdade de circulação e troca e dos movimentos internacionais de pessoas, ideias, recursos e capitais. Não deseja, portanto, o regresso a formas obsoletas de nacionalismo ou ultraproteccionismo económico. Mas o facto de a aceleração dos movimentos de capitais não ter sido acompanhada por adequada regulação institucional contribuiu decisivamente, nas duas últimas décadas do século XX, para o agravamento do fosso entre países desenvolvidos e países em vias de desenvolvimento e para a intolerável coexistência entre acumulação de riqueza e aumento da pobreza e das desigualdades. Por seu lado, a aplicação cega das teses neoliberais, sem preocupações de sustentação e coesão social, causou, em diferentes regiões do globo, devastação económica e social.

E um pouco à frente:

Se a plena aceitação da economia de mercado distingue, com clareza, a esquerda democrática das concepções colectivistas da organização económica e social, a defesa do Estado social e a valorização das políticas e dos serviços públicos, em domínios centrais da vida colectiva, assim como a preocupação com a acessibilidade e a qualidade dos serviços públicos, distinguem radicalmente a esquerda democrática das formas neoliberais de ataque ao Estado e menosprezo pela administração pública. Em serviços básicos de apoio às pessoas, às famílias e às comunidades locais, e nos sectores em que se jogam as questões principais da igualdade de oportunidades e da justiça social, como a educação, a saúde, a segurança social, a cultura e a ciência, o serviço público, acessível a todos, eficiente e eficaz, é essencial a uma sociedade justa. A sua concretização não deve constituir reserva do Estado; mas é obrigação indeclinável do Estado democrático garantir a sua existência.

P.S.
Já agora, não percebo muito bem JMF quando refere a origem da primeira frase: a “declaração aprovada no congresso de 2002 e (…) nunca alterada“. Talvez o autor não saiba quanto tempo vigorou a anterior; ou esqueça que um texto fundador deste tipo é feito para ser durável. Aliás, o melhor teste a uma declaração princípios é o tempo, e ele tem provado a validade do texto e dos equilíbrios então encontrados. Quem se der ao trabalho de ler, poderá julgar por si. Mas, já agora, era interessante que JMF desse o seu contributo democrático e esclarecesse, então, que pontos careceriam de revisão.

Um outro Outubro

27 Novembro 2008, 11:40 · O País Relativo

A Fundação Res Publica apresentou ontem o seu website, um espaço de informação das suas actividades, mas também de promoção da discussão pública sobre temas que se consideram da maior relevância.  Aqui, há espaço para um Fórum de debate temático e um blogue.

De momento, os temas em debate no Fórum são “Até onde deve ir o Estado na provisão de serviços públicos?” e “Qual é o papel dos partidos europeus?“. O primeiro conta com os contributos iniciais de Vital Moreira e Correia de Campos, e o segundo com contributos de José Reis Santos e Jamila Madeira. Contribuições de pessoas interessadas no debate poderão ser submetidas através da página do Fórum. O debate sobre estas temáticas estará aberto por um período de dois ou três meses, no fim do qual as contribuições iniciais serão revistas pelos autores para incorporarem as ideias que foram expostas pelos participantes.

O blogue, com o nome Outubro (não esse, mas este), conta com a participação de vários bloggers, entre os quais o Filipe Nunes, o Hugo Mendes, o João Jesus Caetano, o Miguel Cabrita e o Tiago Barbosa Ribeiro, do País Relativo.

A subtileza do costume

25 Novembro 2008, 16:10 · Hugo Mendes

O jornal Público é conhecido pelo seu rigor hermenêutico. Vejamos o título desta notícia na edição on-line: DREN ameaça com processos disciplinares quem apelar ao boicote da avaliação
De seguida, os dois primeiros parágrafos da notícia:
«A Direcção Regional da Educação do Norte (DREN) ameaçou hoje que irá avançar com processos disciplinares contra os professores que pressionarem colegas a boicotarem a avaliação de desempenho.

Margarida Moreira, directora da DREN, assegurou, em declarações à TSF, que será “inflexível”. “Se for uma situação de coação, actuarei disciplinarmente se necessário for”, reforçou a responsável, sublinhando, porém, que está disponível para debater a questão com os professores para evitar situações como esta».

Ora, ‘apelar’ (no título), ‘pressionar’ (na notícia) e ‘coagir’ (verbo efectivamente usado por Margarida Moreira) são acções muito diferentes; em concreto, o primeiro verbo tem um sentido muito mais benigno do que qualquer dos outros dois. Seria um exagero punir um ‘apelo’. Punir uma ‘coacção’ é uma coisa bem diferente. Para o caso de muitos não terem percebido, a avaliação é um direito individual.

Mas isso não interessa nada. O que interessa são mesmo as parangonas. Esperemos pela edição em papel amanhã.

O monstro e o sapo

23 Novembro 2008, 23:43 · Hugo Mendes

Ao contrário do que é costume, os blogues que defendem a desobediência e a sublevação dos docentes à avaliação de desempenho não elogiaram o artigo de António Barreto hoje no “Público”. Percebe-se: por uma vez, o articulista substituiu a demagogia contra a “5 de Outubro” - isto é, contra o “Estado” -  e fez o elogio de um sistema de gestão e de avaliação numa escola dotada de ampla autonomia e com um director, que algumas mentes na nossa praça ainda associam ao fascismo, numa confusão pueril - que atravessa n discussões políticas no nosso tempo - entre “autoritarismo” e “exercício legítimo da autoridade”.

O que o autor não tem coragem de dizer é que o modelo que propõe é razoavelmente semelhante - pelo menos nos seus princípios gerais - ao novo regime de autonomia, administração e gestão das escolas aprovado em Abril deste ano, e concebido, pasme-se, no monstro da “5 da Outubro” (decreto-lei aqui).

Admiti-lo seria, simplesmente, engolir um sapo demasiado grande.

Novo estilo de Ferreira Leite com seguidores inesperados

20 Novembro 2008, 17:31 · André Salgado

Ver o governo indignado por Manuela Ferreira Leite defender a brincar o que ele faz a sério

Poder simbólico

20 Novembro 2008, 10:39 · Rui Branco


Grande malha, esta versão do «Be my baby» pelos Glasvegas. («grande malha» salvo seja porque, se bem percebi a linha da reunião de ontem da Comissão Central de Controlo e Quadros, este vosso aparelho ideológico de Estado não se arroga a imposição dogmática aos eleitores, perdão, leitores, de um princípio de visão e de divisão, «isto é, o poder de tornar visíveis, explícitas, as divisões sociais implícitas, é o poder político por excelência: é o poder fazer grupos, de manipular a estrutura objectiva da sociedade» [Bourdieu, 1990: 167], nem do campo de produção cultural, nem, et pour cause, do campo político. Embora confesse, mas que fique bem claro que não quero criar chatices a ninguém, dividir a unidade da luta do movimento ou pactuar com qualquer exercício de fraccionamento, que o que eu desejava para a esquerda em Portugal era que tivesse grande simpatia pelo regime democrático parlamentar.)

Boas leituras

19 Novembro 2008, 20:49 · Hugo Mendes

Aqui e aqui.

Porque é que Hillary perdeu

19 Novembro 2008, 15:42 · Rui Branco

Quem viu o «War Room» se calhar lembra-se dele. Howard Wolfson era o tipo alto de barba meio ruiva que aparecia de vez em quando a olhar para Carville e Stephanopoulos, de braços cruzados, às vezes com ósculos escuros, pensativo.

Nas primárias da nomeação democrata, Wolfson era o «director de comunicações» da campanha de Hillary (o Toby Ziegler, portanto). A campanha parece que correu mal, como se sabe. Abundaram as teses e as exumações, depois menos, e se calhar agora outra vez mais.

No final das primárias, Wolfson tornou-se comentador da Fox News (fair and balanced, topam?), abriu um blog no site da New Republic, e regressou a uma paixão antiga (peço desculpa pelo tom taxonómico involuntário), a música indie. E tem um blog porreiríssimo a mostrar isso mesmo, o Gotham Acme.

Há muitas teorias sobre as razões pelas quais Hillary perdeu a nomeação democrata. Uma, ele pode haver outras: Hillary teve muitos, muitos votos, mas Obama teve mais. E parce que mais delegados também. Mas, se quisermos ser mais analíticos e rigorosos, sugiro aqui esta outra, que me parece ser das melhorzinhas até agora.

Uma campanha que entre «Suddenly I See» de K T Tunstall e «You and I» de Celine Dion escolhe a Celine Dion para a música da campanha - está tudo dito (e mais duas palavrinhas: Mark Penn e mais quem o contratou e não o despediu ou não despediu a tempo).

Como Wolfson entretanto contou com piada, ele na altura previu meio a brincar que essa seria uma escolha fatídica, que seria o fim da campanha. E foi mesmo. Tudo isto é recordado no Gotham Acme, no post «Election turning points», e no New York Times:

«Brainstorming sessions ensued. The Iowa caucuses could wait — this was serious business.

Ideas were put forward: Motown, disco, ballads. I pushed K T Tunstall’s “Suddenly I See” because it seemed empowering and upbeat. It was immediately criticized. What about the singer’s use of the word “hell”?

Everyone had favorites, and every favorite had its detractors. We studied lyrics and performer biographies. We downloaded possibilities and listened. Some of us danced, while others sat and frowned.

Get Ready” by the Temptations? Too sexual. “Rhythm Nation” by Janet Jackson? What about that unfortunate wardrobe malfunction?

To break the stalemate, we sponsored an online contest for supporters and gave them options to choose from. The votes and commentaries rolled in. Celine Dion’s “You and I” was selected, a decision I jokingly predicted would signal the end of the campaign

Nada como abrir o melão para ver: K T Tunstall vs. Celine Dion

O oportunismo de Humpty Dumpty

14 Novembro 2008, 10:29 · Hugo Mendes

O oportunismo de José Manuel Fernandes (JMF) é extraordinário. Hoje, em editorial do “Público”, usa, para defender um conjunto de medidas de política educativa, um artigo do economista Edward Gleaser que, tendo algumas boas ideias (e foi talvez por isso que mereceu uma chamada de atenção aqui), seriam impossíveis de aplicar em Portugal, tal como o autor o defende. Ora, o modelo da preferência de JMF, que crê ver legitimado pela prosa do autor americano, seria completamente inaplicável a Portugal neste momento - independentemente dos seus (de)méritos e (des)vantagens (que podemos discutir depois).

Isto permite a JMF fazer aquilo que tanto gosta:

(1) “JMF-o-teórico” critica políticas que vão na direcção que até julga correcta (maior autonomia relativa das escolas, maior capacidade relativa para a sua direcção gerir os seus recursos humanos, etc.) mas que é incapaz de admitir que estão a ser postas em prática (a sua obsessão com o “centralismo da 5 de Outubro” é algo intemporal, de modo que estarmos em 1908 ou 2008 é-lhe completamente indiferente para avaliar o que está politicamente em curso; o seu passado revolucionário impede-o provavelmente de perceber que a política reformista é feita de pequenas rupturas ao longo do tempo, e não de uma mudança completa do sistema).

(2) Depois, como essas medidas são impopulares junto dos professores, “JMF-o-editor” explora ao máximo o alarido produzido pela contestação que essas medidas - tímidas, segundo as políticas que JMF prefere - não podem deixar de provocar, procurando fragilizar politicamente o Ministério da Educação. Ou seja, em vez de apoiar políticas que vão - mesmo que modestamente - na direcção que julga correcta, mas que devia reconhecer a dificuldade de colocar em prática num país como o nosso, não: “JMF-o-editor” prefere apoiar implicitamente quem se coloca contra elas.

(3) Por fim, “JMF-o-teórico” regressa para defender políticas ainda mais radicais do que aquelas que, estando em implementação, causam o alarido que tanto explora no seu jornal - sabendo perfeitamente que qualquer Governo que as tentasse por em prática seria ainda mais contestado e provocaria ainda mais protestos do que aqueles em curso.

Resumindo, “JMF-o-político” propõe medidas muito mais radicais do que aquelas que “JMF-o-editor” aproveita no seu jornal, dando visibilidades aos mesmos movimentos que defendem medidas que “JMF-o-político”, se fosse coerente, consideraria ainda mais arcaicas, centralistas e reaccionárias do que aquelas propostas pela inefável “5 de Outubro”. Dado que não se compromete (abertamente) com nenhuma das partes (o que lhe dá a vantagem de poder manter-se no céu das ideias que sabe que não serão aplicadas num horizonte razoável), o oportunismo de Humpty Dumpty - que ora defende aqui uma coisa como “teórico”, ora defende ali outra coisa como “editor” - permite-lhe ter sempre razão. JMF tem a extraordinária capacidade de ultrapassar o Ministério da Educação simultaneamente pela esquerda e pela direita como não houvesse nenhuma incoerência nisso.

“E os arrogantes são os outros?”

As notícias e os seus títulos 2.0

12 Novembro 2008, 17:49 · Miguel Cabrita

Título da capa do DN de hoje:

“Abusos sexuais a crianças sobem 40% em 2008″

Será crível que em apenas um ano tenha havido um aumento desta grandeza? Haverá motivos para um alarme generalizado? Ou será que o mais provável é que cresçam as denúncias nesta proporção mas não necessariamente os crimes, em resultado da crescente maior visibilidade pública e sensibilização para o tema?

Logo nas letras miúdas da primeira página, percebe-se que a informação parece ir neste sentido. Na página 11, confirma-se, que só em 10 meses, já há mais 40% de denúncias do que nos 12 meses de2007. O DN, apesar do material que recolheu e do que dizem as “fontes” (da PJ) que cita (e outras poderia ter consultado), preferiu no entanto o título referido. Que, aliás, praticamente repete aquele que é usado pelo jornalista no interior do jornal, com idêntica descontinuidade face ao que aparece escrito no texto. 

O mínimo seria incluir no título “denúncias de…”. A gestão do espaço-papel e outras economias não justificam tudo.

Só cá entre nós

12 Novembro 2008, 15:31 · Hugo Mendes

Eu, que nem sequer tenho a mania de conspirações, até acho que o Porfírio Silva tem razão.

E assim se desfaz o otherwise misterioso apoio do jornal “Público” à manifestação de professores, fruto do ódio irracional do seu director, José Manuel Fernandes, à “5 de Outubro”.

West Wing, season 8 começa

6 Novembro 2008, 19:35 · Rui Branco

Josh Lyman, perdão, Rahm Emanuel, acaba de aceitar a posição de chefe de gabinete na West Wing de Matt Santos, perdão, Barack Obama. Esta nomeação coloca-nos vários problemas de narratologia e epistemologia. Ficção e realidade tornam-se uma só (facto também notado por Pedro Marques Lopes). Primeiro, foi a série que se inspirou na realidade (quem viu o War Room e se lembrar da cena da galinha para chamar mariquinhas a quem não quer debater percebe do que estou a falar). Joshua «Josh» Lyman, o deputy chief of staff na West Wing de Bartlett, foi inspirado em Rahm Emanuel, politial adviser na Casa Branca de Clinton. Na 6.ª época, e aproximando-se o final do segundo mandato de Bartlett, Josh tem a ideia de ir desafiar um congressista hispânico, Matt Santos (Jimmy Smits), para concorrer às primárias democráticas. O discurso de Obama em 2004 terá inspirado Aaron Sorkin, o criador e argumentista de West Wing, para esta possibilidade (que o próprio já confirmou), a de um presidente não branco, meio desconhecido, que levanta um país com o poder de uma ideia simples: mudança. Depois de umas duras primárias, Matt Santos ganha a nomeação democrata; na época seguinte, Santos ganha a eleição presidencial contra um nomeado republicano desalinhado, decente, respeitável e respeitado pelos democratas (o magnífico Alan Alda), em quem muitos julgaram ver McCain, e bem.  Santos, o primeiro presidente hispânico. O que é curioso é que a personagem de Santos sempre se recusou a correr como hispânico-americano; correu apenas como americano. Também ele enfrentou questões raciais fortes, que superou, percebendo bem, como Obama, que se corresse como o típico e previsível candidato chicano, com uma agenda política nascida e limitada por esse facto adscritivo, nunca poderia ganhar  ou nunca poderia ganhar da única maneira que valia a pena ganhar, isto é,  transcender as linhas de clivagem étnica. A 7.ª época de West Wing termina com a formação do primeiro governo de Santos, do qual Josh é, naturalmente, o chefe de gabinete. O último episódio da última época do West Wing foi para o ar em 14 de Maio de 2006. A ficção copiou a realidade e depois a realidade copiou a ficção. A 8.ª época começa.

Os cínicos têm sempre razão

6 Novembro 2008, 13:44 · Hugo Mendes

António Barreto escreve hoje no “Público” sobre Barack Obama:

«O mundo inteiro, ou quase, deposita nele enormes esperanças. Ilimitadas, mesmo. É talvez o Presidente americano eleito com maior expectativa favorável no mundo inteiro. Espera-se dele que resolva as questões do Iraque, do Irão, do Afeganistão e do Paquistão. Do terrorismo internacional. Do Próximo Oriente. De grande parte de África. Do comércio internacional. De defesa da Europa e do Atlântico. Das relações difíceis com a Rússia. De proliferação das armas atómicas. De controlo da degradação do ambiente. De regulação das actividades financeiras internacionais. De controlo da especulação capitalista. Do aparente declínio da América. E de problemas internos urgentes: a saúde pública, a pobreza, as relações raciais e a crise da educação».

Gostava de saber como é que António Barreto (e todos os que pensam como ele) acha(m) que o “mundo inteiro” deposita em Obama «esperanças ilimitadas». Isto é um completo non-sense que, repetido até à exaustão, mostra a incapacidade para perceber o que está em causa.

E o que está em causa talvez seja apenas isto: dado que ninguém acreditava que George W.Bush tivesse vontade e competência para resolver praticamente nenhum destes problemas, o facto de aparecer alguém que inspire alguma confiança e que indique que alguns deles possam começar a ser tackled é, só por si, visto como extraordinário. Isto advém menos do suposto messianismo de Obama (para os cínicos, quem aparece com uma mensagem de esperança é sempre um “messias”, já sabemos) do que do completo descrédito em que caiu a administração Bush que, no que toca a uma série de problemas acima listados, não resolveu uns, agravou outros, e negou a existência de outros tantos. 

Resumindo: para Barreto e outros, o problema não o legado desastroso da administração Republicana; o problema mesmo é o facto de Obama se propor identificar e a procurar ajudar/começar a resolver uns quantos problemas domésticos e internacionais. Isso sim, é que é digno de chacota. É preciso ter lata.

Aditamento: no editorial do mesmo jornal, José Manuel Fernandes afirma que «Agora falta provar que essa vontade que move montanhas é suficiente para remover todos os obstáculos que a América tem pela frente». Desculpem, mas: «todos os obstáculos»? Isto não é apenas completamente irrazoável (Obama, como pessoa de bom senso, nunca propôs tal coisa), como é uma estratégia desonesta para avaliar um político, colocando sob os seus ombros o fardo de um perfeccionismo “de palha” que torna a tarefa do crítico demasiado fácil. Se as pessoas votassem apenas em políticos que promotessem resolver todos os problemas, a política - enquanto acção imperfeita num mundo complexo - deixava de fazer sentido. Coisa que, imagino, deixasse muitos satisfeitos.

Danos colaterais

5 Novembro 2008, 21:58 · André Salgado

O Henrique Burnay, honra à sua pessoa, pertence ao restrito clube de portugueses que detêm o exclusivo de gostar mesmo, mesmo, mesmo da América, conferindo-lhe nobre distinção dos obamistas deste rectângulo. É também um exímio blogger, conciliando com sageza a concentração escrita com o trautear do Star-Spangled Banner, o que pôs à prova ao disparar, a intervalo de verso, duas dúzias de amarguradas notas pessoais pelo desfecho obamista.

Das duas dúzias, assume especial interesse esta, onde o Henrique consegue, das caves do seu desânimo, arrancar um sopro e lançar um aviso à esquerda europeia sobre o engano da sua afectividade obamiana; essa pobre e ingénua esquerda que não se apercebe que todo o programa político americano, mesmo democrata, está tão à direita da direita. É isto particularmente interessante por encerrar, além de um bushismo mal resolvido, um mito recorrente de alguma direita. Um mito que confunde indiferenciação programática (o que não corresponde de todo à verdade), as diferenças de qualidade dos interlocutores e um estranho pulsar que, em opinião do Henrique, deveria levar quem gosta da América – ainda que menos que o Henrique, não tenhamos ilusão, que esta é só para quem a merece - a abraçar a adopção do programa político das administrações americanas. Talvez esta confusão do Henrique explique a razão de Barroso e Portas terem abraçado de forma tão efectiva os caprichos de agenda do programa da administração Bush. O que não resolve são os labirintos do sótão de alguma direita, que não consegue conceber que não é proprietária do direito de gostar da América.

Nem nos elucida das razões de fundo para o Henrique, afinal, ter ficado com tanta azia pela vitória de um programa político que de esquerda nada tem. De qualquer forma, obrigado Henrique, a esquerda ficará penhorada. E coragem, são só quatro anos.

Vencer é fácil

5 Novembro 2008, 14:45 · Mariana Vieira da Silva

“Em dia de afluência histórica, vencer foi só o mais fácil”, é esta a legenda da fotografia de capa que o Público escolheu. Hoje, como se pode ver aqui, o mais dificil deve ter sido ter uma ideia tão original.

Live Blogging

4 Novembro 2008, 18:23 · O País Relativo

Esta madrugada, o Hugo Mendes e o João Jesus Caetano vão juntar-se a outros bloggers na redação do Portugal Diário para uma maratona de posts e comentários sobre as eleições norte-americanas. Acompanhe no blogue d’O País Relativo e no site especialmente dedicado do Portugal Diário.

O que ainda nos vai salvar são os economistas bissexuais

3 Novembro 2008, 19:26 · André Salgado

“Hoppe conclui que os homossexuais têm uma preferência mais acentuada pelo consumo no presente e uma maior aversão à poupança. Keynes enquanto homossexual tinha uma preferência pelo presente e aversão à poupança. Esse enviesamento gerou uma teoria que valoriza o presente em detrimento do futuro”

Aqui, nos delírios do costume, via Câmara Corporativa

A tese é que as teorias económicas mais restritivas ao consumo e investimento seriam desenhadas pelo mais aproximado que pode haver de um bom macho chefe de família. Dar uma facadinha no matrimónio seria como cometer um deslize de consumo de um produto subprime. Quem não perceber nada disto, está à beirinha de ser sodomizado. Mentalmente, pelo menos.

Live blogging

3 Novembro 2008, 18:32 · O País Relativo

Amanhã, o Hugo Mendes e o João Jesus Caetano vão juntar-se a outros bloggers na redação do Portugal Diário para uma maratona de posts e comentários sobre as eleições norte-americanas. Acompanhe no blogue d’O País Relativo e no site especialmente dedicado do Portugal Diário.

Bloggers convidados:
Paulo Querido: Site de Paulo Querido
Nuno Gouveia: Política 2008
Miguel Morgado e Fernando C. Gabriel: Blog do Atlântico
Bruno Garschagen e André Abrantes Amaral: O Insurgente
Luís Rainha e Nuno Ramos de Almeida: 5 Dias
João Jesus Caetano e Hugo Mendes: O País Relativo

“Podiam ter sido primeiros-ministros”

27 Outubro 2008, 20:17 · Filipe Nunes

Há um ano, de quinze em quinze dias, a sic-notícias passava um programa de debate intitulado A Regra do Jogo. Os comentadores, António Barreto e José Miguel Júdice, eram moderados pelo próprio director da estação, António José Teixeira. Nada sei sobre os orçamentos e os números do programa, mas desconfio que os custos acabaram por superar as audiências. E quanto a influência política, estamos conversados: igual a zero. Compreensivelmente, na nova grelha, já não houve lugar para a Regra do Jogo. Há dez anos este programa teria tido um enorme sucesso. Mas com o advento da blogosfera, muito mudou. Pacheco Pereira bem pode dizer que 99% dos blogs não prestam. A verdade é que sem a blogosfera a opinião publicada em Portugal seria muito mais pobre. Em poucos anos acabou o monopólio dos comentadores habituais: a concorrência obrigou os comentadores que queriam sobreviver a estudar, a comparar, a interessar-se por coisas novas. Pacheco Pereira ainda consegue fazer isso, mas Barreto e Júdice manifestamente já não conseguem. Um bom retrato dessa incapacidade, que explica a decadência destas e outras glórias dos anos 80 e 90, é-nos dada pela notícia do lançamento do mais recente livro de José Miguel Júdice. O livro tem prefácio de António Barreto e, como não podia deixar de ser, foi apresentado por Marcelo Rebelo de Sousa:

“Podia ter sido primeiro-ministro.” Esta é uma das apreciações que António Barreto fez no prefácio do livro do seu amigo José Miguel Júdice. A obra, Portugalando - Os olhares de um optimista preocupado, foi ontem apresentada na Fnac do Colombo, em Lisboa, por um outro amigo do autor Marcelo Rebelo de Sousa, Porém, do livro falou-se pouco. (…) Marcelo Rebelo de Sousa garantiu que “as crónicas foram escritas como só ele [Júdice] sabe e gosta de fazer, suscitando polémica”. O comentador disse ainda que “o livro vai ter muito sucesso editorial”. A discussão sobre a obra ficou, assim, arrumada. (…) A maior parte do tempo, Marcelo Rebelo de Sousa optou por falar daquilo que mais influenciou a escrita das crónicas, ou seja, o próprio Júdice. (…) Por entre o vasto rol de elogios que lançou a Júdice, Marcelo deixou escapar uma apreciação que está directamente relacionada com as crónicas. “Júdice aprecia cultivar adversários”, disse. José Miguel Júdice no seu monólogo retribuiu aos elogios de Marcelo e mandou uma farpa ao PSD: “Um partido que não aproveita Marcelo mostra uma necrose muito avançada”. O advogado aproveitou ainda para fazer uma revelação: “Depois de Cavaco ganhar o congresso para líder do PSD disse-lhe: tem o meu apoio, mas continuo a achar que Marcelo teria sido muito melhor escolha”.

Diário de Notícias, 26 de Outubro de 2008  

Do medo (*)

24 Outubro 2008, 17:20 · João Jesus Caetano

O Paulo Pinto Mascarenhas está chocado com o facto de Portugal ter passado, no último ano, de 8º para 16º no ranking [pdf] da liberdade de imprensa produzido pelos Repórteres sem Fronteiras. E, de caminho, lá vai alertando para a vinda do 5º canal, que, perante esta realidade, só poderá significar mais informação controlada pelo governo.

De oitavo para 16º lugar, num ranking com uma degenerescência tremenda (três primeiros lugares, três quartos, seis sétimos e por aí fora). É o fim do mundo, de facto.

(*) Série descontinuada no Blogue Atlântico [link] e retomada pelo País Relativo.

Eu ainda me lembro do jogo de computador que Powell apresentou na ONU

24 Outubro 2008, 11:24 · Rui Branco

Hoje os jornais dizem que o apoio de Powell a Obama parece estar a ser decisivo para ajudar alguma parte dos indecisos (2 em 10, segundo sondagem citada pelo Público) a votar em Obama. Pois.

Em 6 de Fevereiro de 2003, Colin Powell falou na ONU, apresentando o caso a favor da invasão do Iraque. Eu ainda me lembro dos powerpoints e dos videos sobre os supostos comboios que transportavam e escondiam armas de destruição massiva. Entre outras coisas, Powell afirmou:

«My colleagues, every statement I make today is backed up by sources, solid sources. These are not assertions. What we’re giving you are facts and conclusions based on solid intelligence. I will cite some examples»

Argumentam: dá-nos jeito o apoio dele. E eu disputo a premissa desta resposta (que o seu apoio seja susceptivel de «nos» dar jeito). O facto de poder ser agora muito útil para ajudar Obama a ganhar não nos deve fazer de conta que não nos lembramos disto: a bad Pixar movie (com a devida vénia). Porque um dos princípios cruciais da autoridade política da campanha de Obama, para dentro e fora do Partido Democrata, foi a posição correcta e presciente, no conteúdo e no momento, sobre a Guerra do Iraque, apesar das manipulações e mentiras de pessoas como Colin Powell. Diga-se a banalidade evidente: Colin Powell foi protagonista, responsável e um dos instrumentos de uma mal amanhada mentira. E portanto, os termos encomiásticos com que o próprio Obama aceitou o apoio, parecem minar, corroer, a sua própria autoridade (quanto mais Powell vir a aceitar um lugar no Governo, que antes dele aceitar tem que lhe ser oferecido). Ou, para pedir emprestada a frase de hoje de Vasco Pulido Valente sobre Ferreira Leite e Santana, a Obama não ocorreu que o beneplácito a Powell é um acto simbólico que o desautoriza a ele e compromete os próprios princípios da sua candidatura à presidência.

Notas de crédito

22 Outubro 2008, 18:07 · André Salgado

Lendo o dr. Frasquilho sobre truques e farsas orçamentais, só me ocorre Alves dos Reis como conferencista sobre emissão de papel-moeda. Sem beliscar a competência técnica, aliás, imprescindível.

Os números da segurança social (ou as notícias e os seus títulos)

22 Outubro 2008, 1:45 · Miguel Cabrita

É compreensível que o desempenho dos fundos da segurança social, dada a dimensão que têm mas sobretudo dada a sua natureza (provenientes de contribuições e geridos publicamente) e a função a que se destinam (garantia de pensões no longo prazo), seja objecto de um escrutínio atento por parte dos media e da opinião pública em geral. Compreensível, legítimo e, aliás, desejável.

Não espanta por isso que, em tempos de forte turbulência financeira, a evolução do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) ao longo deste ano ganhe atenção redobrada. E que, como sucede no Público de ontem, vá até ao destaque de primeira página. Até aqui tudo bem. Pena é que esse destaque seja feito em termos no mínimo equívocos. E que transforme a verdadeira notícia numa parangona de alarme completamente injustificado.
 
Analisando com exactidão os números, o que se verifica é que as perdas de perto de 200 milhões de euros que o jornal calcula e usa como título principal sucedem num total de…8250 milhões de euros. Sim, 8250 milhões. Se um gigante fizer um arranhão num dedo, sangra mais que um insecto esmagado: é uma questão de escala que não é muito difícil de perceber. Afinal, é para estas coisas que serve a análise em números relativos e não em absolutos.

Ora, como João Ramos de Almeida mostra na sua peça, recorrendo aos dados do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social, os garrafais 200 milhões de euros de perdas correspondem, na verdade, a uma das performances de topo no mercado de “produtos” comparáveis. E especialmente face à esmagadora maioria das dezenas de fundos privados de reforma, como aliás tem sucedido, ano após ano, desde que foi criado.

Acresce que o FEFSS tem uma perspectiva de longo prazo, e a sua rentabilidade é pensada numa lógica que nem deveria ser medida por um intervalo de meses. Quem se der ao trabalho de analisar a performance global do fundo desde que foi criado percebe que esta continua, claramente, no positivo e, claramente também, com rentabilidades acima da média.

Acresce que o FEFSS português, que tem - e bem - apenas cerca de 20% da carteira investida em acções, tem tido uma performance bem mais favorável que fundos dos sistemas públicos de outros países (alguns, com os sistemas de segurança social mais avançados, chegam a ter mais de 50% da carteira em acções). O longo prazo aconselha, pois, à prudência e a não depender dos segmentos dos mercados de capitais com níveis mais significativos de risco, como agora se prova.

Acresce ainda que, para não ir mais longe, o PSI20 perdeu várias dezenas de pontos percentuais ao longo deste ano, qualquer que seja o ãngulo de análise: 33,2% entre o fim de Setembro de 2007 e de 2008; 38,3% se considerarmos apenas a evolução entre 1 de Janeiro 2008 e o fim de Setembro. E as notícias de Outubro estão longe de ser boas: entre 31 de Dezembro (13019) e 21 de Outubro (6706.84) as perdas vão em cerca de 50,5%.

Em igual período, até final de Setembro, o FEFSS perdeu…3,14%. E vários outros fundos comparáveis perderam perto dos 10%.

Como salienta Ramos de Almeida - no título separador de dois segmentos do seu texto - este resultado é uma “agradável surpresa” para o escrutínio público. Não será esta a notícia?

Palin meets Palin

19 Outubro 2008, 17:10 · Mariana Vieira da Silva

Ontem, no Saturday Night Life, ficção e realidade partilharam o palco e deixaram todos a preferir (ainda mais) Palin como personagem de ficção que como vice-presidente. É um excelente momento de televisão, que provavelmente ficará na história destas eleições, e que ilustra na perfeição quão estranha e arriscada foi a escolha do partido republicano. Ver: aqui.

jugular

18 Outubro 2008, 18:35 · Mariana Vieira da Silva

Ana Matos Pires, Fernanda Câncio, Inês Meneses, João Galamba, João Pinto e Castro, Maria João Guardão, Maria João Pires, Miguel Vale de Almeida, Palmira F. Silva, Paulo Côrte-Real, Paulo Pinto, Rogério da Costa Pereira e Vasco M. Barreto estão ali, a conjugar um novo verbo.

Público

16 Outubro 2008, 18:47 · Tiago Barbosa Ribeiro

O título da primeira página do jornal Público, hoje:

«Peso do Estado na economia é o mais elevado de sempre».

O editorial do jornal Público, hoje:

«[a despesa pública] aumenta o seu peso na economia para o valor mais alto desde, pelo menos, 1991».

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