Who do girls like they’re boys

3 Fevereiro 2009, 20:41 · André Salgado 

O Rui Castro, que começo a desconfiar tratar-se de uma personagem de ficção inventada pelo sarcasmo do Rodrigo Moita de Deus, questiona a independência e a capacidade profissional da procuradora Cândida Almeida, insinuando que esta não terá condições de isenção para investigar o “caso Freeport”. Isto pelo simples facto de ser colocada na comissão de honra que apoiou a candidatura presidencial de Mário Soares. Nem é muito relevante recordar que as comissões de honra, tanto a de Mário Soares como a de Cavaco Silva, reuniram respeitáveis personalidades, de vários quadrantes sociais, profissionais e políticos. O nível da insinuação fala por si. Afinal, pergunta-se, quem é que está interessado em politizar a investigação?

Mas verdadeiramente interessante é o apreço do Rui Castro por refrões. Vamos então ao refrão. Se dos trabalhos de investigação criminal não se conhece, tanto quanto sabemos e quatro anos depois, nada de substantivo - indícios, na linguagem de quem coordena a investigação - que se associe a José Sócrates; se os partidos da oposição têm mantido uma posição pública de serenidade; e - com todo o respeito - sendo a voz do 31 da Armada não mais do que aquilo que é; resta uma conclusão cristalina: a questão política do caso Freeport diz hoje respeito, mais do que a qualquer outra realidade ou facto de direito, à estridência das manchetes dos jornais e a algum jornalismo “de investigação”, exemplarmente alimentado por “fugas” ao segredo de justiça calculadas ao milímetro, com origem atribuída a alegadas “fontes” próximas do processo, nunca verificáveis e, bastas vezes, derramando, em roda livre e sem qualquer aparente filtro de trabalho jornalístico, alegados “factos” confusos e contraditórios entre si. É mais ou menos isto, não é?

Refrão: depois de certos jornalistas, nomeadamente alguns bem conhecidos da nossa praça, se terem esmifrado para fazer do “caso Freeport” uma questão política, será que os orgãos de comunicação onde exercitam a pena se sentem capazes, de forma imparcial e isenta, de continuar a ”noticiar a investigação”?

Comentários

1 comentário

  1. Aldino, 4 Fevereiro 2009, 21:19

    O conteúdo do seu post não adianta nada ao que eu já pensava do assunto, mas o título é, pelo menos para mim que pensava saber algum inglês, um mistério profundo. Satisfaça-me, por favor, a curiosidade e conte-me lá o que significa “who do girls like they’re boys”.

    Agradecido.