A direita precisa de amigos (II)
13 Outubro 2009, 20:11 · André Salgado
Rui… Rui… Rui… não é vergonha nenhuma escrevinhar canalhices. Acontece nas melhores famílias. É preciso é tê-los no sítio para defender o que se escrevinha, e não ir a correr corrigir a mão quando se apercebe que se calhar fez merda.
Não entenda isto como um desincentivo. Eu aprecio o que escreve. Apenas acho que o Rui está mais à vontade com a graça e o humor quando pensa e escreve a sério. O talento está lá, é só não forçar demasiado.
Um abraço
A direita precisa de amigos
13 Outubro 2009, 18:55 · André Salgado
Volta e meia e a tropa fandanga insiste em repisar o tema. Nem a triste figura do professor na presidência lhes ensinou a prudência. Não é particularmente interessante saber quem divulgou o e-mail (e esqueçam lá isso das fantasias com agentes secretos; não são precisos mais que dois dedos de testa para perceber que a “fuga” veio de dentro do Público), nem quem foi o Manel ou Jaquim que terá servido de eventual intermediário para fazer chegar a informação a outros jornais. Terá interesse para quem queira fazer ajustes de contas. O que este exercício de spinning elementar procura esconder é o facto do e-mail ser real e o seu conteúdo também. E que o que lá está é grave e não abona nada em favor de quem habita a casa da primeira figura do Estado e do “jornalismo de referência” (sem risos) e é um constrangimento a quem a teoria aproveitou.
João Marcelino terá objectivamente beneficiado o PS com a publicação da notícia do e-mail no DN? Talvez sim, se quisermos ser pragmáticos. Com uma diferença, porém. Argumentários éticos e deontológicos à parte, desmontou aos olhos do país este lamentável episódio. Por outras palavras, contou a verdade, esse vocábulo tão maltratado. Assim como José Manuel Fernandes se colocou ao serviço do mandante e dos interesses do calendário eleitoral do PSD, fabricando um embuste por encomenda. Assim como Henrique Monteiro protegeu os interesses da Presidência da República e do PSD ao recusar a informação que permitia compreender a encomenda. Por entre labirintos de defeitos e virtudes várias, com qual das “verdades” dormiríamos melhor?
O Duplo Pacto - Hugo Mendes
20 Agosto 2009, 14:11 · João Jesus Caetano
O Hugo Mendes publicou no Diário Económico de hoje um artigo de leitura obrigatória, que transcrevo integralmente:
Um dos mitos contemporâneos diz que a globalização torna o Estado social insustentável, sobretudo nos países pequenos. A direita regozija e a esquerda protesta, mas ambas aceitam a sua inevitabilidade. O mito, porém, não sobrevive à análise: as economias mais integradas no comércio internacional são as dos pequenos países - os mesmos que construíram os Estados sociais mais generosos. Parte da explicação é esta: a vulnerabilidade do mercado interno a choques exógenos incentiva à coordenação entre Governo, capital e trabalho, e favorece a construção de compromissos de classe e de instituições que protegem contra os humores do mercado.
A discussão é particularmente actual no momento em que o PS propõe ao país um duplo pacto: para o reforço da internacionalização da economia e para a expansão do Estado social. Os pactos complementam-se porque permitem aumentar a coerência entre os regimes de produção de bens transaccionáveis e de protecção das pessoas. Claro que é impossível copiar as instituições ou a trajectória dos países europeus pós-1945: em Portugal, a representação do capital e do trabalho é menos unificada; a taxa de sindicalização no privado é muito reduzida; grande parte dos empregadores e trabalhadores é pouco qualificada; o tecido económico tem bolsas de baixíssima produtividade. Sabemos, porém, que as instituições condicionam a acção dos parceiros, mas não a determinam. A escolha da estratégia é, por isso, decisiva.
A estratégia do duplo pacto aposta na definição dos clusters que merecem a aposta prioritária dos sistemas público e privado de inovação. Aposta em medidas de apoio à capacidade organizacional das firmas e à sua inserção em redes internacionais. Aposta na qualificação de pessoas ao nível do ensino superior e do secundário. Aposta em níveis elevados de contratação colectiva e moderada segurança laboral. Aposta em trabalhadores mais bem pagos; num país onde o salário mediano ronda os 700€ e cerca de 500.000 ganham o salário mínimo, é preciso prosseguir o aumento deste, medindo o impacto no emprego. É possível, porém, aumentar o rendimento do trabalhador se o Estado fornecer um complemento ao salário; a medida, que existe em inúmeros países, consta do programa do PS.
Os pactos não se complementam por acção da mão invisível do mercado, mas da mão visível do compromisso. O duplo pacto incentiva ao aprofundamento da coordenação cooperativa da economia, essa dinâmica negocial entre Governo, empresas e sindicatos, assente na concertação, na persuasão, e no incentivo - numa palavra, na política. Se alguns reduzem isto a “negociatas”, é porque lhe têm horror.
Publiquices em período eleitoral
18 Agosto 2009, 11:11 · Mariana Trigo Pereira
Alguém que me explique o encadeamento lógico desta notícia:
1- Este país é minúsculo e toda a gente sabe coisas sobre toda a gente. Ninguém precisa de estar sob vigilância para que se saibam de encontros entre pessoas para escrever um programa eleitoral.
2- Mas, se se sentem vigiados é porque confirmam indirectamente a suspeita.
Donde se conclui que o título da manchete do Público devia ser:
“Presidência suspeita estar a ser mal vigiada pelo Governo” ou “Hoje não temos nada melhor para colocar na capa do Jornal”.
Actualização (silly season no seu melhor): Como reporta o SOL, “a colaboração entre assessores de Cavaco e a direcção de Manuela Ferreira Leite já era sugerida antes de sábado passado, num artigo do Semanário, de 7 de Agosto, intitulado «Ferreira Leite faz o programa com Catroga e assessores de Belém». A teoria era aparentemente aceite pelo próprio PSD, que publicou o artigo no site de campanha Política de Verdade.”
“Há sempre um mas…” #2
14 Agosto 2009, 15:59 · Miguel Cabrita
O de hoje, na capa do inevitável Público é:
“Economia volta a crescer mas cenário de crise continua presente”.
Decerto, para o caso de alguém muito, mas mesmo muito, distraído se esquecer…
Os limites do controlo
13 Agosto 2009, 18:36 · Miguel Cabrita
Há sempre um “mas”, costuma dizer-se. E que “mas”, por vezes. Será uma máxima sábia, mas que se torna particularmente verdadeira em contextos muito específicos. Por exemplo, nos títulos que os spin doctors do Público arranjam nas poucas ocasiões que se lembram de puxar para primeira página notícias que seriam inequivocamente boas sobre os resultados da governação. Como que por milagre, há sempre um arreliador “mas” para atrapalhar.
Hoje, por exemplo. O “tempo de espera nas cirurgias baixou para 3,4 meses” contra os 8,6 meses que eram a situação de partida em 2005. Impressionante? Talvez, mas…
…”mas consultas estão sem controlo”. Quem lê isto, pensa que os tempos de espera nas consultas estão “descontrolados”, que dispararam, que há uma situação de catástrofe ou que pelo menos ninguém está preocupado. Afinal, tudo espremido e simplesmente não há ainda dados sobre o programa “Consulta a Tempo e Horas”, também lançado por este governo para diminuir os tempos de espera para primeiras consultas de especialidade.
Mesmo dando de barato que a situação possa não ser tão favorável como nas cirurgias (afinal, nem seria fácil), há medidas em curso e haverá dados disponíveis antes do final do ano. Qualquer semelhança disto com uma situação que “está sem controlo” é, no mínimo, pura desonestidade. E, ninguém acredita que por descuido ou descontrolo, (mais) um título verdadeiramente enganoso.
Crescimento económico
13 Agosto 2009, 16:36 · Miguel Cabrita
Os dados hoje revelados pelo INE mostram que, se em termos homólogos há ainda (como seria inevitável) uma variação negativa da economia, em relação ao 1º trimestre de 2009 há uma evolução positiva da actividade económica de 0,3%. É pouco, mas estamos de novo em terreno positivo; e acima de tudo é um dado inesperado, muito melhor do que o previsto, como aliás o próprio Público reconhece. Não sendo prudente desvalorizar a situação complexa que ainda se vive a vários níveis na economia (por exemplo, na evolução dos preços) e no emprego, esta informação contraria todas as previsões e acaba com a situação de recessão técnica muito mais cedo do que o esperado.
Resta saber o tipo de tratamento que será dado a esta verdadeira notícia. Por exemplo, há uns dias o Público fazia na primeira página grande destaque dos indícios de melhoria dos indicadores económicos internacionais, salientando que Portugal estava “atrasado” em relação a outros países. O rigor informativo era tal que no interior do jornal tínhamos até direito a gráficos para demonstrar tal tese - esquecendo o “analista”, apenas, o pequeno pormenor (aliás, bem visível nos gráficos) de Portugal ter sentido também mais tarde que outros os efeitos da crise. Será interessante ver qual será, agora, não apenas o destaque dado à notícia mas também qual o ângulo escolhido para a tratar.
Programa e política(s)
30 Julho 2009, 13:29 · Miguel Cabrita
Ter a ambição de governar implica ter um programa completo e transparente e sujeitá-lo, atempadamente, à apreciação dos cidadãos. Além de uma obrigação democrática, é uma pré-condição para, como agora alguns se lembraram de inventar, ”fazer política com as pessoas”. De outro modo, far-se-ão muitas coisas com as pessoas, mas dificilmente “política”.
O PS apresentou ontem o programa com que se apresenta às legislativas: no tempo certo, a dois meses das eleições, com opções claras e propostas escrutináveis. Outros apresentarão as suas ideias quando julgarem conveniente ou quando estiverem preparados para isso. E nessa altura poderemos comparar.
Enquanto isso não é possível (durante quanto mais tempo?), pode ler o programa do PS na íntegra aqui.
O País Relativo recomenda
28 Julho 2009, 20:54 · André Salgado
Os cínicos, os crédulos e a participação
29 Junho 2009, 0:02 · Mariana Vieira da Silva
Robert Reich escreve aqui um post daqueles que farão os fãs da política americana vestir a pele de Tocqueville e suspirar um “aquilo é que é uma democracia”. Secretary of Labour de Bill Clinton, Reich deixa aos cínicos e aos admiradores um recado sobre Obama e a sua política. E porque este é, por cá, tempo de eleições, de discutir os programas e as políticas, fica para o day-after:
«People who voted for Barack Obama tend to fall into one of two camps: Trusters, who believe he’s a good man with the right values and he’s doing everything he can; and cynics, who have become disillusioned with his bailouts of Wall Street, flimsy proposals for taming the Street, willingness to give away 85 percent of cap-and-trade pollution permits, seeming reversals on eavesdropping and torture, and squishiness on a public option for health care.
In my view, both positions are wrong. A new president — even one as talented and well-motivated as Obama — can’t get a thing done in Washington unless the public is actively behind him. As FDR said in the reelection campaign of 1936 when a lady insisted that if she were to vote for him he must commit to a long list of objectives, “Maam, I want to do those things, but you must make me.”
We must make Obama do the right things. Email, write, and phone the White House. Do the same with your members of Congress. Round up others to do so. Also: Find friends and family members in red states who agree with you, and get them fired up to do the same. For example, if you happen to have a good friend or family member in Montana, you might ask him or her to write Max Baucus and tell him they want a public option included in any healthcare bill.»
Colocar questões incómodas, saber ouvir as respostas
19 Junho 2009, 18:49 · Miguel Cabrita
A entrevista que Ana Lourenço fez a José Sócrates tem suscitado comentários curiosos, porque teria sido demasiado cordial. Aparentemente, há quem prefira o estilo Moura Guedes, em que os convidados são tratados discricionariamente conforme a aprovação ou simpatia que suscitam ou não à “jornalista”; e ou se submetem a uma abordagem tantas vezes inaceitável ou a “interacção” descamba num ápice para um combate de boxe em que o animal mais feroz e que acirra os ânimos é sempre o “entrevistador”.
Não é difícil perceber as razões dessas preferências. Mas é legítimo que nos interroguemos sobre o que se diria se as simpatias e antipatias, evidentes mesmo que não explícitas, de alguns órgãos de comunicação social fossem, em vez destas, outras. E que nos interroguemos também sobre os efeitos que este contexto mediático está a ter na qualidade dos media e da democracia.
Na entrevista a Sócrates que eu vi, a jornalista levantou os temas incómodos que tinha a levantar, interrompeu quando teve que interromper, e até terminou, já sem direito a resposta, com uma biografia do primeiro-ministro que salientava bem mais vários dos pontos do seu percurso que têm suscitado comentários ou interrogações. Mas, pelo meio disto tudo, ouviu as respostas de quem entrevistava. Dir-se-á que se limitou a ser uma boa profissional (além de tratar com educação quem convidou); mas nos tempos que correm, como se vê, isso faz toda a diferença.
P.S. Concordando-se ou não com todos os pontos da análise, vale a pena ler este texto de João Lopes, que não poderá ser acusado de parcialidade.
Coisinhas frescas no verão
17 Junho 2009, 18:49 · André Salgado
Uma pessoa interroga-se, em horror: o Ruanda…? o Kosovo…? o Darfur…? Treblinka…?
Nada disso, é o mundo de Rui Crull Tabosa.
I sento (2)
17 Junho 2009, 17:35 · Mariana Trigo Pereira
«TGV fica na gaveta: governo a navegar à vista»
«José Sócrates quer maioria absoluta para governar o país sozinho»
Mais cedo ou mais tarde
5 Junho 2009, 12:41 · Mariana Vieira da Silva
O Público não pára de me surprender. Agora parece que as eleições podem acabar num empate técnico: ”tendo em conta as margens de erro, o empate técnico é um dos resultados mais previsíveis.”
E ontem assinalou-se o Dia Mundial da Criança
2 Junho 2009, 19:54 · André Salgado
A geração brilhante, o tributo
1 Junho 2009, 19:24 · André Salgado
É sem dúvida, muito embora involuntariamente, o mais engraçado blogue de campanha da praça. A leitura dos últimos dias atravessou um período algo sinuoso e errático, mergulhado no compreensível pânico laranja com a credibilidade bancária. Com os ânimos mais serenos, venham os merecidos prémios da semana:
Papa de Ouro
Pinho Cardão (ex aequo com Pinho Cardão)
Vital terá inventado a ideia de um imposto europeu e depois, com medo da argolada, terá corrigido assumindo tratar-se de uma ideia plagiada. Ora, se Pinho Cardão não mostrasse forte ignorância, para utilizar uma expressão sua, saberia que a proposta de um futuro imposto europeu, e ao contrário das piruetas que Rangel tem tentado fazer, já se encontrava inscrita num relatório de 2007, que estudava as futuras fontes de financiamento da União e que foi votado também pelos eurodeputados do PSD. E foi neste contexto, de quem se limita a conhecer a discussão das matérias europeias, que Vital se referiu a esta proposta. Como a forte ignorância tem remédio, aqui fica a ligação. Não tem nada que agradecer.
Não satisfeito com este bom desempenho, Pinho Cardão entusiasma-se e lança-se na politologia. O PS está a fugir, incomodado com o seu candidato, deixando Vital a falar sozinho. Qualquer aprendiz teria a caridade de avisá-lo da insensatez da análise. Se Vital, sozinho e com o PS em debandada, vencer o mais brilhante político da nova geração, sustentado pela mais séria direcção social-democrata, digamos, do último ano, já viu o sarilho? Era como o PSD ser vencido nas urnas pelo blogue Causa Nossa.
Papa de Prata
Descobriu que, tal como os socialistas europeus, os nossos socialistas defendem a corrupção. Fica uma pessoa intrigada com tão bombástica revelação e o que sustenta o raciocínio do Vasco é a recente lei do financiamento partidário. Que foi votada por unanimidade, incluindo o PSD. Pretendendo melhorar este esplêndido contributo, toma balanço e desfere a estocada mortal: tal como os socialistas europeus, os nossos socialistas estão pejados da escola toda dos ex-comunistas. Não só Zita Seabra lhe dará, certamente, um forte abraço, como o maoísmo do presidente que importa manter na comissão em nome do interesse nacional deverá ter ficado com as orelhas a arder. Bravo, Vasco.
Papa de Bronze
Vital tem uma visão paroquial que não reconhece a importância em ter Barroso na presidência da UE (por sinal, é da CE). E para nos convencer, o Rodrigo desencanta um exemplo imbatível: o chefe de gabinete de Barroso vai ser nomeado director-geral na comissão. Ora bem… Não é de crer, até pela experiência anterior de Vale de Almeida na comissão, que o Rodrigo queira insinuar que o seu mérito e competência para o cargo não se aguentavam nas pernas caso o presidente da comissão não fosse português. Só poderemos acreditar que são esse mérito e competência, independentemente da nacionalidade, que sustentam a nomeação, não é verdade? Devolve-se, afinal, a pergunta ao Rodrigo: tem a certeza que este é um bom exemplo do interesse nacional em ter Barroso na presidência da CE? Ou será que está descoberto o misterioso significado do slogan das famílias portuguesas acima das famílias políticas?
Papa comícios
Apontar o fiasco do comício do PSD em Barcelos é falta de civismo democrático de Vital. Tem toda a razão, o Nuno. Em nome do respeito pela participação democrática, pouco interessa se um comício tem 500 ou 50 mil pessoas e o que interessa é a festa da democracia. Foi por isso mesmo que o PSD protelou o início do comício em hora e meia.
E haveria tantos mais a atribuir (a Maria João Marques merecia uma categoria própria, assim como o João Gonçalves, que não foi possível linkar devido à agitação com que dispara insultos, e o Afonso “esta merda e badamecos” Azevedo Neves). Fica para a próxima, que ainda há mais uma semana pela frente.
i ditoriais i sentos
30 Maio 2009, 13:32 · Mariana Trigo Pereira
(Martim Avillez Figueiredo no editorial de hoje do i. Aos poucos vamos percebendo o significado da escolha da minúscula.)
Era uma tarefa tão simples. Nem era preciso pertencer a uma geração brilhante
28 Maio 2009, 19:02 · André Salgado
À atenção dos mayzenas e do Afonso Azevedo Neves em particular: esta merda e badameco não chega a ser mau o suficiente para vos atribuir um traço interessante de carácter e não chega a ser bom o suficiente para um insulto que se apresente. É de percalços como este que se pode transformar em papa o mito de uma geração. O que seria uma irreparável perda para o país que vos espera.
Iluminados
27 Maio 2009, 15:21 · Mariana Trigo Pereira
Eu percebo, André, que seja difícil de imaginar que haja gente ‘socialista’ válida e bem sucedida nos seus percursos profissionais, interessada na coisa pública, etc. Quem se preocupa genuinamente com igualdade de oportunidades, combate à pobreza, justiça social para todos, serviços públicos de qualidade, redução das desigualdades sociais, qualidade de vida e liberdade nas escolhas individuais (incluindo as sexuais), suportado por uma economia dinâmica, com competitividade para gerar emprego em quantidade e qualidade, com gente qualificada, etc., não pode ter um actividade profissional de “sucesso”, não pode estar bem na vida, ou só pode ser maluquinho. Não há gente assim tão desinteressada e altruísta. São todos uns ressabiados, medíocres, que aguardam pacientemente à espera do tacho. Como eu adoro o pensamento linear e descomplicado da geração mayzena!

Até tu…31! Já não se pode adormecer…
27 Maio 2009, 12:55 · Hugo Costa
O “adormecer” de Paulo Rangel e o seu atraso ontem já foi mais que comentado.
Surpresa total é um blog que está convertido ao “rangelismo” e ao “bota-abaixo” brincar com a situação.
Não há como não gostar desta rapaziada
26 Maio 2009, 15:26 · André Salgado
Parece que há agora uma auto-intitulada geração Maizena. Gente interessada na coisa pública, à espera de um sinal, de uma abertura, de uma razão para intervir. Que se citam uns aos outros para se definirem como uma nouvelle vague. Uma nouvelle vague que é, sem tirar nem pôr, a mesma rapaziada que gravita há muito nos mesmos blogues e que, por ocasião de actos eleitorais, se arrebanha num colectivo. Uma nouvelle vague que já suspirava por Barroso, até monsieur Le commissaire se ter posto em fuga. Que foi atrás da aventura de Santana (não é, Vasco?…). Que foi esperançosa com Mendes. Que assobiou para o lado enquanto Menezes passava. Que volta a acreditar com a dra. Manela, cumprindo o retorno a Barroso.
Nova geração desde sempre longe do poder? Meu caro Vasco… o mesmo projecto político, reciclado. A mesma geração, já com saudades de se rever no poder. Saltitando de embrulho em embrulho, a aparentar algo de novo. Legítimo, diga-se. Não merece é o sacrifício de se barrarem com leite e farinha.
Ou como diria The Wolf,
“Let’s not start sucking
each other’s dicks
just yet”
Lendo os outros por aí
21 Maio 2009, 17:53 · André Salgado
O sempre surpreendente Vasco Campilho entendeu dar-nos a conhecer não ter vocação para idiota útil (dixit) em espaços que recentemente, et pour cause, abandonou. Sendo um problema que caberá ao Vasco resolver, não se afigura muito lisonjeiro para quem com ele partilhou esses espaços, tão pouco para a sua capacidade de avaliação de onde se mete. Apenas se pode desejar que a sua colaboração no Papa Mayzena tenha um desfecho mais feliz. Embora, para quem foi iniciado na defunta caravana santanista de 2005, a esperança recomende alguma cautela.
Ainda a propósito do alegado caso do “apagão dos desempregados”, o dado mais curioso que podemos testemunhar é o da inexistência de qualquer diferença, na preparação, no domínio técnico das questões em discussão e na capacidade e qualidade argumentativa, entre responsáveis políticos das oposições e caixas de ressonância no comentário blogueiro. O que até poderia ser um sinal interessante, para todos, se essa qualidade fosse outra. Infelizmente, para todos, não é o caso. Recomendo ao Nuno Gouveia esta leitura do Pedro Adão e Silva, que não poderia ser mais acessível.
Cocoon reloaded
20 Maio 2009, 10:45 · Rui Branco

«Mención especial merecen los carteles de Ferreira Leite que jalonan las carreteras portuguesas. “Não desista. Todos somos precisos”, reza. Pero la desolada foto en blanco y negro de la candidata, sin maquillar, podría hacer pensar a los turistas que visitan el Algarve que se trata del mensaje de una asociación de apoyo a la tercera edad o de prevención del suicidio.»
Via Hoje há conquilhas, com a devida vénia.
Lê-se no Público…
12 Maio 2009, 19:24 · Tiago Antunes
Advogado morto acusa o Presidente da Guatemala de assassínio.
Curiosamente, não é erro. É mesmo assim.
i
8 Maio 2009, 12:03 · Mariana Trigo Pereira
As primeiras ‘impressões’ são muito boas: o jornal é mais pequeno e cómodo para transportar, tem uns agrafos simpáticos (bom para levar para a praia no Verão), a impressão em si é de grande qualidade, tem uma organização dos conteúdos diferente e inteligente (as cotações da bolsa aparecem logo na pág.12, por exemplo), gosto muito do design…ah, espera lá, onde é que eu já vi isto…
O grande projecto da esquerda verdadeira
5 Maio 2009, 17:36 · André Salgado
Na gaiola do costume: enquanto o Luis Rainha pede para ser apagado da foto de família e, de caminho, manda o Carlos Vidal à merda, ao que o camarada Vidal ainda se encontra em consulta do prontuário estalinista para compreender o que aconteceu, o Nuno Ramos de Almeida conta-nos, com mestria, como se desmontam as soezes calúnias que tantas vezes lançaram à saudosa mãe soviética.
E é isto, amigos. Talvez seja de passar o projecto a dez dias, que cinco é bem capaz de não chegar.
O cuspir, o insulto, a agressão e a vergonha no twitter
1 Maio 2009, 17:22 · Hugo Costa
Os acontecimentos de hoje foram lamentáveis. O cabeça de lista do PS (Vital Moreira) foi insultado, cuspido e agredido nas comemorações da CGTP. Uma vergonha para a liberdade, para a democracia e para 1º de Maio.
Poucos minutos depois o deputado do PCP Miguel Tiago tinha no seu twitter: “Vital Moreira é que agride os trabalhadores portugueses há muito tempo!”
Mais palavras não são precisas.
Desconcentrações mediáticas
17 Abril 2009, 16:05 · Miguel Cabrita
1. É só impressão ou nenhum dos opositores da Lei para sobre concentração nos media (e apoiantes do veto presidencial, portanto) teve alguma coisa a dizer sobre isto: Alberto João Jardim cede jornal a privados para contornar lei do pluralismo dos media.
Vale a pena ler o texto na íntegra (seguir link), mas eis alguns dos aspectos da questão:
(…)
(Nota: como refere a notícia, a EDN é uma empresa detida pelos grupos Blandy e Controluinveste)
2. Independentemente dos méritos e deméritos que as soluções previstas na Lei possam ter, e que merecem ser discutidos, a questão da liberdade dos media é essencial para o funcionamento e para a qualidade do regime democrático. Esperar por hipotética regulação europeia nesta matéria, uma das razões invocadas para justificar o veto presidencial, não é razão para não legislar agora sobre essa matéria - fazendo, se necessário, adaptações à lei mais tarde. Invocar a proximidade de períodos eleitorais, outro dos argumentos para adiar a legislação, também só faria sentido se fossem invocadas as disposições específicas da lei que poderiam ter algum efeito negativo sobre tais processos - porque, em princípio, a ter algum serão positivos, mesmo que preventivos.
E indepentemente do caso em apreço, ou de qualquer outro em que se possa pensar, não é argumento dizer que o problema da concentração dos media não se põe em Portugal. Mesmo que fosse verdade (e não é, como se vê, a não ser para quem ache que a Madeira é mesmo um mundinho à parte), legislação delicada como esta deve ser feita antes de a questão se colocar, e antes que seja por isso necessário legislar a pensar em casos concretos, tão escandalosos como o citado ou não. Isso sim, seria grave.
O “manifesto” e os seus manifestantes
16 Abril 2009, 15:13 · Miguel Cabrita
Anda por por aí alguma excitação com uma música chamada “sem eira nem beira” incluída no novo álbum dos Xutos & Pontapés. A ideia até me agrada, não fossem os contornos desta história os que se vão tornando habituais.
Segundo o Público de ontem, o refrão inclui um prometedor “senhor engenheiro”, e a letra (transcrição na íntegra no interior do jornal) aborda questões como as desigualdades sociais e perante a justiça, o sentimento generalizado de impunidade dos “poderosos” e da opacidade que rodeia os processos do poder e do enriquecimento. Temas que são caros não apenas a muitos músicos rock, mas a muitos cidadãos - em rigor, a todos os que acreditem não apenas na qualidade da democracia mas numa sociedade mais justa e igualitária. Que músicos dêem voz a essas preocupações só pode ser bom, se são músicos com grande visibilidade ainda melhor e os Xutos têm um currículo que fala por si.
A TVI, sempre na linha da frente, fez aparentemente um vídeo de “Sem eira nem beira” com imagens várias do primeiro-ministro, investindo vários minutos do precioso tempo televisivo nessa montagem. Não vi o vídeo, ou a “peça”, mas não restam grandes dúvidas de que se enquadra bem nos serviços “noticiosos” da estação.
O Público, sempre atento, fez ontem eco deste acontecimento, e bem. Um eco tal que catapultou o tema para uma primeira página em que a toda a largura se lia, a acompanhar uma bela fotografia de Tim e Zé Pedro em concerto, o desejo profundo do editor de serviço: “nova canção dos xutos transformada em manifesto anti-sócrates”. A acompanhar o destaque, um “excerto” da letra - tão selectivo que na verdade é uma truncagem, para melhor poder ser “interpretada” pelos leitores à luz de certos “casos” recentes.
Zé Pedro, guitarrista da banda, diz entretanto no texto do interior do jornal (um texto interessante, equilibrado e honesto, sublinhe-se) que “simpatiza” com o primeiro-ministro e que a música não é sobre ninguém mas sobre a “classe política” em geral. No fundo, contra “o sistema”, imagem recorrente os Xutos, em repetidas ocasiões e entrevistas.
Quanto aos temas referidos, encontramo-los com frequência noutras músicas da banda, e em algumas delas em formulações quase inalteradas - para citar o exemplo mais óbvio, no exercício meio-rock-meio-rap de “Estupidez” (1993, Direito ao deserto). Aliás, em bom rigor, é completamente irrelevante se a música em causa tem um “alvo” particular ou geral; tal com o o é a simpatia, antipatia, ou ausência de ambas, por Sócrates, em qualquer dos casos um direito a exercer. E é também pouco relevante o uso que a música e a letra venham a ter, independentemente da intenção de quem a criou.
Pela minha parte, porque gosto dos Xutos e porque sempre conseguiram ser coerentes e relevantes, desejo toda a sorte do mundo ao novo álbum, que ainda não ouvi, e que continuem a fazer música nova com vontade e visibilidade. Sendo que é mil vezes preferível (não apenas para eles) que as músicas que ganham relevância não sejam os ai-se-ele-cai-lá-lá-lá deste mundo.
Quanto aos promotores do manifesto…como de costume, estão no direito de reportar, ou “prever”, que a canção está a ser “usada” ou “transformada” num manifesto. Mas já agora podiam dizer por quem.
Bingo!
2 Abril 2009, 12:34 · Hugo Mendes








