Stranger than (science) fiction
2 Dezembro 2008, 17:10 · Miguel Cabrita

A ciência entreabre muitas vezes horizontes estranhos, baralhando categorias supostamente bem arrumadas. No Expresso do fim-de-semana, era citado um desses exemplos: a elysia chlorotica, uma espécie animal (mais concretamente uma lesma-do-mar) é capaz de fazer a fotossíntese e sobreviver nessa base durante um ano (a sua longevidade). Como? Se bem percebo, incorporou (”apropriou-se de”) material genético de uma das espécies de que se alimenta e, quando nova, cada uma das lesmas armazena os cloroplastos das algas que come (e que permitem a fotossíntese), conseguindo depois usá-los ao longo da vida para processar energia solar suficiente.
Já os físicos-politólogos…
26 Novembro 2008, 14:50 · João Jesus Caetano
Lee Smolin, do Perimeter Institute for Theoretical Physics, numa TedTalk com o título “How science is like democracy“, em Fevereiro de 2003 mas só agora publicada [link]:
As gravatas dos astrofísicos(*) mimicam a estrutura do universo
26 Novembro 2008, 14:48 · João Jesus Caetano
Geoge Smoot, nobel da física em 2006, numa TedTalk com o título “The design of the universe“, em Maio deste ano e publicada este mês [link]:
(*) dos norte-americanos, pelo menos.
Etnógrafos de todo o mundo, não desesperem
11 Outubro 2008, 18:32 · Hugo Mendes
No micro-cosmos dos cientistas sociais, a guerra entre os ‘quantitavistas’, maníacos das bases de dados, e os ‘qualitativistas’, doentes da observação etnográfica, é um daqueles conflitos insanáveis. Quando a polémica roça o insulto, os primeiros acusam os segundos de se perderem a estudar objectos que não interessam a ninguém com um detalhe capaz de aborrecer qualquer criança hiperactiva, enquanto os segundos acusam os primeiros de se terem vendido à big science, às encomendas estatais, e às agendas - e cheques - do sector privado.
Agora, o “grande capital” mostra que afinal os etnógrafos têm afinal um valor de mercado. Assim, as mais-valias da etnografia - a atenção à observação e ao detalhe, ou à “cognição situada” e “distribuída”, para usar linguagem mais técnica - esão a ser usadas pela Intel para ajudar a melhorar as características do ’Magalhães’: “Temos uma equipa de etnógrafos que estuda a forma como os estudantes usam a tecnologia (ser antichoque, teclado resistente a líquidos)”.
Problemas de Fermi
6 Outubro 2008, 23:12 · João Jesus Caetano
Quantos grãos de areia cabem no balde de praia do meu filho? Com quantas pessoas me cruzo diariamente na rua? Quantos gramas de bife gastou o Rochemback a correr, lentamente, no jogo de ontem, assumindo resistência nula do vento?
A capacidade de intuir ordens de grandeza é algo de que os físicos se orgulham. Já a mulher de um deles, Rebecca Sax, uma neurocientista cognitiva do MIT, dedica a sua vida a perceber porque é que o nerd do marido se diverte com os nerds dos seus amigos matemáticos a resolver este tipo de problemas, designados por “problemas de Fermi”: tentar arranjar soluções aproximadas para problemas arbitrários.
O que isto lhe sugere, segundo o New York Times, é que «the people whom we think of as being the most involved in the symbolic part of math intuitively know that they have to practice those other, nonsymbolic, approximating skills.»
E agora leiam isto (há quem lhe chame “Eduquês”): «Taken together, the new research suggests that math teachers might do well to emphasize the power of the ballpark figure, to focus less on arithmetic precision and more on general reckoning.»
Vamos jogar?



