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7 Novembro 2008, 13:27 · Hugo Mendes 

A pedido de várias famílias confrontadas com os inícios de uma depressão pós-eleições [DPE], Barack Obama já lançou o site onde podemos acompanhar todo o processo de transição para a sua administração.

No cabeçalho, uma frase que mostra como os críticos da “Obamania” não perceberam grande coisa do significado da mensagem de Obama: «Today we begin in earnest the work of making sure that the world we leave our children is just a little bit better than the one we inhabit today».

Comentários

3 Comentários

  1. Carlos Leone, 10 Novembro 2008, 22:48

    Hugo,
    Como um dos críticos da Obamania (embora nada desapontado com os resultados eleitorais nos EUA…), não enfio esse barrete. Discordar não significa forçosamente não perceber, isso é um platonismo muito pouco auspicioso. A questão não está na intenção da frase citada, está em muitas outras coisas. Já foram discutidas, a seu tempo: estilo pregador, programa vago, excitação de tendências apolíticas e até antipolíticas, mediatismo infrene, inexperiência executiva… Agora é esperar para ver o resultado e esperar pelo melhor. E não esquecer que, tal como a vida política nos EUA não se reduz a Esquerda e Direita, também Obama não é socialista, pelo que há que não partir do princípio que estas coisas se transpõem por voluntarismo.

  2. Hugo Mendes, 11 Novembro 2008, 11:25

    Carlos,

    O estilo pregador permitiu ganhar as eleições, mas percebo que possa irritar alguns. Mas: programa vago? Não me parece que possa ser disso acusado. Obamamania? Mas não possível ser apoiante de Obama sem que se tenha de responder por essa suposta crítica? Não tenhamos dúvidas, Carlos: aquilo é um movimento social/nacional de proporções que escapam a qualquer europeu. Tem excessos? Terá sim. Mas que movimento destas proporções e significado não tem? Para mim essa é uma falsa discussão/questão, e revela algum menosprezo pelo significado necessariamente trans-político da sua candidatura. Mas naturalmente: para um país cujo passado e fundação estava assente numa economia e sociedade de escravos, a vitória de um Presidente negro é algo que transcende a luta entre democratas e republicanos. É por isso que vimos os negros chorarem: democratas e republicanos.
    É efectivamente algo transpolítico (não sei se concordo que seja a-político: a mensagem política está apenas “one inch away”). Para mais, é natural que o candidato tenha feito desta dimensão transpolítica um eixo de mobilização de pessoas para quem a política é, foi, por defeito, nos últimos anos, senão décadas, um jogo de fechado de elites que distribuem favores entre si e ignoram a maioria. E por fim, sim, Obama não será “socialista” (mas o que significa a palavra?), mas isso é relevante? Ser “socialista” é um bocadinho impossível nos EUA. O seu programa tem contornos claramente social-democratas - aliás, bastante radicais para o contexto americano do último quarto de século. E, parece-me, mais radicais do que o que Clinton fez (embora, é verdade, num contexto em que tinha o Congresso contra - mesmo sabendo que o perdeu parcialmente por culpa própria).

    abraço,
    Hugo

  3. Carlos Leone, 11 Novembro 2008, 11:40

    Hugo,
    OK, we agree to disagree em muitas coisas (noutras estamos até de acordo). E, de facto, apesar de desejar a vitória de Obama (para o que bastaria, apenas, a campanha desastrosa de McCain), é de facto o estilo que me irrita, bem como a adesão de tantos a coisas que sempre (v)os vi denunciar (e bem) como vícios graves: desde o «pregadorismo» à campanha negativa, etc. No fundo, será o futuro a resolver, ou pelo menos a aclarar, estas divergências. Desde que nos entendamos que não se trata de (querer) perceber ou não. quanto ao socialismo, atenção à tua caixa de mail…
    Abraço
    Carlos