As verdadeiras reformas são as que nunca fizemos

8 Outubro 2008, 19:21 · André Salgado 

O mundo está de tanga?, pergunta o Paulo Pinto Mascarenhas. O mundo não, mas há quem pareça.

Não valerá a pena perder muito tempo a recuperar minudências de memória, de que há três anos (e meio), quando a crise nacional ainda não se tinha agudizado especialmente, as contas públicas mostravam um défice três vezes superior, a economia crescia em recessão técnica, a população que chegava ao mercado de trabalho levava um carimbo de desempregado, não se criava um posto de trabalho líquido e o país fechou para balanço com um governo de parodiantes de Lisboa. Se o Dr. Durão Barroso começou de tanga em 2002, pelo caminho esta foi desaparecendo, o que não é uma imagem agradável.

Muito menos com a evidência de que um bê-a-ba tão prosaico como ir saneando as contas públicas permite hoje uma almofada para que não sejamos atingidos com mais dor ainda.

Mas confesso que quando o Paulo Pinto Mascarenhas fala em ausência de verdadeiras reformas, desperta-me curiosidade. Refere-se a que verdadeiras reformas?

Reformas - quando para tal existe coragem, não é verdade? - cujos efeitos são aferidos para além de uma legislatura, muito embora se reclame na semana seguinte que ainda não se vê nada?

As reformas que o anterior governo – que não foi assim há tanto tempo, embora o pareça - não realizou por falta de coragem na agenda?

Ou serão as reformas da recém-descoberta epifania liberal, sufragadas na omissão do palco e das responsabilidades que já se teve?

Bem sei que já se vai sentindo o cheiro a pólvora e é preciso ir construindo as trincheiras. Mas até nas trincheiras há memória. E não é soprando-a que o barro seca mais depressa.

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