A contradição por detrás do «abalozinho»

2 Julho 2009, 12:57 · Tiago Antunes 

Falar de «abalozinho» a propósito da crise mundial que estamos a viver é, por si só, uma contradição. Uma contradição com a realidade. Com a política de verdade que a dra. Manuela Ferreira Leite afirma prosseguir.

 

Mas, ao reler aqui esse trecho da entrevista, recordei-me de algo que já na altura me tinha chamado a atenção: a contradição por detrás do «abalozinho». É que, confrontada pela Ana Lourenço com a infeliz expressão que tinha acabado de usar, Manuela Ferreira Leite mete os pés pelas mãos e acaba por contradizer o argumento que tinha acabado de sustentar. Senão, vejamos.

 

Manuela Ferreira Leite estava a defender a ideia de que a consolidação orçamental operada pelo actual Governo era meramente aparente e não sustentada. Tanto que, segundo a própria, «veio um abalozinho de terra e desmoronou-se». Mas, quando questionada se era mesmo de um «abalozinho» que se tratava, Manuela Ferreira Leite - visivelmente atrapalhada - responde: «é um abalozinho relativamente àquilo que poderia ter sido caso não estivessem as contas feitas… construídas doutra forma…». Isto é, se as contas públicas não tivessem sido postas na ordem e não estivessem consolidadas, teria sido um abanão. Mas, como as contas públicas entretanto estavam controladas, foi apenas um «abalozinho».

 

Em suma, fugiu-lhe a boca para a verdade (esta sim, a verdade). Pretendendo criticar o Governo por uma meramente cosmética consolidação orçamental, Manuela Ferreira Leite acaba por confessar que se não fosse a consolidação orçamental operada por este Governo (consolidação que ela própria reconheceu, nesta mesma entrevista, não ter conseguido fazer enquanto Ministra das Finanças) é que teriam sido elas…

 

Portanto, se de um mero «abalozinho» se tratou, temos de o agradecer ao bom trabalho deste Governo. Não é, dra. Manela?

Comentários