Rasgar a escola para todos
10 Julho 2009, 14:38 · João Jesus Caetano
O gráfico em baixo mostra a taxa de escolarização dos jovens com idades entre os 15 e os 17 anos, de 1961 a 2006.
Entre 1995 e hoje, essa taxa tem-se situado ligeiramente acima dos 80%, oscilando aqui e ali sem grande significado. Ou seja, nos últimos 15 anos, quase 20% dos jovens com idades entre os 15 e os 17 anos não frequentaram nenhum estabelecimento de ensino.
Hoje, na Assembleia da República, ao não ter votado favoravelmente a proposta do Partido Socialista que prevê o alargamento da escolaridade obrigatória até ao 12º ano, o PSD de Manuela Ferreira Leite mostrou que vive em paz com esta realidade.
[Taxa de escolariação mede o número de estudantes que frequentam estabelecimentos de ensino, independentemente do nível em que se encontram, relativamente à população total com a mesma idade - fonte: GEPE]





O PS erra constantemente. E o PSD, não pode? Erre quantas vezes errar, é irrelevante. As eleições não serão um concurso de erros, mas de quem errou no governo em último lugar. Foi o PS. Pagará.
“As eleições não serão um concurso de erros, mas de quem errou no governo em último lugar”.
Ligeiramente incorrecto: as eleições são um concurso entre projectos de governação. Em avaliação não vai estar apenas quem governou em último lugar - afinal, quem está na oposição não pode cometer “erros” de governação, essa vida de atirar umas opiniões para o ar é bastante fácil, e o PSD viveu-a de forma particularmente irresponsável -, mas programas e capacidades de governação alternativas.
Por isso, sim, as eleições são efectivamente concursos de erros e de sucessos, em função do passado de cada um dos partidos e do que as pessoas acreditam que eles podem fazer no futuro.
Só o seu sectarismo o faz pensar que o PS comete menos erros do que o PSD. Há muita gente que pensa exactamente o contrário, e com tanta razão como o Hugo Mendes, que o PS foi extremamente irresponsável na oposição (por exemplo, o discurso do Sr. Sócrates contra as receitas extraordinárias, em Dezembro de 2004 - receitas que continuaram a atacar em 2008). Neste tipo de presunções ficamos todos empatados. O que conta é o último a fazer as asneiras, a ser arrogante. O último é o PS. Pagará por isso.
o Sr AF parece uma pessoa cheia de certezas quanto ao passado e ao futuro. Fala como um oráculo. Veremos se esta visão das eleições não como uma escolha de futuro mas como castigo do passado (curiosa, esta, para um democrata) se confirmará. E se se confirmar, quem é que pagará. Só espero que não seja o povo português.
Já escrevi acima que no discurso dos erros do governo e da oposição ficamos todos empatados. Portanto, restam duas hipóteses. Ou se discute propostas sem voltar atrás à discussão dos tais erros. Ou se manda embora os que lá estão. Os eleitores estão a tender para esta última hipótese. Começou nas Europeias e continua nas sondagens das intenções de voto. Como vê, não há certezas, nem oráculos metidos aqui no meio.
Curiosa sugestão é essa, “se se confirmar, quem é que pagará. Só espero que não seja o povo português.” Nenhum partido é melhor, nem mais responsável do que os outros. O partido que ganha, ganha sempre bem, porque é por vontade dos eleitores. Os eleitores votam sempre bem. Não votam bem só quando votam no PS. Por isso, o povo nunca é prejudicado pela opção faz.
Caro António Fiúza,
No seu comentário, escreveu “Ou se discute propostas sem voltar atrás à discussão dos tais erros. Ou se manda embora os que lá estão.”
A proposta sobre o alargamento da escolaridade obrigatória até ao 12º anos foi feita pelo PS no parlamento e o PSD absteve-se. O gráfico neste post ilustra que o actual sistema (9º ano) atingiu a saturação há 15 anos.
Está interessado em discutir esta proposta? Tem outra? Sabe se o PSD tem ou pretende ter?
É este o assunto?
http://app.parlamento.pt/webutils/docs/doc.pdf?path=6148523063446f764c324679626d56304c334e706447567a4c31684d525563765130394e4c7a684452554e7762334e535156497651584a7864576c3262304e7662576c7a633246764c314a6c6247463077374e796157397a4a5449775a5355794d464268636d566a5a584a6c6379394a546b6c4d5255637655484a766347397a6447467a4a5449775a47556c4d6a424d5a576b764d4463794c56427962334276633352684a5449775a47556c4d6a424d5a576b6c4d6a427577726f6c4d6a41794e7a4574574355794d43306c4d6a4242624746795a3246745a573530627955794d4752684a5449775a584e6a62327868636d6c6b5957526c4a54497762324a7961576468644d4f7a636d6c684c314a6c6247463077374e796157386c4d6a426b5a5355794d465a7664474844703246764a544977626d456c4d6a426c6333426c59326c6862476c6b5957526c4a54497753556b756347526d&fich=Relat%c3%b3rio+de+Vota%c3%a7ao+na+especialidade+II.pdf&Inline=true
[...] País Relativo decidiu criticar o PSD por votar contra o alargamento da escolaridade obrigatória ao 12º ano. É [...]
Se é, o PSD votou a favor de todos os artigos do Texto Final
( http://app.parlamento.pt/webutils/docs/doc.pdf?path=6148523063446f764c324679626d56304c334e706447567a4c31684d525563765130394e4c7a684452554e7762334e535156497651584a7864576c3262304e7662576c7a633246764c314a6c6247463077374e796157397a4a5449775a5355794d464268636d566a5a584a6c6379394a546b6c4d5255637655484a766347397a6447467a4a5449775a47556c4d6a424d5a576b764d4463794c56427962334276633352684a5449775a47556c4d6a424d5a576b6c4d6a427577726f6c4d6a41794e7a4574574355794d43306c4d6a4242624746795a3246745a573530627955794d4752684a5449775a584e6a62327868636d6c6b5957526c4a54497762324a7961576468644d4f7a636d6c684c314251544355794d4449334d5331594c6e426b5a673d3d&fich=PPL+271-X.pdf&Inline=true )
excepto quanto ao artigo 8º nº2 - uma disposição transitória - e ao artigo 9º - entrada em vigor do disposto no artigo 5º.
Dado que foi introduzido um artigo novo, o artigo 8º e o 9º da proposta são o 9º e o 10º do texto final.
Parece, pois, que é “muito exagerado” dizer que o PSD se absteve quanto à proposta do PS de extensão da escolaridade obrigatória.
Quer continuar a discutir?
TUNGAS!!!!
António Fiúza,
Na votação final global, o PSD absteve-se.
António Fiúza,
Extracto do DAR I Série n.º 103 de 11 de Julho de 2009, relativo à reunião plenária de 10 de Julho de 2009 (pág. 45):
“Em votação final global, vamos votar o texto final, apresentado pela Comissão de Educação e Ciência, relativo à proposta de lei n.º 271/X (4.ª) — Estabelece o regime da escolaridade obrigatória para as crianças e jovens que se encontram em idade escolar e consagra a universalidade da educação pré-escolar para as crianças a partir dos cinco anos de idade.
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PS, do PCP, do BE, de Os Verdes e de 1 Deputada não inscrita e abstenções do PSD, do CDS-PP e de 1 Deputado não inscrito.”
Só eles poderão justificar porque se abstiveram na votação final global depois de terem votado favoravelmente todos os pontos importantes. Mas, por discordância quanto ao alargamento da escolaridade até aos 18 anos, não pode ter sido, visto que votaram favoravelmente os artigos correspondentes.
António Fiúza,
Tem razão; só eles poderão justificar porque se abstiveram, depois de terem votado favoravelmente quase todos os artigos do texto.
Mas a abstenção na votação final global tem um significado político que não pode ser ignorado.
Isto parece-se um pouco como os investimentos públicos - o PSD até é a favor, só não sabe muito bem quais, como e quando.
Só que, entretanto, o planeta Terra vai girando…
“Isto parece-se um pouco como os investimentos públicos - o PSD até é a favor, só não sabe muito bem quais, como e quando.”
Por cada frase como esta consigo inventar duas piores contra o PS. Mas não o farei. Prefiro dizer que penso que o TGV, a 3ª auto estrada Porto-Lisboa e o NAL estão longe de ser prioridades nacionais.
Eu sei que há uma certa convicção que se deve dizer mal do partido rival do nosso, mas eu penso que não. Como todos fazem o mesmo e têm igual quantidade de motivos pertinentes, empatam. Ao colocarem o discurso político neste campo do coração, suscitam a reacção do coração dos eleitores: estamos fartos do PS e vamos votar no PSD ou no BE. Noutras ocasiões, no passado, estávamos fartos do PSD e votámos no PS.
Quando um partido quiser deslocar o debate para o lado racional, fará as suas propostas, poderá atacar as ideias dos outros partidos, mas não os outros partidos. Os eleitores, que não são nada burros, perceberão.
O PSD entregou uma declaração de voto que conclui da seguinte forma:
” Por essa razão o Grupo Parlamentar do PSD decidiu abster-se em sede de votação final global da Proposta de Lei do Governo. Esta é a atitude equilibrada que evidencia a posição do PSD: por um lado, subscreve-se o propósito de dar este verdadeiro salto qualitativo no nosso sistema de ensino; por outro lado, não pode o PSD associar-se a esta instrumentalização de um processo legislativo, de uma forma que não dignifica o Parlamento e o País.”
Ficou claro que a abstenção não se deveu a discordância relativamente à extensão da escolaridade obrigatória, mas à forma como o processo legislativo decorreu.
Devido à extensão da declaração de voto não a reproduzo integralmente, mas está lá em detalhe a crítica ao processo legislativo.
http://pedroduarte.com/pdf/declaração%20de%20voto%20-%20ppl%20271-x%20escolaridade%20obrigatória.pdf
António Fiúza: mas acha verdadeiramente que essa estratégia do PSD de votar “os princípios” e abster-se ou votar contra “os procedimentos” convence alguém? Porque é que não discute abertamete ideologias e projectos políticos em vez de insistir nessa tónica de que “nós faremos o meesmo mas de uma forma maiscorrecta”?É essa a “política de verdade” que têm para oferecer? A política não se faz com boas ideias, faz-se com com boas decisões.
mas acha verdadeiramente que essa estratégia do PSD de votar “os princípios” e abster-se ou votar contra “os procedimentos” convence alguém?
Não sou eu que tenho de preocupar-me com isso. O PSD que se preocupe. Mas não me parece que o PSD tenha mais insucessos eleitorais do que o PS.
Porque é que não discute abertamete ideologias e projectos políticos
Quando for pertinente. No assunto em causa não tenho qualquer discordância relativamente aos artigos do texto final. Portanto, não há nada para discutir.
em vez de insistir nessa tónica de que “nós faremos o mesmo mas de uma forma mais correcta”?
Discordo que um partido seja mais correcto do que outro. Os partidos são diferentes. O que é correcto para mim pode não ser correcto para si.
É essa a “política de verdade” que têm para oferecer?
O PSD que responda.
A política não se faz com boas ideias, faz-se com com boas decisões
Discordo. Sou mais exigente. A política deve fazer-se com boas ideias e boas decisões. E tenho idade suficiente para saber que boas ideias e boas decisões para mim podem não ser boas ideias e boas decisões para si.
Em resumo, contesto que exista o mais correcto e o melhor em política. Há o que agrada mais a cada eleitor. E vence cada eleição o partido que mais agradar, independentemente do que eu ou o luis viana acharmos que é mais correcto ou melhor (na nossa perspectiva individual). E os eleitores têm sempre razão.
Como não sou sectário não vejo um partido a discutir ideias e outro a não discutir ideias. Aliás, o seu discurso das ideias ouço-o a gente do PSD, trocando os papéis do PSD e do PS, e acho que têm tanta razão como os do PS.