West Wing, season 8 começa
6 Novembro 2008, 19:35 · Rui Branco
Josh Lyman, perdão, Rahm Emanuel, acaba de aceitar a posição de chefe de gabinete na West Wing de Matt Santos, perdão, Barack Obama. Esta nomeação coloca-nos vários problemas de narratologia e epistemologia. Ficção e realidade tornam-se uma só (facto também notado por Pedro Marques Lopes). Primeiro, foi a série que se inspirou na realidade (quem viu o War Room e se lembrar da cena da galinha para chamar mariquinhas a quem não quer debater percebe do que estou a falar). Joshua «Josh» Lyman, o deputy chief of staff na West Wing de Bartlett, foi inspirado em Rahm Emanuel, politial adviser na Casa Branca de Clinton. Na 6.ª época, e aproximando-se o final do segundo mandato de Bartlett, Josh tem a ideia de ir desafiar um congressista hispânico, Matt Santos (Jimmy Smits), para concorrer às primárias democráticas. O discurso de Obama em 2004 terá inspirado Aaron Sorkin, o criador e argumentista de West Wing, para esta possibilidade (que o próprio já confirmou), a de um presidente não branco, meio desconhecido, que levanta um país com o poder de uma ideia simples: mudança. Depois de umas duras primárias, Matt Santos ganha a nomeação democrata; na época seguinte, Santos ganha a eleição presidencial contra um nomeado republicano desalinhado, decente, respeitável e respeitado pelos democratas (o magnífico Alan Alda), em quem muitos julgaram ver McCain, e bem. Santos, o primeiro presidente hispânico. O que é curioso é que a personagem de Santos sempre se recusou a correr como hispânico-americano; correu apenas como americano. Também ele enfrentou questões raciais fortes, que superou, percebendo bem, como Obama, que se corresse como o típico e previsível candidato chicano, com uma agenda política nascida e limitada por esse facto adscritivo, nunca poderia ganhar ou nunca poderia ganhar da única maneira que valia a pena ganhar, isto é, transcender as linhas de clivagem étnica. A 7.ª época de West Wing termina com a formação do primeiro governo de Santos, do qual Josh é, naturalmente, o chefe de gabinete. O último episódio da última época do West Wing foi para o ar em 14 de Maio de 2006. A ficção copiou a realidade e depois a realidade copiou a ficção. A 8.ª época começa.





Este post parece feito de propósito para mim. Estás a referir só a minha série preferida de sempre. Desde o início das primárias democratas que já tive várias conversas sobre esta sobreposição entre realidade e ficção. Um pequeno aparte, Matt Santos era Congressista e não Senador.
Abraço
Há no NYT de hoje uma notícia sobre a escolha da escola para as filhas de Obama absolutamente igual a WW (aqui http://www.nytimes.com/2008/11/06/us/politics/06family.html?_r=1&oref=slogin).
Nicolae, pois, é bem capaz de ser a minha preferida também. Obrigado pela dica do Santos, claro, vou mudar a coisa. E agora que fui ver isso à wikipedia, a coisa é ainda mais divertida, porque «It was mentioned that during his third term as a congressman he had received a spot on the prestigious House Committee on Ways and Means.» Ora, «Emanuel represents Chicago’s North Side, and serves on the House Ways and Means Committee».
Mariana, aguardemos, algures no segundo mandato, pelo namorado afrancesado tótó.
É isso mesmo.
Continuando a falar sobre a dupla Lyman/Emanuel, recordas-te do episódio em que é referido que Josh Lyman terá uma vez enviado um peixe morto a um congressista ? Essa é uma das que Emanuel fez. E quando Josh foi gozado por toda a equipa porque em criança queria ser bailarino ? Se percebi o que li sobre Emanuel ele andou em escolas de bailado.
Nicolae, pois é, pois é. E essa do peixe morto faz lembrar a cabeça de cavalo do padrinho. E pelo que se lê por exemplo no artigo da Nina Eeaston: When it comes to slicing and dicing his Republican foes, Emanuel applies a Chicago pol’s sensibility that recalls that famous Untouchables line: “He pulls a knife, you pull a gun; he sends one of yours to the hospital, you send one of his to the morgue.”
Excelente citação de Sean Connery n´”os Intocaveis”.
Abraço
[...] viu o «War Room» se calhar lembra-se dele. Howard Wolfson era o tipo alto de barba meio ruiva que [...]