the ‘H’ word

25 Março 2009, 2:56 · Hugo Mendes 

Poucas coisas me espantam mais, nos dias que correm, do que ouvir pessoas (de esquerda) barafustar, de dia e em público, contra tudo o que for possível e impossível sobre o Magalhães* (ele é a ‘propaganda’, os atrasos nas entregas, os erros de português no software, vale tudo) e, de noite e em privado, embevecerem-se com o novo computador Mac** (ou outro) que deixa maravilhado o seu filho (ou filha). 

* um computador portátil grátis para as crianças de famílias com menos recursos, e que custa 50 euros para o resto das famílias.

** que custará pelo menos - e atiro assim um valor para o ar - 3 vezes o salário mínimo nacional.

Comentários

7 Comentários

  1. Miguel Duarte, 25 Março 2009, 11:15

    Então se estou a perceber bem, o facto de ser muito barato impede qualquer crítica?

  2. Hugo Mendes, 25 Março 2009, 11:58

    Não, mas devia impedir as críticas oportunistas, as que não sabem separar o essencial do acessório.

  3. Zé dos Reis, 25 Março 2009, 15:27

    O Magalhaes é perigoso, perigosissimo.
    Dar as mesmas ferramentas educacionais ao meu filho e ao filho da porteira do 27? Onde é que isto vai parar? Que merda é esta?
    Quando eu era puto as coisas eram simples, eu chegava a casa e perguntava aos meus pais, se eles não sabiam viam na enciclopédia, iamos à bertrand comprar um livro sobre o assunto, a mãe perguntava a uma colega do escritório ou o pai a alguem lá no gabinete de engenharia, tinha todas as vantagens dadas pela minha condição social.
    O Tonho, filho da D. Isabel que lavava as escadas e do Pedro que era pedreiro lá se amanhava como conseguia, que tb não havia problema, sempre há falta de tratoristas e serventes e essas profissões que os pobrezinhos teem.
    E agora vem esse Socrates da merda querer dar computadores aos putos todos? porra, o gajo é fascista ou comunista ou uma merda qualquer, dar esmolas aos pobres vá que não vá, agora as mesmas oportunidades? corram com o gajo, e depressa!!!
    Vaios e macbook sim, magalhaes nunca!!

    Um grande abraço e obrigado pelo blog!

  4. Miguel Duarte, 25 Março 2009, 23:18

    Custa-me a perceber porque é que uma opnião tem que ser tudo ou nada, bom ou mau. Não se responde a um texto ou ao que quer que seja, é mais vontade de vomitar uma opinião. Lembrei-me por exemplo porque é que deixei de votar…

  5. Pedro Sales, 26 Março 2009, 2:27

    Este post é um hino à demagogia e à desonestidade intelectual mais desbragada. Como sou o pai que o Hugo Mendes refere - sem nunca citar! -, gostaria de saber onde é que eu critiquei os erros de português, os atrasos nas entregas ou demonstrei andar aí a “barafustar, de dia e em público, contra tudo o que for possível e impossível sobre o Magalhães”.

    Como não foi o meu caso, e nunca me lembro de ter alinhado nas supostas “críticas oportunistas”, a referência ao Mac para o filho - que eu fiz no twitter, em http://twitter.com/pedro_sales, e o Hugo mendes comentou em http://twitter.com/hugomendes, mais uma vez sem nunca referir proveniência - é engraçada mas não passa de demagogia barata para definir críticas ao Magalhães (nas quais não me revejo a 90%) como fruto de um certo pedantismo intelectual.

    PS: Sempre pensei que o computador que eu compro para uso pessoal, e do meu filho, fosse uma escolha meramente pessoal. Vejo agora que estava profundamente enganado. Não me esquecerei, em próxima oportunidade, de pedir conselho ao Hugo Mendes. Prometo ser discreto e nunca referir a fonte. Parece que é assim que se sente à vontade.

  6. António Ribas, 26 Março 2009, 9:52

    embrulha!

  7. Hugo Mendes, 26 Março 2009, 10:23

    Pedro, é um desabafo geral sobre tantas, mas tantas coisas que já ouvi, e que é reconhecível num certo discurso. Não o citei pessoalmente porque isto, como perceberá facilmente, nem sequer pretende dizer respeito à pessoa A, B, ou C, mas a uma atitude generalizada, que encontro por aí todos os dias e que me irrita profundamente. Não pessoalizei porque o meu objectivo era precisamente o oposto - e porque, infelizmente, o que critico não parece reduzir-se a uns casos idiossincráticos.
    Se o Pedro Sales não se reconhece nela - na atitude que critico -, só posso, sem qualquer ironia, ficar satisfeito. A atitude continuará porém, a meu ver e numa certa esquerda, a ser generalizada, e politicamente hipócrita. E sim, a atitude é, ou tem sido, típica do Bloco de Esquerda. Mas não vale a pena confundir partidos com pessoas, não é?