Um desejo para os 12 anos de escolaridade

26 Abril 2009, 12:38 · Mariana Trigo Pereira 

Todos os passos no sentido de uma maior igualdade de oportunidades e de uma maior qualificação dos portugueses são de saudar. É importante, no entanto, ter presente que a escolaridade obrigatória não se traduz apenas em mais anos que os jovens passam na escola, num maior nível de qualificação da população, em melhores oportunidades de realização pessoal e profissional, em maiores índices de produtividade (com consequências sobre o crescimento económico, etc.).

Tudo isto é verdade, mas há mais. 12 anos na escola são 12 anos de aquisição de um conjunto de conhecimentos considerados fundamentais por uma sociedade. A escolaridade obrigatória tem (ou deveria ter) a grande responsabilidade de formar e estimular a cidadania dos jovens. Muitos deles, mais tarde, vão ter um papel a desempenhar nas decisões colectivas, vão ser chamados a participar na orientação de políticas de forma directa ou indirecta, através do voto.

Estes conhecimentos ‘base’ são determinantes na escolha colectiva de princípios justos, como nos lembra John Rawls. A par da sua ideia de ‘véu de ignorância’ – esse contexto artificial em que cada indivíduo avaliaria princípios de justiça desconhecendo factos particulares como a sua posição e status social, o seu nível de riqueza, as suas capacidades ou inteligência-, Rawls refere também que estas escolhas ‘justas’ pressupõem, no entanto, alguns conhecimentos fundamentais:

«It is taken for granted, however, that they know the general facts about human society. They understand political affairs and the principles of economic theory; they know the basis of social organization and the laws of human psychology. Indeed, the parties are presumed to know whatever general facts affect the choice of the principles of justice.»

São estes ‘general facts about human society‘ que eu gostaria de ver garantidos nos 12 anos de escolaridade obrigatória.

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