O delírio de Louçã

5 Setembro 2009, 20:29 · João Jesus Caetano 

Francisco Louçã, professor catedrático de economia e dirigente do Bloco de Esquerda, afirmou recentemente que há “630 mil desempregados em Portugal”.

Ora, Francisco Louçã, o catedrático de economia, sabe que só há duas formas de “medir” o desemprego em Portugal: uma é a estimativa trimestral do INE, um organismo independente, que resulta de metodologias validadas internacionalmente; a outra é o número de desempregados registados no final de cada mês nos centros de emprego do IEFP, um organismo tutelado pelo ministério do trabalho e da segurança social, que resulta de metodologias validadas pelo seu conselho de administração do qual faz parte, por exemplo, a CGTP.

Os últimos números disponíveis, de um e outro organismo, apontam para quase 508 mil desempregados ao longo do segundo trimestre deste ano (INE) e para 497 mil desempregados registados no final de Julho de 2009 (IEFP).

Teria então Francisco Louçã, o catedrático de economia, desenvolvido um modelo econométrico sofisticado, e Francisco Louçã, o dirigente do Bloco de Esquerda, lido-o? Não. O que aconteceu foi que Francisco Louçã, o dirigente do Bloco de Esquerda, referiu o valor de uma estimativa feita por um deputado do PCP que o Correio da Manhã destacou esta semana. Estimativa essa, estou certo, que Francisco Louçã, o catedrático de economia, não validaria.

Comentários

1 comentário

  1. Alexandra Malheiro, 5 Setembro 2009, 23:37

    “lido-o” é uma palavra nova? (tê-lo-ia lido, não?)